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Desativamos PAC e SEDEX? Obrigado Carteiro! 💌

Obrigado Carteiro!

A precarização dos Correios é um projeto neoliberal para entregar a empresa ao grande mercado de capitais. Enquanto o AliExpress e o Mercado Livre esfregam as mãos aguardando o dia que receberão o serviço de encomendas à preço de banana pelas mãos de salnoraBo e Papo Guedes, trabalhadoras e trabalhadores dos Correios vivem incertezas sobre garantias trabalhistas, sequestro de fundos de pensão, profissionais doentes, instabilidade dos serviços e crescente terceirização de atividades.

Com tudo isso, nós que utilizamos os serviços acompanhamos os aumentos de preços crescentes nos serviços de correspondência e encomendas. Nem todas as pessoas sabem, mas a Universalização dos Serviços de Correspondência é um direito. Mas para que ele serve?

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 19º – Declaração Universal dos Direitos Humanos

Comunicar-se é um direito humano, enviar suas opiniões e expressões, receber sem considerações de fronteiras, sacou? Por isso que enviar e receber correspondências é uma garantia. Mas se você tiver que pagar uma fortuna para isso, será que é realmente um direito?

Os Correios possuem tarifas econômicas para envio de Cartas e materiais Impressos. Desde 2015 essas modalidades vem sofrendo profundas modificações. O envio de impressos por exemplo (livros, revistas, material de divulgação, etc..) tiveram seus limites modificados de 21kg. para 2kg. E o preço das tarifas vem se multiplicando a cada ano. Mas ainda assim, podemos enviar cartas e impressos com uma política especial, diferente das encomendas (por enquanto).

A Editora Monstro dos Mares decidiu DESCONTINUAR os envios através de PAC e SEDEX. Entendemos que também é nosso papel lutar e defender a Universalização dos Serviços de Correspondência e combater a precarização das atividades de profissionais Carteiros. São Monas, Minas e Manos que fazem a maior correria todos os dias para que livros, zines e cultura cheguem nas mãos de mais e mais pessoas. Somando em solidariedade com a categoria e seus familiares pela garantia dos direitos desses profissionais, independentemente de posições anteriores de sindicatos e ou indivíduos.

PRIVATIZAÇÃO NÃO!

Veja como ficaram os preços de frete econômico em nossa lojinha (Novembro de 2019):

  • Até 500 g. -> R$10
  • até 1000 g. -> R$15
  • até 1500 g. -> R$20
  • até 2000 g. -> R$26
  • até 2500 g. -> R$32
  • até 3000 g. -> R$38
  • até 3500 g. -> R$45
  • até 4000 g. -> R$50
  • acima de 4001 g. -> GRÁTIS;

Todos os envios possuem registro módico, ou seja, uma forma de registro econômico que permite que o envio seja rastreado parcialmente no envio, movimentação de entrega e na eventualidade de um erro de entrega ou retorno.

Informações adicionais

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Mudanças nos valores e serviços dos Correios em Março

Nesta Segunda-feira, dia 25 de Fevereiro recebemos a informação da atendente dos correios que em Março haverá um novo aumento nos valores (se você recorda em 2018 subiu 43%) e também uma provável unificação dos registros (Carta, Carta Urgente, Registro Módico e Registro Urgente), transformando todas as etiquetas de registro em uma só iniciada com as letras JN, diferentemente das tradicionais RE e JT.

O serviço de registro módico para Impressos, utilizados por livreiros, editoras e fanzineiros para envios econômicos vem sofrendo modificações constantes. Em 2016 o limite de 21kg foi alterado para 2kg. O que restringiu (e muito) a divulgação científica, a distribuição de livros e o intercâmbio de materiais impressos. Já faz algum tempo, os ajustes de preço eram anunciados no blog dos correios com certa antecedência e desde 2017 essa prática foi descontinuada. Foi informado no dia 02 de Fevereiro, que os preços seriam reajustados no dia 05 do mesmo mês naquele ano. Fato que lamentamos profundamente, uma vez que os serviços serão reajustados em poucos dias e não temos direito a essa informação.

Esperamos com sinceridade que a atividade dos Correios continue sendo prestada com eficiência mesmo com a transparente política de desmonte e “competitividade” nos serviços de encomendas. Temos o compromisso buscar a melhor alternativa para o envio de livros/zines e nos solidarizamos às trabalhadoras e trabalhadores que temem pelo fechamento de diversas agências no país e a privatização da autarquia.

Por um serviço de qualidade, com valor acessível à população e garantias de direitos fundamentais da categoria!

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Nossa história sobre a II Feira do Livro Anarquista de BH e a greve dos caminhoneiros

Neste final de semana vai rolar a II Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte. Fizemos cerca de 8.000 impressões de livros e zines para enviar ao evento que acontece nos dias 8 e 9 de Junho, com bônus de festa junina no domingo dia 10. Nenhuma das pessoas que fazem parte do coletivo da Monstro dos Mares mora em BH ou na região, mas conseguimos a solidariedade de compas para distribuir o material. Valeuzão!

Confira a programação da feira em feiraanarquistabh.noblogs.org ou no facebook.

No dia 15 de Maio nossa tiragem para o evento estava em 3.000 impressões e a opção seria enviar os materiais pelos Correios, sabendo que o prazo é em torno de 21 dias. Porém, com as recentes mudanças nas políticas de preços da empresa, optamos por enviar os materiais por transportadora, pois a caixa levaria somente cinco dias na estrada, podendo levar quase o triplo de peso pelo mesmo preço do PAC. Então optamos por ganhar mais uns dias, produzir mais livros e realizar a postagem entre os dias 24 e 28 de Maio.

Estávamos super confiantes em participar da feira, enviar bastante material e fortalecer as leituras das pessoas e bibliotecas dos espaços ocupados. Seguíamos com nosso cronograma de impressões. Como é do conhecimento de todas as pessoas, no dia 21 de Maio estourou a greve dos caminhoneiros e o Brasil se dividiu. O processo de lutas de uma categoria de trabalhadores nunca deve ser questionado por uma parcela da esquerda institucionalizada em partidos políticos e seus comitês disfarçados de sindicatos ou centrais sindicais, tampouco por nós que temos a insurreição e a luta social como horizonte. Mas estava tudo tão estranho.

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RANIERY SOARES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO. Fonte

A apropriação da greve dos caminhoneiros por parte de empresários do setor e de segmentos da direita da maçônica, bem como os vexatórios pedidos de intervenção militar por parte do precariado intelectual brasileiro deixou no ar uma cara de espanto. Muitas de nós, diante deste quadro e com nossas forças esgotadas de tantas perseguições e agressões desde sempre, mas intensificadas desde 2014, optaram por esperar e verificar os desdobramentos dos acontecimentos nas estradas.

Talvez aqui fique a reflexão mais importante desse processo: Será que nós anarquistas teremos que esperar por uma insurreição legitimamente surgida em nossos meios para arregaçarmos as mangas e agir?

A pauta conservadora dos caminhoneiros, suas reivindicações baseadas somente no próprio lucro e seus custos de operação não contemplam as necessidades significativas de debate sobre o modelo logístico do país baseado neste modal, que se utiliza combustíveis fósseis, para atender um mercado que não pensa nas pessoas; nos limitados recursos naturais; no ar puro; na mobilidade urbana; no transporte coletivo; na formação de redes de assistência à cidade; na distribuição de alimentos de maneira local, sem depender de longas viagens de caminhão; sendo as ferrovias em sua grande maioria privatizadas e para atender unicamente ao agronegócio.

Com isso de fato não concordamos com o cenário que instalou nesses dias, mas ao mesmo tempo nos perguntamos porque não se ascendeu a greve geral? O que aconteceu nos segmentos de base, nas tendências e nos movimentos de luta junto à classe trabalhadora que não conseguiram/conseguimos mobilizar nossa indignação?

Não temos respostas, temos somente muitas perguntas para lidar e tentar entender quais os tipos de contribuições nós anarquistas podemos dar e em quais condições? Quem são nossos grupos de mobilização e quais tarefas estamos realizando para conscientizar as pessoas das injustiças, da exploração do mercado, da subserviência dos governos e do oportunismo dos políticos profissionais. Quais são nossas responsabilidades nisso? Queremos a revolução social, mas como? Quando.

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Com isso, não foi possível enviar os materiais para a feira em tempo de garantir nossa participação. Mas queremos que todas compas recebam nossa saudação e nossa vontade de participar na próxima edição. Que os ventos possam levar o espectro de solidariedade e que possam surgir bons debates, movimentações e perspectivas de luta capazes de contribuir com respostas aos questionamentos que seguem ecoando dentro de nós ao longo da história.

Livros e anarquia!