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Dádiva: para compartilhar livros e leituras

Dádiva

Quando a Monstro dos Mares surgiu como editora numa noite fria de inverno, lá pelo misterioso ano de 2013, um de nossos objetivos era vender parte dos materiais para viabilizar a distribuição de outros. Desde a primeira experiência editorial em 14 de Junho de 2012 em nossa “Casa Pirata“, um centro social/cultural autônomo que durou pouco tempo e deixou muita saudade, no lançamento do “Leviatã de Papel“, já com o nome de Editora Artesanal Monstro dos Mares e no calor dos protestos de Junho de 2013, fizemos muitas impressões para distribuir na pequena cidade de Cachoeira do Sul (RS), onde tudo começou. Também conseguimos enviar exemplares impressos para diversas amizades e tornar essa prática uma gostosa forma de existir e permanecer. E assim seguimos.

Em 2017, a Monstro dos Mares recebeu novo fôlego: a querida editora-geral abobrinha se somou ao projeto da editora e tornou possível fazer mais livros, zines, banquinhas, boas conversas e, consequentemente, uma maior distribuição gratuita de materiais impressos de diversos coletivos e iniciativas editoriais. Aos poucos, as publicações da própria Monstro foram surgindo, conhecemos mais pessoas e realizamos muitas trocas, descobrindo espaços e conectando pessoas. Mais e mais livros e zines para todo canto.

Desde então, o bonde cresceu. Nos anos de 2018 e 2019 recebemos várias pessoas, criamos um conselho editorial, abrimos uma Rede de Apoio no Catarse, feiras, eventos, congressos e diversos pacotes de livros pra lá e pra cá. Desde os preparativos para o I Colóquio Anarquismo e Pesquisa, que aconteceu em Novembro de 2018 na UFSC, decidimos criar um registro de quantos livros e zines foram distribuídos gratuitamente naquele ano. 123 livros e 102 zines. Foi um susto quando percebemos que, ao anotar em um caderno simples essas quantidades, era muito mais do que imaginávamos. Porque é um livrinho pra um, um zine pra outra, envia um pacotinho para alguma biblioteca e assim chegamos a 821 livros e 1.211 zines no ano de 2020.

Com tantos números, decidimos lançar uma página em nosso website chamada “Numerologia”, onde era mantido o registro mensal de muitos dados gerados por nossa atividade editorial: livros impressos, livros distribuídos gratuitamente, zines impressos, zines distribuídos gratuitamente, quantidade de impressões, geração de energia solar, todos com os dados mensais e parciais do ano, total por ano e total geral. Com o tempo, gerar e acompanhar tantos números se tornou uma tarefa complexa, principalmente pelo fato de mantermos o apontamento de todos esses dados manualmente no cadernão. Em Abril de 2021, a página parou de receber atualizações para dar espaço a algo diferente.

Queremos conhecer mais pessoas, coletivos, organizações, bandos e bandas. Não se trata somente de fazermos livros para distribuir gratuitamente, mas de fortalecer espaços, pesquisas e bibliotecas. Nesse momento de pandemia, não temos a possibilidade de visitar os territórios onde as atividades acontecem. Este é um período no qual trocamos conversas e experiências principalmente em nossos canais e grupos no telegram, redes sociais e pelo bom e velho e-mail.

Nosso amigo Mauricio Knup, que faz parte da Rede de Apoio da editora, é a partir de agora a pessoa que faz a interface entre grupos, coletivos, bibliotecas, singularidades, sindicatos, federações e movimentos sociais que desejam receber livros da Monstro dos Mares. Queremos conhecer os espaços, trocar ideias, sabermos como podemos ajudar a fortalecer as atividades e programar uma visita para quando o pandemônio acabar.

Se você participa de alguma iniciativa anárquica, anarquista ou inspirada pelo anarquismo, por favor, acesse o site da Dádiva (https://dadiva.monstrodosmares.com.br) e confira as informações sobre a distribuição gratuita de livros e zines. Queremos estar em contato, estabelecer vínculos e fortalecer a solidariedade entre nossas iniciativas.

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Último dia para fortalecer a campanha “Manifestos Cypherpunks” no Catarse

Manifestos Cypherpunks

Publicar um livro envolve decisões difíceis para todas as pessoas que fazem parte do processo, seja autoras e autores, organizadores, editores, diagramação, capa, papel, fonte. São tantas dúvidas que pedimos ajuda para não ter de fazer as escolhas difíceis isolades numa ilha. Depois de muita conversa sobre como colocar o material na rua, optamos pelo financiamento coletivo, tal como a Monstro dos Mares fez nos lançamentos de 2021. O objetivo principal da campanha é cobrir os custos de registro/formalização do livro, como ISBN e Ficha Catalográfica, e também os custos de impressão de uma tiragem inicial com cerca de 100~150 exemplares. Papel, tinta, folhas de capa, manutenção/depreciação de impressoras e equipamentos de finalização compõem esses custos.

Diante da dificuldade de conquistar os recursos necessários para rodar a primeira tiragem do livro, lançamos mão de utilizar o Catarse como ferramenta para chegar em mais pessoas e fortalecer o livro. Apesar das altas taxas (13%) e da demora de 10 dias úteis para a transferência dos recursos, concordamos que apoiar o lançamento de um livro é diferente de uma pré-venda, que poderia ser facilmente operacionalizada em nossa loja virtual. O financiamento coletivo aproxima pessoas que podem apoiar das pessoas que querem fazer algo. Por isso acreditamos que essa modalidade é importante, pois ela torna cada mona, mina ou mano que apoiou o lançamento do livro em participante do livro. Essa é uma relação duradoura, um vínculo que motiva e torna o ato de publicar ainda mais especial.

Hoje estamos no último dia da campanha de financiamento coletivo que, juntamente às amizades do BaixaCultura, nos surpreendeu pela adesão e participação de diversos coletivos que mobilizaram suas redes para divulgar o livro e tornar essa publicação possível. Queremos agradecer a cada pessoa que compartilha ideias ou links e convidar aquelas que puderem a fazer parte dessa publicação e colocar seu nome na lista de pessoas que transformaram o lançamento deste livro na maior campanha de financiamento coletivo que já fizemos, que será nossa maior tiragem inicial de livros — cerca de 400 exemplares.

Ainda dá tempo. =)

Conheça o livro

“Manifestos Cypherpunks” é a segunda publicação da coleção “Tecnopolítica”, coordenada pelo BaixaCultura (laboratório online de cultura livre & contracultura digital) e a Editora Monstro dos Mares (divulgação acadêmica anárquica). Depois do lançamento de “A ideologia Californiana”, texto seminal da crítica ao neoliberalismo tecnocrático do Vale do Silício feito em 1995 por Richard Barbrook e Andy Cameron, o segundo volume da coleção reúne alguns dos primeiros alertas contra a vigilância massiva na era da internet. São textos escritos na época que a rede mundial dos computadores ainda engatinhava, entre o final dos anos 1980 até meados dos 1990, por pessoas que conheciam a fundo alguns aspectos dos aparatos técnicos que faziam funcionar a rede e queriam nos fazer ficar atentos a eles.

Para apoiar o lançamento do livro acesse: https://www.catarse.me/manifestoscypherpunks

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Manifestos Cypherpunks: financiamento coletivo

Manifestos Cypherpunks

Precisamos do seu apoio para viabilizar o lançamento e distribuição do livro “Manifestos Cypherpunks”, que é a segunda publicação da coleção “Tecnopolítica”, coordenada pelo BaixaCultura (laboratório online de cultura livre & contracultura digital) e a Editora Monstro dos Mares (divulgação acadêmica anárquica). Depois do lançamento de “A ideologia Californiana”, texto seminal da crítica ao neoliberalismo tecnocrático do Vale do Silício feito em 1995 por Richard Barbrook e Andy Cameron, o segundo volume da coleção reúne alguns dos primeiros alertas contra a vigilância massiva na era da internet. São textos escritos na época que a rede mundial dos computadores ainda engatinhava, entre o final dos anos 1980 até meados dos 1990, por pessoas que conheciam a fundo alguns aspectos dos aparatos técnicos que faziam funcionar a rede e queriam nos fazer ficar atentos a eles.

A publicação reúne:

  • Introdução “Criptografia em Defesa da privacidade”, que contextualiza a produção dos textos, escrito por Leonardo Foletto, organizador da publicação, editor do BaixaCultura, jornalista e pesquisador ;
  • “Por que eu escrevi o PGP”, de Philip R. Zimmermann (1991);
  • “Manifesto Criptoanarquista”, de Timothy C. May (1993);
  • “Manifesto Cypherpunk”, de Erick Hughes (1993), todos traduzidos do inglês pelo coletivo Cypherpunks e revisado por Victor Wolfenbüttel;
  • Posfácio “Retrospectiva e expectativa Cypherpunk”, escrito pelo pesquisador em criptografia e diretor do IP.Rec, André Ramiro, que recupera o histórico e a importância da discussão da criptografia para 2021;
  • Anexo, chamado “Cripto-Glossário”, escrito por Timothy C. May e Eric Hughes em 1992, documento histórico sobre os termos utilizados nos estudos e na prática da criptografia.

Originários de uma vertente da cultura hacker mais afeita a ação política, em contraponto a outra mais ligada ao liberalismo empreendedor das startups do Vale do Silício, os cypherpunks surgem nos anos 1990 dizendo que a única maneira de manter a privacidade na era da informação é com uma criptografia forte. Mais de trinta anos depois de sua gênese, o ideal dos cypherpunks ainda é presente sobre gerações de criptógrafos, programadores e ativistas, entre eles os reunidos em tornos das criptofestas em diversos lugares do mundo, entre elas a CryptoRave, principal evento da área no Brasil.

Esta publicação, realizada de maneira artesanal e independente, busca fomentar a discussão e o conhecimento crítico histórico sobre o legado dos cypherpunks num mundo onde a internet se tornou a principal ferramenta de vigilância do planeta.

Apoiar a campanha de financiamento coletivo:
https://www.catarse.me/manifestoscypherpunks

Manifestos Cypherpunks
Organização e introdução: Leonardo Foletto
Tradução: Coletivo Cypherpunks
Revisão da tradução: Victor Wolffenbüttel
Posfácio: André Ramiro
Diagramação e capa: Baderna James
Montagem e finalização: abobrinha
Revisão: Raphael Sanz

60 páginas A5 (14 x 21 cm);
Capa em papel colorplus de 180g;
Edição artesanal, lombada canoa, refilado;
Impressão em tinta pigmentada de alta qualidade;
Diagramação e impressão utilizando 100% de energia solar.

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Estamos na FLIPEI 2021

A Monstro dos Mares está presente na Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI), que começou no dia 18 de Março e vai até o dia 28. A edição de 2021 da festa conta com a participação de mais de 100 editoras independentes. São livros de gêneros variados, literatura, ficção, infantis e livros políticos de diversos segmentos. Várias iniciativas editoriais que admiramos estão fazendo parte desse barco pirata e destacamos a infoshop 1.000 contra e as editoras Biblioteca Terra Livre, GLAC, Entremares, Intermezzo Editorial, N-1, sobinfluencia, Tenda de Livros, Crocodilo e Terra sem Amos (TSA). Por uma questão de prazos de inscrição, outras editoras não estão participando da FLIPEI, mas nem por isso você deve deixar de apoiar.

Como você pode imaginar, em função da pandemia a festa está acontecendo online e o tema é Livros e comunas para novos futuros. Você pode conferir a programação completa no site da FLIPEI e no Instagram @flipeioficial. As conversas serão transmitidas pelo YouTube, no canal oficial da festa. Estarão presentes Kristin Ross, Atilio Borón, Toumani Kouyaté, Julieta Paredes, Dayse Sacramento, Mark Bray, Peter Gelderloos e Kaká Werá, além de diversas atividades e encontros com temas interessantes do primeiro ao último dia da edição anual do evento.

Descontos especiais

Durante a FLIPEI, as editoras foram convidadas a criar ofertas e descontos especiais para fortalecer o evento e tornar a festa mais próxima dos eventos presenciais, nos quais as editoras em suas barraquinhas oferecem ótimos descontos. Atendendo ao chamamento, a Monstro está oferecendo 25% de desconto em cinco títulos que selecionamos. São eles: “O índio no cinema brasileiro e o espelho recente“, de Juliano Gonçalves da Silva; “PIXAÇÃO: A arte em cima do muro“, de Luiz H. P. Nascimento; “Dialética perspectivista anarcoindígena“, de Guilherme Falleiros; “Trilhas dos imaginários sobre os indígenas e demografia antiautoritária“, de Carolina Sobreiro; “Repensar a anarquia“, de Carlos Taibo.

Além desses livros com preço promocional, você pode utilizar o cupom FLIPEI21 para receber 5% de desconto em diversos livros e zines do nosso catálogo até o dia 28 de Março.

Sobre a FLIPEI

A FLIPEI é um projeto coletivo que envolve uma rede de editoras, artistas e coletivos independentes, organizado pela editora Autonomia Literária. Tudo começou com uma feira do livro alternativa dentro de um barco e o desejo de difundir pensamentos críticos e novas formas de ação e produção em comum. Desde 2018 a cidade de Paraty é invadida, através do rio Perequê-açu, por um barco pirata lotado de livros subversivos, durante a tradicional Festa Literária de Paraty (FLIP). https://flipei.net.br

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Nossa Rede de Apoio em Fevereiro de 2021

Rede de Apoio é o nome que damos para o grupo de pessoas que colaboram com a existência e continuidade das atividades da editora Monstro dos Mares. Nossa casa publicadora só é capaz de permanecer com a ajuda mensal dessa gente que bota fé no que fazemos – distribuir livros e zines – e todos os meses utilizamos este espaço para compartilhar um pouquinho sobre o que fizemos e agradecer esse apoio, que é muito importante para nosso projeto editorial.

Em Fevereiro de 2021, fizemos reuniões e contatos com as pessoas que enviaram materiais para publicação. Conseguimos colocar novos títulos na pista e preparar novidades para as próximas semanas. Chegaram conteúdos originais, artigos já publicados que foram transformados em zines e materiais que foram pesquisados especialmente para distribuição nas recompensas da Rede de Apoio ou para compor o catálogo de nossa lojinha.

Recebemos o contato de Lucio Lambert que, juntamente com algumas amizades e com o financiamento direto da Rede de Apoio, vai poder distribuir muitos exemplares da cartilha “Adubos e Biofertilizantes de baixo custo“. Serão 150 exemplares distribuídos pelo autor, editora e Rede de Apoio e mais 100 exemplares financiados e distribuídos por entidades, parcerias e amizades do autor.

Confira o vídeo onde a abobrinha (editora geral) apresenta os materiais das recompensas de Fevereiro:

Sua participação é fundamental

Com contribuições a partir de 1 real no PicPay e de 5 reais no Catarse, você pode ajudar as atividades de divulgação acadêmica da Monstro dos Mares. Os recursos serão utilizados para cobrir os custos necessários com papel, tinta, manutenção dos equipamentos e impressão de livros e fanzines que são enviados gratuitamente para várias recantos do país, além de parte das tarifas dos Correios. Esses materiais fortalecem espaços sociais e comunitários, ativistas, militantes, organizações e individualidades.

Amizades que apoiaram a editora em Fevereiro de 2021:

  • Lorenzo;
  • Karina Goto;
  • Camila;
  • Marcelo;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Mayumi Horibe;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Ste;
  • Talles Azigon;
  • Márcio Massula;
  • Angela Natel;
  • Contribuições Anônimas
  • Pedro Augusto Papini;
  • Nicolas H Mosko;
  • Vitor Gomes da Silva;
  • Bruna Lima Sanyana;
  • Marcelo Mathias Lima;
  • Andressa França Arellano;
  • Lupi;
  • Zé;
  • Vitória
  • Felipe Brunieri;
  • Leo Foletto;
  • Claudia Mayer;
  • Igor;
  • Fyb C;
  • Ian Fernandez;

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Tirar do repositório e levar para o território

Encontro da editora com a Rede de Apoio em Janeiro de 2021

[Na imagem: encontro da editora com amizades e apoiadores]

A Monstro dos Mares existe para fazer as ideias circularem, chegarem por aí de mão em mão. Em 2020, com pandemia e tudo, distribuímos gratuitamente 821 livros e 1.211 fanzines/livretos. Hoje decidimos celebrar esse número, porque fazemos e distribuímos livros e zines artesanais, feitos à mão, um a um. Queremos dividir com você essa proeza.

Mas os números seriam vazios de significado sem a participação de autoras e autores, pessoas que ajudam fazendo a leitura de materiais originais, amizades que compartilham conosco a atividade da edição, discutem em grupo e dão o encaminhamento nos textos. São monas, minas e manos que participam da Monstro dos Mares fazendo as traduções, revisões, recomendações de materiais para publicação, capistas e, evidentemente, todas aquelas que recomendam, apoiam mensalmente, fazem compras em nossa lojinha ou pegam nas distros que fortalecem a circulação dos mais de 240 títulos que compõem o catálogo do site.

A tarefa de divulgação do conhecimento produzido em nosso tempo, com o olhar para às próximas gerações, é um dos motivos que nos movem para além de aprender a imprimir, cortar, grampear e colar. Existimos para compartilhar nossas visões de mundo, relatos de práticas coletivas e perguntas que emergem das inquietações humanas e sociais do século 21. Imprimir livros é registrar esses anseios no tempo. É possível que em algum momento a Monstro dos Mares deixe de existir, mas haverá em algum canto um exemplar impresso, um arquivo guardado em algum disco HD/SSD/eMMC ou pastinha da nuvem e os livros continuarão com outras pessoas (ou através delas).

Com a ajuda de quem faz parte da Rede de Apoio, conseguimos os recursos necessários para imprimir 821 livros e 1.211 zines de inspiração anárquica que foram distribuídos gratuitamente. Além disso, esses recursos muitas vezes ajudam a pagar os envios pelos Correios. São bibliotecas comunitárias, espaços sociais ou culturais, sindicatos, federações, grupos de estudos, coletivos, militantes, ativistas, bandos, bandas, pesquisadoras e singularidades em vários recantos que recebem os títulos que rodamos por aqui. Colocar todo esse material na pista é uma parte importante dos objetivos da Monstro dos Mares, por isso é importante nossa alegria em compartilhar esses números mesmo em tempos tão cheios de notícias que nos roubam os sorrisos.

Seguir fazendo livros é um de nossos propósitos. Ao realizar a divulgação acadêmica de inspiração anárquica, temos a convicção de que nossa tarefa também é tirar do repositório e levar para o território. Seguimos incentivando que cada pessoa dedique um pouquinho do seu tempo para participar nas atividades de vários coletivos editoriais, não apenas na Monstro do Mares. Não somos uma ilha: estamos em rede. Neste momento, estamos passando por um severo e comprometido isolamento, o que implica numa constante ansiedade para que a população possa ser imunizada integralmente e que possamos finalmente receber pessoas em nosso espaço e trocar experiências. Colar com os bandos, visitar editoras, fazer oficinas, cultivar hortas, assar pães no forno de barro numa tarde cheia de boas conversas em grupo, arriscar queixos/joelhos e cotovelos em velozes alicates, apoiar a instalação de sistemas fotovoltaicos comunitários rurais e urbanos. É tanta vontade que nem cabe num parágrafo.

Sabemos que o capítulo pós-pandemia ainda vai levar um tempo e muitas lutas para chegar. Enquanto isso, seguimos fazendo todo o possível para nos mantermos em segurança, em solidariedade com movimentações de compas, cometendo lives, criando podcasts, gravando vídeos e, logicamente, fazendo muitos e muitos livros. Para isso, vamos aumentar o volume de impressões e ampliar as possibilidades de encontros entre a palavra escrita e as lutas diárias da nossa gente. Abrimos um espaço na casa editorial para o Duplicador Digital Ricota DX-2330, uma ferramenta importante para a Monstro dos Mares seguir publicando as páginas que fazem emergir, na prática, entendimentos de que há muitos modos de superar a normalidade e expandir horizontes de possibilidade para enfrentar todas as formas de opressão.

Para seguir multiplicando ideias: celebramos nossos passos, agradecemos o carinho das amizades e pedimos seu apoio de todas as formas que estiverem a seu alcance!

Os números de 2020

Impressões:
Livros impressos: 2.854
Zines impressos: 5.005

Distribuição gratuita:
Livros distribuição gratuita: 821
Zines distribuição gratuita: 1.211

Total de impressões de 2020: 223.444
Total de Kw gerados e consumidos com energia solar em 2020: 75Kw


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A Rede de Apoio em Janeiro de 2021

Pacote Ciberpunk da abobrinha

A Rede de Apoio é uma chance de nos conectarmos com pessoas que compartilham a ideia de que os livros e a palavra impressa têm um significado maior do que apenas um amontoado de um monte de coisa escrita como disse isso daí, taoquei. Compartilhar princípios e práticas é muito mais do que ler e concordar com os postulados de alguns teóricos. A solidariedade acontece quando estendemos os braços para fortalecer as atividades das coletividades e ideias de pessoas que fazem as lutas do nosso tempo. O livro impresso, abundante, acessível e disponível é uma parte dessa ecologia de resistência que enfrenta as opressões que tornam mais difícil a vida de toda a gente que sofre.

A Editora Monstro dos Mares é um coletivo de pessoas em movimento que buscam transformações sociais profundas e urgentes. Somos uma dezena de pessoas que lançam mão do seu pouco tempo livre disponível para ler e discutir os textos que são publicados como livros, zines e artigos no blog. Também contamos com a disposição das mais de três dezenas de pessoas que participam da Rede de Apoio para ajudar nos processos de preparação de textos, revisão, tradução e atividades de publicação. Além disso, monas, minas e manos que compreendem a importância do livro passando de mão em mão em todos os recantos enviam colaborações por e-mail, grupo no telegram e nas chamadas mídias sociais.

Intensificar a conexão entre as aquelas e aqueles que cometem livros e as mais diversas singularidades, coletividades, espaços sociais e de pesquisa acadêmica só é possível porque existem pessoas que confiam em nossas práticas. Em 2020, a Editora Monstro dos Mares, em colaboração da Rede de Apoio, distribuiu gratuitamente 821 livros e 1.211 zines gratuitamente.

Agradecemos imensamente as pessoas que tornam o nosso projeto possível:

  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Camila;
  • Mayumi Horibe;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Taipy;
  • Nicolas H Mosko;
  • DaVinci;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Bruna Lima Sanyana;
  • Andressa França Arellano;
  • Marcelo Mathias Lima;
  • Vitor Gomes da Silva;
  • Zé;
  • Felipe Brunieri;
  • Leo Foletto;
  • Leonardo Goes;
  • Mauricio Marin;
  • Fernando Silva e Silva;
  • Nilo Sergio Campos;
  • Thiago de Macedo Bartolet;
  • Alexis Peixoto;
  • Lupi
  • Paulo Oliveira;
  • Anna Karina;
  • Caio;
  • Vitória;
  • Claudia Mayer;
  • Andrei Cerentini;
  • Igor;
  • Pedro Augusto Papini;
  • Ian;
  • Fyb C;
  • Lorenzo;
  • Karina Goto;
  • Guapo;
  • Ste;
  • Contribuições anônimas.

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Treta do frete (envio de livros) 📩

a treta do frete

Treta do frete: porque o rastreamento demora para atualizar?

Os grandes sites de e-commerce habituaram as pessoas a acreditar que só existem duas modalidades de envios nos Correios: PAC e Sedex. Mas não é bem assim: essa é a treta do frete. Quem recebe e envia livros provavelmente já se deparou com esses códigos de rastreamento que começam com as letras JN ou RE, que demoram para atualizar. Mas é assim mesmo que funciona o IMPRESSO na modalidade de REGISTRO MÓDICO. Esse é um serviço de envio de materiais impressos para editoras, livrarias, sindicatos, cooperativas, associações e pessoas físicas que precisam de uma modalidade econômica de envio pelos Correios.

No vídeo Treta do Frete, disponível abaixo, Baderna James apresenta a modalidade de envios utilizada pela Monstro dos Mares, o IMPRESSO. Como funciona? Quais as diferenças entre o Impresso e outras modalidades de entregas? Quem pode utilizar e porque demora tanto para atualizar no Sistema de Rastreamento de Objetos (SRO)? Como a pandemia de coronavirus está afetando o dia a dia de atendentes, carteiras e carteiros, operadores de triagem e transbordo (OTT’s) e os prazos de entregas? Antes de falar sobre o preço do frete, James aproveita para contar uma história envolvendo a sua avó, um carteiro e um banco de concreto. O editor também dá dicas importantes sobre como cuidar da sua caixa de correspondência e como são entregues os pacotes de impressos na sua casa.

Muito se fala sobre uma improvável privatização dos Correios, mas só quem não conhece o cotidiano do milagre logístico operado pela EBCT em todos os municípios brasileiros para dizer uma coisa dessas. Quem compraria os Correios, se já existem serviços de entrega de encomendas privados de grandes e pequenas transportadoras? Como um pacote de livros pode atravessar o país por apenas 20 reais? É lógico que o serviço prestado pela empresa sempre pode melhorar, e poderia até mesmo ser mais barato. Mas será que as tarefas de trabalhadoras e trabalhadores que estão em afastamento por motivo de saúde estão sendo compensadas ou estão ficando acumuladas? Será que serão realizados novos concursos ou contratações? E a função de pessoas que estão merecidamente buscando aposentadoria, ou que já se aposentaram, recebem reposição ou tem alguém deixando de contratar para ver a empresa quebrar?

Os Correios já foram uma das mais prestigiadas e confiáveis empresas do país e seus serviços costumavam ser reconhecidos por todos. O desmonte dos Correios é fruto de muitas gerações de maus gestores, ladrões que roubaram os fundos de pensões de trabalhadores e pilantras como o ministro da economia, que pensam que podem vender a empresa a preço de banana só para dizer que conseguiu vender alguma coisa. Privatização é coisa de ladrão!

As amizades que fazem parte da Rede de Apoio recebem os vídeos antecipadamente e possibilitam a aquisição e manutenção dos recursos técnicos para que mais conteúdos sejam criados e disponibilizados em vídeo no Youtube e no Podcast da editora. Nosso muito obrigado pelo apoio e um salve especial às monas, minas e manos que trabalham nos Correios.

25 de Janeiro, Dia do Carteiro. 💌

Para ouvir no Podcast

Esse e outros episódios você ouve no Podcast da Editora Monstro dos Mares nas principais plataformas de áudio com distribuição pela Anchor.

Para baixar o arquivo de áudio MP3 do episódio do podcast basta clicar aqui.

Ei pirata! 🏴‍☠️
Faça parte da Rede de Apoio da editora fazendo uma contribuição mensal:
Catarse assinaturas ou no PicPay assinaturas

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Agradecimentos Rede de Apoio e Solidariedade (Dezembro de 2020)

Escrever agradecimentos às pessoas que fortalecem a correria do nosso bonde é o mínimo que podemos fazer. Neste mês, conseguimos fazer algo mais: fizemos um encontro, uma celebração (assim, do jeito que dá, on-line). Chamamos as amizades do conselho editorial e científico, da Rede de Apoio e Solidariedade, e também algumas pessoas que publicaram conosco em 2020. Essa atividade não teve caráter de reunião, afinal, estamos no final de um ano horroroso e estamos felizes que podemos nos encontrar para conversar e saber como cada singularidade está atravessando esse período. Sim, esse ano foi um triturador. Tudo o que se fez e o que ainda vamos fazer precisa ser entendido e avaliado pelas limitações desse período estranho, não por suas potencialidades. Essa avaliação se estende, inclusive, aos nossos afetos.

Chá da tarde especial da Rede de Apoio e Solidariedade

O final de ano também é aquela época em que muita gente rememora o que fez durante o ano, em busca de aprendizados. Em 2020 nós decidimos não realizar uma retrospectiva, porque nossa maior vitória foi seguir existindo. Ao que tudo indica, em 2021 permaneceremos em casa; com isso, decidimos rever fatores importantes de nossa presença nas redes sociais e de comunicação. Voltamos ao Twitter, com mais pessoas ajudando a responder e deixar o perfil mais humano, uma vez que nos últimos tempo apenas o robô cuidava de tudo. Também voltamos a enviar notícias por e-mail (newsletter), uma prática que havia sido deixada de lado em função da correria do dia a dia.

Estamos felizes em poder contar com uma rede próxima de pessoas que confia no que fazemos e fortalece o envio de materiais para diversos recantos do país. Em 2020, as pessoas que fazem parte da Rede de Apoio da Monstro fortaleceram a distribuição gratuita de 821 livros e 1211 zines para coletivos, movimentos, bibliotecas comunitárias, okupas, sindicatos, federações, pesquisadoras e pesquisadores independentes e acadêmicas. Temos certeza de que parte significativa de nosso esforço diário em produzir cultura e referências de pesquisa é destinada a ser enviada gratuitamente pelos Correios. Nada disso seria possível sem o desprendimento do valor de uma lanche ou uma pizza de algumas pessoas. Com o pouquinho de cada uma, conseguimos fazer muito.

Obrigado por estar conosco em Dezembro de 2020:

  • Ian Fernandez
  • Fyb C
  • Lorenzo
  • Karina Goto
  • Camila
  • Caio
  • Mayumi Horibe
  • Gabriel Jung do Amaral
  • Viviane Kelly Silva
  • R
  • Vitor Gomes da Silva
  • Leo Foletto
  • Nicolas H Mosko
  • Andressa França Arellano
  • Marcelo Mathias Lima
  • Fernando Silva e Silva
  • Thiago de Macedo Bartoleti
  • Victor Hugo de Oliveira
  • Mauricio Marin Eidelman
  • Lupi
  • Leonardo Goes
  • Paulo Oliveira
  • Anna Karina
  • Andrei Cerentini
  • Igor
  • Claudia Mayer
  • Guapo
  • Márcio Massula
  • Angela Natel
  • Talles Azigon
  • Contribuições e apoios anônimos

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Apresentação de “Abaixo ao trabalho 2ª edição” por Baderna James

Abaixo ao trabalho
Imagens da primeira e segunda edição

A segunda edição de Abaixo ao Trabalho é uma homenagem, uma saudação e lembrança muito querida de um título que circulou durante muitos anos em vários meios graças a atuação da editora Deriva, um coletivo editorial que apresentou a toda uma geração, a possibilidade de realizar livros artesanais de baixo custo sem depender da indústria gráfica e sem amargar com tiragens gigantes.

A experiência de escolher os textos, formatá-los e colocar “pra rodar” é o que forma uma editora. Essa tarefa vem acompanhando coletivos de inspiração anárquica ao curso da história. É possível citar um sem-número de iniciativas genuinamente artesanais que estiveram presentes na formação de leitores dissidentes e libertários. Coletivo Sabotagem, Barba Ruiva, Deriva, Nenhures, Index Librorum Prohibitorum, Erva Daninha, são algumas dessas editoras que colocaram na pista livros feitos um a um, manualmente, nos mais diversos formatos e materiais.

Atualmente, algumas editoras como Imprensa Marginal, Contraciv, Facção Fictícia, Subta e Monstro dos Mares estão em movimento a mais tempo, saudando e inspirando o surgimento de diversas editoras artesanais que se chegam como a Terra Sem Amos (TSA), Adandé, Amanajé, Edições Kisimbi, Lampião, Insurgência, Correria e outros tantos projetos que florescem nos diversos recantos do país.

Relembrar e homenagear a movimentação de compas que fizeram livros com as próprias mãos e celebrar a chegada de tantos outros coletivos nos dá a certeza de que é possível apropriar-se das técnicas e das tecnologias que compõem a produção de livros e zines. Publicar os textos que percorrem o nosso tempo com observações e análises, pesquisas e investigações, relatos e estudos, compõem um conjunto de práticas significativas para formar um retrato da permanência das ideias de autonomia, liberdade, auto-organização e colaboração na luta contra todas as formas de opressão.

Anarquistas, libertárias, autônomas, anárquicas, críticas, dissidentes ou insurgentes, independente das cores e das tintas de cada coletivo editorial artesanal de ontem e de hoje, Abaixo ao Trabalho retorna às ruas, para circular de mão em mão, aproximando pessoas, movimentos, coletivos, grupos e bandos em torno de suas ideias: uma crítica genuína à ideia de trabalho.

Muitas das pessoas que tocam projetos editoriais artesanais já desistiram da possibilidade de se manterem em empregos horríveis, trocando suas liberdades por um salário no final do mês. O livro que você tem em mãos, reúne não apenas um conjunto de ideias, mas espectro de experiências que (re)afirmam a possibilidade de que há diversos modos de multiplicar e se somar as lutas do nosso tempo.

Faça livros, multiplique!

Baderna James, Outubro de 2020.