O Ecofascismo (Carlos Taibo)

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A transição ecossocial não é a única resposta imaginável ao colapso. É preciso prestar atenção, em vez disso, a uma outra muito diferente, que vem da mão do que alguns estudiosos chamam de ecofascismo.

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“Já indiquei que a contribuição dos movimentos através da transição ecossocial não é a única resposta imaginável ao colapso. É preciso prestar atenção, em vez disso, a uma outra muito diferente, que vem da mão do que alguns estudiosos chamam de ecofascismo. Este último é baseado na intuição de que para resolver eficientemente o problema geral da escassez não há outra solução do que propiciar um rápido e forte declínio no número de seres humanos que povoam o planeta.

Tal aposta carrega, claro, a marginalização, e, neste caso, o extermínio, de boa parte da população, amparada na aplicação de delicados critérios para determinar quem fica e quem não. Se às vezes a opção de exclusão e de extermínio justifica-se em virtude de códigos religiosos, outras invoca um mero poder material e algumas vezes se vale de presumidas exigências naturais, ela sempre opera com base em uma ideia matriz: a de que a Terra não pode mais.”

O Ecofascimo
Carlos Taibo
Editora Subta
Capítulo 5 do livro Colapso – capitalismo terminal, transição ecossocial, ecofascismo de Carlos Taibo.
16 páginas


Carlos Taibo é professor aposentado de Ciência Política na Universidade Autônoma de Madrid, onde também dirigiu o programa de estudos russos do Instituto de Sociologia das Novas Tecnologias. É autor de mais de vinte livros em espanhol (castelhano), muitos relatvos às transições na Europa central e oriental. É também militante anarquista em associações na Espanha; participou e escreveu sobre o movimento antiglobalização no final dos anos 1990, além de se ocupar, como pesquisador e militante, de temas como ação direta e anarquismo. Ultimamente se voltou para a questão ecológica riscando o verniz ambientalista e atento ao que nomeia “ecofascismo”. Insiste em que o colapso ecológico é um desdobramento lógico do capitalismo e que é preciso caminhar para o decrescimento, questões que trata de maneira mais detalhada em livro mais recente, Colapso: capitalismo terminal, transição ecológica e ecofascismo, de 2016. Seu último livro chama-se Histórias antieconômicas e foi publicado pela Catarata Libros, na Espanha, em 2020.

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