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[Roda de conversa online] Interseccionalidades: queer, anarquismo e pandemia

No dia 12 de Agosto √†s 16h acontecer√° a roda de conversa online Interseccionalidades: queer, anarquismo e pandemia, que contar√° com a presen√ßa de Daniel Santos da Silva, autor de Sem lamenta√ß√Ķes: filosofia, anarquismo e outros ensaios, e Claudia Mayer, autora de queer no Brasil: resist√™ncia e empoderamento na (re/a)presenta√ß√£o de si e Editora Geral da Monstro dos Mares.

As inscri√ß√Ķes podem ser realizadas em:
https://sigaa.ufra.edu.br/sigaa/public/extensao/consulta_extensao.jsf

Esse evento √© organizado pelo Projeto de Pesquisa (In)visibilidades, Identidades e Diferen√ßas: ra√ßa, g√™nero, sexualidades e outras interseccionalidades na mem√≥ria cultural, liter√°ria dos contextos p√≥s/de(s)-coloniais ou no sul global, da Universidade Federal Rural da Amaz√īnia (Tom√©-A√ßu/PA). O projeto √© coordenado pelo professor Marcelo Spitzner, autor de Judith Butler & Michel Foucault: considera√ß√Ķes em torno da performatividade, do discurso e da constitui√ß√£o do sujeito.

O encontro tamb√©m far√° parte do I Congresso Internacional de Estudos Multidisciplinares na Amaz√īnia, que acontecer√° online nos dias 10, 11 e 12 de Agosto. As inscri√ß√Ķes ir√£o at√© o dia 07/08 e podem ser realizadas no site do evento.


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AnarchySF: um repositório de ficção científica anarquista

anarchySF

AnarchySF é um catálogo online que faz a intersecção entre anarquia e ficção científica. O site é um repositório de código aberto para ficção científica anarquista e/ou de inspiração anárquica. Estão em destaque muitos livros, filmes e outras mídias que são evidentemente anarquistas em sua forma política ou de interesse para anarquistas e pesquisas de referência.

O acervo foi inicialmente coletado e organizado por Ben Beck (professor de história aposentado e escritor), que localizou e manteve o material por cerca de três décadas. No final de 2019 a coleção foi reorganizada e recebeu um novo visual pelos novos chegados do projeto, Eden Kupermintz (crítico musical de metal extremo) e Yanai Sened (que prefere fazer mistério sobre sua identidade).

Durante o processo de reorganiza√ß√£o, a miss√£o b√°sica foi de torn√°-la muito pr√≥xima de como ele se manteve durante os √ļltimos 30 anos. Nas palavras do pr√≥prio Ben, curador original do acervo:

“Fic√ß√£o Cient√≠fica √© inevitavelmente o g√™nero mais adequado para uma reflex√£o sobre o anarquismo, especula√ß√Ķes sobre como pode ser o futuro, mesmo as utopias e as distopias na fic√ß√£o por vezes ocupam um espa√ßo de “subg√™nero” da fic√ß√£o cient√≠fica. Como sabemos, faz tempo que a fic√ß√£o cient√≠fica atrai anarquistas.

Também existe uma tendência muito natural de se olhar para o espaço e a exploração espacial como uma metáfora para a liberdade tão querida por anarquistas. Mas isso não quer dizer que a ficção científica seja em si essencialmente anarquista. O site procura apenas investigar o quanto a ficção científica tem sido criada por anarquistas e simpatizantes da anarquia, como tem sido tema de análise da crítica anarquista, ou de fato atacada por essa crítica.

A cole√ß√£o √© apenas uma vis√£o anarquista da fic√ß√£o cient√≠fica, se voc√™ quiser.”

O objetivo do site, desde a sua reconstru√ß√£o, √© utilizar ferramentas modernas de gerenciamento de conte√ļdos para incentivar a participa√ß√£o da comunidade em torno do acervo e colaborar em sua manuten√ß√£o. Ningu√©m conseguiria mant√™-lo atualizado e preciso por muito tempo; al√©m disso, esse n√£o seria um “modo propriamente anarquista” de se fazer as coisas. Contando com os princ√≠pios da ajuda m√ļtua, AnarchySF convida as pessoas para ajudar a manter o acervo. √Č poss√≠vel acessar um guia de colabora√ß√£o para saber como √© poss√≠vel se envolver no projeto.

Por que AnarchySF é anarquista?

Naturalmente o projeto tem uma ess√™ncia an√°rquica. Para alguns dos colaboradores e mantenedores do site, o anarquismo pode ser uma perspectiva pol√≠tica ou um modo de vida. No entanto, nem todas as pessoas que mant√™m ou contribuem para o projeto precisam ser, necessariamente, anarquistas; geralmente, anarquistas podem ser reconhecidas em muitas cores e n√£o cabe ao projeto criar ainda mais distin√ß√Ķes de ideias. Em vez disso, este acervo v√™ a anarquia como um objeto a ser descoberto, uma ideia a ser estudada. O projeto deseja ser um reposit√≥rio de conhecimento para todas as pessoas interessadas na anarquia, independentemente de sua afilia√ß√£o ou identifica√ß√£o pol√≠tica.

Conheça AnarchySF: www.anarchysf.com

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Julho de 2020: Agradecimentos Rede de Apoio (Podcast b√īnus)

Tem dias mais dif√≠ceis, nos quais as preocupa√ß√Ķes est√£o al√©m das necessidades de tinta, papel e textos. Ao pensar em quest√Ķes como justi√ßa social e seguran√ßa sanit√°ria dos centros urbanos, das periferias e da vida no campo, refletimos sobre o que est√° acontecendo. Quem dir√° sobre o que vir√°?

A pandemia est√° ensinando muitas li√ß√Ķes sobre como encaramos a vida, as atividades di√°rias, nossa conviv√™ncia com as pessoas pr√≥ximas e a import√Ęncia de saber “habitar nossas casas”. Uma quest√£o que bateu forte aqui √© a d√ļvida em torno da necessidade de sermos pessoas produtivas diante de um cen√°rio t√£o adverso como o da doen√ßa que dominou o mundo. Por isso estamos fazendo como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar.

Podcast b√īnus

No dia 17 de Julho de 2020, Baderna James e abobrinha gravaram sobre suas atividades na editora, diagramação de livros e zines utilizando software livre (LibreOffice e GIMP) e sobre a obrigatoriedade de sermos pessoas produtivas.

Queremos agradecer as pessoas que est√£o conosco diariamente e que confiam em nosso projeto editorial. Algumas delas fortalecem com os recursos para manter a editora em funcionamento. Com muito carinho agradecemos as amizades da Rede de Apoio:

  • Contribui√ß√Ķes an√īnimas;
  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Mayumi Horibe;
  • Phanta;
  • Lua Clara Jacira;
  • Leo Foletto;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Ricardo Mayer;
  • Willian Aust;
  • Enguia;
  • Fernando Silva e Silva;
  • Mauricio Marin;
  • Adriano Gatti Mesquita Cavalcanti;
  • Andressa Fran√ßa Arellano;
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos;
  • Anna Karina;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Z√©;
  • Karine Tressler;
  • Andrei Cerentini;
  • Lupi;
  • Caio;
  • Fyb C;
  • Jos√© Ant√īnio de Castro Cavalcanti;
  • Guapo.

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
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Zapatistas: li√ß√Ķes de auto-organiza√ß√£o comunit√°ria

A primeira intenção de acabar com a política e substitui-la pela justiça transformadora baseada na comunidade está em andamento nos E.U.A., mas existem comunidades que têm experimentado a auto-organização, como os Zapatistas em Chiapas.

√Ä medida em que a pandemia de Covid-19 sufoca os sistemas de sa√ļde e as economias, inclusive nas na√ß√Ķes mais avan√ßadas, as redes m√ļtuas e os esfor√ßos de auto-organiza√ß√£o t√™m surgido em todo mundo como amostra de solidariedade pand√™mica.

Com o assassinato policial de George Floyd, E.U.A., v√™-se uma expans√£o da auto-organiza√ß√£o: de doa√ß√Ķes e fundos de ajuda m√ļtua para manifestantes at√© patrulhas cidad√£s em Mine√°polis e uma zona aut√īnoma livre de pol√≠tica em Seattle.

A partir do caso Floyd, a primeira intenção de abolir a polícia e acabar com a política, e substitui-las pela justiça transformadora baseada na comunidade está em andamento nos E.U.A., mas existem comunidade que têm experimentado a auto-organização sem recorrer aos estados que as oprimem ou espoliam, como Rojava no noroeste da Síria, Cooperação Jackson no Mississippi e Zapatistas em Chiapas.

Os zapatistas, em particular, t√™m passado os √ļltimos 20 anos organizando suas comunidades de maneira aut√īnoma em rela√ß√£o ao Estado em todas as esferas da vida, desde a pol√≠tica e o sistema de justi√ßa at√© a aten√ß√£o m√©dica, a economia e a educa√ß√£o. √Ä medida que somos testemunhas dos limites do que se pode mudar radicalmente, a experi√™ncia zapatista √© mais relevante do que nunca.

Sendo aprendiz de novas formas de democracia direta e autogoverno ap√°trida, viajei para Chiapas em dezembro passado para participar de um programa de um m√™s, chamado ‚ÄúCelebra√ß√£o da Vida‚ÄĚ, que culminou com a celebra√ß√£o do 26¬ļ anivers√°rio do levante Zapatista de 1994, quando campesinos ind√≠genas de Chiapas se organizaram para defender seus direitos e terras contra o Estado e os grandes propriet√°rios.

Embasando-me na investiga√ß√£o etnogr√°fica existente, assim como em minhas pr√≥prias entrevistas e conversas durante a viagem, exploro neste texto as caracter√≠sticas mais instrutivas da organiza√ß√£o social dos zapatistas: tomada de decis√Ķes de baixo para cima, justi√ßa aut√īnoma, educa√ß√£o, sistemas de sa√ļde e economia cooperativa, com a esperan√ßa de que possamos nos beneficiar da experi√™ncia deles ao construir nosso pr√≥prio ‚Äúoutro mundo‚ÄĚ.

As pessoas decidem

Nos 26 anos posteriores ao levantamento inicial, os zapatistas se converteram em uma voz de destaque dos povos ind√≠genas de M√©xico e constru√≠ram um sistema aut√īnomo de fato de autogoverno em territ√≥rios cont√≠guos ao estado de Chiapas, habitados pelos defensores do movimento.

Um princ√≠pio-chave subjacente no projeto zapatista, que assegura que as institui√ß√Ķes aut√īnomas sirvam √†s pessoas, √© ‚Äúmandar obedecendo‚ÄĚ, o que significa liderar obedecendo. Isso implica que os l√≠deres pol√≠ticos n√£o tomam decis√Ķes em nome de sua comunidade como seus representantes, mas atuam como delegados da comunidade, implementando as decis√Ķes tomadas nas assembleias locais, um mecanismo tradicional de tomada de decis√Ķes.

Representantes existem no nível da aldeia e, diferente das assembleias tradicionais do México, incluem mulheres, cujo empoderamento está no centro da revolução zapatista. As assembleias elegem delegados por um conselho municipal, e seguem no nível da estrutura zapatista.

Logo, em n√≠vel regional, v√°rios aut√īnomos s√£o representados por delegados em Juntas de Bom Governo (JBG), o Conselho de Bom Governo, chamados assim em contraste com o ‚Äėmau‚Äô governo mexicano. Os membros da JBG servem durante 3 anos de forma rotativa, em turnos de apenas algumas semanas. Essa rota√ß√£o frequentemente se destina a prevenir o aparecimento de redes de clientelismo.

O mapa √© cortesia de Ma√ęl Lhopital, voluntario do DESMI.

Qualquer ideia proposta em um n√≠vel administrativo superior passa pelo processo de consulta com cada comunidade, e ap√≥s isso √© que cada delegado leva a opini√£o de suas comunidades para a reuni√£o municipal. H√° uma forte √™nfase na tomada de decis√Ķes por consenso, mesmo que isso signifique, constantemente, assistir a reuni√Ķes de um dia em que todos devem ser escutados, e que as decis√Ķes n√£o aconte√ßam at√© que se chegue ao entendimento geral.

Os líderes são eleitos de acordo com o peso da tradição indígena, a obrigação de servir à comunidade, e se comprometem a postos de responsabilidades não-remunerados. As comunidades têm direito de revogar o mandato daqueles funcionários que não cumpram com seu dever de servir às pessoas.

A forma√ß√£o pol√≠tico-militar EZLN (Ex√©rcito Zapatistas de Liberta√ß√£o Nacional), que se organizou clandestinamente em 1983 e alcan√ßou o levante de 1994 e as ocupa√ß√Ķes de terras, existe paralelamente aos tr√™s n√≠veis de administra√ß√£o aut√īnoma e da dire√ß√£o pol√≠tica do movimento. Bem organizado hierarquicamente, seu corpo mais alto √© formado por civis eleitos por assembleias comunit√°rias. Al√©m disso, sua presen√ßa nos assuntos comunit√°rios √© limitada para garantir um verdadeiro autogoverno democr√°tico das comunidades zapatistas.

O subcomandante Mois√©s fazendo uma declara√ß√£o na celebra√ß√£o de anivers√°rio, rodeado pelo resto da CCRI-CG, o corpo mais alto do EZLN (Comit√™ Clandestino Revolucion√°rio Ind√≠gena ‚Äď Comando Geral) | Foto: Anya Briy

Ap√≥s adotar uma posi√ß√£o de recha√ßo a qualquer ajuda do chamado governo ‚Äėmau‚Äô, os zapatistas assumiram a fun√ß√£o estatal de presta√ß√£o de servi√ßos nas comunidades afiliadas ao movimento. Isso significa construir seus pr√≥prios sistemas comunit√°rios de justi√ßa, educa√ß√£o, sa√ļde e produ√ß√£o.

Sistema de justiça

O sistema de justi√ßa zapatista tem ganhado confian√ßa e legitimidade, incluindo para al√©m dos partid√°rios do movimento. √Č gratuito, acontece nas l√≠nguas ind√≠genas e √© comprovadamente menos corrupto ou parcial em compara√ß√£o com as institui√ß√Ķes governamentais de justi√ßa. H√°, ainda, o que tem de mais importante: adota um enfoque restaurador, no lugar do punitivo, e coloca √™nfase na necessidade de encontrar uma solu√ß√£o que satisfa√ßa todas as partes.

Dentro da comunidade, o sistema possui tr√™s n√≠veis: o primeiro n√≠vel se refere a quest√Ķes entre os partid√°rios zapatistas, como fofocas, roubos, embriaguez ou disputas dom√©sticas. Tais casos s√£o resolvidos pelas autoridades eleitas ou, se necess√°rio, pela assembleia comunal, segunda a pr√°tica habitual. Ao resolver conflitos, as autoridades funcionam, em grande medida, como mediadoras, propondo solu√ß√Ķes √†s partes envolvidas. Se n√£o conseguem resolver, os casos passam, ent√£o, ao n√≠vel seguinte, municipal, no qual s√£o tratados por uma Comiss√£o de Honra e Justi√ßa eleita.

Na maioria das vezes, as senten√ßas envolvem servi√ßos volunt√°rios ou multas; as penas de c√°rcere normalmente n√£o excedem alguns dias. Como Melissa Forbis explica, o c√°rcere comunit√°rio geralmente √© apenas uma casa cercada com uma porta parcialmente aberta para que as pessoas possam passar para conversar e trazer comida. Quando quem cometeu a infra√ß√£o n√£o tem meios e precisa pedir dinheiro emprestado aos membros de sua fam√≠lia para pagar uma san√ß√£o, estes tamb√©m est√£o envolvidos e a pris√£o ajuda a prevenir uma transgress√£o maior. As quest√Ķes dom√©sticas relacionadas com as mulheres s√£o abordadas pelas mulheres na Comiss√£o.

Maria Mora oferece um retrato revelador do enfoque do movimento sobre a punição, documentando um caso em que os zapatistas emitiram uma sentença de serviço comunitário durante um ano por roubo. Aos declarados culpados permitiu-se oscilar entre o serviço com o trabalho em seus próprios campos de milho para que suas famílias não tivessem que compartilhar o castigo. A comissão explicou sua decisão da seguinte maneira:

‚ÄúPensamos que se simplesmente os prend√™ssemos, os que realmente sofreriam seriam os membros da fam√≠lia. Os culpados simplesmente descansariam todos os dias na pris√£o e aumentariam de peso, mas suas fam√≠lias precisariam trabalhar no milharal e descobrir como sobreviver.‚ÄĚ

O n√≠vel mais alto do sistema de justi√ßa, o JBG, se ocupa de casos que envolvem principalmente n√£o-zapatistas ou outras organiza√ß√Ķes pol√≠ticas locais, geralmente sobre disputas de terra, assim como as autoridades governamentais locais. Os n√£o-zapatistas buscam o sistema de justi√ßa aut√īnomo n√£o apenas quando t√™m disputas com membros das comunidades zapatistas, mas tamb√©m quando experimentam um tratamento injusto por parte dos funcion√°rios do governo; neste caso, os zapatistas podem decidir acompanhar os demandantes ao escrit√≥rio p√ļblico e debater em seu nome.

Embora os zapatistas tenham polícia, ela é bastante diferente de como estamos acostumados a pensar nisso. Como documenta Paulina Fernández Christlieb, não são armados, nem uniformizados, nem profissionais. Igual a outras autoridades, a polícia é eleita por sua comunidade; não são remunerados e não servem nesta função permanentemente. Cada comunidade tem sua própria polícia, enquanto nos níveis administrativos mais altos, os do município e da região, não têm. Descentralizados e desprofissionalizados, os policiais servem e estão sob o controle da comunidade que os elege.

Festival de dan√ßa que faz parte do longo programa do m√™s, chamado de ‚ÄúCelebra√ß√£o da Vida: membros da comunidade Zapatista comemoram a vida depois de 1994. As placas falam, ‚ÄúEduca√ß√£o‚ÄĚ, ‚ÄúSa√ļde‚ÄĚ e ‚ÄúTrabalho Coletivo‚ÄĚ. Foto: Anya Briy

Educação

O sistema educativo zapatista est√° igualmente enraizado na comunidade. As escolas aut√īnomas s√£o administradas pelos chamados ‚Äúpromotores da educa√ß√£o‚ÄĚ, principalmente jovens locais que ensinam em suas pr√≥prias comunidades sob a supervis√£o de um comit√™ educacional eleito por uma assembleia local.

Desde o lan√ßamento do sistema educativo aut√īnomo, os zapatistas t√™m levado a cabo programas de capacita√ß√£o para preparar os promotores educativos e desenvolver um plano de estudos em colabora√ß√£o com grupos solid√°rios, ONGs e volunt√°rios de fora, assim como em consulta com a popula√ß√£o local. Atualmente as comunidades t√™m seus pr√≥prios profissionais que capacitam novos promotores. Assim como outros postos de autoridade e responsabilidade, os promotores n√£o recebem sal√°rios e a comunidade apenas os ajuda no cultivo de seus campos de milho.

O plano de estudos est√° integrado na vida da comunidade e √© desenhado para preparar uma nova gera√ß√£o para as tarefas de governan√ßa e autossufici√™ncia, que incluem temas como autonomia, hist√≥ria, agroecologia e medicina veterin√°ria. As aulas s√£o ministradas tanto em espanhol quanto nas l√≠nguas ind√≠genas, com √™nfase na preserva√ß√£o das tradi√ß√Ķes e conhecimentos locais. A comunidade participa ativamente da escolha da metodologia e do plano de estudos, como mostra o coment√°rio de um promotor de educa√ß√£o de uma das comunidades, citado por Bruno Baronnet:

‚ÄúConsultamos o nosso comit√™ de educa√ß√£o e nossa assembleia sobre os verdadeiros conhecimentos que s√£o importantes para nosso povo. S√£o as pessoas que decidem e respeitamos suas opini√Ķes, inclusive se as vezes n√£o estou de acordo, como no outro dia durante a assembleia, quando me pediram que eu n√£o jogasse com as crian√ßas durante as horas de escola porque alguns pais pensam que n√£o se podem aprender enquanto se divertem. N√£o sabia como dizer a eles que n√£o est√£o de todo certo, mas os convencerei na pr√≥xima vez. (Tradu√ß√£o da autora, do Franc√™s).‚ÄĚ

Os jovens zapatistas est√£o representando suas vidas antes de 1994, fingindo beber cerveja e segurando um cartaz com o nome de um recente programa de ajuda governamental, Sembrando Vida.

Cuidados com a sa√ļde

Os zapatistas tamb√©m t√™m desenvolvido seu pr√≥prio sistema de sa√ļde, enquanto ainda se utilizando da ajuda de especialistas n√£o-zapatistas. A maioria das comunidades tem um volunt√°rio local, um promotor de sa√ļde, que recebe capacita√ß√£o em medicina tradicional e moderna nos centros de sa√ļde regionais organizados pelos zapatistas. Estes volunt√°rios prestam servi√ßos b√°sicos em uma casa de sa√ļde local.

O tratamento mais avan√ßado dispon√≠vel est√° nas cl√≠nicas localizadas em travessias de caminhos e em alguns centros municipais. A cl√≠nica em Oventic, por exemplo, √© uma das mais sofisticadas: oferece cirurgia b√°sica regular, atendimentos dent√°rios, ginecol√≥gicos e oftalmol√≥gicos, abriga um laborat√≥rio, um canteiro de ervas, uma d√ļzia de leitos e est√° equipada com ambul√Ęncias. Os comit√™s de coordena√ß√£o de sa√ļde, igual aos de educa√ß√£o, existem em cada n√≠vel administrativo, o que garante a participa√ß√£o das comunidades na administra√ß√£o do sistema de sa√ļde aut√īnomo.

Mulheres zapatistas que saíam de uma clínica localizada no centro de Morelia, onde se realizou o encontro internacional de mulheres, que também faz parte do programa de um mês e o aniversário. | Foto: Anya Briy

Nas comunidades mistas, onde os zapatistas coexistem com os n√£o-zapatistas, os servi√ßos aut√īnomos est√£o abertos a todos. Me disseram, por exemplo, que pais n√£o-zapatistas enviaram seus filhos para as escolas aut√īnomas porque sabem que s√£o de melhor qualidade. A mesma coisa se aplica √†s cl√≠nicas zapatistas, j√° que a falta de m√©dicos nas comunidades ind√≠genas √© comum.

Produção: Para Todos Tudo, Para Nós Nada

O funcionamento do governo aut√īnomo, escolas e cl√≠nicas, assim como de outros projetos coletivos, s√£o financiados por meio do ingresso em cooperativas e coletivos de terras. Eles est√£o no centro da inspira√ß√£o zapatistas de alcan√ßar a autossufici√™ncia econ√īmica do Estado e construir uma economia baseada na distribui√ß√£o equitativa dos recursos.

Embora as cooperativas e os coletivos coexistam com os terrenos familiares e o empreendimento individual, a participação no trabalho coletivo acontece de forma rotativa e é obrigatória. Também existem os bancos populares em forma de fundos rotativos que concedem empréstimos a baixo interesse aos membros da comunidade como base de apoio. Esses bancos geram fundos que se convertem em novos projetos coletivos. Alguns projetos coletivos são apenas para mulheres e têm a intenção de criar uma oportunidade para que elas ganhem confiança e participem da vida social de suas comunidades.

María, membro de uma comunidade zapatista, compartilhou sua experiência e compreensão sobre muitos aspectos da luta zapatista, incluindo o compromisso com o trabalho coletivo. | Foto: Anya Briy

Outro mundo é possível

Os desafios que o movimento zapatista enfrenta são muitos. Vão desde desertores, resultado da campanha de cooptação do governo por meio de subsídios e programas de melhoria, até a dependência financeira do financiamento por parte de ONGs solidárias e a persistência de tendências patriarcais e desigualdades internas.

Sem d√ļvida, apesar dos desafios, em 26 anos de luta pela autonomia, os zapatistas t√™m constru√≠do acordos sociais funcionais baseados na democracia debaixo para cima, coopera√ß√£o e justi√ßa comunit√°ria, que colocam o bem estar da comunidade acima do benef√≠cio individual.

Atrav√©s desses acordos, as comunidades zapatistas t√™m assegurado os direitos, a prote√ß√£o e as necessidades b√°sicas que o Estado mexicano tem lhes negado ou n√£o p√īde lhes proporcionar. Como assinalou recentemente Dora Roblero de Frayba, uma organiza√ß√£o que vem acompanhando os zapatistas desde o princ√≠pio, os zapatistas podem ser a √ļnica comunidade no M√©xico mais preparada para resistir √† pandemia, gra√ßas a sua auto-organiza√ß√£o de servi√ßos b√°sicos durante anos.

Sabendo que os Estados não protegem e nem promovem serviços para tantos cidadãos em todo o mundo, a experiência zapatista oferece uma alternativa inspiradora centrada na comunidade.


Por Anya Briy, publicado em OpenDemocracy e traduzido por Ste.

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O panorama atual do livro anarquista. Passeando entre editoras

Forma parte da tradi√ß√£o libert√°ria, talvez de uma maneira central, o interesse pela difus√£o de suas ideias. Ao largo da exist√™ncia do que poderia se chamar de movimento anarquista (com todas as aspas que queiram), existiram certos grupos dedicados a impress√£o de textos pr√≥prios ou traduzidos, assim como uma infinidade de revistas e publica√ß√Ķes mais ou menos peri√≥dicas.

Distantes est√£o os tempos em que o n√ļmero de exemplares se contava aos milhares (vale como exemplo o livreto Doze provas da inexist√™ncia de Deus, de Sebastian Faure, que teve uma edi√ß√£o de 620.000 exemplares em 1917 ou os 560.000 de Entre Campesinos, de Errico Malatesta, segundo cifras de J. √Ālvarez Junco), mas √© um fato a vincula√ß√£o do mundo editorial e o anarquismo. Figuras como Anselmo Lorenzo, Ferm√≠m Salvochea, Ricardo Mella ou Diego Abad de Santill√°n dedicaram esfor√ßos √† edi√ß√£o e tradu√ß√£o de obras. Essa tradi√ß√£o editorial teve nos anos 70 e 80 uma continuidade, incluso por editoras estritamente libert√°rias, que aproveitaram o nicho de ideias para editar textos, como foi o caso da s√©rie Acracia, de Tusquets.

Nos √ļltimos anos, entre outros motivos, por certo despertar de interesse acerca de temas sociais, estendeu-se por toda a Pen√≠nsula uma interessante forma de se aproximar da cultura libert√°ria: os encontros do livro anarquista. Salamanca, Barcelona, Madrid, Sevilla, Val√™ncia, Bilbao, Cartagena, Zaragoza, Gij√≥n, Logro√Īo, entre outras, s√£o cidades em que esse tipo de evento j√° se celebra. Esses encontros servem para difundir o ideal anarquista tanto no √Ęmbito oral, com conversas e col√≥quios, como por escrito, reunindo diferentes projetos dedicados ao mundo do livro e do fanzine.

Em paralelo ao crescimento e consolidação de muitos encontros ou feiras do livro anarquista, como evidente contraponto as feiras comerciais, parece também que se expandem e se consolidam diversos projetos editoriais ligados ao mundo libertário.

A cultura anarquista ocupa um lugar de permanente confronta√ß√£o com a cultura hegem√īnica atual, porque frequentemente vive nas margens do sistema. Quando falamos das margens do sistema, queremos falar de como existem formas culturais que transitam com tens√£o ou que fogem com maior ou menor √™xito da voracidade cultural da mercadoria. Dentro deste panorama, como n√£o poderia ser diferente no mundo anarquista, a variedade se amplia.

Para algumas pessoas, a cultura anarquista √© aquele que reflete as lutas, os personagens, as ideias, etc, associadas ao anarquismo no passado, presente e futuro. Isso pode se fazer desde diferentes modelos organizativos, entre os quais existam aqueles que defendam que o livro n√£o √©, √ļnica e exclusivamente, seu conte√ļdo. Para esta posi√ß√£o, o livro tamb√©m √© o seu modo de circula√ß√£o. Assim, um livro seria como uma pessoa, que √© seu conte√ļdo, suas palavras e seus atos, sendo esse modo de circula√ß√£o do qual falamos. As palavras tem um conte√ļdo informativo, ou seja, as palavras fazem a realidade, ou se preferirmos, influencia nela. Seguindo esse racioc√≠nio, se um livro diz coisas racistas, estaria se convertendo em parte do sistema de domina√ß√£o (racial) e, por exemplo, se um livro √© vendido em uma livraria onde seus trabalhadores/as t√™m condi√ß√Ķes laborais miser√°veis, esse livro se impregnaria dessas circunst√Ęncias, pois parte de seu pre√ßo se converteria em mais-valia (em s√≠ntese: em benef√≠cio para o explorador).

Essa postura convive com outras, seguindo m√ļltiplos debates no cotidiano a partir de poss√≠veis matizes que surgem no desenvolvimento da atividade cultural, nesse caso, editorial. Esses debates se movem entra a atividade editorial militante (que representariam as ideias explicadas) e as editoriais como cooperativas autogestion√°rias ou projetos de auto-emprego, entre uma atividade ao mais puro estilo Do It Yourself, ou mais ou menos profissionalizada. Em uma ou outra posi√ß√£o, sempre com firme car√°ter assemble√°rio e autogestion√°rio, se constituem v√°rios projetos editoriais cujas diferen√ßas tamb√©m se relacionam com a prefer√™ncia por tratar de temas variados ou girar ao redor de determinados temas espec√≠ficos. Exemplo claro disso s√£o os editoriais como o Ochodosquatro, que se dedica a divulga√ß√£o de textos relacionados aos direitos dos animais, ou o El Salm√≥n, que edita trabalhos que analisam como a tecnologia se insere no sistema de domina√ß√£o. N√£o √© raro que existam editoriais que sejam ao mesmo tempo livrarias ou livrarias que tenham seu pr√≥prio projeto editorial. Em Madrid j√° √© veterana a livraria e editorial La Malatesta (e rec√©m-nascida como La Rosa Negra) e em Barcelona se pode encontrar, nesse sentido, a Aldarull (e com parecido esp√≠rito temos tamb√©m a El Lokal). Em Granada, a livraria Bakakai edita sob nomes diferentes, enquanto que nessa mesma cidade a Biblioteca Social Hermanos Quero, com o seu pr√≥prio nome, colabora com frequ√™ncia com outros projetos para publica r livros sobre antipsiquiatria ou contrapsicologia, urbanismo, etc.

J√° que nos metemos na infame tarefa de etiquetar editoras, h√° de se destacar que algumas tem especial interesse por textos mais cl√°ssicos, como a j√° mencionada La Malatesta, enquanto que outras se concentram principalmente na edi√ß√£o de ensaios mais contempor√Ęneos, como a editora V√≠rus, ou a Muturreko Burutazioak, ou tamb√©m, de forma exclusiva em textos atuais que analisam as √ļltimas d√©cadas do s√©culo XX at√© os dias de hoje, como a editora Klinamen. N√£o obstante, provavelmente sejam mais frequentes as editoras que utilizam em suas edi√ß√Ķes crit√©rios n√£o cronol√≥gicos, visto que se pode encontrar em seus cat√°logos textos de qualquer √©poca, como os das editoras Deskontrol, Diaclasa, Calumnia, El Grillo Libertario, El Imperdible ou Piedra Papel Libros, entre muitos outros exemplos poss√≠veis. A maioria das mencionadas (Diaclasa, El Imperdible e tamb√©m Madre Tierra ou Ediciones Marginales) dedicam-se exclusivamente (ou quase) ao g√™nero liter√°rio ensa√≠stico, se bem que existam outras que possuam em seus cat√°logos obras de outros g√™neros liter√°rios (como Piedra Papel Libros em poesia e a Volap√ľk em narrativa).

Simplificando de maneira um pouco insultante, podemos dizer que √© poss√≠vel a divis√£o do mundo editorial convencional entre as grandes empresas editoriais que funcionam como qualquer outra multinacional: √© a grande ind√ļstria cultural como o Grupo Penguin Random House (Plaza y Jan√©s, Debolsillo, Taurus, etc.) ou o Grupo Planeta (Espasa, Paid√≥s, Ariel, etc.), e aquelas outras, poucas e pequenas quando comparadas com as outras, que se aferram √† Cultura, com cat√°logos muito caprichados como Akal. Tamb√©m podemos falar de um terceiro grupo de editoras alternativas por seu tamanho, como a N√≥rdica Libros, Errata Naturae ou a Impedimenta.

As primeiras buscam essencialmente dinheiro, em que pese o que poderia aparentar a complexa pol√≠tica de diversifica√ß√£o entre cole√ß√Ķes de consumo massivo e outras de car√°ter acad√™mico ou de altos voos culturais; as outras amam, apreciam a alta cultura porque acreditam, de forma impl√≠cita, que um ‚Äúmundo mais culto‚ÄĚ √© um mundo melhor.

O mundo anarquista coincide com a desprez√≠vel grande ind√ļstria editorial em um aspecto. Frente as editoras que mimam seus cat√°logos com grandes pensadores ou pensadoras, e n√£o sentem a cultura, como frequentemente fazem os artistas, como um fim em si mesmo, os livros anarquistas, de outro lado, s√£o ferramentas para conscientizar, agitar e isso sup√Ķe que muitos livros anarquistas n√£o saem de um grupo de pessoas que se dedica com exclusividade √†s atividades editorais, mas que os fazem como atividade cultural secund√°ria ou pontual. Assim encontramos que a CNT tem uma funda√ß√£o (Funda√ß√£o Anselmo Lorenzo), dedicada a publicar livros sobre seus militantes e sua hist√≥ria, marginalizados pelos cronistas acad√™micos, ou que o j√° veterano Espa√ßo Anarquista Magdalena no madrilenho bairro de Lavapi√©s publicou pontualmente ou colaborou com a edi√ß√£o de diversos textos.

Por outra parte, o mundo editorial anarquista, ao entender o livro como uma ferramenta a servi√ßo da transforma√ß√£o social libert√°ria, aposta tradicionalmente por valorizar a mensagem por cima da forma. Por isso, n√£o √© raro que o formato seja extremamente simples, inclusive, √†s vezes, muito mais simpl√≥rio ante os estandartes comerciais. Para quem est√° acostumado ao mundo editorial convencional, pode ter uma impress√£o negativa, mas a realidade √© que o processo, que nesses tempos relacionamos com o DIY, significa uma desconstru√ß√£o da hierarquia do processo cultural editorial, ao abrir esse mundo para quase qualquer pessoa, ou grupo de pessoas que pretendam colocar no papel o que seja. Dessa maneira, existe uma d√©bil barreira entre aqueles que difundem e editam textos anarquistas e seus leitores/as, de forma que passar de um lado para outro √© tremendamente habitual, o que confere um car√°ter popular e horizontal ao mundo cultural libert√°rio como √© imposs√≠vel de se imaginar na ind√ļstria cultural capitalista.

Isso se observa principalmente no mundo do fanzine, que usualmente aparece nas ruas ou em espaços diversos através de distribuidoras (que é o nome que lhe dá o movimento anarquista ao projeto de uma ou várias pessoas que publicam e vendem, ou só vendem, ou trocam, textos libertários por sua conta e risco, ou como parte de um projeto mais amplo como pode ser, por exemplo, um centro social), que se contam em dezenas, quiçá centenas, construindo provavelmente a parte quantitativa mais importante do mundo editorial anarquista.

√Č evidente que o campo editorial libert√°rio serviu de inspira√ß√£o para pessoas que n√£o se identificam com o corpus geral de suas ideias ou pr√°ticas, mas que valorizam e integram muitos outros aspectos do mundo libert√°rio: sua voca√ß√£o anticapitalista, sua mensagem de ruptura, sua organiza√ß√£o autogestion√°ria, a pretens√£o de fazer coerentes os meios para alcan√ßar um objetivo como pr√≥prio objetivo, etc. isso faz com que existam editoriais cujos v√≠nculos com o movimento anarquista sejam dif√≠ceis de elucidar. Para al√©m disso, um mundo descentralizado e focado em um aqui e agora de projetos que vem e v√£o em sua pretens√£o de mudar o mundo, resulta inalcan√ß√°vel para nossas possibilidades, raz√£o pela qual muitos nomes, seguramente muito interessantes, merit√≥rios e comprometidos ca√≠ram no caminho.

Por outro lado, valha este escrito para uma aproximação com o intenso trabalho de difusão cultural como forma de crítica social que mantém os anarquistas, frequentemente contra o vento e as mares.

Por outra parte, os esquecimentos tem fácil solução: esta página* tem a opção de acrescentar comentários para que recordemos esses projetos. Uma maneira de dar a conhecer aquelas editoras que acabamos por esquecer ou que não podemos incluir por limitação de espaço.

La Neurosis o Las Barricadas Ed.

* Se refere a p√°gina do ‚ÄėSolidaridad Obrera‚Äô, publica√ß√£o que d√° foz a CNT-AIT Catalunya-Balears, onde este texto foi publicado originalmente em 22 de mar√ßo de 2017.

Fonte: http://www.laneurosis.net/el-panorama-actual-del-libro-anarquista-buceando-entre-editoriales/

Tradução > Liberto
Links e modifica√ß√Ķes por Vertov.

Publicado em Agência de Notícias Anarquistas

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Oito livros anarquistas fundamentais (de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez)

oito livros anarquistas fundamentais

Nos livros de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez pode-se compreender as bases do anarquismo, encontrar edi√ß√Ķes que quase desapareceram devido √† sua estigmatiza√ß√£o, e descobrir a faceta libert√°ria do pensador Noam Chomsky. Estes s√£o os textos fundamentais para um seguidor dessa corrente.

A ideia de um mundo sem governo, no qual todos os indivíduos possam considerarem-se livres de qualquer jugo, é, para muitos, utópica, ilusória, ou simplesmente uma piada. Para os/as anarquistas ou libertário(a)s, pelo contrário, acabar com o Estado, o capitalismo, e qualquer regulamentação opressora tem sido sua maior motivação há séculos.

O problema √© que o termo anarquia ‚ÄĒ que por sua etimologia grega significa “aus√™ncia de governo” ‚ÄĒ est√°, muitas das vezes, associado √† viol√™ncia ou a tumultos. No M√©xico, por exemplo, v√°rios jornais fazem uso do termo unicamente para referirem-se a atos violentos que s√£o cometidos por algumas pessoas que guiam suas vidas segundo tais ideais. No Chile, o jornalista italiano Lorenzo Spairani foi deportado, em 2017, por gravar v√≠deos de uma marcha sindical, tendo sido acusado de fazer parte da cena anarcoliberal. Isso p√Ķe em d√ļvida a plena democracia do Chile, disse Spairani ao jornal costarriquenho El Pa√≠s.

Na Col√īmbia, h√° personalidades que, longe de promover a viol√™ncia, assumiram o anarquismo a partir das letras e das artes c√™nicas. Uma dessas pessoas √© Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez, escritor, bonequeiro, pensador, e tamb√©m fundador, h√° 44 anos em Bogot√°, do teatro La Lib√©lula Dorada, no qual injeta o “veneno” libert√°rio atrav√©s de obras de sua autoria como El Dulce Encanto de la isla Acracia. Ele tamb√©m colaborou no suplemento Magaz√≠n Dominical do jornal El Espectador com v√°rios artigos dedicados ao anarquismo, e em 1992 fundou o jornal Bi√≥filos, assim batizado em homenagem ao ativista e anarquista colombiano Bi√≥filo Panclasta, do qual produziu quatro edi√ß√Ķes. Sua biblioteca, que ocupa quase tr√™s c√īmodos de sua casa, √© uma vasta cole√ß√£o de filosofia, contos infantis, pe√ßas teatrais, cancioneiros, poemas, e h√° um local especial para estes oito livros, recomendados por Iv√°n Dar√≠o, que s√£o fundamentais para qualquer interessado(a) em conhecer as bases e os ideais anarquistas.

Diccionario anarquista de emergencia – Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

livros Diccionario anarquista de emergencia - Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

Parecer√° um pouco narcisista come√ßar com este livro que escrevi junto com o poeta Juan Manuel Roca, mas este texto √© como uma introdu√ß√£o ao anarquismo. Este livro est√° dividido em duas partes: na primeira, tomamos os termos de A a Z pr√≥ximos √† anarquia e os definimos do ponto de vista libert√°rio, atrav√©s de cita√ß√Ķes de fil√≥sofos, anarquistas, ou pessoas com ideais semelhantes ao anarquismo; na segunda parte, inclu√≠mos umas mini-biografias de personalidades que muita gente ignora que estavam pr√≥ximas dessa corrente, tal como Albert Camus, Arthur Rimbaud, Oscar Wilde e Leon Tolst√≥i.

Anarquía y orden РHerbert Read

livros Anarquía y orden - Herbert Read

Esta √© uma joia porque, devido √† sua estigmatiza√ß√£o, encontrar edi√ß√Ķes desta obra √© como procurar uma agulha no palheiro. Neste livro, Read re√ļne seis ensaios, nos quais h√° desde poesia at√© filosofia, e os relaciona ao anarquismo. Isto tamb√©m √© uma raridade em seu trabalho, porque esse ingl√™s √© mais conhecido por suas publica√ß√Ķes sobre est√©tica. A editora argentina que publicou esta obra, Am√©ricalee, √© muito importante, pois se encarregou de resgatar cl√°ssicos do anarquismo de meados do s√©culo XX.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Razones para la anarquía РNoam Chomsky

livros Razones para la anarquía - Noam Chomsky

Chomsky também é muito conhecido por seus trabalhos linguísticos e críticos, mas pouco por sua faceta libertária. Neste livro, onde também há entrevistas, ele faz um estudo sobre a prática das ideias anarquistas na Guerra Civil Espanhola, que levaram a impedir que os franquistas tomassem Barcelona. Os libertários também assumiram o controle das fábricas, eliminaram o dinheiro, e colocaram os campos nas mãos dos camponeses, sob autogestão. O autor vê nisto um modelo inspirador para uma nova sociedade, onde seja possível haver uma democracia construída de baixo para cima, e não ao contrário.

‚ėě Dispon√≠vel em The Anarchist Library.

El corto verano de la anarquía: vida y muerte de DurrutiHans Magnus Enzensberger

livros El corto verano de la anarquía: vida y muerte de Durruti - Hans Magnus Enzensberger

Durante a Guerra Civil e a gesta√ß√£o do movimento oper√°rio espanhol, surgiram grandes figuras, entre elas o metal√ļrgico Buenaventura Durruti. Ele teve uma vida extraordin√°ria: esteve preso, em seguida fugiu da Espanha e andou pelo M√©xico, Cuba e Argentina roubando, n√£o para ficar rico, mas para financiar suas lutas sociais e a funda√ß√£o de escolas anarquistas. Ele tamb√©m criou a Coluna de Ferro, que eram as mil√≠cias anarquistas que enfrentavam Franco. Enzensberger tece muito bem esse relato, e o conta como um romance, com testemunhos de simpatizantes, inimigos, e por meio de fragmentos de livros e entrevistas.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable – Christian Ferrer

livros Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable - Christian Ferrer

Nos quatro ensaios que comp√Ķem este livro, Ferrer pesquisa o estilo de vida dos libert√°rios, seu idealismo e f√© nas ideias, e os p√Ķe como um modelo do qu√™ o anarquista ideal pode ser. Tamb√©m se encarrega de desmistificar o imagin√°rio que a burguesia imp√īs √† sociedade a respeito do que √© um seguidor da anarquia: algu√©m estigmatizado, satanizado por sua rebeldia, um ser perigoso e incendi√°rio que sempre anda com uma bomba oculta. O autor d√° a essa obra um estilo pessoal que o torna muito po√©tico e agrad√°vel de ler.

El crep√ļsculo de las maquinas – John Zerzan

livros El crep√ļsculo de las maquinas - John Zerzan

Este trabalho √© muito pol√™mico porque Zerzan √© contr√°rio ao progresso da civiliza√ß√£o que, para ele, est√° nos levando a um beco sem sa√≠da. Ele argumenta que, com o surgimento da agricultura, come√ßou a divis√£o do trabalho e um ideal de ambi√ß√£o e de conquista que serviram de base para o escravismo. O autor prop√Ķe voltar a uma sociedade primitiva, onde haja uma rela√ß√£o mais estreita entre os seres humanos e a natureza, e onde as cidades n√£o existam; para ele, elas s√£o monstros em crescimento que degradaram o ser humano at√© o ponto de convert√™-lo em algu√©m anti-social.

Anarchy Alive!Uri Gordon

livro "anarquia viva!" Uri Gordon

O ativismo e sua participação em redes contra o Banco Mundial, o G8 e todos esses movimentos capitalistas e de globalização, levaram a esse graduado em Oxford a fazer este livro, que é sua tese de graduação. O particular é que ele não o fez sentado à uma mesa, mas sim embasado nas suas experiências em protestos. Gordon explica que, ainda que o anarquismo tenha sido ofuscado por movimentos como o marxismo, nunca desapareceu; depois do Maio de 68, houve uma nova irrupção e atualmente existem anarquistas que não se autodenominam assim, devido à estigmatização da palavra, e sim como autonomistas, assembleístas, etc.

‚ėě Dispon√≠vel na Biblioteca Anarquista Lus√≥fona.

Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes РRichard Porton

livro Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes

O cinema sempre esteve presente nas lutas sociais, e mostrou o anarquista de diferentes maneiras. Porton explica isso da perspectiva daqueles que seguem esses ideais, assim como daqueles que n√£o seguem. Aqui falamos sobre, por exemplo, Sacco e Vanzetti (1971), filme que conta o caso de dois imigrantes italianos que chegaram nos Estados Unidos em busca de um futuro melhor e que, ao ver as formas brutais de explora√ß√£o daquele pa√≠s, ingressam no movimento oper√°rio norte-americano para lutar a partir do anarquismo. Logo s√£o acusados ‚Äč‚Äčde um crime que n√£o cometeram e s√£o condenados √† cadeira el√©trica.


Fonte: Andr√©s J. L√≥pez. Artigo ¬ŅQu√© hay en la biblioteca de un anarquista? originalmente publicado na revista Cartel Urbano, de Bogot√° (Col√īmbia), em 22 de fevereiro de 2017. Vers√£o em portugu√™s por Anders Bateva.

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Ch√° da tarde com abobrinha (3¬™ edi√ß√£o) ☕

Dia 23 de julho (quinta-feira) às 15h será realizado nosso terceiro vídeo ao vivo. Estamos muito felizes com a participação de tanta gente! São muitas perguntas, e queremos nos organizar bem para podermos discutir todas elas.

As perguntas coletadas para a próxima live são as seguintes:

  • Se os correios entrarem em greve, como voc√™s far√£o para entregar livros e zines?
  • Como ter vida familiar sendo editor?
  • Como voc√™s escolhem os pap√©is de capa e por que cores t√£o lindas?
  • Quais tipos de papel “grosso” voc√™s usam para fazer capas de zines?
  • Quem assina no Catarse recebe o que?
  • Qual o crit√©rio de escolha de textos para publica√ß√£o?
  • Por que publicar um livro parece ser t√£o dif√≠cil?

Além das perguntas, também falaremos sobre o novo livro que está pronto para ser lançado!

Esperamos vocês no Instagram @monstrodosmares. A live também será disponibilizada em nosso canal no Youtube, logo após a transmissão ao vivo.

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Editoras anarquistas que mant√™m vivo o esp√≠rito libert√°rio na Col√īmbia

“Voc√™ tem todo o direito de copiar este livro total ou parcialmente, imprimir e distribuir por qualquer meio. Esse conte√ļdo n√£o √© protegido por nenhum monop√≥lio cultural ou direito comercial; ao curso da hist√≥ria os livros s√£o e ser√£o gratuitos. Ningu√©m vai te culpar ou prender por distribuir ou realizar c√≥pias; pelo contr√°rio, ficaremos muito agradecidos se voc√™ fizer isso. O conhecimento se distribui livremente.”

Ao abrir um livro, raramente √© poss√≠vel se deparar com essa afirma√ß√£o, n√£o restritiva ‚Äď como regra geral ‚Äď, mas permissiva. Essa tem sido a premissa sob a qual acad√™micos, poetas, estudantes e militantes anarquistas publicam, de forma independente, distribuem os textos pr√≥prios e outros. Essas editoras fazem isso criando outros formatos, que visam uma produ√ß√£o com mais tiragem, diferente dos panfletos e fanzines publicados h√° mais de 20 anos em universidades e outros espa√ßos libert√°rios.

Alguns livreiros identificam a origem dessas editoras anarquistas na Feira do Livro Independente e Autogerenciada (FLIA, que come√ßou em Buenos Aires, Argentina) que, a partir de 2010, mudou-se para Bogot√°. Desde a primeira edi√ß√£o, os visitantes do evento liter√°rio come√ßaram a se familiarizar com uma produ√ß√£o diferente, clandestina e artesanal, que incentiva a produ√ß√£o dom√©stica dos livros. Uma dessas pessoas foi Fabi√°n Serrano, membro da editora Imprenta Comunera, da cidade Bucaramanga. “O bom de ter uma editora independente √© que escapamos da imposi√ß√£o de autores renomados e personalidades para focamos apenas nos personagens que consideramos importantes“, diz Fabi√°n, que juntamente com outros dois colegas, lan√ßou oito publica√ß√Ķes em apenas cinco meses.

Eles, como seus colegas de outras editoras, n√£o est√£o preocupados em ter lucro, mas em espalhar seus pensamentos e ideias para o maior p√ļblico poss√≠vel. √Č por isso que o tempo todo eles resgatam conte√ļdos de anarquistas conhecidos, mas que n√£o s√£o publicados em grandes editoras ou editoras comerciais, como √© o caso da obra de Emma Goldman, Piotr Kropotkin, Errico Malatesta, Uri Gordon, Henry David Thoreau e de personalidades com um lado libert√°rio pouco conhecido, como Oscar Wilde ou Noam Chomsky. Para essas reedi√ß√Ķes, √© mais complicado conseguir o texto para public√°-lo, por haver poucas c√≥pias existentes; geralmente, os autores dessa corrente independente divulgam seus trabalhos sem restri√ß√Ķes. “Sentimos que, quando criamos algo, isso n√£o nos pertence mais, de modo que as pessoas assumem e se reconhecem neles, e isso √© maravilhoso“, explica Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez, escritor, pensador anarquista e bonequeiro, fundador do teatro La lib√©lula Dorada.

Pie de Monte √© uma das editoras que faz esses resgates, mas que tamb√©m quer apostar em novos escritores. Atualmente, a editora trabalha com textos de amigos e conhecidos, mas seu objetivo √© que, mais tarde, mais pessoas sejam encorajadas a publicar seus trabalhos autorais. “Fizemos isso porque a ideia √© que as pessoas saiam da din√Ęmica do mercado editorial e dos blogs e que resgatem a tarefa do livreiro e das livrarias. Isso sim, a √ļnica coisa que n√£o tem discuss√£o √© que quem publica conosco deve deixar livres os direitos da obra“, comenta Santiago Lopez, membro da editora.

A conjuntura √© outro fator importante nas reedi√ß√Ķes ou escritos originais: muitos textos s√£o publicados em um determinado momento para demonstrar que as ideias anarquistas de v√°rias d√©cadas atr√°s ainda s√£o v√°lidas. Foi o caso da √ļltima publica√ß√£o da El Rey Desnudo, a editora de Iv√°n Dar√≠o e do poeta Juan Manuel Roca, USA naci√≥n de lun√°ticos, uma compila√ß√£o de fragmentos de um ensaio que o escritor Henry Miller fez ap√≥s o fracasso americano no Vietn√£, um texto que foi lan√ßado como uma cr√≠tica ao atual mandato de Donald Trump.

Embora os livros sejam o formato preferido para editoras anarquistas, brochuras, diários e jornais não são renegados. El Aguijón, uma editora criada dentro da Universidade Nacional de Medellín, em 2006, lançou uma seleção de contos e está preparando um novo volume. Porém, ocasionalmente eles tiram o jornal El Aguijón РKlavando la duda, para o qual recebem apoios financeiros que permitem dar continuidade em outros projetos. Você pode baixar os exemplares gratuitamente na página da editora.

O dinheiro investido √© recuperado na maior parte das vezes, mas para reduzir custos ou acelerar o processo √© comum alguns editores unirem for√ßas. Rojinegro e Gato Negro reuniram textos como Estrat√©gia e t√°tica na pr√°tica anarquista, de Errico Malatesta, e Anarquismo e poder popular: teoria e pr√°tica sul-americanas, uma compila√ß√£o de teorias e opini√Ķes sobre anarquismo e poder popular. O n√ļmero de c√≥pias varia e, assim como alguns t√≠tulos chegam a 300 c√≥pias, outros saem com apenas 30 exemplares.

Devido ao desconhecimento sobre os autores ou preconceitos que existem em rela√ß√£o ao anarquismo, poucos s√£o os lugares onde √© poss√≠vel encontrar essas publica√ß√Ķes em suas prateleiras. Em Bogot√°, os mais comuns s√£o La Valija de Fuego, Rojinegro, La Lib√©lula Dorada, Luvina, El Dinosaurio, √Ārbol de Tinta e La Mandriguera del Conejo. Oscar Vargas, um dos fundadores da Gato Negro, diz que tentaram alcan√ßar outros espa√ßos, mas que n√£o deu muito certo. “Isso foi dif√≠cil, porque em v√°rias livrarias eles querem cobrar entre 30% e 40% do pre√ßo de capa, e buscam ter lucro por algo que n√≥s n√£o compartilhamos na mesma l√≥gica. Somente alguns foram capazes de entender a proposta‚ÄĚ, explica √ďscar.

As publica√ß√Ķes de Gato Negro. Foto cedida por Oscar Vargas.

Mas nem a clandestinidade, nem o baixo or√ßamento, foram impedimentos para alcan√ßar outras partes do mundo. Por meio de conhecidos ou trocas por quilos, os editores colombianos levaram textos para Argentina, Chile, Equador, M√©xico, Peru, Uruguai, Brasil e Espanha. Os livros recebidos do exterior s√£o vendidos para recuperar o dinheiro investido ou, como no caso da Rojinegro, s√£o utilizados no Centro de Documenta√ß√£o √Ācrata, uma espa√ßo que fica nas suas instala√ß√Ķes e que qualquer pessoa pode consultar o acervo ou fazer c√≥pias.

Os pre√ßos baixos s√£o a chave para alcan√ßar mais pessoas: a maioria dos livros √© vendida entre sete mil e quinze mil pesos, aproximadamente. (Nota do tradutor: O que equivale a um valor entre 10 e 20 reais) ‚ÄúVimos que em feiras e eventos independentes, os metaleiros ou punks sacrificam parte da grana da birita porque est√£o interessados no que fazemos. √Č uma mentira que na Col√īmbia as pessoas n√£o gostam de ler; elas n√£o leem porque os livros aqui s√£o muito caros‚ÄĚ, explica Fabi√°n.

Foto cedida por Oscar Vargas.

As editoras libert√°rias da Col√īmbia precisam ser mais divulgadas, mas seus editores est√£o satisfeitos com a situa√ß√£o atual e com o fato de que cada vez mais pessoas querem escapar da realidade do mercado e s√£o incentivadas a publicar ou piratear o trabalho de autores que incomodam a outras editoras, ou mesmo ao estado. Essa aceita√ß√£o vem aumentando e recentemente, por exemplo, uma tradu√ß√£o do livro de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca, Dicion√°rio anarquista de emerg√™ncia, come√ßou a ser distribu√≠do na Fran√ßa.

Para Roca, esse √© um sinal da inconformidade latente que persiste na humanidade. “Anarquismo √© como Dr√°cula, que em todos os filmes eles o matam, mas em cada final ele acorda e est√° mais vivo do que os vivos. H√° quantos anos eles decretam a sua morte e vemos que diversos movimentos de jovens e aqueles que n√£o fazem parte de um partido se mobilizam de maneira t√£o vigorosa e sem limita√ß√Ķes‚ÄĚ, diz ele.


Por Andrés J. López, publicado em Cartel Urbano no dia 10 de Março de 2017.
Versão para o português por Baderna James.

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Numerologia de Junho de 2020 💐💣

Est√° complicado olhar os n√ļmeros do Brasil e da pandemia de Covid-19. S√£o mais de 60.000 pessoas que morreram devido ao v√≠rus. Em diversas cidades do interior os n√ļmeros aumentaram assustadoramente e, infelizmente, em todas as not√≠cias est√£o presentes a desinforma√ß√£o, o descaso e a omiss√£o. Somente a imediata ren√ļncia ou impeachment do presidente n√£o s√£o a solu√ß√£o, mas seria um bom come√ßo.

Em Junho de 2020 aconteceram muitas coisas: chegada de novos t√≠tulos, colabora√ß√Ķes, equipamentos. Estamos buscando formas de lidar com a pandemia e enfrentar a ansiedade, os medos e alguma frustra√ß√£o por n√£o conseguir fazer tudo aquilo gostar√≠amos. Mas a pergunta √©: quem est√° conseguindo lidar numa boa com tudo isso que est√° acontecendo? Todo dia tem uma nuvem de gafanhotos, um ciclone bomba, cobras voadoras, uma sala de espera virtual, entre outras pragas. Realmente n√£o est√° sendo f√°cil! 🎶🕶 ️

Neste m√™s que passou, a Editora Monstro dos Mares completou 8 anos de atividade. Por algum tempo, tivemos cerca de um ou dois lan√ßamentos por ano. Desde a chegada de nossa Editora Geral abobrinha, em 2017, nosso bonde editorial vem se transformando profundamente. Monas, minas e manos se somaram e hoje s√£o 10 pessoas que fazem a sele√ß√£o de materiais, tradu√ß√Ķes, revis√Ķes e outras atividades. No grupo do telegram da editora √© poss√≠vel acompanhar algumas dessas tarefas acontecendo, entre outras conversas bem animadas.

Na 2¬™ edi√ß√£o do “Ch√° da tarde”, abobrinha tirou d√ļvidas das pessoas que nos acompanham no Instagram sobre as quest√Ķes do cotidiano da editora, pr√≥ximos lan√ßamentos e tamb√©m deu uma s√©rie de dicas sobre “como montar uma editora”, que deu origem a um excelente artigo que recomendamos a todas as pessoas que desejam criar a pr√≥pria publicadora de livros e zines em casa.


Espertirina Martins

Na Sexta-feira, dia 5, nossa nova impressora chegou. √Č uma Epson WorkForce Pro WF-C5710, que recebeu o nome de “ESPERTIRINA”, em mem√≥ria e celebra√ß√£o da luta da jovem Espertirina Martins, que com suas m√£os fez hist√≥ria ao enfrentar o inimigo. Inclusive o mestre GOG e o Ateneu Libert√°rio “A Batalha da V√°rzea” de Porto Alegre tamb√©m fazem homenagem √† militante anarquista do in√≠cio do s√©culo XX. A impressora √© muito valente e nesse primeiro m√™s j√° demonstrou suas qualidades realizando mais de 20.000 impress√Ķes sem mostrar qualquer dificuldade ou problemas. E esperamos que continue assim por um bom tempo!


Numerologia de Junho de 2020

  • Impress√Ķes de Junho de 2020: 20.750
  • Livros impressos: 305
  • Livros distribui√ß√£o gratuita: 33
  • Zines impressos: 394
  • Zines distribui√ß√£o gratuita: 123

Numerologia: Hotsite com informa√ß√Ķes sobre nossos n√ļmeros mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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Ch√° da tarde com abobrinha (2¬™ edi√ß√£o) 🍵

Foi dia 18 de junho a segunda edi√ß√£o do nosso Ch√° da tarde. Foram realizadas algumas mudan√ßas, e achamos que deu muito certo. Melhoramos a ilumina√ß√£o, o posicionamento da c√Ęmera e a captura de som, al√©m da linda ficha para pauta em papel cor-de-rosa met√°lico (inspirada, talvez, na Pen√©lope do Castelo R√°-Tim-Bum 😁).

Você pode assistir à 2ª edição do Chá da tarde no IGTV e no YouTube.

Como explicamos neste post, decidimos usar o recurso dos vídeos ao vivo para entrar em contato mais próximo com as pessoas que nos acompanham on-line. A experiência tem sido muito legal para nós e já estamos pensando em mais maneiras de compartilhar as atividades da editora, falar sobre técnicas e sobre outros assuntos que estão no nosso dia a dia.

Agradecemos a todas as pessoas que puderam estar com a gente ao vivo, e também àquelas que estão nos acompanhando em outros momentos. Na próxima semana será aberta novamente a caixinha de perguntas no Stories do perfil da Monstro no Instagram e você poderá nos enviar suas perguntas. A caixinha vai aparecer uma vez por semana.

Ei pirata! 🏴‍☠️
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