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Numerologia de Março de 2020🏺

numerologia de março de 2020

A numerologia de Março carrega consigo a imagem de uma Ânfora Panatenaica, um objeto da arte grega antiga utilizado para guardar o óleo que era entregue como prêmio nas Panateias. A simetria das formas da ânfora nos apresenta mais uma das representações de perfeição do mundo grego. Diferente do assustador desequilíbrio do mundo que estamos presenciando.

No DataMonstro, o caderno onde fazemos os registros dos números de livros e zines que são produzidos mensalmente, passamos a fazer anotações sobre os acontecimentos do mês. Então, além da numerologia de março, temos o registro de algumas visitas e atividades em que estivemos presentes. Neste mês, recebemos a visita de uma acadêmica do curso de Jornalismo da UEPG que está preparando uma matéria sobre a Monstro dos Mares, a visita do professor, escritor, poeta e editor Marco Aurélio de Souza e estivemos presentes no lançamento dos primeiros títulos de 2020 da Olaria Cartoneira.

Alguns acontecimentos também afetaram dramaticamente a numerologia de março. Perdemos o disco rígido do THX1138, nosso computador de produção, e tivemos um reboot terrível em nosso website. Como se não fossem problemas suficientes, sobreveio também a emergência global da Covid-19. Sobre essas questões todas, publicamos um informe chamado “Reboot no site, HD queimado e Pandemia 🦠“. Com tudo isso, a manutenção e a continuidade de nosso projeto editorial ficaram profundamente comprometidas e decidimos criar um “Fundo de Emergência Corona Vírus (Covid-19)“, a fim de garantir recursos financeiros para que possamos continuar distribuindo materiais de inspiração anárquica aos diversos recantos do país. Esperamos que você esteja em casa e que esteja bem.

A impressora M2140 que chegou em Janeiro precisou da substituição da caixa de manutenção em 42.423 impressões. Infelizmente, no Brasil essa peça custa mais de 300 reais. Mas como havíamos feito a importação de um pequeno estoque desse item, deu tudo certo. Segue o vídeo que gravamos na primeira substituição da caixa de manutenção da M2170 (Impressora Incendiária).


Numerologia de Março de 2020

  • Impressões de Março de 2020: 5.244
  • Livros impressos: 156
  • Livros distribuição gratuita: 6
  • Zines impressos: 192
  • Zines distribuição gratuita: 33
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 0.4Kw
  • Total de Kw gerados e consumidos com energia solar em 2020: 5.8Kw
  • Total de impressões desde Janeiro de 2020: 43.325
  • Total de impressões desde Agosto de 2017: 380.759

Numerologia: Hotsite com informações sobre nossos números mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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Numerologia de Janeiro de 2020 🕯️

numerolosia de janero de 2020

Começamos a numerologia do ano de 2020 intensificando nosso ritmo, fazendo com que mais caixas com materiais se movimentem pelo território de Pindorama e preparando os lançamentos dos próximos meses. Nos últimos dias de Dezembro tivemos um problema em nossa impressora principal e tivemos que substituir o equipamento às pressas, colocando a impressora na reserva técnica aguardando por manutenção. Também nossa impressora de capas apresentou problemas no cabeçote de impressão e foi desativada para seguir para assistência também. Como não temos recursos disponíveis para o conserto desses equipamentos, vamos seguindo o barco com uma única impressora e confiantes de que os ventos sigam soprando e que em breve essa tormenta passe. Com a sua ajuda em nossa Rede de Apoio poderemos colocar essas máquinas para navegar novamente muito em breve. Se possível, considere fazer uma doação.

A página da Numerologia da Editora Monstro dos Mares recebeu uma nova atualização e agora comportará imagens e vídeos para tornar mais bacana a visualização dos dados que geramos todos os meses.

Numerologia de Janeiro de 2020

  • Impressões totais desde Agosto de 2017: 358.563
  • Impressões de Janeiro de 2020: 21.129
  • Livros impressos: 194
  • Livros distribuição gratuita: 29
  • Zines impressos: 553
  • Zines distribuição gratuita: 95
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 2.2Kw

Numerologia: Hotsite com informações sobre nossos números mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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2020: coloque a editora do seu movimento/coletivo para navegar

Desde 2012, a Editora Monstro dos Mares vem passando por profundas modificações. Quem acompanha nosso bonde pode perceber que algumas técnicas e o volume de impressão mudaram bastante, mas que a natureza de nossa atividade segue exatamente a mesma: publicar os modos de pensar e as práticas que formam os movimentos de luta social de nosso tempo. Entendemos que existe uma diversidade de ideias que constituem aquilo que pode se definir como “luta social”. Não temos interesse em definições rígidas, pois compreendemos que vivemos em um mundo em constante mudança, no qual pessoas transformam e se transformam de forma ininterrupta. É simples imaginar que práticas de luta e resistência, bem como teorias e epistemologias que questionam o poder, o Estado e o estado de coisas, também estão em movimento. Um livro aberto nunca será estático.

Somos monas, minas e manos agindo para destruir hierarquias, a centralização do poder e a coerção em todas as suas expressões. Nosso posicionamento político-editorial está amarrado às necessidades de quem sofre cotidianamente com as formas de exclusão e precarização da vida. Nos alinhamos aos desejos e estudos de quem se identifica com o questionamento do que está posto e busca, através da autonomia e da solidariedade, a construção de significados para compreender o nosso tempo e lutar contra todas as formas de opressão, por mais subjetivas que pareçam à primeira vista. Essa proposta não impede que as pessoas que integram nosso bonde editorial mantenham seus posicionamentos individuais, sejam filiadas a organizações, etc. Cada pessoa faz sua correria, movimentação de base, atuação em grupos, coletivos e movimentos, ou mesmo seja alguém que utiliza o espaço de produção acadêmica e de pesquisa para contribuir com questionamentos e ideias para compor nosso catálogo de publicações e materiais que escolhemos distribuir.

Editoras são necessárias. Por isso, no ano de 2020 a Monstro dos Mares, além de seguir com seu projeto de divulgação acadêmica anárquica, vai mobilizar seus esforços para ampliar a quantidade de novas editoras. Para cumprir esse objetivo, compartilharemos conhecimentos e aprendizados de métodos de produção e tudo aquilo que estamos aprendendo nesses oito anos de atividade, em que nos envolvemos ainda mais em fazer e distribuir livros e zines. Quando enviamos materiais para singularidades, grupos de estudos, pesquisadoras, bibliotecas, coletivos e movimentos, colocamos em prática aquilo que nos constitui como pessoas que lutam por emancipação, liberdade, apoio mútuo, cooperação e solidariedade em todas as expressões da vida. Distribuir livros é multiplicar ações e compartilhar reflexões.

Convidamos todas as pessoas a somar em nosso propósito de transferir conhecimentos para que mais editoras possam existir, para que mais ideias possam ganhar as páginas das ruas e que mais pessoas possam aprender, instruir e compartilhar saberes e práticas anárquicas e anarquistas. Desde nossa primeira impressão nos alinhamos ao compromisso de fazer com que as palavras, a tinta no papel e a divulgação de ideias de nossas lutas possam ocupar espaço na articulação daquilo que constitui o que chamamos de luta social. Tocar uma editora é dar espaço às possibilidades.

Por um 2020 combativo: publique suas ideias!


abobrinha, baderna, enguia, R., ste, sullivan, tonho, zé.

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Numerologia do ano de 2019 🧮

Acabou! Foi um ano louco, não é mesmo? Mas sobrevivemos e seguimos em frente. Em 2019 tivemos uma produção intensa, enviamos livros e zines para todos os estados do país e isso nos enche de felicidade! Neste novo ano, seguimos realizando o registro e documentação da quantidade de impressões que fazemos e adicionando informações que são relevantes para compreendermos nossos processos, evolução e história. Pode ser que todos esses números não sejam assim tão importantes pra você, mas acreditamos que eles são fundamentais para as pessoas que apoiam nossa atividade e acompanham nosso projeto editorial.

Os números de um ano inteiro nos dão a certeza de afirmar que a cada quatro livros e zines impressos, um será distribuído gratuitamente para uma amizade, um coletivo, biblioteca comunitária, espaço cultural ou para pessoas que estão em nossa banquinha em eventos, interessadas em saber mais sobre os títulos que publicamos e as ideias que fazemos circular. Ter a certeza de que um quarto (1/4), mais ou menos, de toda a nossa produção vai parar nas mãos de pessoas que estão interessadas em descobrir ou aprofundar saberes e práticas anárquicas, anarquistas e de epistemologias dissidentes nos faz seguir firme nos propósitos da editora em continuar existindo, colocando cada vez mais tinta no papel.

Em 2019 também esticamos os braços para aprender sobre como podemos fazer um pouco mais e fazer diferente em nossos livros e zines. Também fizemos testes e aprendizados em torno de nossa autonomia. Em Janeiro começamos alguns estudos sobre energia solar e no mês de outubro nos sentimos seguros em adotá-la integralmente em nossa produção. Hoje, todos os nossos livros e zines, computador e impressoras utilizam a energia que vem do sol para carregar a bateria e fornecer a energia necessária para a operação dos equipamentos. Também decidimos experimentar e adaptar métodos de encadernação e encontramos um modo de fazer livros mais grossos que é capaz de entrar em nossas rotinas e meios de produção.

Nós estivemos em menos eventos do que gostaríamos, mas caixas e caixas com nossos livros estiveram em diversos lugares e queremos que isso permaneça, que você possa encontrar nossos materiais sendo distribuídos em diversos recantos do Brasil. Isso fortalece nossa atividade editorial e permite que pessoas e coletivos possam obter recursos para fortalecer seus espaços de atuação e agitação. Contamos com o interesse das amizades para fazer com que mais caixas se movimentem de mão em mão, de busão, transportadora, correios. Que os meios de transporte não sejam impedimento para difusão de ideias.

Os números de 2019 também servem como um convite para que quem acredita em nossa atividade editorial possa confiar um valor mensal em nossa rede apoio. Utilizamos esses recursos para manter nosso espaço de produção, dar manutenção nos equipamentos, conquistar recursos para trazer caixas de papel e tinta que são utilizadas na distribuição gratuita, bem como nos eventuais custos de correios para envios. A partir da contribuição de R$ 5 mensais, a Rede de Apoio fortalece nossa atividade e faz com que possamos seguir existindo até o dia em que não será mais necessário vender os livros, que teremos dispositivos de solidariedade suficientes para manter as atividades, a subsitência das pessoas que colaboram no projeto e a produção de mais e novos materiais.

Números de 2019

  • Impressões de 2019: 215.793
  • Livros impressos: 2.452
  • Livros distribuição gratuita: 665
  • Zines impressos: 5.661
  • Zines distribuição gratuita: 1.399
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 16.6Kw
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Por uma impressora incendiária: é muita ansiedade – último dia

Por uma impressora incendiária: www.catarse.me/impressoraincendiaria

Foram 60 dias com aquele nó nas tripas, é muita ansiedade. Será que vai dar, será que não vai? Aê! Rolou. São tantas emoções dando cambalhotas, mais uma vez, é muita ansiedade. Mas estamos super felizes que já aconteceu, com a ajuda de pessoas em 13 estados brasileiros (até o fechamento desse texto) a impressora vai chegar! Muito mais que a felicidade de contar com a colaboração de vocês é saber que será possível enviar muitos materiais gratuitamente para bibliotecas comunitárias, coletivos, sindicatos, federações, movimentos sociais, grupos de estudos, espaços autônomos e singularidades dos mais diversos espectros do campo anárquico e anarquista.

Nos próximos dias, todas as pessoas que contribuíram na campanha receberão um questionário online para preencher o seu endereço atual ou onde deseja receber suas recompensas, bem como uma área para preencher com sugestões de espaços para receber os materiais. Pode também ser mais de um, pois além de pulular a lista de envios das recompensas, formará uma base de dados para envios futuros, uma vez que mensalmente vamos aos correios despachar material gratuitamente para coletivos e singularidades. Algumas pessoas já estão escrevendo pedindo para receber os materiais, é muita ansiedade! Infelizmente alguns ritos são necessários: O Catarse, mesmo mordendo 13%, leva 10 dias úteis para liberar os recursos e realizar a transferência bancária dos valores. Já estamos adiantando tudo que é possível para fazer antes disso, mas é muita ansiedade!

Na próxima semana, apoiadoras e apoiadores da campanha da impressora e de nossa Rede de Apoio receberão por e-mail um vídeo apresentando os 10 zines que formarão o pacote básico das recompensas e o livro escolhido para compor os pacotes que optaram por recebê-lo. Este vídeo ficará privado e disponível para apoiadoras e membros da rede de apoio e 10 dias depois ficará público a todas as pessoas. Estamos loucos para começar, é muita ansiedade!

Queremos agradecer as diversas pessoas que dispuseram um pouquinho do seu tempo para acompanhar nossa campanha, deram aquela força bacana na divulgação e evidentemente, todas e todos que puderam fortalecer os recursos necessários para que tudo pudesse dar certo. Estamos felizes e ansiosos!

💌 Existem várias formas de colaborar com a editora: faça uma doação.

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[livro] O mal-estar do dominante: agradecimento aos apoios

Pessoas da Terra, amizades e compas.

Entre os meses de Abril e Julho de 2019 nos movimentamos para buscar recursos capazes de construir boa distribuição gratuita do exemplar impresso do livro “O mal-estar do dominante”. Um título que consideramos de muita relevância ao catálogo da Monstro dos Mares por abarcar em sua proposta aspectos que fazemos questão de elencar ainda que brevemente.

Método: a autora busca em sua metodologia ouvir (e estudar) a voz de personagens que por muitas vezes nos escapam aos sentidos, ficando sua interpretação restrita à generalização apressada e ao senso comum. O homem branco, cis, hétero é o objeto desse estudo que busca compreender as origens de sua falta de empatia.

Forma: É raro, não, raríssimo entrarmos em contato com um “ensaio enquanto tese”. Não é comum, nem sempre é aceito, muitas vezes se perdem na origem. A universidade tem seus ritos e nem sempre é possível romper com as formas do estabelecido. A autora nos apresenta o ensaio em primeira pessoa que deu origem à sua tese, que mesmo não sendo aceito entre os muros do conhecimento dominante, foi recebido nesta editora de braços abertos e fazemos muito gosto de sua ampla divulgação.

Em momentos tão difíceis de nossa sociedade, onde o preconceito, o patriarcado, a falta de amor e empatia causam estragos praticamente irreversíveis nas relações entre as pessoas, esse livro traz unidade, senso de cooperação e amor por tudo que acreditamos e por tudo que fazemos para combater as pequenas e as grandes opressões cotidianas.

Esse livro só foi possível graças à colaboração e solidariedade de pessoas que voluntariamente contribuíram no Catarse com recursos financeiros, transformando o projeto em realidade. Agradecemos imensamente as colaborações de:

  • Adail Sobral
  • Barbara Iansa de Lima Barroso
  • Bêh Arsênio
  • Camilo Skrok
  • Carolina Fernandes
  • Clara Silveira
  • Claudia Mayer
  • Cristina Zanella
  • Emily Vasconcellos
  • Fabiane Lettnin
  • Janaina WH
  • Leonardo Morales Ferreira
  • Lucas Alves
  • Luci Mari Leite Jorge
  • Patrícia dos Santos Quintana
  • Rafael Kimura
  • Régis Garcia
  • Rochele Souza Barbosa
  • Tiago Jaime Machado
  • Trober
  • Apoiadores e apoiadoras que optaram pelo anonimato
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Dulcinéia Catadora: O fazer do livro como estética relacional

Por Livia Azevedo Lima* em trecho publicado em Akademia Cartonera

Dulcinéia Catadora é um coletivo formado por artistas plásticos, catadores e filhos de catadores que produz livros com capas de papelão, pintadas à mão, e, além disso, realiza oficinas, instalações, ocupações de espaços culturais, como bibliotecas, e intervenções urbanas.

O projeto derivou do coletivo Eloísa Cartonera, criado em março de 2003 pelo artista plástico Javier Barilaro e pelo escritor Washington Cucurto, em Buenos Aires, Argentina. Com intensa atividade editorial, o grupo argentino possui um catálogo com mais de 100 títulos, entre autores novos e consagrados. Conquistou reconhecimento artístico e social, cuja expressão pode residir no convite para participar da 27ª Bienal de São Paulo, em 2006, com curadoria de Lisete Lagnado, com título derivado da obra de Roland Barthes “Como viver junto”. Durante a Bienal, formou-se um atelier em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros, com mediação da artista plástica paulista Lúcia Rosa, que já trabalhava com material reciclado. A partir deste contato, e do envolvimento e trabalho de Lúcia Rosa, formou-se o projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar no Brasil a partir de 2007.

O nome Dulcinéia Catadora é uma homenagem à catadora Dulcinéia, mas também é o nome da personagem feminina do livro “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes. O papelão usado na confecção dos livros é comprado da cooperativa Coopamare por R$1,00 o quilo, valor cinco vezes maior do que o praticado usualmente para efeito de reciclagem. Os livros são feitos com miolo fotocopiado em papel reciclado; encadernação simples, grampeada ou costurada; colados na capa de papelão pintada à mão com guache. A diagramação é feita pelos artistas e escritores e a seleção dos textos, por um conselho editorial formado por escritores que colaboram com o projeto e se alternam neste trabalho, como Carlos Pessoa Rosa, Rodrigo Ciriaco, Flávio Amoreira e Douglas Diegues, este último também colaborou para o coletivo Eloísa Cartonera e fundou, em 2007, a cartonera Yiyi Jambo, no Paraguai.

A seleção dos textos leva em consideração não apenas a qualidade literária e o conteúdo, como também o caráter sociopolítico, priorizando aqueles que atentem para as minorias sociais. Os autores cedem os textos, mediante autorização escrita e recebem, em contrapartida simbólica, cinco livros de sua autoria. Todos os livros podem ser traduzidos para o espanhol e divulgados por outras células do projeto na América Latina, (são elas): Animita Cartonera (Chile), Eloísa Cartonera (Argentina), Felicita Cartonera (Paraguai), Kurupí Cartonera (Bolívia), Mandrágora Cartonera (Bolívia), Nicotina Cartonera (Bolívia), Santa Muerte Cartonera (México), Sarita Cartonera (Peru), Textos de Cartón (Argentina), Yerba Mala Cartonera (Bolívia), Yiyi Jambo (Paraguai) e La Cartonera (México).

Essa rede de projetos pares que se formou na América Latina é um caminho alternativo ao mercado de arte e ao mercado editorial. O escritor que não conseguia se inserir em uma grande editora, agora tem a possibilidade de ser editado e o seu texto poderá circular por diversos países. Da mesma forma os catadores e os filhos de catadores que participam da oficina se abrem para novas possibilidades profissionais e desenvolvem seu potencial artístico. A soma desses esforços orientados para um objetivo comum, apesar de cada projeto possuir suas especificidades, denota, politicamente, a busca por autonomia e, esteticamente, a realização de um trabalho artístico que está focado no resultado das trocas entre os indivíduos que o produzem. As atividades do atelier geram renda, mas, sobretudo, promovem a autoestima e o intercâmbio de experiências entre pessoas com origens e repertórios diversos, que ali se encontram, em um espaço aberto, para o exercício do prazer de criar.

Livia Azevedo Lima cursa o terceiro ano da graduação em Comunicação Social com ênfase em Produção Editorial e Multimeios na Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil. Escreve ficção e trabalha como estagiária de pesquisa no Núcleo de Documentação e Pesquisa do Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo.

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Publication Studio: a editora artesanal que já vendeu mais de 10.000 livros

Geralmente quando falamos sobre editoras artesanais, as pessoas costumam acreditar que criar livros com as mãos seja uma ideia romântica e distante de ser “modelo de negócio de sucesso”. Bom, primeiro precisamos definir que modelo é esse. Afinal, já sabemos que a maioria dessas pessoas, acredita num modelo capitalista, baseado na métrica de replicação e escala. Quanto mais volume, maior o lucro. Definitivamente nós rejeitamos esse modelo. Nosso sucesso é criar objetos artesanais bonitos, que contenham boas histórias, que promovam o pensamento crítico e que possam ser reconhecidos por apresentarem-se em contraponto à lógica atual. Sim, ainda que tenhamos que vender os livros (mesmo aceitando trocas), não significa que concordamos com essa lógica, apenas estamos evitando fazer parte integral de suas motivações, formas de pensar e agir.


Com o surgimento de aparelhos como o Kindle, os tablets e o próspero formato de e-books, que espaço nos resta para o livro “físico” em nossas vidas? Como podemos tratar adequadamente por livro um objeto que nós podemos ler, falar, estar em contato com os amigos, etc… Será que aquilo que conhecemos por livro terá seu espaço modificado, será que isso tudo vai mudar, ou será que já mudou?

Em 2009 na cidade de Portland (EEUU), o ex-editor literário da revista Nest, Matthew Stadler e uma jovem escritora chamada Patrícia No utilizaram uma loja emprestada para fundarem a editora Publication Studio. Sim, eles estavam fodidos e sem grana, mas encontraram meios super baratos para confeccionarem livros encadernados manualmente, um de cada vez. A ideia de utilizar todos os meios possíveis para fazer livros de artistas e autores locais que admiravam e vendê-los para o público parecia muito simples, até que o curador Jans Possel pediu à dupla editar 20 livros para participarem da Bienal de Amsterdam. Stadler e No chamaram artistas próximas de suas relações e mais 19 livrinhos brotaram. Depois disso, a editora nunca mais parou.

Construindo uma comunidade em torno dos livros artesanais

Dois anos mais tarde a editora ainda continuava crescendo, outras seis editoras surgiram nos Estados Unidos naquela época (Berkeley, Vancouver, Minneapolis, Toronto, Ontário e Los Angeles), cada uma usando as mesmas formas de baixo custo para fazer livros encadernados novinhos todos os dias. Em conjunto com essas novas editoras, a Publication Studio já lançou cerca de 90 títulos e vendeu mais de 10.000 livros artesanais.

Nossos livros desafiam as noções pré-concebidas sobre o que um livro pode ser, basta olhar às indefiníveis experiências possíveis ao manusear um flipbook de arte como Blush, de Philip Iosca por exemplo. Nós entendemos que apesar de nossos métodos misteriosos, o sucesso da Publication Studio encontra-se na forma com que ela compartilha o sentimento de que não se está apenas fabricando livros, mas também produzindo um público.Matthew Stadler

Ao contrário de um mercado, um público é difícil de quantificar. É impossível traçar um gráfico ou pulular uma planilha. O público é nossa rede de editoras irmãs, autores, encadernadores autônomos, bibliotecas, livrarias e leitores, é o resultado de conexões pré-existentes, amizades, uma modesta presença na web e muito boca a boca. No começo em 2009, as 20 artistas tinham alguma relação com Stadler e No, não precisou nenhum edital ou chamada pública para começar as publicações.

Por exemplo, quando Stadler enviou um email ao amigo e fotógrafo Ari Marcopoulos perguntando se havia interesse em publicar um livro, o fotógrafo respondeu 40 minutos depois com um PDF pronto para impressão de seu livro, The Round Up. Nem sempre os livros são “fermentados” com esta velocidade. O primeiro livro da artista Vic Haven, Hit the North, foi criado um ano antes da publicação, durante uma conversa informal na casa de Stadler. O livro foi lançado em conjunto com uma mostra de arte numa tiragem limitada de exemplares.

Esse artigo é uma versão tosca do texto em inglês.