Financiamento coletivo: aprendizados da Monstro dos Mares

Ao longo dos últimos anos, a Monstro dos Mares realizou mais de 15 campanhas de financiamento coletivo, entre iniciativas pontuais e recorrentes. Neste texto, reunimos alguns aprendizados desse percurso, atravessando plataformas, erros, acertos e muitas trocas.

Hoje estamos presentes em duas plataformas, Catarse e Apoia-se. Cada uma tem suas especificidades e, como sabemos, existem muitas outras plataformas por aí. O objetivo desta publicação é compartilhar um pouco da nossa experiência navegando pelas águas do financiamento coletivo.

Atualmente, lançar livros pela Monstro dos Mares só é possível por meio de financiamento coletivo pontual. Não contamos com recursos próprios para impressão, e é justamente aí que o financiamento coletivo se mostra um instrumento potente. Ele viabiliza os custos de produção, amplia a comunicação em torno do conteúdo e aproxima pessoas do cotidiano da editora. Muitas vezes, quem apoia um projeto acaba voltando em outros. Criamos vínculos, trocamos ideias por e-mail ou chat e, aos poucos, essas pessoas passam a fazer parte das atividades da editora.

Ansiedade do início ao fim

Nas campanhas pontuais, a ansiedade acompanha todo o processo. Começa na preparação, passa pela escolha da data ideal de lançamento, pela dúvida sobre a comunicação e pelas recompensas. Será que vão gostar? Será que os apoios vão chegar?

E quando não chegam, bate aquele frio na barriga. Por outro lado, há também a alegria de alcançar marcos como 20%, 50% e 80%. Nem sempre chegamos aos 100%, e tudo bem. Faz parte do processo. Afinal, estamos falando de livros anarquistas, não de revistas de RPG ou produtos de massa. Cada campanha é única e aprender com cada uma delas é essencial.

Planeje suas recompensas com cuidado

Uma história que sempre lembramos envolve recompensas. Em uma campanha, compramos 50 pendrives para enviar com o sistema operacional TAILS OS. Cerca de 30 foram enviados, e 20 ficaram guardados.

Anos depois, em uma nova campanha de tecnologia, resolvemos usar esses pendrives novamente. Deu certo até a hora de gravar. O sistema tinha passado de 4GB para 8GB, e os pendrives se tornaram inúteis. Resultado: tivemos que comprar novos, com dinheiro da campanha, o que bagunçou bastante as contas.

Moral da história: planeje bem suas recompensas e cuide das finanças do projeto com atenção.

Optar por plataformas maiores

Sabemos quais são as principais plataformas e também conhecemos seus problemas. A taxa de 13% costuma gerar desconfiança e nos faz olhar para alternativas menores. Ainda assim, as plataformas maiores têm uma vantagem importante: muitas pessoas já possuem cadastro, já apoiaram outros projetos e estão habituadas ao processo.

Outro ponto é a limitação na formatação de textos. Independentemente da plataforma, ainda há muito a melhorar. Inserir textos com boa organização, títulos e legibilidade é um desafio. Nem mesmo recursos simples como Markdown são oferecidos.

Mesmo com essas limitações, entendemos que vale arriscar em ferramentas mais consolidadas e lidar com seus problemas.

Sistemas de pagamento

Um ponto básico em qualquer financiamento coletivo é o sistema de pagamentos. Espera-se facilidade com pix, cartão e boleto, além de compensação rápida e transparente.

O ideal é que o pix apareça instantaneamente na campanha e que as transferências para a conta corrente do projeto sejam ágeis e certas. Nesse aspecto, ainda há bastante espaço para melhorias, principalmente quanto aos prazos.

Divulgação e comunicação com o público

Um ponto importante que temos aprendido é lidar com o mundo hiper conectado, onde há uma disputa feroz pela atenção das pessoas, na qual levamos desvantagem em relação a grandes empresas e influenciadores. Como fazer a pessoa lembrar de pagar o boleto? A maioria das pessoas acaba tendo a sua atenção, concentração e organização engolidas pela conjuntura que vivemos, onde o trabalho é sucateado, os mensageiros e as plataformas invadem as nossas folgas e descansos, e buscamos o alívio dopamínico no entretenimento por diversas mídias, gerando um ciclo de trabalho e distração que nos afasta de nossos prazeres, propósitos e objetivos mais genuínos.

Estamos observando as estatísticas das campanhas, e aprendendo os momentos mais assertivos de enviar lembretes aos leitores para apoiar os nossos projetos. Além do conteúdo da mensagem, temos uma preocupação com o meio, já que esses lembretes tem se dado de diversas formas: por e-mail; nos nossos grupos privados de apoiadores; e pelas plataformas das chamadas big techs, já que não estar nelas nos daria uma desvantagem ainda maior pela disputa de atenção. Também estamos ocupando plataformas livres e descentralizadas, como o Mastodon, como posição política, no sentido de ajudar a construir um futuro sem as grandes corporações, mas a realidade é dura e nos faltam braços para gerir tantos espaços digitais.

Uma novidade recente, implantada na campanha Cosmologias ameríndias, foi a realização de uma entrevista gravada de cerca de 80 minutos com o autor do livro, com o objetivo de gerar cortes e realizar uma divulgação em formato familiar ao público. Além de ajudar na divulgação, cremos que ouvir a voz do autor, ver o seu rosto, é algo que ajuda a humanizar a campanha e observamos um crescimento nos apoios frente ao vídeo, pelo menos nessa primeira experiência, que pretendemos ampliar e aprimorar nos próximos financiamentos.

Conheça nossas campanhas de financiamento coletivo

As campanhas pontuais que já realizamos:

As campanhas recorrentes

Por que seguimos confiando no financiamento coletivo

Realizar um financiamento coletivo, seja pontual ou recorrente, é muito importante para um projeto coletivo. Não se trata apenas de arrecadar recursos. É também uma forma de se comunicar com o mundo, apresentar ideias, fortalecer uma proposta e construir relações.

O financiamento coletivo nos permite existir, mas também nos permite criar comunidade. E, no meio desse processo, surgem amizades e trocas que fazem toda a diferença.

Seguimos navegando.

Viva o financiamento coletivo.

Entrevista Juliano Gonçalves da Silva

No dia 30 de março, o editor Felipe Siles conversou com Juliano Gonçalves da Silva sobre o lançamento de seu novo livro Cosmologias ameríndias em movimento no cinema de ficção. Em um bate-papo descontraído, a conversa percorre os filmes analisados na obra, as impressões do autor, comentários do editor e reflexões sobre a situação dos povos originários no Brasil contemporâneo.

A entrevista já está disponível em vídeo no YouTube, e também em áudio no Archive.org e no Spotify. É uma ótima oportunidade para conhecer melhor o livro e os caminhos da pesquisa que o sustenta. Ainda dá tempo de apoiar a campanha de financiamento coletivo, que segue até o dia 24 de abril de 2026. Fortaleça o projeto e ajude a colocar o livro em circulação.

Um novo livro sobre cinema e cosmologias ameríndias

Está no ar a campanha de financiamento coletivo do livro Cosmologias ameríndias em movimento no cinema de ficção, de Juliano Gonçalves da Silva. A obra investiga como o cinema latino-americano mobiliza cosmologias ameríndias e como imagens, narrativas e personagens indígenas tensionam estereótipos históricos ainda presentes na linguagem cinematográfica.

Ao tratar o cinema como espaço de produção de sentidos, memória e disputa simbólica, o livro propõe uma leitura crítica e sensível sobre representação, decolonialidade e modos de imaginar o mundo. É uma pesquisa que dialoga com quem se interessa por cinema, estudos indígenas, imagem e pensamento latino-americano.

O livro está disponível por valor promocional durante o financiamento coletivo, e a campanha também reúne outras obras do autor, além de opções com múltiplos exemplares para compartilhar, presentear ou dividir com amizades.

Apoiar esta campanha é contribuir para a circulação de pesquisas independentes, para o fortalecimento da edição autônoma e para a ampliação de debates sobre representação e cosmologias ameríndias no cinema.

Conheça as recompensas e apoie o projeto em:
https://catarse.me/cosmologias-amerindias

Limonada o servidor comunitário da Rede de Apoio

A Rede de Apoio da Monstro dos Mares é formada por pessoas que fortalecem economicamente, de maneira contínua, as atividades e necessidades mensais da editora. Trata-se de uma base comunitária que sustenta não apenas a produção editorial, mas também as condições materiais de existência de quem decidiu fazer livros como parte da luta.

Os recursos da Rede de Apoio são utilizados para custear despesas essenciais, como remédios e estudos, e também para estruturar ferramentas que ampliem a participação da comunidade nos processos da editora. A ideia é simples e política: transformar apoio financeiro em autonomia coletiva, criando meios para que mais pessoas acompanhem, colaborem e compartilhem o cotidiano de uma editora anarquista independente.

Em 2019, a Rede de Apoio viabilizou a aquisição de um servidor usado, onde passamos a hospedar microserviços de blogs e websites utilizando a tecnologia Tor. Foi um passo importante na construção de uma infraestrutura própria, alinhada com princípios de privacidade e soberania digital.

Em 2023, tivemos uma breve, mas muito feliz, experiência com uma conexão de internet sem CGNAT. Nesse período, conhecemos o YunoHost, um ambiente de portal voltado para pequenas comunidades, grupos e coletivos, que facilita a instalação e a gestão de serviços digitais autônomos.

Agora, em 2026, novamente com recursos da Rede de Apoio, contratamos um servidor VPS e, com a ajuda do grupo de tecnologia da editora, realizamos a instalação do YunoHost. O servidor já está disponível para uso da comunidade.

Entre os principais serviços oferecidos está o Calibre Web, uma ferramenta que permite navegar, baixar ou sincronizar dispositivos e-reader, como Kindle e Kobo, com os livros digitais em formato EPUB da Monstro dos Mares. Também estão disponíveis:

  • SearXNG, ferramenta de busca que prioriza a privacidade;
  • FacePrivacy, para borrar rostos em imagens;
  • LibreQR, para gerar QR codes conforme a necessidade;
  • outras aplicações poderão ser implementadas em breve, de acordo com as demandas da comunidade.

O servidor recebeu o nome de Limonada, em referência ao Oceano de Limonada, alegoria criada por Hakim Bey. A escolha do nome dialoga com a imaginação radical e com a criação de territórios autônomos temporários, onde outras formas de convivência e organização são possíveis.

Neste momento, estamos cadastrando prioritariamente as pessoas que já fazem parte da Rede de Apoio. Quem desejar integrar o servidor pode entrar em contato com Baderna Jaime, que está cuidando da gestão do VPS comunitário.

A Rede de Apoio não financia apenas livros. Ela financia infraestrutura, cuidado e autonomia. Venha fazer parte.

e-mail: [email protected] | zapzap: wa.me/5551994037547

UPDATE: Servidor descontinuado em Agosto de 2026.

2026: Educação anarquista para a transformação social

Nós, da Editora Monstro dos Mares, entendemos a educação anarquista como uma prática essencial para a transformação social. Acreditamos que ela é um caminho para ampliar a liberdade, fortalecer a autonomia e promover relações solidárias. A educação não deve ser reduzida a modelos tradicionais que reforçam hierarquias, obediências e estruturas de dominação. Deve ser vivida como um processo permanente de construção coletiva, presente no cotidiano das pessoas e dos movimentos que lutam por um mundo mais justo. Essa compreensão inclui as vivências e resistências das comunidades LGBTQIAPN+, das pessoas queer, dos povos originários, das comunidades indígenas e quilombolas, cujas trajetórias colocam em evidência a urgência de uma educação libertária.

Nossa visão sobre educação anarquista rompe com a lógica de transmissão unilateral do conhecimento. Defendemos um processo de aprendizagem baseado na colaboração e no respeito à autonomia de cada pessoa. Os saberes precisam circular de maneira horizontal, criando espaços onde todos possam ensinar e aprender, valorizando a diversidade e construindo ambientes realmente inclusivos. A educação libertária é inseparável da pluralidade de identidades, culturas e experiências que compõem nossas comunidades.

A educação precisa ser prática e transformadora. Em nossas publicações, buscamos estimular o pensamento crítico e fomentar reflexões que atravessam dimensões sociais, políticas, ambientais e identitárias. A educação anarquista acontece nos livros, mas também nas ruas, nas praças, nas bibliotecas comunitárias, nos espaços autogestionados e em qualquer lugar onde o aprendizado seja livre e espontâneo. A ação direta é parte desse processo. Ela surge como expressão concreta do conhecimento compartilhado e das mudanças que desejamos construir, ampliando e acolhendo especialmente as vozes e experiências marginalizadas.

Criticamos com firmeza o sistema escolar tradicional que reproduz desigualdades, restringe o acesso a saberes diversos e organiza a vida a partir da obediência a normas e autoridades. Defendemos uma educação inclusiva, participativa e emancipadora, capaz de fortalecer a autonomia e a consciência crítica de cada pessoa. Nosso compromisso é fomentar caminhos que permitam participação ativa na construção de um futuro mais igualitário, onde ninguém seja excluído por sua origem, gênero, orientação, identidade ou território.

As raízes da educação anarquista remontam ao início do século passado, quando pensadores e militantes libertários desenvolveram experiências pedagógicas que marcaram profundamente os debates educacionais. Francisco Ferrer y Guardia, com a Escola Moderna, inspirou escolas racionalistas em diversos países, inclusive no Brasil. No contexto brasileiro, diversos grupos anarquistas ligados ao movimento operário organizaram escolas livres, cursos noturnos, universidades populares e práticas educativas voltadas à emancipação da classe trabalhadora. Suas iniciativas defendiam a coeducação, a laicidade, a autonomia e o combate às estruturas autoritárias que moldavam a escola tradicional. Esses esforços mostram que a educação anarquista é uma prática histórica, coletiva e profundamente transformadora.

A educação libertária deve se refletir em todos os aspectos da vida social. Promovemos práticas educativas autônomas, que não dependem do mercado ou do Estado para existir. Nosso papel é contribuir para uma sociedade onde o conhecimento seja ferramenta de resistência e libertação, capaz de enfrentar as estruturas opressivas e ampliar a autonomia das pessoas sem qualquer forma de discriminação. A educação anarquista é um instrumento de subversão criativa, acolhendo as especificidades de cada comunidade e fortalecendo redes de solidariedade.

Seguimos firmes no compromisso com a produção e disseminação de ideias que questionam as convenções educacionais. Construímos alternativas que inspiram caminhos decoloniais, autônomos e transformadores, capazes de reconhecer e valorizar identidades, saberes e experiências diversas. Nosso trabalho busca um futuro em que a liberdade, a igualdade, a solidariedade e o respeito às múltiplas expressões da vida sejam pilares de uma sociedade baseada em conhecimento compartilhado e práticas verdadeiramente livres.

Feliz 2026
Felipe Siles, Caronte Mayer e Baderna Jaime.


Monstro dos Mares em 2025: balanço do ano, desafios e novos caminhos para 2026

A Monstro dos Mares segue existindo graças à colaboração e ao afeto de pessoas que acreditam em projetos editoriais independentes, radicais e coletivos. Nossa estrutura permanece pequena, sustentada principalmente por Baderna e Caronte, com apoio essencial de amigas e amigos que contribuem em tecnologia, segurança digital, decisões editoriais, tradução, revisão, relacionamento com grupos e movimentos, além de muitas outras frentes que exigem cuidado e dedicação. Em 2025 enfrentamos dificuldades para mobilizar nossa rede de amizades e ainda vivenciamos uma situação delicada envolvendo uma pessoa responsável pela tradução de um dos livros. Era uma questão pessoal e de saúde mental, algo que todes na editora compreendem profundamente. Isso acabou nos deixando sem um lançamento no meio do ano e desorganizou nosso calendário editorial. Apesar disso, nossa prioridade sempre será o bem-estar das pessoas envolvidas. Que possam cuidar de suas vidas com serenidade e saibam que contam com nosso carinho.

O ano começou com a publicação de “Anarquia na era dos dinossauros”, um livro-manifesto que reúne ideias, táticas e histórias para quem deseja resistir às formas fossilizadas de poder que insistem em permanecer no mundo. Publicado originalmente em 2003 pela Curious George Brigade, coletivo vinculado ao CrimethInc, o livro chega ao português brasileiro em edição colaborativa, cuidadosamente revisada e redesenhada pela Monstro dos Mares. No final de 2025 lançamos “Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República”, que recupera vidas e trajetórias apagadas pela historiografia dominante. A partir de uma investigação extensa realizada por Jr. Karllos, a obra apresenta dezenas de militantes pretos, pardos e indígenas que atuaram no campo libertário durante a Primeira República, ampliando a compreensão sobre esse período.

Ainda sentimos os impactos das decisões tomadas em julho de 2024. Foi quando migramos toda a operação para impressão sob demanda, transferimos os fanzines para a Impressora Anarquista e passamos a organizar caixa para poder retornar às feiras e eventos presenciais. As repercussões financeiras dessas escolhas foram significativas. No entanto, não era possível manter a produção doméstica dos materiais enquanto desenvolvíamos novos livros. Optamos por simplificar a operação com o POD para recuperar tempo e energia e seguir colocando mais títulos no mundo, além de reforçar nossa presença em feiras, ruas e encontros culturais.

É isso que desejamos para 2026. Queremos publicar mais livros, fortalecer nossa rede de apoios, participar de mais eventos e ampliar o acesso ao que produzimos com tanto cuidado.

Valeu por estar com a gente em mais um ano de resistência editorial. Fortaleça nosso financiamento recorrente, que ainda precisa de muitas mãos, e venha caminhar conosco em 2026.


Apoie o lançamento do livro Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República

A Editora Monstro dos Mares convida leitoras e leitores a conhecerem a campanha de financiamento coletivo do livro Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República, disponível na plataforma Catarse. A publicação reúne histórias de homens e mulheres negros, pardos e indígenas que atuaram nas lutas libertárias do início do século XX, resgatando trajetórias apagadas pela historiografia oficial.

Resultado de um extenso trabalho de pesquisa, o livro revisita personagens e movimentos que construíram uma genealogia afro-brasileira da insurgência. Mais do que exceções em um cenário dominado por figuras brancas e imigrantes europeus, esses sujeitos revelam a presença negra no coração das lutas por liberdade, igualdade e justiça social. Cada biografia é um gesto de resistência e uma recusa ao esquecimento.

A publicação parte de uma pergunta simples e incômoda: onde estão os libertários negros na história do Brasil? Ao reconstruir as respostas, o autor questiona as explicações racistas que tentaram apagar a contribuição das populações negras às ideias revolucionárias.

Ao apoiar a campanha, você ajuda a tornar possível a impressão e a distribuição independente desta obra, sem concessões a grandes grupos editoriais ou interesses de mercado. Cada contribuição fortalece um projeto coletivo comprometido com a diversidade, a inclusão e a memória das resistências.

Apoiar Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República é afirmar que a história libertária também tem rosto negro. Conheça a campanha, compartilhe e ajude a construir um futuro em que a memória e a liberdade caminhem juntas.
Acesse: https://catarse.me/brasilnegroinsurgente

TAZ – Zona Autônoma Temporária: um chamado à liberdade efêmera

Há livros que chegam como manifestos e que permanecem como bússolas para gerações inteiras. TAZ – Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bey, é um desses. Mais do que um texto teórico, é um convite a experimentar a vida em sua potência insurgente, explorando espaços de autonomia, solidariedade e criação coletiva.

Publicado originalmente nos anos 1990, o livro tornou-se referência mundial nos debates sobre política, cultura alternativa e contracultura. Sua força está na ideia central de que é possível criar brechas dentro do sistema – zonas autônomas temporárias – onde outras formas de viver, conviver e resistir podem florescer.

Ao falar de TAZ, Hakim Bey não descreve um território fixo, mas uma experiência em movimento. São espaços que escapam do controle do Estado e do mercado, onde a liberdade se manifesta de modo radical e poético. Essas zonas podem surgir em festas, ocupações, coletivos artísticos, redes autônomas ou até mesmo em pequenas práticas cotidianas que desafiam o conformismo.

O livro propõe que a autonomia não precisa esperar por grandes revoluções futuras. Ela pode ser vivida agora, ainda que por instantes. Esse pensamento ressoa fortemente com quem busca alternativas diante da precarização da vida, da vigilância e do consumismo desenfreado. É, ao mesmo tempo, uma filosofia e um manual de ação para rebeldes, artistas, coletivos e sonhadores.

A nova edição brasileira publicada pela Editora Subta resgata esse clássico em um formato acessível e independente. Fiel à proposta de abrir espaço para vozes e ideias que contestam a ordem estabelecida, a editora reafirma seu compromisso em trazer livros que alimentam a imaginação política e cultural de nossos tempos.

Ler TAZ – Zona Autônoma Temporária é entrar em contato com uma escrita vibrante, que mistura ensaio, poesia e provocação. Hakim Bey não oferece respostas prontas, mas instiga perguntas incômodas: como podemos criar frestas de liberdade em meio ao controle? Que formas de comunidade podem nascer quando nos reconhecemos fora da lógica do poder centralizado?

Esse livro atravessou décadas inspirando movimentos sociais, coletivos artísticos, hackers e comunidades alternativas ao redor do mundo. No Brasil, sua recepção é especialmente potente, pois dialoga com experiências de autogestão, cultura anarquista, coletivos periféricos e práticas que reinventam o cotidiano.

Ao se aproximar de TAZ – Zona Autônoma Temporária, você não encontra apenas um livro, mas uma experiência que atravessa páginas e se projeta na vida cotidiana. É um texto que circula como ferramenta de reflexão e ação, fazendo parte de uma constelação de publicações independentes que cultivam a pluralidade e a criação de outros mundos possíveis. Ler TAZ é somar-se a esse movimento de cultura livre, de resistência e de imaginação radical.

Se você busca um texto que une pensamento crítico, poesia política e prática insurgente, TAZ – Zona Autônoma Temporária é leitura indispensável. Descubra por que TAZ segue sendo um dos livros mais transformadores e instigantes de nosso tempo.


TAZ – Zona Autônoma Temporária

De amor e anarquia: palavras que inflamam, afetos que libertam

Quando falamos em anarquismo, é comum que as primeiras imagens evoquem barricadas, enfrentamentos diretos ao poder, críticas afiadas ao Estado e à propriedade. Mas De amor e anarquia nos lembra com doçura, firmeza e poesia que o campo de batalha mais profundo e mais cotidiano talvez esteja nas formas como nos relacionamos.

Organizado por Waslala e originalmente publicado pela Editora Deriva, este livro reúne textos de autoras e autores que, entre o final do século XIX e o nosso presente insurgente, ousaram pensar o amor para além das normas. Emma Goldman, Errico Malatesta, Émile Armand, América Scarfó, Rebeca Lane, Ludditas Sexxxuales, entre outrxs, escrevem sobre o desejo, a liberdade, os afetos e as possibilidades de viver relações que não estejam baseadas na posse, na culpa ou na vigilância mútua.

Não se trata de um manual de práticas, tampouco de um apanhado de teorias frias. São ensaios, cartas, confissões e experimentações que tocam questões íntimas com coragem política. Falam de dor e de beleza, de descobertas e contradições, de tentativas que falham e de outras que florescem. Propõem, acima de tudo, um exercício contínuo: amar sem deixar de ser livre, amar como quem semeia mundos.

Em tempos em que o discurso da liberdade é capturado por lógicas individualistas e competitivas, este livro recupera um outro sentido para a autonomia: aquela que se constrói no vínculo, no respeito mútuo, no cuidado radical.

De amor e anarquia é um convite. Para reler nossos amores à luz da liberdade. Para experimentar outras formas de companheirismo. Para insistir, mesmo entre os escombros, que ainda vale a pena tentar.

Disponível na lojinha da Monstro dos Mares. Corações atentos e mentes abertas são bem-vindxs.


De amor e anarquia

Navegar por territórios selvagens: o convite de Geografias Subterrâneas

No mar revolto das disputas pelo conhecimento, Geografias Subterrâneas propõe uma travessia radical: ensinar uma prática geográfica a partir das trincheiras da anarquia. Escrito por José Vandério Cirqueira e publicado pela Editora Monstro dos Mares em 2018, este livro é uma ferramenta de reflexão e intervenção no mundo.

Longe da geografia institucionalizada e de seus mapas autoritários, a obra conduz leitoras e leitores por caminhos insurgentes, onde o saber nasce do chão pisado, das resistências cotidianas, das margens que sustentam os centros. É um chamado aos “piratas do conhecimento”, que preferem navegar por águas desconhecidas a se deixarem aprisionar por fronteiras rígidas.

“A geografia carrega a potência de ser prática insurgente. O que está por trás da representação do espaço? Quais ideias políticas, quais disputas epistêmicas? As formas pelas quais compreendemos, ensinamos e praticamos a geografia revelam que não se trata apenas de um saber técnico ou neutro, mas de um território de disputas, de conflitos e de possibilidades.”

Composto por textos breves, acessíveis e densos, o livro articula pensamento geográfico e crítica social, recuperando contribuições de autoras e autores como Thoreau, Reclus, Kropotkin, Louise Michel, Flora Tristan e Emma Goldman. Mais que uma aula de geografia, é uma aula de desobediência epistêmica.

Como escreve o autor, “a palavra geografia guarda uma densidade de histórias não oficiais” e é exatamente essa densidade que Geografias Subterrâneas explora, revelando os subterrâneos de um saber feito de luta, território e imaginação.

Livro em destaque: Geografias subterrâneas

Scroll to top