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Agradecimentos Março de 2021

Foto: Ivan Jer√īnimo (@ivanjeronimo)

Em Mar√ßo chegamos ao primeiro ano da pandemia. Desde os primeiros dias t√≠nhamos a certeza que o Brasil n√£o estava preparado para receber um evento desse tamanho. Mas, diferente da Copa ou Olimp√≠adas realizadas no pa√≠s – eventos que possuem dia e hora para come√ßar e acabar -, o que estamos vivendo n√£o aponta para um caminho que nos trar√° a tranquilidade de uma sa√≠da, mas apresenta a cada dia n√ļmeros mais horrorosos e que evidenciam a necessidade da amplia√ß√£o de garantias de acesso √† prote√ß√£o social e servi√ßos de sa√ļde para toda a nossa gente.

Na medida do poss√≠vel e dentro de nossos limitados recursos, estamos mantendo as medidas de preven√ß√£o poss√≠veis: sair de casa somente para atividades indispens√°veis, utilizar m√°scaras de modo adequado em todas as ocasi√Ķes, higieniza√ß√£o das m√£os com √°gua e sab√£o ou √°lcool em gel. Estamos cientes das dificuldades que grande parte da popula√ß√£o enfrenta para garantir os recursos necess√°rios √† prote√ß√£o nesse per√≠odo e estendemos nossos bra√ßos e melhores pensamentos em solidariedade a todas as fam√≠lias que perderam seus entes queridos, que sofrem apreensivas aguardando a recupera√ß√£o dos enfermos e de quem est√° na batalha pelo pingado e pelo p√£o. Convidamos voc√™s a, dentro de suas possibilidades, fortalecer as atividades de compas que est√£o puxando a√ß√Ķes de solidariedade com as comunidades de todas as quebradas. . Em todos os momentos precisamos saudar o incans√°vel trabalho de profissionais da sa√ļde e trabalhadoras e trabalhadores dos servi√ßos auxiliares como transporte e primeiros atendimentos de doentes, limpeza e manuten√ß√£o.

Aqui na Monstro dos Mares n√≥s sentimos o impacto em nossas atividades, qualidade de vida e principalmente sa√ļde mental, mesmo reconhecendo a s√©rie de privil√©gios estruturais em que estamos inseridos. Neste ano, estamos recebendo o afetuoso carinho de amizades pr√≥ximas e pessoas que comp√Ķem a Rede de Apoio, que incentivam a editora a permanecer realizando suas atividades. Agradecemos imensamente!

Rede de Apoio: Março de 2021

  • Z√©
  • Lupi
  • Contribui√ß√Ķes e apoios an√īnimos
  • Felipe Brunieri
  • S√©rgio
  • Leo Foletto
  • Fernando Silva e Silva
  • Mauricio Knup
  • Thiago de Macedo Bartoleti
  • Leonardo
  • Deyvson Naoki Matiy
  • Vic
  • Paulo Oliveira
  • Anna Karina
  • Olga Foga√ßa Balboni Cunha Geremias
  • Andrei Cerentini
  • Claudia Mayer
  • Fyb C
  • Pedro Augusto Papini
  • Absor70
  • Ian Fernandez
  • Lorenzo
  • Gabriel Jung do Amaral
  • Mayumi Horibe
  • Karina Goto
  • Camila
  • Viviane Kelly Silva
  • Victor Hugo de Oliveira
  • Leonardo Goes
  • Nicolas Mosko
  • Vitor Gomes da Silva
  • Bruna Lima Sanyana
  • Marcelo Mathias Lima
  • Andressa Fran√ßa Arellano
  • Talles Azigon
  • Angela Natel
  • M√°rcio Massula
  • Vit√≥ria
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Estamos na FLIPEI 2021

A Monstro dos Mares está presente na Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI), que começou no dia 18 de Março e vai até o dia 28. A edição de 2021 da festa conta com a participação de mais de 100 editoras independentes. São livros de gêneros variados, literatura, ficção, infantis e livros políticos de diversos segmentos. Várias iniciativas editoriais que admiramos estão fazendo parte desse barco pirata e destacamos a infoshop 1.000 contra e as editoras Biblioteca Terra Livre, GLAC, Entremares, Intermezzo Editorial, N-1, sobinfluencia, Tenda de Livros, Crocodilo e Terra sem Amos (TSA). Por uma questão de prazos de inscrição, outras editoras não estão participando da FLIPEI, mas nem por isso você deve deixar de apoiar.

Como voc√™ pode imaginar, em fun√ß√£o da pandemia a festa est√° acontecendo online e o tema √© Livros e comunas para novos futuros. Voc√™ pode conferir a programa√ß√£o completa no site da FLIPEI e no Instagram @flipeioficial. As conversas ser√£o transmitidas pelo YouTube, no canal oficial da festa. Estar√£o presentes Kristin Ross, Atilio Bor√≥n, Toumani Kouyat√©, Julieta Paredes, Dayse Sacramento, Mark Bray, Peter Gelderloos e Kak√° Wer√°, al√©m de diversas atividades e encontros com temas interessantes do primeiro ao √ļltimo dia da edi√ß√£o anual do evento.

Descontos especiais

Durante a FLIPEI, as editoras foram convidadas a criar ofertas e descontos especiais para fortalecer o evento e tornar a festa mais pr√≥xima dos eventos presenciais, nos quais as editoras em suas barraquinhas oferecem √≥timos descontos. Atendendo ao chamamento, a Monstro est√° oferecendo 25% de desconto em cinco t√≠tulos que selecionamos. S√£o eles: “O √≠ndio no cinema brasileiro e o espelho recente“, de Juliano Gon√ßalves da Silva; “PIXA√á√ÉO: A arte em cima do muro“, de Luiz H. P. Nascimento; “Dial√©tica perspectivista anarcoind√≠gena“, de Guilherme Falleiros; “Trilhas dos imagin√°rios sobre os ind√≠genas e demografia antiautorit√°ria“, de Carolina Sobreiro; “Repensar a anarquia“, de Carlos Taibo.

Além desses livros com preço promocional, você pode utilizar o cupom FLIPEI21 para receber 5% de desconto em diversos livros e zines do nosso catálogo até o dia 28 de Março.

Sobre a FLIPEI

A FLIPEI é um projeto coletivo que envolve uma rede de editoras, artistas e coletivos independentes, organizado pela editora Autonomia Literária. Tudo começou com uma feira do livro alternativa dentro de um barco e o desejo de difundir pensamentos críticos e novas formas de ação e produção em comum. Desde 2018 a cidade de Paraty é invadida, através do rio Perequê-açu, por um barco pirata lotado de livros subversivos, durante a tradicional Festa Literária de Paraty (FLIP). https://flipei.net.br

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Lockdown: novas pr√°ticas

Aviso de lockdown

Atrav√©s de decreto municipal, a cidade de Ponta Grossa adotar√° o lockdown como medida de restri√ß√£o √† circula√ß√£o de pessoas na tentativa de conter o avan√ßo da pandemia. Com isso, al√©m das medidas √†s quais aderimos desde os primeiros dias, decidimos introduzir novas pr√°ticas a fim de contribuir com a diminui√ß√£o de circula√ß√£o de pessoas. Informamos que a partir do dia 18 de Mar√ßo nossas atividades ter√£o as seguintes modifica√ß√Ķes por tempo indeterminado:

  • Envios, postagens, coletas postais e servi√ßos dos Correios ser√£o realizados somente √†s sextas-feiras;
  • Reposi√ß√Ķes de estoque de materiais de papelaria est√£o suspensas e as cores de capas dos livros ser√£o adaptadas conforme disponibilidade;
  • Temos papel de impress√£o para os pr√≥ximos 30 dias, e o estoque ser√° renovado atrav√©s de delivery de acordo com a necessidade;
  • Servi√ßos de afia√ß√£o e manuten√ß√£o dos equipamentos ser√£o prorrogados, visto que as impressoras est√£o funcionando bem;
  • Durante a pandemia, estamos passando o chap√©u atrav√©s do Fundo de Emerg√™ncia.

Entendemos que as novas medidas s√£o simples e que a atividade de fazer livros n√£o √© um servi√ßo essencial em rela√ß√£o ao per√≠odo que vivemos. Por isso, contamos com a compreens√£o e solidariedade de nossas amizades, ressaltando a import√Ęncia de, na medida do poss√≠vel, contribuir para fortalecer campanhas de distribui√ß√£o de alimentos e itens de preven√ß√£o nas comunidades que passam por um momento de forte precariza√ß√£o.

Sem vacina, sem auxílio financeiro emergencial, sem medidas efetivas, temos somente a solidariedade e nossas consciências.

Fora Bolsonaro! Fora Guedes!

Sa√ļde e anarquia.


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Nossa Rede de Apoio em Fevereiro de 2021

Rede de Apoio √© o nome que damos para o grupo de pessoas que colaboram com a exist√™ncia e continuidade das atividades da editora Monstro dos Mares. Nossa casa publicadora s√≥ √© capaz de permanecer com a ajuda mensal dessa gente que bota f√© no que fazemos ‚Äď distribuir livros e zines ‚Äď e todos os meses utilizamos este espa√ßo para compartilhar um pouquinho sobre o que fizemos e agradecer esse apoio, que √© muito importante para nosso projeto editorial.

Em Fevereiro de 2021, fizemos reuni√Ķes e contatos com as pessoas que enviaram materiais para publica√ß√£o. Conseguimos colocar novos t√≠tulos na pista e preparar novidades para as pr√≥ximas semanas. Chegaram conte√ļdos originais, artigos j√° publicados que foram transformados em zines e materiais que foram pesquisados especialmente para distribui√ß√£o nas recompensas da Rede de Apoio ou para compor o cat√°logo de nossa lojinha.

Recebemos o contato de Lucio Lambert que, juntamente com algumas amizades e com o financiamento direto da Rede de Apoio, vai poder distribuir muitos exemplares da cartilha “Adubos e Biofertilizantes de baixo custo“. Ser√£o 150 exemplares distribu√≠dos pelo autor, editora e Rede de Apoio e mais 100 exemplares financiados e distribu√≠dos por entidades, parcerias e amizades do autor.

Confira o vídeo onde a abobrinha (editora geral) apresenta os materiais das recompensas de Fevereiro:

Sua participação é fundamental

Com contribui√ß√Ķes a partir de 1 real no PicPay e de 5 reais no Catarse, voc√™ pode ajudar as atividades de divulga√ß√£o acad√™mica da Monstro dos Mares. Os recursos ser√£o utilizados para cobrir os custos necess√°rios com papel, tinta, manuten√ß√£o dos equipamentos e impress√£o de livros e fanzines que s√£o enviados gratuitamente para v√°rias recantos do pa√≠s, al√©m de parte das tarifas dos Correios. Esses materiais fortalecem espa√ßos sociais e comunit√°rios, ativistas, militantes, organiza√ß√Ķes e individualidades.

Amizades que apoiaram a editora em Fevereiro de 2021:

  • Lorenzo;
  • Karina Goto;
  • Camila;
  • Marcelo;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Mayumi Horibe;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Ste;
  • Talles Azigon;
  • M√°rcio Massula;
  • Angela Natel;
  • Contribui√ß√Ķes An√īnimas
  • Pedro Augusto Papini;
  • Nicolas H Mosko;
  • Vitor Gomes da Silva;
  • Bruna Lima Sanyana;
  • Marcelo Mathias Lima;
  • Andressa Fran√ßa Arellano;
  • Lupi;
  • Z√©;
  • Vit√≥ria
  • Felipe Brunieri;
  • Leo Foletto;
  • Claudia Mayer;
  • Igor;
  • Fyb C;
  • Ian Fernandez;

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Financimento coletivo “Este √© nosso corpo, a terra: Caminhos e palavras Av√° Guarani/√Ďandeva de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu para al√©m do fim do mundo”

‚ÄúEste √© nosso corpo, a terra: caminhos e palavras Av√° Guarani/√Ďandeva para al√©m do fim do mundo‚ÄĚ Yan Leite Chaparro e Josemar de Campos Maciel

“Este √© nosso corpo, a terra: Caminhos e palavras Av√° Guarani/√Ďandeva de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu para al√©m do fim do mundo” / “Yvy p√©a ha‚Äôe ore rete: tapeku√©ra ha √Īe‚Äôengu√©ra Ava Guarani/√Ďand√©va amogotyove oparire ko √ĪapyrŇ©ha”, um livro de Yan Leite Chaparro Josemar de Campos Maciel.

Resumo

A tese intitulada ‚Äú Este √© nosso corpo, a terra: caminhos e palavras Av√° Guarani/√Ďandeva de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu para al√©m do fim do mundo‚ÄĚ j√° tem no seu t√≠tulo o sentido b√°sico de todo trabalho: a perspectiva do conceito de envolvimento como produ√ß√£o de realidade Av√° Guarani/√Ďandeva, que revela caminhos e palavras para al√©m do fim do mundo, ou melhor, para al√©m da inven√ß√£o branca de desenvolvimento. O trabalho entende os Av√° Guarani/√Ďandeva como uma sociedade com densidade pr√≥pria, em rela√ß√£o de simetria com a sociedade que a circunda. Em simetria, pois ambas s√£o sociedades que possuem suas cosmologias, organiza√ß√£o social, modos de existir, de ser e de fazer a vida. Em simetria, mas n√£o necessariamente em harmonia, pois tecem caminhos contr√°rios para produzir a sua realidade. Para os Av√° Guarani/√Ďandeva, essa produ√ß√£o acontece mediante movimentos de envolvimento enquanto que, para a sociedade marcada pelo movimento de acelera√ß√£o capitalista/moderno, acontece no chamado desenvolvimento. Da√≠ o ponto central de toda a tese. Trata-se de vis√Ķes de mundo sim√©tricas e tensionadas. Essa centralidade nos conduz a ouvir e construir juntos um discurso com os Av√° Guarani/√Ďandeva, de Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu sobre a cosmologia capitalista e desenvolvimentista produzida pela sociedade moderna, a inven√ß√£o branca de desenvolvimento. O texto provoca a reflex√£o sobre o envolvimento como proposto pelos Av√° Guarani/√Ďandeva como forma/conte√ļdo de radical sofistica√ß√£o para al√©m do fim do mundo de humanos e n√£o-humanos, questionando a hegemonia da inven√ß√£o branca como sendo mais um mito fundador, que pode ser visto com outros olhos, e redimensionado ‚Äď aqui, na imagem do sempre visto e esperado fim do mundo.

√Ďe‚ÄôŠļĹ mbyky‚Äôi

Ko tembiapo mohu‚Äô√£ h√©ra ‚ÄúYvy p√©a ha‚Äôe ore rete Tapeku√©ra ha √Īe‚ÄôŠļĹngu√©ra Ava Guarani/√Ďand√©va Jakareypegua (Porto Lindo) Yvy Katu amogotyove opa‚ÄôŠĽĻmboyve ko √ĪapyrŇ©ha‚ÄĚ oguerek√≥ma pe √Īe‚ÄôŠļĹak√£me he‚Äôis√©va √Īepytykov√Ķr√£ tembiap√≥pe, mba‚Äô√©ichapa jahecha umi he‚Äôis√©va tembiapo ramo umi Av√° Guarani/√Ďand√©va hekoit√©pe ohechauk√°va tapeku√©ra ha √Īe‚ÄôŠļĹngu√©ra amogotyove oparire ko √ĪapurŇ©ha, t√©r√£, amogotyove umi karaiku√©ra ojejap√≥va √Īepytyv√Ķr√£. Ko tembiapo oń©va tenondeve ohechakuaa Ava Guarani/√Ďand√©va ha‚Äôeha peteń© tekohaygua oguerek√≥va ijyk√©re pe teko capitalista/moderna, mok√Ķive oguereko pe hek√≥pe arapygua, pe mba‚Äô√©ichapa omba‚Äôapo, mba‚Äô√©icha oiko ha mba‚Äô√©ichapa oiko. Ojoehe katu tape i√Īambue ha‚Äô√©re mba‚Äôapoharaku√©ra ombohek√≥va imba‚Äôete. Ava Guarani/√Ďand√©vape guar√£ pe omoa√Īet√©va oik√≥va oiko pe jeku‚Äôe ha‚Äôe oimeh√°me ha teko capitalista/modername oiko pe jeku‚Äôe mba‚Äôepotagu√©vi. P√©a ha‚Äôe pe ipor√£v√©va ko tembiap√≥pe, o√Īondie ha nah√°niri. Pe mombyte ome‚ÄôŠļĹ ojejapo hańĚua cr√≠ticas, invers√Ķes ha √Īeporandu Ava Guarani/√Ďand√©va ndive Porto Lindo (Jakarey) Yvy Katu gu√°ndi pe jehechapy tuichakue capitalista ha mba‚Äôepota potav√©va ombohek√≥va pe teko pyahu, pe mba‚Äôe pyahu karai mba‚Äôe mba‚Äôepota potav√©va. Pe ojap√≥va √Īeporandu mba‚Äôepota rehegua Ava Guarani/√Ďand√©va ndive mba‚Äô√©icha forma/conte√ļdo omoa√Īetet√©va amogotyove pe pyrŇ©ha oparire tekov√©pe ha ndaha‚Äô√©iva, √Īeporandu pe mbarete karai mba‚Äôe pyahu ha‚Äô√©va mba‚Äôepota potave mbyte ramo omohe√Īoiva pe ojehech√°va ha o√Īeha‚Äôar√Ķva pyrŇ©ha opataha.


Sobre os autores

Yan Leite Chaparro √© filho de pai paraguaio e m√£e sul-mato-grossense, neto de paraguaios e nordestinos, organiza√ß√£o comum e representativa sobre o processo hist√≥rico do Mato Grosso do Sul onde, esse trabalho foi inscrito. O pesquisador √© formado em Psicologia, com forma√ß√£o em Psicodrama Cl√≠nico. √Č tamb√©m Mestre e Doutor em Desenvolvimento Local pela Universidade Cat√≥lica Dom Bosco. Trabalha com os Av√° Guarani/√Ďandeva e os Kaiow√°/Pai`Tavyter√£ desde 2010 a convite da Profa. Dra. Rosa Colman e do Prof. Dr. Ant√īnio Brand (in memoriam) . Hoje junto com o trabalho com os Guarani que vivem no Mato Grosso do Sul, tamb√©m trabalha no, campo cl√≠nico do Psicodrama em consult√≥rio e em comunidades urbanas. √Č integrante do Grupo de Pesquisa Estudos Cr√≠ticos do Desenvolvimento/CNPq e do Laborat√≥rio de Humanidades/LabuH.

Josemar de Campos Maciel √© professor de Filosofia (de 1994 at√© o presente) e pesquisa na √°rea do Desenvolvimento, sendo l√≠der do Grupo de Pesquisa ‚ÄúEstudos Cr√≠ticos do Desenvolvimento‚ÄĚ (CNPQ). √Č doutor em Psicologia (2004). Atualmente, √© Docente Permanente dos Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o Stricto Sensu: Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Local da Universidade Cat√≥lica Dom Bosco – MS, e presidente do Comit√™ Cient√≠fico da mesma Universidade. Possui est√°gio p√≥s-doutoral conclu√≠do em Estudos Culturais (2017) na Escola de Artes, Ci√™ncias e Humanidades da Universidade de S√£o Paulo.


Sobre o livro

‚ÄúEste √© nosso corpo, a terra: caminhos e palavras Av√° Guarani/√Ďandeva para al√©m do fim do mundo‚ÄĚ
Yan Leite Chaparro e Josemar de Campos Maciel

Editora Monstro dos Mares
230 p√°ginas

Para apoiar a campanha de financiamento coletivo do livro acesse:
https://www.catarse.me/nossocorpoaterra

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Financiamento coletivo: “Cronicav√≠rus in New Brazil: A Gambiarra da Destrui√ß√£o” de Raphael Sanz

Cronicavírus in Brazil: A Gambiarra da Destruição

A Gambiarra da Destrui√ß√£o √© composta por onze cr√īnicas escritas entre mar√ßo e agosto de 2020, retratando de forma ir√īnica o per√≠odo em meio ao calor dos acontecimentos dos primeiros seis meses de pandemia. Escrita praticamente em c√≥digo, as cr√īnicas n√£o d√£o nomes aos bois, apenas apelidos (e haja gado!). De toda forma, qualquer observador atento pode compreender a obra, que trata dos principais fatos e trag√©dias que estiveram em evid√™ncia nos meios de incomunica√ß√£o, nas redes antissociais e na boca dos boz√≥logos e deformadores de opini√£o como um todo, para manter as express√Ķes utilizadas pelo autor. Mas apesar do recorte temporal e factual, as piadas e reflex√Ķes colocadas tamb√©m podem assumir um car√°ter atemporal, uma vez que dialogam tamb√©m com o passado e o futuro em rela√ß√£o ao per√≠odo narrado.

‚ÄúO objetivo dessa obra √© o de que ningu√©m, absolutamente ningu√©m, nem eu mesmo, seja levado muito a s√©rio politicamente, diferentemente do que s√£o e querem os fascistas: um bando de palha√ßos que exigem urras e aplausos o tempo inteiro‚ÄĚ, declarou o autor para a Editora Monstro dos Mares.

Nas palavras de Gabriel Brito, editor do Correio da Cidadania ao lado do autor, este livro cont√©m ‚Äúhumor e sagacidade para rir do pior ano das nossas vidas. Ao percorrer as p√°ginas deste livro, o leitor poder√° ter a sensa√ß√£o de que toda a indigna√ß√£o e estupefa√ß√£o diante do governo mais absurdo da hist√≥ria do Brasil foram traduzidas de forma at√© √≥bvia. Mas n√£o √© f√°cil escrever com humor sobre aquilo que, de fato, est√° nos corroendo como corpo social. Menos ainda nos tempos hiperprodutivistas que vivemos, nos quais todo avan√ßo tecnol√≥gico parece apenas significar mais trabalho‚ÄĚ.

Cronicavírus in New Brazil: A Gambiarra da Destruição
Raphael Sanz
Editora Monstro dos Mares
96 p√°ginas
ISBN: 978-65-86008-11-1

Editado e impresso utilizando energia solar aut√īnoma.
Edição artesanal: Impresso em duplicador digital, formato canoa, capa em papel colorplus de 180g.

Para apoiar o lançamento do livro acesse:
https://www.catarse.me/gambiarradadestruicao

Sobre o Autor

Cresceu nos anos 90 em S√£o Paulo, quando come√ßou a conhecer e ter contato com pol√≠tica, m√ļsica e futebol. Frequentador de est√°dios, no come√ßo dos anos 2000 conheceu o movimento punk antes de tornar-se jornalista, em 2008. Trabalhou por pouco tempo na imprensa esportiva para, logo em seguida, entrar de cabe√ßa no jornalismo independente. Cobriu as jornadas de junho de 2013, entre outras mobiliza√ß√Ķes populares, como por exemplo a greve dos professores e as ocupa√ß√Ķes secundaristas em 2015. Ap√≥s um breve hiato que come√ßou em 2017 e no qual esteve repensando suas ideias e posturas enquanto trabalhava numa ‚Äúfirma padr√£o‚ÄĚ, reapareceu para o jornalismo independente em 2019, quando tamb√©m come√ßou os trabalhos de tradu√ß√£o do livro Repensar a Anarquia, de Carlos Taibo, para a Editora Monstro dos Mares. Tamb√©m foi jogador do Aut√īnomos FC e baixista das bandas A Ferramenta e P√≥ de Osso. Atualmente vive em Santa Catarina como professor de espanhol e editor do hist√≥rico jornal independente Correio da Cidadania, al√©m de baixista e vocalista da banda rec√©m formada Fiscais de Cu.


Sobre as recompensas

A princípio, as recompensas não parecem ter qualquer relação entre si e esta campanha pode parecer, a olhos nus, quase tão alucinada quanto a realidade retratada na obra que busca financiar. Mas não se engane: tudo tem relação. O elo perdido entre todo esse material é justamente o autor d’ A Gambiarra da Destruição.

Repensar a Anarquia , de Carlos Taibo, e História de uma Indocumentada, de Ilka Oliva Corado, são dois livros traduzidos por Raphael Sanz e publicados pela Editora Monstro dos Mares.

Outro livro que est√° em jogo, mas com apenas 5 exemplares dispon√≠veis, √© o ‚Äú Antifa: Modo de Usar‚ÄĚ, organizado por Ac√°cio Augusto e publicado pelas editoras Hedra e Circuito. Ele est√° por aqui justamente porque h√° uma participa√ß√£o do autor, em uma mat√©ria sobre antifascismo e seguran√ßa digital.

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Tirar do repositório e levar para o território

[Na imagem: encontro da editora com amizades e apoiadores]

A Monstro dos Mares existe para fazer as ideias circularem, chegarem por a√≠ de m√£o em m√£o. Em 2020, com pandemia e tudo, distribu√≠mos gratuitamente 821 livros e 1.211 fanzines/livretos. Hoje decidimos celebrar esse n√ļmero, porque fazemos e distribu√≠mos livros e zines artesanais, feitos √† m√£o, um a um. Queremos dividir com voc√™ essa proeza.

Mas os n√ļmeros seriam vazios de significado sem a participa√ß√£o de autoras e autores, pessoas que ajudam fazendo a leitura de materiais originais, amizades que compartilham conosco a atividade da edi√ß√£o, discutem em grupo e d√£o o encaminhamento nos textos. S√£o monas, minas e manos que participam da Monstro dos Mares fazendo as tradu√ß√Ķes, revis√Ķes, recomenda√ß√Ķes de materiais para publica√ß√£o, capistas e, evidentemente, todas aquelas que recomendam, apoiam mensalmente, fazem compras em nossa lojinha ou pegam nas distros que fortalecem a circula√ß√£o dos mais de 240 t√≠tulos que comp√Ķem o cat√°logo do site.

A tarefa de divulga√ß√£o do conhecimento produzido em nosso tempo, com o olhar para √†s pr√≥ximas gera√ß√Ķes, √© um dos motivos que nos movem para al√©m de aprender a imprimir, cortar, grampear e colar. Existimos para compartilhar nossas vis√Ķes de mundo, relatos de pr√°ticas coletivas e perguntas que emergem das inquieta√ß√Ķes humanas e sociais do s√©culo 21. Imprimir livros √© registrar esses anseios no tempo. √Č poss√≠vel que em algum momento a Monstro dos Mares deixe de existir, mas haver√° em algum canto um exemplar impresso, um arquivo guardado em algum disco HD/SSD/eMMC ou pastinha da nuvem e os livros continuar√£o com outras pessoas (ou atrav√©s delas).

Com a ajuda de quem faz parte da Rede de Apoio, conseguimos os recursos necess√°rios para imprimir 821 livros e 1.211 zines de inspira√ß√£o an√°rquica que foram distribu√≠dos gratuitamente. Al√©m disso, esses recursos muitas vezes ajudam a pagar os envios pelos Correios. S√£o bibliotecas comunit√°rias, espa√ßos sociais ou culturais, sindicatos, federa√ß√Ķes, grupos de estudos, coletivos, militantes, ativistas, bandos, bandas, pesquisadoras e singularidades em v√°rios recantos que recebem os t√≠tulos que rodamos por aqui. Colocar todo esse material na pista √© uma parte importante dos objetivos da Monstro dos Mares, por isso √© importante nossa alegria em compartilhar esses n√ļmeros mesmo em tempos t√£o cheios de not√≠cias que nos roubam os sorrisos.

Seguir fazendo livros √© um de nossos prop√≥sitos. Ao realizar a divulga√ß√£o acad√™mica de inspira√ß√£o an√°rquica, temos a convic√ß√£o de que nossa tarefa tamb√©m √© tirar do reposit√≥rio e levar para o territ√≥rio. Seguimos incentivando que cada pessoa dedique um pouquinho do seu tempo para participar nas atividades de v√°rios coletivos editoriais, n√£o apenas na Monstro do Mares. N√£o somos uma ilha: estamos em rede. Neste momento, estamos passando por um severo e comprometido isolamento, o que implica numa constante ansiedade para que a popula√ß√£o possa ser imunizada integralmente e que possamos finalmente receber pessoas em nosso espa√ßo e trocar experi√™ncias. Colar com os bandos, visitar editoras, fazer oficinas, cultivar hortas, assar p√£es no forno de barro numa tarde cheia de boas conversas em grupo, arriscar queixos/joelhos e cotovelos em velozes alicates, apoiar a instala√ß√£o de sistemas fotovoltaicos comunit√°rios rurais e urbanos. √Č tanta vontade que nem cabe num par√°grafo.

Sabemos que o cap√≠tulo p√≥s-pandemia ainda vai levar um tempo e muitas lutas para chegar. Enquanto isso, seguimos fazendo todo o poss√≠vel para nos mantermos em seguran√ßa, em solidariedade com movimenta√ß√Ķes de compas, cometendo lives, criando podcasts, gravando v√≠deos e, logicamente, fazendo muitos e muitos livros. Para isso, vamos aumentar o volume de impress√Ķes e ampliar as possibilidades de encontros entre a palavra escrita e as lutas di√°rias da nossa gente. Abrimos um espa√ßo na casa editorial para o Duplicador Digital Ricota DX-2330, uma ferramenta importante para a Monstro dos Mares seguir publicando as p√°ginas que fazem emergir, na pr√°tica, entendimentos de que h√° muitos modos de superar a normalidade e expandir horizontes de possibilidade para enfrentar todas as formas de opress√£o.

Para seguir multiplicando ideias: celebramos nossos passos, agradecemos o carinho das amizades e pedimos seu apoio de todas as formas que estiverem a seu alcance!

Os n√ļmeros de 2020

Impress√Ķes:
Livros impressos: 2.854
Zines impressos: 5.005

Distribuição gratuita:
Livros distribuição gratuita: 821
Zines distribuição gratuita: 1.211

Total de impress√Ķes de 2020: 223.444
Total de Kw gerados e consumidos com energia solar em 2020: 75Kw


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Julian Beck: Por um Teatro Anarquista (A)

Julian Beck

Julian Beck nasceu em Nova York em 31/05/1925, sendo seu pai comerciante e sua mãe professora. Desde jovem ele aprendeu a desprezar armas de brinquedo e desenvolvimento de ampla habilidade artística, motivada por uma paixão marcante pela vida e o desejo de concebê-la como algo que se constrói para si e com os demais.

Publicou poemas e pe√ßas no jornal do estudante do ensino m√©dio da escola; ele sempre escreveu, mas tamb√©m gostava de pintar e l√° conquistou seus primeiros sucessos como artista. Depois de abandonar a faculdade, iniciou sua longa carreira de dissid√™ncia das institui√ß√Ķes e de vontade de desenvolver-se, protestando contra um sistema que ele n√£o poderia servir por n√£o acreditar nele. Ele trabalha como oper√°rio e sente de perto o mundo dos explorados. Ele frequenta a Liga de Jovens Comunistas e faz amizade com muitas pessoas √† esquerda. Em 1943 ele conheceu Judith Malina, que viria a ser uma companheira constante na vida, a pessoa que mais influencia seu trabalho; ela manteve posi√ß√Ķes pacifistas firmes, com as quais Julian simpatizou e a mesma ambi√ß√£o de mudar o mundo. Em 1944 ele conheceu Tennessee Williams e Paul Goodman, outro parceiro importante nas lutas pol√≠ticas, art√≠sticas e culturais. Paul se declarou abertamente um anarquista, enquanto que Julian ainda n√£o estava convencido, embora ocupasse uma posi√ß√£o cr√≠tica ao comunismo por causa do stalinismo. Ele se sentiu enojado com a pol√≠tica estatal, viveu a realidade daqueles tempos horrorizados pela barb√°rie belicosa.

Na década de 1940, Nova York foi o lar de muitos artistas renomados Europeus no exílio como Breton, Duchamp, Ernst, Leger, Chagall e outros. Em esse meio que Julian conhece Jackson Pollock, com quem mantém uma amizade íntima, rodeado pelos ares patrióticos e patriarcais da Segunda Guerra Mundial. Julian começou a se descobrir homossexual em seu primeiro relacionamento com 16 anos e sentindo-se oprimido pelo sistema neste aspecto de sua personalidade. Quando ele foi chamado para servir no exército, ele se recusou alegando homossexualidade.

A convic√ß√£o pacifista foi acentuada nele. Claro que tinha que radicalizar a a√ß√£o revolucion√°ria n√£o violenta. Julian e Judith discutiram seriamente as alternativas pol√≠ticas, que pareciam ser, todas, insatisfat√≥rias. Isso at√© que Judith encontrou a revista WHY? Um artigo introdut√≥rio ao anarquismo. Foi a semente do pensamento √°crata que come√ßou a germinar. √Č imposs√≠vel ser convertido ao anarquismo. √Č poss√≠vel chegar l√° apenas atrav√©s de um processo de reconhecimento e auto identifica√ß√£o com suas ideias e prop√≥sitos. A s√≠ntese anarco-pacifista e a a√ß√£o pol√≠tico-art√≠stica constituir√° o grande experimento para o qual eles v√£o dedicar toda a sua vida junto com a cria√ß√£o do ‚ÄúLiving Theatre‚ÄĚ, que come√ßa em 1951.

O Living Theatre passou a representar uma resposta ao tradicional teatro comercial e institucional, com conte√ļdo pol√≠tico n√£o convencional e uma linguagem altamente po√©tica, ent√£o em breve as autoridades buscar√£o impedir sua a√ß√£o em v√°rios momentos. Al√©m da a√ß√£o pol√≠tica nas mesas, as pessoas do Living estavam cientes da necessidade de uma atua√ß√£o no movimento pacifista e antimilitarista. Eles promoveram a ideia da primeira greve geral mundial pela paz que ocorreu em janeiro de 1962, culminando em uma marcha; tudo isso foi uma forma de inspirar que pessoas pratiquem a a√ß√£o direta, ent√£o a experi√™ncia √© repetida mais algumas vezes. Al√©m disso, na d√©cada de 1960, Julian passa a ser conhecido como poeta por meio da leitura p√ļblica de seus textos e sua reprodu√ß√£o na imprensa underground, que ent√£o come√ßa a proliferar e disseminar v√°rias express√Ķes da contracultura radical.

O grupo apresentou trabalhos de autores renomados (Brecht, Garcia Lorca e outros), mas enfatizar√° as obras de cria√ß√£o coletiva, como por exemplo ‚ÄúThe Brig‚ÄĚ (“La Prison”), uma obra de den√ļncia radical das institui√ß√Ķes, uma pe√ßa de car√°ter t√£o question√°vel que foi fortemente questionada. Este tipo de trabalho os obrigou a se exilar na Europa em 1963. Em 1968 assumiram o nome de Coletivo Anarquista, envolvendo-se ainda mais nos eventos revolucion√°rios que geram a contracultura e na reativa√ß√£o do movimento anarquista mundial. A famosa vis√£o do Teatro Odeon de Paris foi ideia de Julian, extasiado com os acontecimentos de maio de 68. No mesmo ano, eles lan√ßaram ‚ÄúParadise, Now!‚ÄĚ, Que tamb√©m gerou rea√ß√£o escandalizado pelos poderes estabelecidos.

Com esse hist√≥rico, n√£o √© surpreendente que ao fazer teatro de rua no Brasil (1971), foram presos sob a acusa√ß√£o de subvers√£o pelos gorilas que comandam esse pa√≠s. Ap√≥s os protestos generalizados dos feitos na Europa e nos EUA, acompanhados por express√Ķes de solidariedade de muitas personalidades, o grupo √© expulso ap√≥s dois meses de pris√£o.

O Living Theatre continuou a viajar pelo mundo, enfrentando desafios e proibi√ß√Ķes e promovendo mudan√ßas sociais por meio da arte, sempre inflex√≠veis em sua postura anarco-pacifista. Julian Beck morreu em 1985, mas Judith Malina e o Coletivo continuam nesta linha de teatro de vanguarda que hoje √© refer√™ncia obrigat√≥ria em todo o mundo ‚Ķ

R e v o l u c i o n y C o n t r a r r e v o l u c i o n
(Fragmento de uma canção-poema de Julian Beck)

…queremos
abrirles con filtros de amor
queremos
vestir a los parias
de lino y de luz
queremos
poner musica y verdad
en la ropa interior
queremos
hacer que la tierra y sus ciudades resplandezcan
de creacion
lo haremos
irresistible
hasta para los racistas
queremos llevar la fertilidad
a los glaciares
queremos cambiar
el caracter demoniaco de nuestros adversarios
en gloria productiva
queremos
cambiando el mundo
cambiar nosotros mismos
queremos
desembarazarnos
de nuestra propia corrupcion
y a traves del
proceso de la revolucion
hallar
el ser
no
el morir
y hasta que
no lo logremos
la revolucion no tendra lugar

PAP
(CORREO A # 22, pp. 14-15; Março de 1993)
Extraído de Spunk.
Tradução: DaVinci
Revis√£o: Tonho


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Ilka Oliva, imigrante indocumentada nos EUA: “Somos um neg√≥cio perfeito para as autoridades”

Ilka Oliva Corado

Confira esta entrevista com a escritora e poetisa guatemalteca, Ilka Oliva Corado, autora de Hist√≥ria de uma Indocumentada — a travessia do deserto de Sonora-Arizona publicada no Di√°rio Liberdade sobre o livro que recebeu vers√£o em Portugu√™s do Brasil pela Editora Monstro dos Mares.

Na Foto: Ilka Oliva Corado com a √ļltima edi√ß√£o, em espanhol, de Hist√≥ria de uma Indocumentada — a travessia do deserto de Sonora-Arizona.

Escritora e poetisa guatemalteca, Ilka Oliva Corado vive h√° muitos anos nos Estados Unidos, sem documentos. A Editora Monstro dos Mares est√° trazendo seu livro, in√©dito no Brasil, no qual a autora narra sua travessia a p√© da fronteira mais vigiada das Am√©ricas, que durou 3 dias e 3 noites. “N√£o migrei por anseios de luxos econ√īmicos, nunca acreditei no sonho americano. Nem sequer tinha imaginado viajar aos Estados Unidos de f√©rias, muito menos viver aqui”, contou Ilka.

Hist√≥ria de uma Indocumentada — a travessia do deserto de Sonora-Arizona traz cada pormenor de um trajeto pelo qual passam (ou ficam pelo caminho) centenas de migrantes latino-americanos todos os dias rumo ao vizinho do norte. Um relato visceral que conta cada prova√ß√£o colocada na jornada.

Escrito em 2014, traduzido ao portugu√™s em 2017 e finalmente publicado no final de 2020, o tempo de vida da obra perpassa pelas diversas discuss√Ķes e conjunturas mais recentes envolvendo o tema, como as promessas do atual presidente estadunidense de construir um muro ao longo desta fronteira, as deten√ß√Ķes ilegais de fam√≠lias e a separa√ß√£o de crian√ßas dos pais, para n√£o falarmos das mortes, incluindo de crian√ßas, que ocorrem nestes centros de deten√ß√£o de imigrantes. Mas isso √© apenas uma parte do quadro de viol√™ncia sist√™mica ao qual tentam driblar os migrantes em travessia — infelizmente tem muito mais coisas acontecendo.

Na entrevista a seguir, produzida e publicada pelo Di√°rio Liberdade em 3 de abril de 2015, Ilka apresenta sua obra e reflete um pouco a respeito das quest√Ķes relativas ao tema, tanto em n√≠vel macro, quanto a respeito de sua pr√≥pria vida durante e sobretudo ap√≥s a travessia.

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Abaixo, leia a entrevista na íntegra:

O que te conduziu a abandonar o seu país para empreender esta viagem perigosa e ilegal aos Estados Unidos?

Ilka: A frustra√ß√£o. Uma depress√£o profunda. A minha vida pessoal era um caos, j√° tinha tido duas tentativas de suic√≠dio e estava a caminho da terceira quando decidi migrar.

N√£o migrei por anseios de luxos econ√īmicos, nunca acreditei no sonho americano. Nem sequer tinha imaginado viajar aos Estados Unidos de f√©rias, muito menos viver aqui. Na Guatemala trabalhava de professora de Educa√ß√£o F√≠sica num dos col√©gios mais prestigiados, e estudava psicologia na Universidade de San Carlos. Mas o meu sonho, acima de tudo, era ser √°rbitra internacional de futebol.

Quando tomei a decisão de migrar, este país me atravessou o caminho e foi a minha via de escape. Uma decisão que tomei em um dia sem parar pra pensar duas vezes e da qual não me arrependo. Preparei a minha viagem em um mês.

Lutei com todas as for√ßas do meu ser para conseguir o meu sonho, dei tudo at√© a √ļltima gota de suor, mas a Guatemala me negou a oportunidade por ser mulher. Est√° t√£o implantado o machismo e os estere√≥tipos que ver a mulher ‘em um mundo de homens’ representa uma ofensa para quem acha que n√≥s mulheres devemos estar em casa lavando pratos e cuidando de crian√ßas o tempo inteiro. Nesse tempo, a Federa√ß√£o de Futebol da Guatemala n√£o estava pronta para ver uma mulher abrir as suas asas e voar. Devagar houve mudan√ßas, mas o sistema e a sociedade patriarcal ainda n√£o compreendem que os homens e as mulheres tenham as mesmas capacidades e habilidades, basta eliminar os preconceitos e os estere√≥tipos para avan√ßarmos como humanidade. N√£o existe o mundo de homens nem o de mulheres, mas sim o que conformamos todos os seres humanos. Quando vamos compreender?

O futebol é a paixão da minha vida. Chegou o momento em que me ofereceram cama em troca da categoria de árbitra internacional e foi quando desabei porque compreendi que não dependia do meu esforço nem da minha capacidade, mas do meu sexo. Renunciei imediatamente e emigrei sem saber para onde o vento me ia levar, fui folha seca.

Haverá a quem possa parecer exagerada a decisão de migrar por uma decepção, de um sonho. Mas é preciso viver uma paixão com todas as forças do ser para saber que é o motor que nos motiva a viver. A mim me cortaram as asas e assim emigrei, completamente abatida. Não tenho por que mentir, não é vitimização, é a minha realidade e foi o caminho que percorri.

Quais s√£o as provas pelas quais passaram durante a travessia?

Ilka: Muitas, e s√£o imposs√≠veis de enumerar. Desconcerto: o desconhecido provoca ang√ļstia e mais ainda ao se tratar de uma travessia sem documentos. De repente √© preciso tirar for√ßas de onde n√£o h√° para poder sobreviver a uma experi√™ncia assim t√£o traum√°tica. H√° que ter o sangue frio e deixar as emo√ß√Ķes de lado ou estar completamente devastado para tomar a decis√£o de deixar a vida na tentativa. Isso me aconteceu, n√£o me importava morrer na fronteira, dava na mesma. Jamais pensei que a iria sobreviver.

Uma situação tão extrema que se torna um aprender a enfrentar o medo e a desafiar a morte. Ver pessoas morrerem e não enlouquecer com o cheiro de sangue fresco e com a atrocidade da desumanidade. Um entra e sai do inferno constantemente nessa travessia. E igualmente na pós-fronteira.

A experi√™ncia n√£o termina por a√≠, mas marca para o resto da nossa vida. Uma pessoa aprende o verdadeiro significado da sobreviv√™ncia, do tempo, dos instantes. Estar frente √† morte constantemente muda por completo a nossa vis√£o das coisas. O que realmente vale a pena √© a alegria. Quem sobrevive a fronteira supera uma prova de fogo e sangue e sabe que nada nem ningu√©m poder√° jamais o abater. √Č por ela pr√≥pria nos ter feito invenc√≠veis, mas isso √© qualquer coisa de quem se inteira quando passa o tempo. No momento da travessia, somos farrapos, o estigma nos derruba. √Č o tempo o que cura tudo.

Sofreu qualquer amea√ßa dos coyotes?

Ilka: Claro. H√° que saber que os coyotes ou polleros s√£o quadrilhas de tr√°fico de pessoas. N√£o se assustam na hora de amedrontar e quebrantar a moral das suas v√≠timas. Porque afinal somos isso, e eles os predadores. Somos apenas um objeto com o qual eles fazem neg√≥cios. Vivos valemos-lhes at√© para o tr√°fico de √≥rg√£os, mortos estorvamos menos e nos enterram em valas clandestinas ou nos deixam atirados √†s beiras dos rios, ou nos caminhos de ferro.

A amea√ßa √© parte da estrat√©gia de intimida√ß√£o que usam as bandas de coyotes para submeter os migrantes em tr√Ęnsito. N√£o soube de qualquer pessoa que atravessasse a fronteira sem ter sofrido intimida√ß√£o dos coyotes. N√£o ficam apenas em palavras: da intimida√ß√£o verbal passam imediatamente a viol√™ncia f√≠sica, com golpes, torturas e estupros. Desrespeitam a vida e cometem assassinatos.

Como agem as organiza√ß√Ķes de tr√°fico de imigrantes que atravessam a fronteira?

Ilka: Primeiro, temos que estar cientes em que essas quadrilhas s√£o conformadas pelas pr√≥prias autoridades mexicanas. O narcoestado que se vive no M√©xico h√° muito tempo tem recrudescido os abusos a migrantes. Sequestros, estupros, desaparecimentos for√ßados e assassinatos v√™m das mesmas autoridades que mancomunadas com o crime organizado fazem dos migrantes em tr√Ęnsito o seu melhor neg√≥cio. √Č que somos um neg√≥cio perfeito e suculento para eles.

A√≠ est√£o envolvidos consulados, dirigentes, agentes de migra√ß√£o, presidentes das c√Ęmaras municipais, minist√©rios p√ļblicos, ex√©rcito e a pr√≥pria sociedade civil. N√£o existe prote√ß√£o alguma para os migrantes. As pessoas observam o abuso e olham para o outro lado. Acusam-nos de ladr√Ķes, de infestar o M√©xico com a nossa presen√ßa. De ir roubar os seus empregos, de encher de viol√™ncia o pa√≠s. Acusam-nos de estupradores. Todo o infame √© o que representamos n√≥s migrantes centro e sul-americanos para a sociedade mexicana. Por isso, quando nos matam n√£o se alteram. √Č o pr√≥prio governo quem manipula as redes do tr√°fico de pessoas.

Como trabalham as forças de segurança do México e dos Estados Unidos quando se trata de imigrantes ilegais tentando atravessar a fronteira?

Ilka: Se atravessar o M√©xico √© um inferno por si pr√≥prio, a fronteira entre esse pa√≠s e os Estados Unidos fulmina os migrantes. S√£o tratados como assassinos em ambos os lados. A pol√≠cia mexicana que encontra migrantes na fronteira os sequestra e pede resgate aos familiares nos Estados Unidos. Os que t√™m sorte s√£o deportados para os seus pa√≠ses de origem, e os que n√£o t√™m s√£o entregues √†s organiza√ß√Ķes criminosas que possuem redes de tr√°fico de pessoas para fins de explora√ß√£o sexual ou laboral, e ainda para o tr√°fico de √≥rg√£os.

Muitas vezes assassinam-nos ali mesmo no deserto, e s√£o essas ossadas que se v√£o sendo encontradas com o passar dos anos. Ou esses corpos em estado de decomposi√ß√£o que n√£o conseguem ser reconhecidos pelas organiza√ß√Ķes de Direitos Humanos, porque a pol√≠cia tirou os documentos de prop√≥sito para que os restos n√£o sejam retornados para os seus pa√≠ses de origem.

A Patrulha de Fronteira realiza uma verdadeira ca√ßada. Tem todo apoio do governo norte-americano. Insultam, batem, torturam, estupram, assassinam e n√£o h√° forma de os denunciar porque quando uma den√ļncia √© apresentada perante as cortes norte-americanas, estas s√£o negadas. N√£o h√° forma de prov√°-las, embora estejam evidentes as provas de que eles assassinam migrantes e desrespeitam os Direitos Humanos. Os pr√≥prios agentes da Patrulha de Fronteira abusam sexualmente de crian√ßas, adolescentes e mulheres na fronteira e nos centros de deten√ß√£o, tudo fica gravado nas c√Ęmaras de vigil√Ęncia e mesmo assim as den√ļncias n√£o s√£o tidas em conta.

Porque n√≥s, migrantes no M√©xico e nos Estados Unidos, somos invis√≠veis, a ral√© de uma leva de p√°rias que procuram comida e teto, essa massa humana que n√£o interessa nem aos governos do pa√≠s de origem, de tr√Ęnsito e de destino. Estamos sozinhos. E sozinhos morremos. Tanto as autoridades mexicanas, como a Patrulha Fronteira, nos usa e elimina ap√≥s o uso. N√£o h√° lei que nos proteja. N√£o h√° humanidade que nos respeite.

Você foi testemunha de uma situação de maus-tratos, falta de respeito e violação da dignidade humana?

Ilka: Gostaria de dizer com todas as for√ßas do meu cora√ß√£o que n√£o fui testemunha, mas infelizmente fui, e essas imagens est√£o na minha mem√≥ria e v√£o me perseguir at√© o dia que eu morrer. Abuso sexual por bandas criminosas em territ√≥rio mexicano e abuso sexual, golpes e assassinatos pela Patrulha de Fronteira em territ√≥rio norte-americano.

Vivi a degrada√ß√£o humana na fronteira. Todos — dos coyotes √†s autoridades mexicanas e norte-americanas — nos tratam como restos. √Č um verdadeiro calv√°rio atrever-se a atravessar a fronteira. A maior parte das pessoas n√£o sabem aquilo que lhes espera, porque quem consegue sobreviver na fronteira n√£o conta, pois √© vergonhoso, d√≥i, √© humilhante e preferem guard√°-lo no mais profundo da sua mem√≥ria. H√° quem possa imaginar, mas mesmo assim a necessidade os obriga a migrar. H√° que ter muito claro que as migra√ß√Ķes de centro-americanos aos Estados Unidos s√£o for√ßadas. E da√≠ come√ßa a trag√©dia.

Você sofreu algum trauma na travessia?

Ilka: Sofri. Por muitos anos n√£o pude dormir mais do que tr√™s horas. Quando conseguia conciliar o sono, acordava com os pesadelos e aos gritos, ouvindo o som das motos e das balas. Ensimesmei-me. Como consequ√™ncia, tateio, mas ainda n√£o consigo falar com a normalidade de antes de atravessar a fronteira.

Afastei-me das pessoas e fechei-me. Sumi no √°lcool porque s√≥ √©bria conseguia esquecer por instantes o que tinha vivido na fronteira. Subi de peso. Deixei de praticar esportes. Odiei a minha vida de esportista. Renunciei √† alegria. A fronteira roubou-me as ilus√Ķes. Fez-me peda√ßos. Fujo das reuni√Ķes sociais, n√£o suporto estar entre um grupo grande de pessoas, prefiro a solid√£o. E na Guatemala n√£o era assim, sempre era a alma da festa. N√£o consigo dominar o falar em p√ļblico, e na Guatemala era ao inverso. Desconfio mais das pessoas.

Qual foi o destino daqueles que, assim como você, atravessaram a fronteira?

Ilka: Sa√≠mos dos nossos pa√≠ses de origem e n√£o sabemos se vamos atravessar a fronteira ou vamos morrer no caminho. O destino √© incerto. O destino √© chegar a este pa√≠s e trabalhar nos of√≠cios destinados para os indocumentados: limpar casas, cortar grama, trabalhar de sol a sol nos campos de cultivo, trabalhar de pedreiro, partir as costas em f√°bricas trabalhando at√© 19 horas por dia de segunda a domingo. N√£o ter direitos trabalhistas. Que desrespeitem os Direitos Humanos em rela√ß√£o a n√≥s. Que nos discriminem.

O destino? √Č morrer lentamente em um lugar que nos descrevem como o pa√≠s dos sonhos. Um embuste suntuoso e uma realidade de esgoto. Mas do outro lado a realidade nos pa√≠ses de origem morre-se de fome, ent√£o entendo por que a necessidade de empreender uma travessia assim t√£o arriscada. L√° n√£o √© melhor do que aqui para n√≥s, os invis√≠veis.

O que comenta do livro ‘Hist√≥ria de uma indocumentada, travessia no deserto de Sonora – Arizona’?

Ilka: Sou a protagonista principal, e n√£o para ter as aten√ß√Ķes postas em mim, mas porque assim me tocou, porque essa √© a hist√≥ria da minha travessia.

A jornalista chilena Carolina V√°squez Araya, residente na Guatemala, teve muita influ√™ncia na minha decis√£o de escrever dessa maneira. Faz anos que leio as colunas de opini√£o dela no Prensa Libre – um jornal guatemalteco – e sempre denuncia o tr√°fico de pessoas, os abusos sexuais que vivem as crian√ßas, adolescentes e mulheres nos nossos pa√≠ses de origem. A discrimina√ß√£o com que crescemos as crian√ßas marginalizadas pelo sistema e a sociedade.

Ela √© uma das poucas jornalistas que d√£o voz ao drama da migra√ß√£o for√ßada e aprofunda nas raz√Ķes, uma mulher de uma humanidade admir√°vel, mestra no sentido mais completo da palavra. Ela foi o motor que me impulsionou a me despir de tal maneira.

Lendo as colunas dela compreendi que não podia ficar com isto dentro, que o meu dever humano era fazê-lo conhecer. Que se queria fazer parte da mudança não podia guardar algo tão devastador, e que precisava trazer à tona para outras pessoas conhecerem através da própria protagonista o que a fronteira entre o México e os Estados Unidos é.

Consegui escrev√™-lo com todo o tipo de pormenores gra√ßas a que j√° o superei. Foram dez anos trabalhando as minhas emo√ß√Ķes, abrindo as feridas e arejando-as para que pudessem secar. Passei por desvelos, por ren√ļncias, pelo alcoolismo e por depress√Ķes para voltar a renascer. A fronteira deixou-me est√©ril, de sonhos, de vida, e n√£o foi um processo f√°cil lembrar o cheiro do sangue e n√£o me desabar de novo.

Escrevi este livro porque √© a minha obriga√ß√£o humana, porque sou p√≥s-fronteira, porque sou uma de milhares de invis√≠veis. Porque se n√£o o dizemos n√≥s, os indocumentados, ningu√©m dir√° com integridade. √Č por isso que o escrevi, n√£o para procurar fama nem dinheiro, nem aplausos. Escrevi-o porque quero fazer parte da mudan√ßa e para isso h√° que se envolver.

Qual é a sua situação atual nos EUA? Como é a vida como um imigrante ilegal?

Ilka: Continuo a ser indocumentada tal como quando cheguei em 11 de novembro de 2003.

Trabalho nos mil of√≠cios como os milh√Ķes de indocumentados. N√£o tenho direitos trabalhistas. Como outros milh√Ķes de invis√≠veis, podem me deportar a qualquer dia. Igual a eles, saio do apartamento que alugo com a minha irm√£-m√£e, Evelyn – que j√° fazia um ano por aqui quando eu emigrei, embora ela tenha emigrado com visto e n√£o viveu a fronteira – e n√£o sei se vou regressar porque a qualquer momento um policial racista pode me parar e enviar-me direto para a deporta√ß√£o. Aprende-se a viver com essa realidade cheia de sobressaltos. √Č parte do andar indocumentado neste pa√≠s.

Por isso aprendi a desfrutar das pequenas coisas: os meus passeios de bicicleta, as minhas caminhadas pela reserva florestal, as vistas do lago Michigan, a brisa da primavera e as cores do outono, o branco inverno tão cheio de magia. São coisas que para muitos parecem insignificantes mas que enchem a alma. Uma pessoa aprende a viver com o que tem, que enfim é muito.

Este processo catártico da escrita e da poesia permitiu-me refletir. Aos poucos, as letras converteram-se na minha razão de ser, no ar que respiro, na minha convicção. São enfim a minha expressão mais leal.

Não posso ser egoísta e guardá-las só para mim criando borboletas de cores e céus sempre azuis: o meu dever é lançá-las ao vento para que outras pessoas saibam o que é a realidade do indocumentado que, no fim das contas, é muito similar em qualquer lugar do mundo.


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A Rede de Apoio em Janeiro de 2021

Pacote Ciberpunk da abobrinha

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