Mate o Policial no seu Bolso

Cultura de segurança e segurança operacional efetivas previnem que forças repressivas descubram sobre nossas atividades criminais específicas, mas também nossas vidas, relacionamentos, padrões de movimento, e tantos outros. Esse conhecimento é uma grande vantagem na hora de chegar a suspeitos e realizar vigilância direcionada. Esse artigo traz algumas estratégias para matar o policial no seu bolso.

A localização de seu telefone é rastreada a todo o tempo, e esses dados são capturados por empresas, permitindo à polícia contornar a necessidade de conseguir um mandato. Os identificadores do hardware e informações de assinatura são registrados por toda e cada uma das torres com as quais seu telefone se conecta. Serviços de raqueamento como Pegasus colocam o comprometimento total de telefones ao alcance mesmo de agências repressivas locais e são “zero click”, ou seja, não dependem que você clique em um link ou abra algum arquivo para raquear seu celular. Por outro lado, após mais de 30 incêndios criminosos em uma pequena cidade na França permanecerem sem suspeitos, investigadores reclamaram que “é impossível usar registro de telefone ou veículos porque eles operam sem usar carros ou celulares!”.

Em uma recente operação repressiva contra um anarquista, a polícia rastreou em tempo real a geolocalização do celular flip do suspeito e fez uma lista de todos para quem ele ligou. É sabido que vigilância deste tipo não é incomum, e mesmo assim muitos camaradas carregam um celular com eles não importa para onde vão, ou fazem ligações não criptografadas para outros anarquistas. Nós acreditamos que ambas estas práticas deveriam ser evitadas. Não vamos facilitar tanto o trabalho da polícia ou agências de inteligência, entregando nossos círculos sociais e geolocalização para eles em uma bandeja de prata.

Se você deixa seu celular em casa, a polícia vai precisar recorrer a vigilância física para determinar seu paradeiro, algo que consome muito mais recursos e é detectável. Se você for posto sob vigilância física, o primeiro passo dos investigadores é entender seu “perfil de movimento”, e o histórico da geolocalização do seu telefone oferece um retrato detalhado de seus padrões diários.

Alguns anarquistas respondem a problemas com smartphones usando celulares flip ou telefones fixos para se comunicarem uns com os outros, mas essas não são boas soluções. Celulares flip e telefones fixos não suportam comunicação criptografada, então o Estado descobre quem está falando com quem e sobre o que. Um dos principais objetivos da vigilância direcionada é mapear os círculos sociais do alvo para identificar outros alvos. A única forma de evitar entregar estas informações para nossos inimigos é usar somente meios criptografados para comunicação com outros anarquistas, quando ela for mediada por tecnologias.

A normalização da conectividade constante dentro da sociedade dominante levou alguns anarquistas a perceberem corretamente que metadados são úteis para investigadores. Entretanto, a conclusão a que alguns chegam, de que deveríamos “nunca desligar o telefone”, nos leva na direção contrária. A lógica deles é que suas interações com tecnologia formam um padrão básico de metadados, e os momentos que se desviam desta base se tornam suspeitos se coincidem com quando certas ações acontecem, que estes metadados podem ser usados por investigadores para chegar até os suspeitos. Por mais que seja verdade, a conclusão oposta tem muito mais sentido: anarquistas deveriam minimizar a criação de padrões de metadados acessíveis e úteis a investigadores.

Nossas conexões com as infraestruturas de dominação devem permanecer opacas e imprevisíveis se pretendemos manter a habilidade de atacar o inimigo. E se reconhecimento de terreno exigido por uma ação envolver um fim de semana inteiro longe de nossos dispositivos eletrônicos? Vamos começar com o simples fato de que celulares devem ser deixados em casa durante uma ação – isso só se torna uma anomalia em um padrão se celulares te acompanham onde quer que você vá. Em uma vida normativamente “sempre conectada”, ambas mudanças de metadados se destacariam rapidamente, mas não é o caso se você se recusar a estar constantemente plugado. Para minimizar suas pegadas de metadados, você deve se acostumar a deixar o celular em casa.

Celulares colonizaram a vida cotidiana, pois as pessoas foram incutidas com a crença de que elas precisam de comunicação síncrona a todo momento. Sincronismo significa que duas ou mais partes se comunicam em tempo real, em oposição a algo assíncrono como e-mail, onde mensagens são enviadas em momentos diferentes. Essa “necessidade” foi normalizada, mas vale a pena resistir a ela dentro de espaços anarquistas. O anarquismo só pode ser anti-industrial. Precisamos aprender a viver sem as conveniências vendidas pelas empresas de telecomunicação, devemos defender (ou reavivar) nossa habilidade de viver sem estarmos conectados a Internet a todo momento, sem instruções algorítmicas em tempo real, e em a flexibilidade infinita de mudar de planos no último minuto.

Se você decidir usar um celular, para dificultar o máximo possível que um adversário o geolocalize, intercepte suas mensagens, ou o raqueie, use GrapheneOS. Se conseguirmos concordar em usar somente comunicação criptografada para nos comunicarmos com outros anarquistas, isso exclui os celulares de flip e telefones fixos. GrapheneOS é o único sistema operacional de smartphone que oferece um nível aceitável de segurança e privacidade.

Para impedir que seus movimentos sejam rastreados, trate o smartphone como uma linha fixa e deixe-o sempre em casa. Mesmo se você usa um cartão SIM comprado de forma anônima, se ele for ligado a sua identidade no futuro, a provedora do serviço pode ser retroativamente consultada por dados de geolocalização. Se você usar o telefone como estamos recomendando (como um dispositivo que só funciona com Wi-Fi, mantido a todo tempo em modo avião), ele não vai se conectar com as torres de celular. Não é o bastante apenas deixar o celular em casa quando você estiver indo para uma reunião, manifestação ou ação pois essa será a anomalia em seu padrão de comportamento e serve como indicação de que uma atividade criminal está acontecendo naquela janela de tempo.

Você pode escolher viver totalmente sem telefones, se sentir que não precisa de uma “linha fixa criptografada”. As estratégias a seguir servem para minimizar a necessidade de telefones precisarem computadores, onde comunicações síncronas são também possíveis mas mais limitadas.

Burocracia

Muitas instituições burocráticas que somos forçados a conviver, dificultam uma vida sem celulares: planos de saúde, bancos, etc. Comunicação com burocracias não precisam ser criptografadas, então você pode usar um aplicativo de Voice over Internet Protocol (VoIP). Isso te permite fazer chamadas telefônicas através da internet, sem usar torres de celular.

Qualquer aplicativo VoIP disponível em um computador é assíncrono pois ele não toca quando o computador está desligado — você precisa do recuro de correio de voz para retornar ligações perdidas. Por exemplo, um serviço como jmp.chat te dá um número VoIP, que você pode pagar com Bitcoin, e você faz chamadas usando um aplicativo XMPP — Cheogram funciona bem.

VoIP geralmente funciona para qualquer autenticação de dois fatores (2FA) que você precisar (quando um serviço exige que você recebe uma número aleatório para fazer login). Números de telefone online são outra opção.

Apesar de geralmente mais caro do que VoIP, um celular de flip ou linha fixa dedicada exclusivamente a isso também funciona bem para recepção de chamadas “burocráticas”, como as mencionadas anteriormente.

Comunicação

Não carregar um telefone para todo lugar que se vai exige uma mudança na forma que você socializa, se você já foi pego na rede. Ser intencional sobre minimizar a mediação das telas em seus relacionamentos é um objetivo valioso por si só.

Usar uma “linha fixa criptografada” para fazer telefonemas e um computador para mensagens criptografadas nos permite evitar o fluxo interminável de notificações em um dispositivo que está sempre ao nosso alcance.

Todos sairíamos ganhando se déssemos uma boa e longe olhada na monocultura de chats em grupo do Signal que foram substituídos por encontros cara a cara em algumas partes dos espaços anarquistas. Essa captura da organização de relacionamentos por celular nos trancafia numa reunião que nunca acaba e é relativamente fácil de se monitorar.

Dito isso, comunicação criptografada pode ser útil para determinar uma data e hora para um encontro, ou para projetos compartilhados através de distâncias. Veja, Encrypted Messaging for Anarchists para várias opções apropriadas para um modelo de ameaça anarquista.

Chamadas de Emergência

Um transeunte pode te oferecer o telefone dele para uma chamada de emergência, se você disser que o seu está em bateria. Para receber chamadas de emergência, se você não pode ser encontrado por nenhum dos meios descritos anteriormente , nós podemos ir até as casas uns dos outros ou organizar checagens por mensageiros criptografados previamente. Que cenários exigiriam que você estivesse disponível para receber uma chamada a qualquer momento? Se isso de fato existe na sua vida, você se organizar sem projetar aquela urgência em todas outras áreas e momentos.

Direções

Compre um mapa de papel da sua área e ande com ele. Para viagens mais longas ou quando precisar se orientar, use OpenStreetMap para anotá-los com antecedência.

Música e Podcasts

Eles ainda fazem tocadores mp3! Por um preço bem mais em conta, você pode ouvir músicas e podcasts , em um dispositivo que não tem GPS ou hardware de rádio. Entretanto, isso não significa que você não possa ser geolocalizado pro um tocador MP3 . Se ele se conectar com seu Wi-Fi, a localização aproximada de seu aparelho MP3 pode ser determinada pelo seu endereço de IP.

Apêndice: Contra o smartphone

De Fernweh (#24)

Eles está sempre com a gente, não importa onde vamos ou o que estamos fazendo. Ele nos mantém informados sobre tudo e todos: o que nossos amigos estão fazendo, quando o próximo metrô parte, e qual será o clima de amanhã. Ele toma conta de nós, nos acorda pela manhã, nos relembra de encontros importantes, e sempre nos escuta, quando vamos pra cama, quando e onde estivermos, com que nos comunicamos, quem são nossos melhores amigos, o tipo de música que escutamos, e quais são nossos hobbies. E tudo que ele pede é um pouquinho de eletricidade de vez em quando?

Quando eu faço um passeio ou pego o metrô, eu o vejo com quase todos, e ninguém consegue ficar mais do que alguns segundos sem freneticamente buscar pelo que tem no bolso: o celular vem à tona, uma mensagem é enviada, um e-mail é conferido, uma foto recebe um like. Ele é deixado de lado novamente, um peuqeno intervalo, e lá vamos nós de novo, folheando as notícias do dia e checando o que todos seus amigos estão fazendo…

É nosso companheiro quando estamos no banheiro, no trabalho ou na escola, e ele aparentemente serve ara lutar contra o tédio enquanto nós esperamos ou trabalhamos, etc. Essa talvez seja uma das razões do sucesso de todos esses dispositivos tecnológicos, que a vida real é tão absurdamente entediante e monótona que uns poucos centímetros de tela quase sempre é mais interessante do que o mundo e as pessoas a nossa volta? É como um vício (as pessoas definitivamente têm crises de abstinência…) ou ele já se tornou parte do nosso corpo? Sem ele, nós já não sabemos como nos orientar e sentimos que algo está faltando? Então não é apenas mais uma ferramenta ou brinquedo, mas uma parte de nós que também exerce um certo controle sobre nós, ao qual nos adaptamos, por exemplo, não sair de casa antes da bateria estar totalmente cheia? O smartphone é o primeiro passo em turvar a linha entre o humano e o robô?

Quando vemos oque todos tipo de tecnocrata tem profetizado (Google Glasses, implantes de chips, etc.), é quase como estivéssemos indo em direção a nos tornarmos ciborgues, pessoas com smartphones implantados que controlamos através de nossos pensamentos (até que nossos próprios pensamentos sejam controlados). Não é surpreendente que a mídia, o porta-voz da dominação, nos mostre apenas os aspectos positivos deste desenvolvimento, mas é chocante que quase ninguém questiona esta visão. É possivelmente o sonho mais louco de todo governante: ser capaz de monitorar os pensamentos e ações de todos a todo momento, e ser capaz de intervir imediatamente no caso de qualquer distúrbio. Zangões trabalhadores totalmente controlados que têm alguma diversão (virutal) como recompensa enquanto uns poucos lucram.

Com as vastas quantias de dados agora tão prontamente disponíveis para todos e qualquer um a qualquer hoje do dia, controle social e vigilância também chegaram a um novo patamar. Isso vai muito além de grampear celulares os folhear entre mensagens (como durante as revoltas de 2011 no Reino Unido). Com acesso a uma quantidade incrível de informação, agências de inteligência são capazes de definir o que é “normal”. Eles são capazes de determinar que locais são “normais” para nós, quais contatos são “normais”, etc. Em resumo, eles podem rapidamente estabelecer e estabelecer praticamente em tempo real se estamos desviando do comportamento que eles estabeleceram como “normal”. Isso dá muito poder a certas pessoas, que é usado sempre que há uma oportunidade de tomar vantagem deste poder (ou seja, vigiar pessoas). Tecnologia é parte do poder, ela vem do poder e necessita de poder. É preciso um mundo em que certas pessoas tenham muito poder para permitir a produção de algo como o smartphone. Toda tecnologia é um produto da tendência opressiva do mundo, é parte disso, e serve a ele.

No mundo de hoje, nada é neutro. Até então, tudo que foi ou tem sido desenvolvido é criado para estender o controle e fazer dinheiro. Muitas das inovações das últimas décadas (como GPS, energia nuclear, ou a internet) vem diretamente dos militares. Na maior parte do tempo esses dois aspectos estão de mãos dadas, mas o “bem-estar da humanidade” certamente não é uma motivação, especialmente quando é desenvolvido pelos militares.

Talvez se pegarmos o exemplo da arquitetura podemos ilustrar algo tão complexo quanto a tecnologia: peguemos uma prisão vazia e em desuso, oque poderia ser feito com essa estrutura se não a botar abaixo? Suas própria arquitetura, suas paredes, suas torres de vigilância, suas celas, já contém o propósito da construção: aprisionar pessoas e as destruir psicologicamente. Seria impossível para mim viver dentro de uma prisão, simplesmente porque a construção é opressiva.

É o mesmo com todas as tecnologias de hoje que nos são apresentadas como progresso e como algi que deixa a vida mais fácil. Elas são construídas com a intenção de fazer dinheiro e nos controlar, aqueles que ficam ricos coletando nossos dados e te monitorando sempre vão se beneficiar mais que você.

Se no passado dizíamos que “conhecimento é poder”, hoje deveríamos dizer que “informação é poder”. Quantos mais os governantes sabem sobre seus súditos, melhor ele pode dominá-los — nesse sentido, tecnologia como um todo é uma poderosa ferramenta de controle para prever e portanto prevenir pessoas de se reunirem para atacar o que as oprime.

Esses smartphones aparentemente precisam mais do que um pouquinho de eletricidade… Na nossa geração, que ao menos conheceu um mundo sem smartphones, ainda deve haver algumas pessoas que ainda abem do que eu estou falando, que ainda sabe o que é ter uma conversa sem estar olhando para seu telefone a cada trinta segundos, para se perder e descobrir novos lugares, ou ter uma discussão sem imediatamente consultar o Google pela resposta. Mas eu não quero voltar ao passado, até porque não seria mais possível, quanto mais a tecnologia penetra nossas vidas, mais difícil fica de destruí-la. E formos uma das últimas gerações a serem capazes de parar essa evolução de seres humanos em robôs completamente controlados?

E se em algum ponto formos incapazes de reverter essa formação? A humanidade chegou a um novo estágio tecnológico histórico. Um estágio onde é capaz de aniquilar toda vida humana (energia nuclear) ou modificá-la (manipulação genética). Esse fato reforça mais uma vez a necessidade de agirmos hoje para destruir essa sociedade. Pra isso, precisamos encontrar outras pessoas e comunicar nossas ideias.

Não é óbvio que se ao invés de conversamos uns com os outros, nos comunicarmos em mensagens de cinco sentenças ou menos, haverão efeitos de longo termo? Aparentemente não. Primeiro de tudo, o modo como pensamos influencia como falamos, e vice-versa — a forma como falamos e comunicamos influencia a forma que pensamos. Se só formos capazes de trocar mensagens curtas e resumidas, como podemos falar de outro mundo, como podemos criá-lo?

Comunicação direta entre indivíduos autônomos é a base de qualquer rebelião compartilhada, é o ponto de partida de sonhos compartilhados e lutas em comum. Sem comunicações não mediadas, a luta contra esse mundo e por liberdade é impossível.

Então, vamos nos livrar desses telefones e nos encontramos pessoalmente em uma insurgência contra este mundo! Sejamos incontroláveis!

Artigo publicado em AnarSec.

Limonada o servidor comunitário da Rede de Apoio

A Rede de Apoio da Monstro dos Mares é formada por pessoas que fortalecem economicamente, de maneira contínua, as atividades e necessidades mensais da editora. Trata-se de uma base comunitária que sustenta não apenas a produção editorial, mas também as condições materiais de existência de quem decidiu fazer livros como parte da luta.

Os recursos da Rede de Apoio são utilizados para custear despesas essenciais, como remédios e estudos, e também para estruturar ferramentas que ampliem a participação da comunidade nos processos da editora. A ideia é simples e política: transformar apoio financeiro em autonomia coletiva, criando meios para que mais pessoas acompanhem, colaborem e compartilhem o cotidiano de uma editora anarquista independente.

Em 2019, a Rede de Apoio viabilizou a aquisição de um servidor usado, onde passamos a hospedar microserviços de blogs e websites utilizando a tecnologia Tor. Foi um passo importante na construção de uma infraestrutura própria, alinhada com princípios de privacidade e soberania digital.

Em 2023, tivemos uma breve, mas muito feliz, experiência com uma conexão de internet sem CGNAT. Nesse período, conhecemos o YunoHost, um ambiente de portal voltado para pequenas comunidades, grupos e coletivos, que facilita a instalação e a gestão de serviços digitais autônomos.

Agora, em 2026, novamente com recursos da Rede de Apoio, contratamos um servidor VPS e, com a ajuda do grupo de tecnologia da editora, realizamos a instalação do YunoHost. O servidor já está disponível para uso da comunidade.

Entre os principais serviços oferecidos está o Calibre Web, uma ferramenta que permite navegar, baixar ou sincronizar dispositivos e-reader, como Kindle e Kobo, com os livros digitais em formato EPUB da Monstro dos Mares. Também estão disponíveis:

  • SearXNG, ferramenta de busca que prioriza a privacidade;
  • FacePrivacy, para borrar rostos em imagens;
  • LibreQR, para gerar QR codes conforme a necessidade;
  • outras aplicações poderão ser implementadas em breve, de acordo com as demandas da comunidade.

O servidor recebeu o nome de Limonada, em referência ao Oceano de Limonada, alegoria criada por Hakim Bey. A escolha do nome dialoga com a imaginação radical e com a criação de territórios autônomos temporários, onde outras formas de convivência e organização são possíveis.

Neste momento, estamos cadastrando prioritariamente as pessoas que já fazem parte da Rede de Apoio. Quem desejar integrar o servidor pode entrar em contato com Baderna Jaime, que está cuidando da gestão do VPS comunitário.

A Rede de Apoio não financia apenas livros. Ela financia infraestrutura, cuidado e autonomia. Venha fazer parte.

e-mail: [email protected] | zapzap: wa.me/5551994037547

UPDATE: Servidor descontinuado em Agosto de 2026.

A queda da nuvem e o chamado à autogestão digital

Boa parte da internet saiu do ar hoje. Em vez de depender da “nuvem”, poderíamos falar de infraestrutura própria, servidores comunitários e redes autônomas. Dizem que anarquistas são utópicos demais. Eis o exemplo prático. 18/11, dia em que a Cloudflare caiu.

Para falar de infraestrutura de internet no Brasil, é preciso encarar a infraestrutura de rede. Muita gente que poderia construir serviços comunitários está presa ao CGNAT para simplesmente acessar a rede. Sem endereços públicos e sem IPv6 funcional, autonomia vira exceção.

Em 2019, a Monstro colocou no ar um servidor usado via Tor. Depois rodamos o Yunohost. Hoje estamos novamente atrás de um CGNAT, sem recursos para contratar IP público. Isso deveria ser um direito de todes. Autonomia digital não é luxo. É condição para existir.

Servidores comunitários fortalecem autonomia e cuidado coletivo. Preservam privacidade, reduzem a dependência de big techs e mantêm serviços quando a nuvem falha. Compartilhar serviços forma pessoas para cuidar da infraestrutura. É autogestão digital na prática.

Ironia dolorosa. Dependemos das big techs e, quando os sistemas falham, perdemos o chão. Falta-nos prática em usar caminhos próprios para manter a conversa viva e compartilhar ideias com quem está na mesma luta. Sem autogestão, a rede vira silêncio temporário.


Post escrito durante a queda da CloudFlare em 18 de Novembro de 2025, por Baderna. Imagem Creative Commons de Open Grid Scheduler.

Criptainha 2025: 29 de Novembro em Florianópolis

CripTainha 2025 – Nossas redes fazemos nós! Autonomias em tempo de colapsos. Os mares seguem revoltos. Derretimento das democracias liberais, ascensão do tecnofeudalismo autoritário, colapso socioambiental e o genocídio dos indesejáveis pelo Estado e o Capital, no Rio de Janeiro ou na Palestina.

É nesse cenário que resolvemos puxar a rede para uma nova edição da CripTainha em Florianópolis-SC, uma iniciativa inspirada nas CryptoParties mundiais, na CryptoRave-SP e em outras criptofestas brasileiras. Chamado completo e como propor atividades em: https://criptainha.libertar.org/

A Ideologia Californiana: entre hippies libertários e yuppies neoliberais

O livro A Ideologia Californiana, publicado em coedição com o BaixaCultura, é um dos textos mais relevantes para quem deseja compreender criticamente as raízes culturais e políticas que moldaram a internet como a conhecemos hoje. Escrito por Richard Barbrook e Andy Cameron nos anos 1990, o ensaio se tornou um marco da chamada net criticism, ao desmontar a utopia tecnológica promovida pelas empresas do Vale do Silício.

O texto propõe que a internet nasceu sob influência direta de um estranho amálgama entre a contracultura dos anos 1960 e o liberalismo econômico radical. Trata-se daquilo que os autores chamaram de “ideologia californiana”, um pensamento que mescla a busca por liberdade individual com o culto ao mercado e à tecnologia, resultando em uma visão onde ser “livre” e “empreendedor” é sinônimo de se conectar à rede e gerar lucro com isso.

Com introdução e apresentação de Leonardo Foletto, editor do BaixaCultura, esta edição busca contextualizar o impacto do ensaio para o debate atual sobre vigilância digital, concentração de poder nas big techs e os limites das promessas emancipadoras da internet. Ao mesmo tempo, oferece caminhos para pensar alternativas possíveis baseadas em redes comunitárias, infraestrutura autônoma e cultura digital livre.

A Ideologia Californiana é leitura essencial para quem deseja compreender por que a internet deixou de ser um espaço de liberdade para se tornar uma ferramenta de controle. E por que é urgente imaginar e construir outras redes, outros futuros e outros modos de habitar o digital.

Adquira o livro na página da editora:
https://monstrodosmares.com.br/produto/a-ideologia-californiana/


A ideologia californiana

Parar de usar o Photoshop® é uma decisão política

Reflexões sobre o uso do software proprietário da Adobe® e por que optamos pelo software livre

-“Posso instalar o Photoshop® no GNU/Linux?”, “Sim, quero o GNU/Linux, mas uso o pacote Adobe® porque o uso para trabalhar”, “Não tenho tempo para aprender a usar outros programas”, “O GIMP não é tão bom para editar imagens”.

Essas e outras desculpas são mencionadas pelas pessoas que recomendamos migrar de uma das muitas distribuições GNU/Linux atualmente disponíveis. Seja pela consistência política, segurança do sistema, estabilidade, liberdade de uso, personalização, combate à obsolescência planejada ou uma longa lista de benefícios que isso traz às pessoas como usuários de software livre. As pessoas continuam citando o uso do software Adobe® como o principal obstáculo para migrar para um sistema gratuito.

Em muitas ocasiões, aqueles de nós que usamos software livre nos tornamos uma espécie de pregadores das liberdades do software para nossos amigos, colegas e até mesmo nossas famílias. Depois de tanta insistência e de acreditar que finalmente conseguimos convencer alguém a usar uma distribuição gratuita, surgem dúvidas sobre softwares de escritório, navegadores de internet, computação em nuvem, compatibilidade de arquivos e, no final, o grande mas geralmente é o pacote de softwares da Adobe®.

É verdade que a empresa Adobe® não possui uma versão de seus programas para GNU/Linux e embora seja possível instalar esses programas de diversas maneiras, como virtualizando sistemas como o Windows® ou instalando-o com a ferramenta Wine. A questão vai além de “se pode ser usado ou não” em um sistema livre. Devemos reconsiderar por que o Adobe® se tornou uma ferramenta tão indispensável a ponto de se tornar um dos principais obstáculos ao uso de um sistema gratuito.

Photoshop®, a hegemonia da criatividade.
É verdade que muitas pessoas que trabalham com design gráfico usam este software de edição de imagens e fotos como sua principal ferramenta. E é quase óbvio que edição de imagem é a mesma coisa que Photoshop®, e há até frases como “essa foto é photoshopada ” ou aquele meme mostrando uma imagem obviamente alterada com o texto “os invejosos dirão que é Photoshop ”. Dado esse fato óbvio, é válido perguntar por que ele se tornou sinônimo de edição de imagens .

Nas escolas de design, o uso do Photoshop® para retoque fotográfico é ensinado como disciplina obrigatória e, mesmo nas escolas de arte, tornou-se uma ferramenta indispensável, sem mencionar os jornalistas, que também tiveram que usar esse programa para suas reportagens. Isso levou muitas pessoas à situação ridícula de ter que comprar um computador muito caro, como um Macbook Pro FullHD 4k de edição especial e todas essas coisas que tornam os produtos da Apple mais caros ( aliás, o novo Mac Pro custa 5 mil dólares aos quais você tem que adicionar outros mil dólares pelo suporte de tela que é vendido separadamente, estou falando sério ) só porque alguém lhes disse o absurdo de que para ser um designer você precisa de um Mac.

Quando eu estava no ensino médio, houve um boato de que alguém iria me oferecer drogas. No começo, ele me dava, mas quando fiquei viciado, ele começou a me vender. Mas ninguém me disse que o Windows® e o Adobe® fariam algo semelhante ou até pior: que se eu usasse uma versão antiga do Photoshop eles me processariam , e embora esse traficante nunca tenha aparecido, duvido muito que ele me processaria se eu parasse de comprar drogas dele. E há pessoas que dizem que simplesmente crackeiam ou pirateiam e não pagam por isso , mas esse não é o ponto, nós ainda usamos (pirateado ou licenciado) como se fosse a única coisa que poderíamos usar para fazer nosso trabalho.

Além das liberdades que perdemos ao usar este programa, nos encontramos em uma esfera da qual não podemos escapar. Quero dizer que ele limita nossas capacidades criativas ao impor filtros e efeitos padrão, que limitam nosso trabalho criativo às suas ferramentas, filtros, efeitos, camadas, etc. Sem mencionar sua incompatibilidade com outros programas além do Adobe®. É como se nos dissessem que éramos livres para desenhar o que quiséssemos, mas só nos deram um lápis azul. Em outras palavras, todas as possibilidades criativas e tudo o que poderíamos imaginar se perdem, até que acabamos no YouTube procurando um tutorial para ver se por acaso o que imaginamos pode ser feito no Photoshop® e, se não, nos adaptar para fazer algo o mais próximo possível do que imaginamos. O Photoshop® limita a criatividade e a experimentação humana, ou pelo menos até que um de seus desenvolvedores crie algo “inovador”.

Adobe Reader®, preciso mesmo de tudo isso para ler meu livro de cowboy?
Esse software também é algo que parece passar despercebido entre os usuários que precisam baixar um programa (que baixa um antivírus que fica incomodando constantemente, insistindo para que você o compre se não ler as letras miúdas) muito pesado para a simples tarefa de visualizar um documento em formato PDF, tarefa que praticamente qualquer navegador de internet ou uma torradeira consegue fazer nativamente hoje em dia.

Adobe Premiere®, é claro que você precisa de todos eles aqueles ferramentas para cortar esse vídeo.
O maior “mas” que encontrei é Edição de vídeo : quem faz essa tarefa costuma fazer vídeos literalmente lindos, documentários de sonho e coisas fantásticas, mas há aqueles de nós que simplesmente querem cortar um fragmento de vídeo ou colocar uma música de fundo para tornar mais agradável o vídeo que gravamos na festa de fim de semana com o celular que ainda não terminamos de pagar na Coppel e nos encontramos diante de um canivete suíço no qual é difícil encontrar a faca para cortar. E não temos uma ferramenta que faz APENAS uma coisa e a faz bem e não precisa de um computador que custa mais do que um ano de salário para fazer essa tarefa.

GNU/Linux NÃO é uma alternativa, é uma maneira diferente e livre de fazer as coisas.
Conversando com um amigo, estávamos falando sobre como ver os programas GNU/Linux como uma alternativa, não uma maneira diferente de fazer as coisas. Ou seja, os programas que usamos em sistemas operacionais livres não fazem o que o pacote Adobe® faz, mas cumprem sua função , e o fazem muito bem. Não é preciso cair na competição de se assemelhar ou tentar igualar as funções do Photoshop®, o importante é editar uma imagem e fazê-lo bem, é então que encontramos um universo de possibilidades e formas muito originais de fazer as coisas, ao contrário da Adobe®, que é uma empresa que desenvolve uma série de programas como mercadoria; Comunidades de software livre buscam liberdade do usuário e colaboração para alcançar os resultados desejados e melhorar a publicação sem ganho financeiro; pelo simples prazer de compartilhar.

E às vezes os computadores e esses programas automatizam tudo e nos tornam inúteis e incompetentes. Em uma ocasião, enquanto eu estava conhecendo o GIMP e pesquisando nos fóruns por maneiras de fazer algumas coisas, me deparei com uma pessoa que queria melhorar uma fotografia porque estava muito escura e alguém recomendou que ela tirasse a fotografia novamente em um local com mais luz. Eles nem precisaram criar um script ou um filtro para aumentar a luz em uma imagem. Você seria capaz de tirar uma boa foto sem precisar editá-la no Photoshop®?

Além das comparações que podemos fazer, ou da longa lista de programas que podemos usar, ou dos benefícios e liberdades sobre os quais já existem muitos artigos, devemos pensar além de quem é o melhor e quebrar esse ciclo vicioso de competição e colocar questões mais importantes na mesa.

O uso de um sistema operacional livre vai além das capacidades de um programa de fazer as coisas de uma forma ou de outra, tem a ver com a liberdade dos usuários de estudar, compartilhar e modificar suas funções sem precisar pedir permissão a uma empresa, trata-se de todas as pessoas terem a oportunidade de poder editar uma fotografia com um computador antigo porque o contexto em que ele nasceu não lhes dá a menor oportunidade de comprar um MacBook Pro® (porque é mais importante comer ou ter dinheiro para a passagem de ônibus) ou um estudante que precisa ler um PDF porque não conseguiu encontrar o livro que queria em formato físico, trata-se de sair dessa bolha e deixar a criatividade humana sair sem a limitação do dinheiro que segmenta e divide artistas de artesãos, trata-se de aprender e compartilhar. E, ao longo do caminho, construir uma comunidade significa ser consistente com nossos ideais, significa não continuar poluindo o planeta com telefones que usamos por um ano porque “o novo iPhone® foi lançado”, significa liberdade, não código.

Instale o GIMP gratuitamente


Tradução automática sob orientação de Baderna, publicado originalmente em AnarCoop.

Podcast: Manifestos Cypherpunks no Muvuca Hack Festival

Neste episódio do podcast, o organizador da coleção Tecnopolítica, Leo Foletto (jornalista, pesquisador e editor do BaixaCultura) e Baderna James (editor e livreiro na Monstro dos Mares) participaram neste dia 20 de Novembro do terceiro dia de encontros do Muvuca Hack Festival, um evento on-line sobre tecnologia, cultura hacker e conhecimento livre organizado pelo Hackerspace MateHackers, sediado em Porto Alegre.

A conversa rolou num clima de descontração, e foram apresentadas as publicações que deram início à difusão impressa dos textos do BaixaCultura: o primeiro título da coleção sobre tecnopolítica “A ideologia Californiana“, publicada pela editora Monstro dos Mares, e também sobre o livro “A cultura é livre“, que Leo Foletto escreveu e publicou pela Autonomia Literária (com prefácio de Gilberto Gil). Logo mais, o papo introduziu os principais conceitos do livro “Manifestos Cypherpunks“, como surgiram os textos, como foram compilados nessa edição e a trajetória da campanha de financiamento coletivo que viabilizou a impressão e distribuição de 567 exemplares do livro.

Decidimos apresentar a conversa em formato de áudio para as pessoas que preferem apenas ouvir enquanto fazem outras coisas. Acreditamos que o podcast é um ótimo formato para difusão e compartilhamento de ideias através de boas conversas. A editora não tem nenhuma preocupação com a periodicidade ou temática do seu podcast e novos conteúdos surgem na medida do possível. Você pode acompanhar pelo seu agregador favorito através de nossa página no Anchor.fm ou baixar os episódios em MP3 aqui no blog.

O Muvuca Hack Festival tem uma ampla programação com diversas atividades sobre tecnologia, cultura hacker e conhecimento livre. O evento apresenta uma variedade de temas como educação, cultura de software livre, dados abertos, robótica, desenvolvimento, anonimato/criptografia e lançamento de livro. Um dos destaques é que nessa edição 50% das atividades serão ministradas por mulheres. As inscrições são gratuitas, todas as atividades são online e você confere toda a programação no site do Muvuca Hack Festival: muvuca.matehackers.org

Ouvir o podcast


Assistir ao lançamento


Muvuca: a Monstro dos Mares colando com o hack festival do MateHackers

Entre os dias 06 e 27 de Novembro de 2021 acontece o Muvuca Hack Festival, com diversas atividades sobre tecnologia, cultura hacker e conhecimento livre realizado pelo MateHackers. O evento terá ao todo 12 encontros, sendo três em cada sábado (simples de memorizar: todo sábado tem) e apresentará uma variedade de temas como educação, cultura de software livre, dados abertos, robótica, desenvolvimento, anonimato/criptografia e lançamento de livro. Um dos destaques é que nessa edição 50% das atividades serão ministradas por mulheres, conferindo a elas a merecida visibilidade na área.

Dentre a programação do Muvuca, no primeiro dia do evento (06 de Novembro) a abobrinha (editora-geral) vai apresentar os processos, ferramentas e metodologias utilizadas pela editora para fazer livros e zines com softwares livre e disponibilizados em copyleft. No dia 20 de Novembro, Leo Foletto, vai apresentar o livro “Manifestos Cypherpunks“, organizado por ele e lançado conjuntamente entre o BaixaCultura e a Monstro dos Mares.

As inscrições são gratuitas, todas as atividades são online e você confere toda a programação no site do Muvuca Hack Festival:

muvuca.matehackers.org

Produção editorial utilizando software livre, dia 06 de Novembro às 17h no Muvuca Hack Festival.
Lançamento do livro "Manifestos Cypherpunks" com Leo Foletto, dia 20 de Novembro às 17h no Muvuca Hack Festival.

Muvuca recomendada

Agradecimentos “Manifestos Cypherpunks”

Nossa campanha se encerrou no último dia 1º de Setembro, com R$11.697,00 arrecadados, 241 apoiadores e 731% do valor atingido. A todas as pessoas que nos apoiaram, gracias!

Já comentamos o quanto estamos felizes e surpresos com o alcance da campanha e de como essa será a maior tiragem (até aqui) de um livro artesanal da Monstro dos Mares, com 500 cópias, praticamente todas elas já com endereço certo para ir. Ainda teremos alguns exemplares no site da Monstro e em banquinhas por aí (se a pandemia permitir). E 50 exemplares a serem distribuídos para bibliotecas e centros culturais.

Boa parte dos “Manifestos Cypherpunks” já estão impressos, bem como a maior parte das outras recompensas. Agora, estamos aguardando entrar os 10 dias úteis do Catarse para receber o valor arrecadado e então começar a enviar os pacotes para 21 estados brasileiros via Correios. Esperamos que no final deste Setembro e no início de Outubro os livros começam a chegar.

Qualquer dúvida nos escrevam. Mais uma vez obrigado!

Seguimos,

BaixaCultura e Monstro dos Mares


Apoiadoras e Apoiadores

Apoios anônimos

Ageu Silva
Akira e zbrsk
Alberto Torres
Alexandre Souza
Alexandre Tomy
Alexis Peixoto
Allan Felipe Fenelon
AllanGomes
Alphazine
Alysson G.
Ana Carolina Moreno
Ana Cunha
Ana Rauber
Anders Bateva
André “decko” de Brito
Andre da Silva Costa
André Freitas
André Houang
André Lucas Fernandes
André Ramiro
Andre Teixeira de Salles
Andrei Altamira
Andressa Vianna
Angela Natel
Antonio Assis Brasil
Barbara Castilho Maximo
Beatriz Martins
Beck Maurício
Bernardo Ramos Gall
Bruno Borges
Bruno Caldas Vianna
Bruno de Souza Bezerra
Bruno Moura
Cadós Sanchez
Cadu Simões
Caio Ramos
Caioau
Carla Arend
Carlos Eduardo Falcão Luna
Caroline Antonioli
Caru Campos
Cesar Lopes Aguiar
Christian Lima
Cindy Evelyn Peterson
Claudia Renata Capitanio
Cristiane Fronza
CryptoRave
Daniel Coelho de Oliveira
Daniel Rockenbach
Daniela Soares
Danilo Alves
Danilo Heitor Vilarinho Cajazeira
Davenir Viganon
Debbie Bertelhe
Débora Grama Ungaretti
Diego Alves
Diego Canto Macedo
Douglas Nunes Brandão
Eduardo Filipe Santos
Eduardo Henrique Maziero
Eliezer Pedroso Rosa
Ellen Ortiz
Elvio Pedroso Martinelli
Erik Teixeira Gonçalves Rodrigues
Evelyn Gomes
Fabio Barros
Fabricio Barili
Felipe Schneider
Fellipe Vieira
Fernando de Azevedo Alves Brito
Fernando Luis de Oliveira
Fernao Vellozo
Filipe Saraiva
Gabriel Ribeiro
Gabriel Vinicius Oliveira Soares
Guilherme Alves
Guilherme Magalhães
Guilherme Paixão
Gustavo Nicolau Gonçalves
Gustavo Pereira Dutra

Harim Britto
Helping With Code
Hendrik Nigul
Henrique Gustavo Miranda de Jesus Rodrigues
Henrique Novaes
Hiago da Silva Lacerda
Ian Fernandez
Ian Zwanck Goodwin
Igor Burle
Igor Henrique da Costa Morais
Iriz Medeiros
Isabela Baptista
Isadora Scopel
James William Pontes Miranda
Jean Luca Vedovato dos Santos
Jefferson de Freitas Silva
Jefferson Maier
Jeronimo Cordoni Pellegrini
João Eduardo Herzog
João Luiz Pena
João Moreno Rodrigues Falcão
João Victor Vieira Carneiro
João Vitor
José Domingues de Godoi Filho
Juliana Rosa
Karina Akemi Goto
Kemel Zaidan Maluf
Laetitia Valadares
Larissa Gdynia Lacerda
Leonardo Barbosa Rossato
Leonardo Koch Kewitz
Leonardo Nascimento
Lielson Zeni
Lillian Moura
Lorenzo
Luã Fergus Oliveira da Cruz
Lucas Eishi Pimentel Mizusaki
Lucas Gallindo
Lucas Lago
Lucas Loezer
Lucas M.A.C.
Lucas Prehs Visinoni
Luciana Salazar Salgado
Lucyan Butori
Luís Otávio Oliveira dos Santos
Luiz Denis Graça Soares
Luiz Paulo Colombiano
Lupi
Maralheios
Marcelo Lopes de Almeida
Marcelo Scrideli
Marcia Ohlson
Marcio Augusto
Márcio Conrado dos Reis
Marcos Antonio Peccin Junior
Marcus Antonius Soares da Silva
Marcus Repa
Marcus Vinícius
Mari Messias
Maria Eduarda Mesquita
Mariah Guedes
Marta Sofia da Fonseca Safaneta
Matheus
Matheus Grandi
Matheus Leite
Mauricio Marin
Maximiliano Saldanha de Oliveira
Miguel Antunes Ramos
Mobi Yabiku Neto
Monica Marques
Nanashara Ferreira Piazentin Gonçalves
Natali Mamani
Nathan Gomes Farias Neri
Nelson
Nelson de Luca Pretto
Panic
Pato
Paulo Almeida
Paulo Sergio
Paulo Vitor de Castilhos Lopes

Pedro Felipe Vergo Scheffer
Pedro Gil
Pedro Lucas Porcellis
Pedro Luiz Santos
Pedro Markun
Pedro Santos Teixeira
Pedro Teles
Professor Rodrigo
Rafael Ghiraldelli
Rafael Pinto
Ranulpho
Raphael Marques de Barros
Renato Dell
Rodolfo de Souza
Rodrigo Amboni
Rodrigo da Silva Freitas
Rodrigo Oliveira
Rodrigo Ortiz Vinholo
Rogerio Christofoletti
Rogerio Garcia de Oliveira
Roque Francisco
Rubens Ozorio Leão
Rudney Vinicius Gonçalves de Souza
Sandro Miccoli
Sávio Lima Lopes
Silvio Sidney Gomes dos Santos
Simone Caldas Vollbrecht
Stéfano Mariotto de Moura
Talita Souza
Tatiana Balistieri
Thiago Borne
Thiago Mendonça
Tiago Bugarin
Tito Guerra Bocorny Filho
Victor Augusto Tateoki
Victor Góis
Victor Perin
Victor Wolffenbüttel
Vinicius Yaunner
Vitor Diniz Kneipp
Vote Nelas
Wagner de Melo Reck
Willy Stadnick
Wllyssys Alves de Lima
Yasmin Curzi
Zaulao

Manifestos Cypherpunks: financiamento coletivo

Precisamos do seu apoio para viabilizar o lançamento e distribuição do livro “Manifestos Cypherpunks”, que é a segunda publicação da coleção “Tecnopolítica”, coordenada pelo BaixaCultura (laboratório online de cultura livre & contracultura digital) e a Editora Monstro dos Mares (divulgação acadêmica anárquica). Depois do lançamento de “A ideologia Californiana”, texto seminal da crítica ao neoliberalismo tecnocrático do Vale do Silício feito em 1995 por Richard Barbrook e Andy Cameron, o segundo volume da coleção reúne alguns dos primeiros alertas contra a vigilância massiva na era da internet. São textos escritos na época que a rede mundial dos computadores ainda engatinhava, entre o final dos anos 1980 até meados dos 1990, por pessoas que conheciam a fundo alguns aspectos dos aparatos técnicos que faziam funcionar a rede e queriam nos fazer ficar atentos a eles.

A publicação reúne:

  • Introdução “Criptografia em Defesa da privacidade”, que contextualiza a produção dos textos, escrito por Leonardo Foletto, organizador da publicação, editor do BaixaCultura, jornalista e pesquisador ;
  • “Por que eu escrevi o PGP”, de Philip R. Zimmermann (1991);
  • “Manifesto Criptoanarquista”, de Timothy C. May (1993);
  • “Manifesto Cypherpunk”, de Erick Hughes (1993), todos traduzidos do inglês pelo coletivo Cypherpunks e revisado por Victor Wolfenbüttel;
  • Posfácio “Retrospectiva e expectativa Cypherpunk”, escrito pelo pesquisador em criptografia e diretor do IP.Rec, André Ramiro, que recupera o histórico e a importância da discussão da criptografia para 2021;
  • Anexo, chamado “Cripto-Glossário”, escrito por Timothy C. May e Eric Hughes em 1992, documento histórico sobre os termos utilizados nos estudos e na prática da criptografia.

Originários de uma vertente da cultura hacker mais afeita a ação política, em contraponto a outra mais ligada ao liberalismo empreendedor das startups do Vale do Silício, os cypherpunks surgem nos anos 1990 dizendo que a única maneira de manter a privacidade na era da informação é com uma criptografia forte. Mais de trinta anos depois de sua gênese, o ideal dos cypherpunks ainda é presente sobre gerações de criptógrafos, programadores e ativistas, entre eles os reunidos em tornos das criptofestas em diversos lugares do mundo, entre elas a CryptoRave, principal evento da área no Brasil.

Esta publicação, realizada de maneira artesanal e independente, busca fomentar a discussão e o conhecimento crítico histórico sobre o legado dos cypherpunks num mundo onde a internet se tornou a principal ferramenta de vigilância do planeta.

Apoiar a campanha de financiamento coletivo:
https://www.catarse.me/manifestoscypherpunks

Manifestos Cypherpunks
Organização e introdução: Leonardo Foletto
Tradução: Coletivo Cypherpunks
Revisão da tradução: Victor Wolffenbüttel
Posfácio: André Ramiro
Diagramação e capa: Baderna James
Montagem e finalização: abobrinha
Revisão: Raphael Sanz

60 páginas A5 (14 x 21 cm);
Capa em papel colorplus de 180g;
Edição artesanal, lombada canoa, refilado;
Impressão em tinta pigmentada de alta qualidade;
Diagramação e impressão utilizando 100% de energia solar.

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