Carta de princípios editoriais

Carta de princípios editoriais

A editora Monstro dos Mares é um projeto editorial anarquista que nasce do desejo coletivo de multiplicar ideias, provocar pensamentos e fortalecer redes de resistência. Atuamos como um espaço de edição, criação e circulação de livros que desafiam as estruturas do grande capital, da colonialidade e do patriarcado em todas as suas expressões.

Nossa prática editorial está enraizada em princípios que orientam todas as nossas decisões, desde a escolha dos títulos até as formas de produção, distribuição e acesso.


Nossos princípios

  1. Luta aberta contra as opressões
    Atuamos conscientemente no enfrentamento ao capitalismo, ao racismo, ao patriarcado e à colonialidade, entendendo que o livro impresso é também uma ferramenta de luta, memória e transformação.
  2. Enfrentamento ao racismo e à colonialidade
    A luta contra o racismo é fundamental para a construção de uma sociedade verdadeiramente livre e igualitária. Assumimos o compromisso de agir ativamente na luta antirracista, valorizando produções intelectuais, artísticas e políticas de pessoas negras, indígenas e racializadas. Entendemos o livro como ferramenta para denunciar o racismo estrutural, preservar memórias de resistência e fortalecer práticas de emancipação.
  3. Contra o patriarcado
    Nos posicionamos de forma explícita contra todas as formas de sexismo e desigualdade de gênero. O patriarcado estrutura violências materiais e simbólicas que atravessam a produção do conhecimento, a cultura e o mundo do trabalho. Por isso, buscamos construir um espaço editorial que valorize a produção de mulheres e outras identidades de gênero historicamente marginalizadas, contribuindo para ampliar vozes, perspectivas e formas de imaginar mundos mais justos.
  4. Pela diversidade de gênero e dissidência sexual
    Afirmamos nosso compromisso com a visibilidade, escuta e valorização de pessoas trans, travestis, não binárias, intersexo e de todas as dissidências, sexual e de gênero. Rejeitamos qualquer forma de normatividade que silencie ou apague essas existências.
  5. Valorização das subjetividades
    Publicamos vozes que muitas vezes foram silenciadas. Valorizamos experiências pessoais, coletivas, afetivas e insurgentes. Cada publicação é um gesto de afirmação política.
  6. Autonomia e autogestão
    Agimos de forma independente e autogestionada. Não participamos de editais e não recebemos financiamento público ou privado de nenhuma parte. Nosso sustento se dá por meio da Rede de Apoio, doações pontuais de pessoas físicas, pelas vendas diretas e pelo esforço contínuo de pessoas que acreditam na potência transformadora dos livros.
  7. Afeto, cuidado e lentidão
    Nossa forma de produzir desafia a lógica do produtivismo. Trabalhamos com tempo ético, respeito aos corpos, afetos envolvidos e o cuidado com as relações que formam cada livro.
  8. Saúde mental, cuidado coletivo e resistência ao produtivismo
    A luta pela saúde mental está profundamente ligada às condições sociais em que vivemos. Muitas formas de sofrimento psíquico são produzidas ou agravadas pelas violências estruturais do capitalismo, do patriarcado e do racismo, que transformam tempo, corpos e afetos em recursos de produtividade. A precarização da vida, o produtivismo permanente e o isolamento social produzem exaustão e adoecimento. Diante disso, defendemos práticas de cuidado coletivo, apoio mútuo e construção de ritmos de vida e de trabalho que respeitem os limites dos corpos e rompam com as lógicas de exploração que buscamos transformar.
  9. Compartilhamento do conhecimento
    Acreditamos que o conhecimento não deve ser privatizado. Por isso, adotamos majoritariamente licenças Copyleft, incentivando a reprodução, adaptação e circulação dos materiais. Muitos dos nossos livros estão disponíveis em formato PDF para download gratuito, permitindo que cheguem a quem mais precisa independentemente de condição financeira ou geográfica.
  10. Cultura de software livre
    Utilizamos diariamente ferramentas livres como o LibreOffice e o Pandoc para preparar, converter e diagramar nossos livros. Essa escolha não é apenas técnica, mas política: buscamos fortalecer ecossistemas tecnológicos abertos e acessíveis, em oposição às dependências impostas por softwares proprietários. Como alternativa utilizamos softwares gratuitos quando necessário.


Copyleft e Circulação Livre

Todos os títulos publicados pela Monstro dos Mares são licenciados sob princípios de Copyleft (exceto em situações pontuais e justificadas). Isso significa que:

Esta publicação é uma ferramenta de luta contra o capitalismo, a colonialidade e o patriarcado em todas as suas expressões. Por isso, pode e deve ser reproduzida para ler em qualquer lugar, discutir em grupo, promover oficinas, citações acadêmicas, rodas de conversas e fazer impressões para fortalecer o seu rolê anárquico / anarquista / banquinha de zines / coletivo. Compartilhar não é crime. Pirataria é multiplicação.



Ao publicar conosco…

…autoras, autores e coletivos reconhecem-se nesses princípios e se somam nessa travessia. Entendemos o livro como abrigo, como arma e como instrumento de imaginação radical. Seguimos navegando com as marés do possível para manter a Monstro dos Mares como uma editora anarquista alinhada ao pensamento do século 21.


Crédito da imagem: Flamboyãzinho (Caesalpinia pulcherrima)

Scroll to top