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Pandemia Covid-19: utilize o auto-isolamento para sua auto-instrução

J√° faz seis meses que a Pandemia do Novo Coronavirus chegou ao Brasil e Am√©rica Latina. √Č poss√≠vel que cada uma de n√≥s j√° tenha desenvolvido estrat√©gias para lidar com o v√≠rus, adotando um protocolo de seguran√ßa que atenda minimamente as necessidades mais b√°sicas. Sabemos que, infelizmente, um dos principais sintomas dessa doen√ßa √© escancarar as diferen√ßas. Por isso, √© importante reconhecer que algumas pessoas n√£o conseguem manter os mesmos cuidados por diversos fatores, que s√£o essencialmente sociais. Sabemos que os impactos sanit√°rios, ambientais e sociais desse per√≠odo modificar√£o profundamente os modos de viver e existir das pr√≥ximas gera√ß√Ķes.

√Č importante que cada pessoa apoie, dentro de suas possibilidades, as campanhas de apoio m√ļtuo mobilizadas por diversas iniciativas, que seguem surgindo nesse tempo infeliz de descaso governamental.

Algumas pessoas, ainda que com dificuldades, optaram pelo auto-isolamento. Essa √© uma forma de “distanciamento social” que busca evitar a circula√ß√£o de pessoas e, com isso, reduzir ao m√°ximo as chances de cont√°gio e transmiss√£o do v√≠rus. Sabemos que esse m√©todo de preven√ß√£o envolve uma s√©rie de quest√Ķes que precisam ser problematizadas AGORA. De que forma e em que condi√ß√Ķes √© poss√≠vel manter esse isolamento sem ignorar a realidade brasileira?

O objetivo deste texto n√£o √© expor as contradi√ß√Ķes envolvidas nessa escolha, mas reconhecer que, em diferentes modelos, um auto-isolamento √© poss√≠vel, seguro e pode ser solid√°rio. Al√©m disso, de alguma maneira pode ser √ļtil para a auto-instru√ß√£o e para a promo√ß√£o de novos conhecimentos.

Voc√™ deve ter notado uma oferta imensa de cursos e lives com debates interessant√≠ssimos, grupos de estudos on-line e projetos que recebem a ades√£o de variados perfis. Nossas amizades tamb√©m est√£o promovendo momentos de encontro com artistas, m√ļsicos, performances e outras atividades art√≠sticas e de compartilhamento de conhecimentos como nunca havia sido visto.

√Č bem poss√≠vel que, se voc√™ leu at√© aqui, muito provavelmente j√° assistiu algum desses eventos, j√° recebeu o convite para participar de alguma live, um podcast ou, at√© mesmo, em algum momento j√° promoveu seu pr√≥prio evento. Por isso podemos ter essa conversa, pois j√° entendemos que alguma coisa temos em comum.

Auto-isolamento / auto-instrução

Para ampliar nossos conhecimentos e contribuir no desenvolvimento de uma autodefesa leg√≠tima contra a ideologia hegem√īnica do estado, do grande capital e do patriarcado, precisamos de uma programa de educa√ß√£o pol√≠tica capaz de romper com as l√≥gicas de domina√ß√£o e fazer com que nossas vis√Ķes de mundo abram um espa√ßo de possibilidade em nossos enfrentamentos cotidianos.

N√≥s, que nos reconhecemos como pessoas identificadas com pol√≠ticas radicais e revolucion√°rias, precisamos construir ferramentas pr√°ticas para que nossas ideias e cr√≠ticas possam emergir das realidades √†s quaisque estamos condicionadas, especialmente durante a pandemia. √Č preciso estilha√ßar as ideias do senso comum e desenvolver dentro de n√≥s a coragem necess√°ria para que nossas convic√ß√Ķes e capacidades de a√ß√£o possam fortalecer uma resposta aut√īnoma e autogestion√°ria, compartilhando dos princ√≠pios e √©ticas libert√°rios aos problemas impostos pelo Covid-19 ou agravados por ele.

Pensando em tudo isso, seguem abaixo algumas dicas para realizar momentos de leitura no seu dia a dia, só ou com seu bando.

Ideias e sugest√Ķes para seu programa de auto-instru√ß√£o

  • Ler (ou reler) obras de uma autora ou ator do seu interesse, em ordem cronol√≥gica;
  • Ler um livro junto com uma amizade e promover encontros on-line para trocar ideias a cada cap√≠tulo;
  • Combinar a leitura de um texto liter√°rio com textos e te√≥ricos que dialogam com a obra;
  • Fazer uma ampla sele√ß√£o de document√°rios e filmes de fic√ß√£o sobre um tema;
  • Pesquisar artigos acad√™micos, livros, zines e panfletos sobre um tema de seu interesse ou de algo absolutamente novo para voc√™ e seu bando. Anticolonialismo, agroecologia libert√°ria, solarpunk, teoria queer, feminismo negro, epicurismo, arrombamento de fechaduras e seguran√ßa digital s√£o √≥timos exemplos de temas;
  • Transitar entre diferentes escolas e movimentos liter√°rios e sociais;
  • Criar uma playlist de m√ļsicas que tratam sobre o tema de sua pesquisa e, na sequ√™ncia, pensar sobre as letras e o contexto social da √©poca de lan√ßamento;
  • Reservar um hor√°rio para leitura sem muitas interrup√ß√Ķes;
  • Navegar por sites estrangeiros de editoras e livrarias;
  • Acessar a Biblioteca Anarquista Lus√≥fona e conhecer os diversos textos dispon√≠veis;
  • Explorar formatos e g√™neros, alternando hist√≥rias em quadrinhos, contos, romances, etc;
  • Ler obras de autoras e autores que voc√™ sempre considerou imposs√≠veis ou inacess√≠veis;
  • Fazer um cineclube virtual para assistir filmes e debater com co-residentes e familiares, utilizando recursos de videochamada ou mensagens de texto/√°udio;
  • Ler o livro, assistir ao filme e discutir a adapta√ß√£o;
  • Criar um zine;
  • Organizar sua biblioteca/cole√ß√£o (vale a pasta de PDF);
  • Compartilhar seus t√≠tulos preferidos com suas amizades, para depois organizar leituras em grupo;
  • Crar sua pr√≥pria estrat√©gia de leitura.

Utilizar o tempo de auto-isolamento como um tempo √ļtil e necess√°rio para que seja poss√≠vel fortalecer nossas vis√Ķes de mundo e apontar dire√ß√Ķes para al√©m do atual estado de coisas. Se manter o isolamento √© vi√°vel para voc√™, considere fazer um programa de estudos, um plano de zines, livros e cap√≠tulos que podem articular respostas para as d√ļvidas que movimentam suas inquieta√ß√£o e que te fazem perguntar como ser√° poss√≠vel fazermos, com nossas m√£os, um s√©culo 21 absolutamente diferente.

Algo novo está em ebulição, bote para ferver!

Solidary Tea

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Julho de 2020: Agradecimentos Rede de Apoio (Podcast b√īnus)

Tem dias mais dif√≠ceis, nos quais as preocupa√ß√Ķes est√£o al√©m das necessidades de tinta, papel e textos. Ao pensar em quest√Ķes como justi√ßa social e seguran√ßa sanit√°ria dos centros urbanos, das periferias e da vida no campo, refletimos sobre o que est√° acontecendo. Quem dir√° sobre o que vir√°?

A pandemia est√° ensinando muitas li√ß√Ķes sobre como encaramos a vida, as atividades di√°rias, nossa conviv√™ncia com as pessoas pr√≥ximas e a import√Ęncia de saber “habitar nossas casas”. Uma quest√£o que bateu forte aqui √© a d√ļvida em torno da necessidade de sermos pessoas produtivas diante de um cen√°rio t√£o adverso como o da doen√ßa que dominou o mundo. Por isso estamos fazendo como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar.

Podcast b√īnus

No dia 17 de Julho de 2020, Baderna James e abobrinha gravaram sobre suas atividades na editora, diagramação de livros e zines utilizando software livre (LibreOffice e GIMP) e sobre a obrigatoriedade de sermos pessoas produtivas.

Queremos agradecer as pessoas que est√£o conosco diariamente e que confiam em nosso projeto editorial. Algumas delas fortalecem com os recursos para manter a editora em funcionamento. Com muito carinho agradecemos as amizades da Rede de Apoio:

  • Contribui√ß√Ķes an√īnimas;
  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Mayumi Horibe;
  • Phanta;
  • Lua Clara Jacira;
  • Leo Foletto;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Ricardo Mayer;
  • Willian Aust;
  • Enguia;
  • Fernando Silva e Silva;
  • Mauricio Marin;
  • Adriano Gatti Mesquita Cavalcanti;
  • Andressa Fran√ßa Arellano;
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos;
  • Anna Karina;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Z√©;
  • Karine Tressler;
  • Andrei Cerentini;
  • Lupi;
  • Caio;
  • Fyb C;
  • Jos√© Ant√īnio de Castro Cavalcanti;
  • Guapo.

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
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O panorama atual do livro anarquista. Passeando entre editoras

Forma parte da tradi√ß√£o libert√°ria, talvez de uma maneira central, o interesse pela difus√£o de suas ideias. Ao largo da exist√™ncia do que poderia se chamar de movimento anarquista (com todas as aspas que queiram), existiram certos grupos dedicados a impress√£o de textos pr√≥prios ou traduzidos, assim como uma infinidade de revistas e publica√ß√Ķes mais ou menos peri√≥dicas.

Distantes est√£o os tempos em que o n√ļmero de exemplares se contava aos milhares (vale como exemplo o livreto Doze provas da inexist√™ncia de Deus, de Sebastian Faure, que teve uma edi√ß√£o de 620.000 exemplares em 1917 ou os 560.000 de Entre Campesinos, de Errico Malatesta, segundo cifras de J. √Ālvarez Junco), mas √© um fato a vincula√ß√£o do mundo editorial e o anarquismo. Figuras como Anselmo Lorenzo, Ferm√≠m Salvochea, Ricardo Mella ou Diego Abad de Santill√°n dedicaram esfor√ßos √† edi√ß√£o e tradu√ß√£o de obras. Essa tradi√ß√£o editorial teve nos anos 70 e 80 uma continuidade, incluso por editoras estritamente libert√°rias, que aproveitaram o nicho de ideias para editar textos, como foi o caso da s√©rie Acracia, de Tusquets.

Nos √ļltimos anos, entre outros motivos, por certo despertar de interesse acerca de temas sociais, estendeu-se por toda a Pen√≠nsula uma interessante forma de se aproximar da cultura libert√°ria: os encontros do livro anarquista. Salamanca, Barcelona, Madrid, Sevilla, Val√™ncia, Bilbao, Cartagena, Zaragoza, Gij√≥n, Logro√Īo, entre outras, s√£o cidades em que esse tipo de evento j√° se celebra. Esses encontros servem para difundir o ideal anarquista tanto no √Ęmbito oral, com conversas e col√≥quios, como por escrito, reunindo diferentes projetos dedicados ao mundo do livro e do fanzine.

Em paralelo ao crescimento e consolidação de muitos encontros ou feiras do livro anarquista, como evidente contraponto as feiras comerciais, parece também que se expandem e se consolidam diversos projetos editoriais ligados ao mundo libertário.

A cultura anarquista ocupa um lugar de permanente confronta√ß√£o com a cultura hegem√īnica atual, porque frequentemente vive nas margens do sistema. Quando falamos das margens do sistema, queremos falar de como existem formas culturais que transitam com tens√£o ou que fogem com maior ou menor √™xito da voracidade cultural da mercadoria. Dentro deste panorama, como n√£o poderia ser diferente no mundo anarquista, a variedade se amplia.

Para algumas pessoas, a cultura anarquista √© aquele que reflete as lutas, os personagens, as ideias, etc, associadas ao anarquismo no passado, presente e futuro. Isso pode se fazer desde diferentes modelos organizativos, entre os quais existam aqueles que defendam que o livro n√£o √©, √ļnica e exclusivamente, seu conte√ļdo. Para esta posi√ß√£o, o livro tamb√©m √© o seu modo de circula√ß√£o. Assim, um livro seria como uma pessoa, que √© seu conte√ļdo, suas palavras e seus atos, sendo esse modo de circula√ß√£o do qual falamos. As palavras tem um conte√ļdo informativo, ou seja, as palavras fazem a realidade, ou se preferirmos, influencia nela. Seguindo esse racioc√≠nio, se um livro diz coisas racistas, estaria se convertendo em parte do sistema de domina√ß√£o (racial) e, por exemplo, se um livro √© vendido em uma livraria onde seus trabalhadores/as t√™m condi√ß√Ķes laborais miser√°veis, esse livro se impregnaria dessas circunst√Ęncias, pois parte de seu pre√ßo se converteria em mais-valia (em s√≠ntese: em benef√≠cio para o explorador).

Essa postura convive com outras, seguindo m√ļltiplos debates no cotidiano a partir de poss√≠veis matizes que surgem no desenvolvimento da atividade cultural, nesse caso, editorial. Esses debates se movem entra a atividade editorial militante (que representariam as ideias explicadas) e as editoriais como cooperativas autogestion√°rias ou projetos de auto-emprego, entre uma atividade ao mais puro estilo Do It Yourself, ou mais ou menos profissionalizada. Em uma ou outra posi√ß√£o, sempre com firme car√°ter assemble√°rio e autogestion√°rio, se constituem v√°rios projetos editoriais cujas diferen√ßas tamb√©m se relacionam com a prefer√™ncia por tratar de temas variados ou girar ao redor de determinados temas espec√≠ficos. Exemplo claro disso s√£o os editoriais como o Ochodosquatro, que se dedica a divulga√ß√£o de textos relacionados aos direitos dos animais, ou o El Salm√≥n, que edita trabalhos que analisam como a tecnologia se insere no sistema de domina√ß√£o. N√£o √© raro que existam editoriais que sejam ao mesmo tempo livrarias ou livrarias que tenham seu pr√≥prio projeto editorial. Em Madrid j√° √© veterana a livraria e editorial La Malatesta (e rec√©m-nascida como La Rosa Negra) e em Barcelona se pode encontrar, nesse sentido, a Aldarull (e com parecido esp√≠rito temos tamb√©m a El Lokal). Em Granada, a livraria Bakakai edita sob nomes diferentes, enquanto que nessa mesma cidade a Biblioteca Social Hermanos Quero, com o seu pr√≥prio nome, colabora com frequ√™ncia com outros projetos para publica r livros sobre antipsiquiatria ou contrapsicologia, urbanismo, etc.

J√° que nos metemos na infame tarefa de etiquetar editoras, h√° de se destacar que algumas tem especial interesse por textos mais cl√°ssicos, como a j√° mencionada La Malatesta, enquanto que outras se concentram principalmente na edi√ß√£o de ensaios mais contempor√Ęneos, como a editora V√≠rus, ou a Muturreko Burutazioak, ou tamb√©m, de forma exclusiva em textos atuais que analisam as √ļltimas d√©cadas do s√©culo XX at√© os dias de hoje, como a editora Klinamen. N√£o obstante, provavelmente sejam mais frequentes as editoras que utilizam em suas edi√ß√Ķes crit√©rios n√£o cronol√≥gicos, visto que se pode encontrar em seus cat√°logos textos de qualquer √©poca, como os das editoras Deskontrol, Diaclasa, Calumnia, El Grillo Libertario, El Imperdible ou Piedra Papel Libros, entre muitos outros exemplos poss√≠veis. A maioria das mencionadas (Diaclasa, El Imperdible e tamb√©m Madre Tierra ou Ediciones Marginales) dedicam-se exclusivamente (ou quase) ao g√™nero liter√°rio ensa√≠stico, se bem que existam outras que possuam em seus cat√°logos obras de outros g√™neros liter√°rios (como Piedra Papel Libros em poesia e a Volap√ľk em narrativa).

Simplificando de maneira um pouco insultante, podemos dizer que √© poss√≠vel a divis√£o do mundo editorial convencional entre as grandes empresas editoriais que funcionam como qualquer outra multinacional: √© a grande ind√ļstria cultural como o Grupo Penguin Random House (Plaza y Jan√©s, Debolsillo, Taurus, etc.) ou o Grupo Planeta (Espasa, Paid√≥s, Ariel, etc.), e aquelas outras, poucas e pequenas quando comparadas com as outras, que se aferram √† Cultura, com cat√°logos muito caprichados como Akal. Tamb√©m podemos falar de um terceiro grupo de editoras alternativas por seu tamanho, como a N√≥rdica Libros, Errata Naturae ou a Impedimenta.

As primeiras buscam essencialmente dinheiro, em que pese o que poderia aparentar a complexa pol√≠tica de diversifica√ß√£o entre cole√ß√Ķes de consumo massivo e outras de car√°ter acad√™mico ou de altos voos culturais; as outras amam, apreciam a alta cultura porque acreditam, de forma impl√≠cita, que um ‚Äúmundo mais culto‚ÄĚ √© um mundo melhor.

O mundo anarquista coincide com a desprez√≠vel grande ind√ļstria editorial em um aspecto. Frente as editoras que mimam seus cat√°logos com grandes pensadores ou pensadoras, e n√£o sentem a cultura, como frequentemente fazem os artistas, como um fim em si mesmo, os livros anarquistas, de outro lado, s√£o ferramentas para conscientizar, agitar e isso sup√Ķe que muitos livros anarquistas n√£o saem de um grupo de pessoas que se dedica com exclusividade √†s atividades editorais, mas que os fazem como atividade cultural secund√°ria ou pontual. Assim encontramos que a CNT tem uma funda√ß√£o (Funda√ß√£o Anselmo Lorenzo), dedicada a publicar livros sobre seus militantes e sua hist√≥ria, marginalizados pelos cronistas acad√™micos, ou que o j√° veterano Espa√ßo Anarquista Magdalena no madrilenho bairro de Lavapi√©s publicou pontualmente ou colaborou com a edi√ß√£o de diversos textos.

Por outra parte, o mundo editorial anarquista, ao entender o livro como uma ferramenta a servi√ßo da transforma√ß√£o social libert√°ria, aposta tradicionalmente por valorizar a mensagem por cima da forma. Por isso, n√£o √© raro que o formato seja extremamente simples, inclusive, √†s vezes, muito mais simpl√≥rio ante os estandartes comerciais. Para quem est√° acostumado ao mundo editorial convencional, pode ter uma impress√£o negativa, mas a realidade √© que o processo, que nesses tempos relacionamos com o DIY, significa uma desconstru√ß√£o da hierarquia do processo cultural editorial, ao abrir esse mundo para quase qualquer pessoa, ou grupo de pessoas que pretendam colocar no papel o que seja. Dessa maneira, existe uma d√©bil barreira entre aqueles que difundem e editam textos anarquistas e seus leitores/as, de forma que passar de um lado para outro √© tremendamente habitual, o que confere um car√°ter popular e horizontal ao mundo cultural libert√°rio como √© imposs√≠vel de se imaginar na ind√ļstria cultural capitalista.

Isso se observa principalmente no mundo do fanzine, que usualmente aparece nas ruas ou em espaços diversos através de distribuidoras (que é o nome que lhe dá o movimento anarquista ao projeto de uma ou várias pessoas que publicam e vendem, ou só vendem, ou trocam, textos libertários por sua conta e risco, ou como parte de um projeto mais amplo como pode ser, por exemplo, um centro social), que se contam em dezenas, quiçá centenas, construindo provavelmente a parte quantitativa mais importante do mundo editorial anarquista.

√Č evidente que o campo editorial libert√°rio serviu de inspira√ß√£o para pessoas que n√£o se identificam com o corpus geral de suas ideias ou pr√°ticas, mas que valorizam e integram muitos outros aspectos do mundo libert√°rio: sua voca√ß√£o anticapitalista, sua mensagem de ruptura, sua organiza√ß√£o autogestion√°ria, a pretens√£o de fazer coerentes os meios para alcan√ßar um objetivo como pr√≥prio objetivo, etc. isso faz com que existam editoriais cujos v√≠nculos com o movimento anarquista sejam dif√≠ceis de elucidar. Para al√©m disso, um mundo descentralizado e focado em um aqui e agora de projetos que vem e v√£o em sua pretens√£o de mudar o mundo, resulta inalcan√ß√°vel para nossas possibilidades, raz√£o pela qual muitos nomes, seguramente muito interessantes, merit√≥rios e comprometidos ca√≠ram no caminho.

Por outro lado, valha este escrito para uma aproximação com o intenso trabalho de difusão cultural como forma de crítica social que mantém os anarquistas, frequentemente contra o vento e as mares.

Por outra parte, os esquecimentos tem fácil solução: esta página* tem a opção de acrescentar comentários para que recordemos esses projetos. Uma maneira de dar a conhecer aquelas editoras que acabamos por esquecer ou que não podemos incluir por limitação de espaço.

La Neurosis o Las Barricadas Ed.

* Se refere a p√°gina do ‚ÄėSolidaridad Obrera‚Äô, publica√ß√£o que d√° foz a CNT-AIT Catalunya-Balears, onde este texto foi publicado originalmente em 22 de mar√ßo de 2017.

Fonte: http://www.laneurosis.net/el-panorama-actual-del-libro-anarquista-buceando-entre-editoriales/

Tradução > Liberto
Links e modifica√ß√Ķes por Vertov.

Publicado em Agência de Notícias Anarquistas

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Oito livros anarquistas fundamentais (de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez)

oito livros anarquistas fundamentais

Nos livros de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez pode-se compreender as bases do anarquismo, encontrar edi√ß√Ķes que quase desapareceram devido √† sua estigmatiza√ß√£o, e descobrir a faceta libert√°ria do pensador Noam Chomsky. Estes s√£o os textos fundamentais para um seguidor dessa corrente.

A ideia de um mundo sem governo, no qual todos os indivíduos possam considerarem-se livres de qualquer jugo, é, para muitos, utópica, ilusória, ou simplesmente uma piada. Para os/as anarquistas ou libertário(a)s, pelo contrário, acabar com o Estado, o capitalismo, e qualquer regulamentação opressora tem sido sua maior motivação há séculos.

O problema √© que o termo anarquia ‚ÄĒ que por sua etimologia grega significa “aus√™ncia de governo” ‚ÄĒ est√°, muitas das vezes, associado √† viol√™ncia ou a tumultos. No M√©xico, por exemplo, v√°rios jornais fazem uso do termo unicamente para referirem-se a atos violentos que s√£o cometidos por algumas pessoas que guiam suas vidas segundo tais ideais. No Chile, o jornalista italiano Lorenzo Spairani foi deportado, em 2017, por gravar v√≠deos de uma marcha sindical, tendo sido acusado de fazer parte da cena anarcoliberal. Isso p√Ķe em d√ļvida a plena democracia do Chile, disse Spairani ao jornal costarriquenho El Pa√≠s.

Na Col√īmbia, h√° personalidades que, longe de promover a viol√™ncia, assumiram o anarquismo a partir das letras e das artes c√™nicas. Uma dessas pessoas √© Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez, escritor, bonequeiro, pensador, e tamb√©m fundador, h√° 44 anos em Bogot√°, do teatro La Lib√©lula Dorada, no qual injeta o “veneno” libert√°rio atrav√©s de obras de sua autoria como El Dulce Encanto de la isla Acracia. Ele tamb√©m colaborou no suplemento Magaz√≠n Dominical do jornal El Espectador com v√°rios artigos dedicados ao anarquismo, e em 1992 fundou o jornal Bi√≥filos, assim batizado em homenagem ao ativista e anarquista colombiano Bi√≥filo Panclasta, do qual produziu quatro edi√ß√Ķes. Sua biblioteca, que ocupa quase tr√™s c√īmodos de sua casa, √© uma vasta cole√ß√£o de filosofia, contos infantis, pe√ßas teatrais, cancioneiros, poemas, e h√° um local especial para estes oito livros, recomendados por Iv√°n Dar√≠o, que s√£o fundamentais para qualquer interessado(a) em conhecer as bases e os ideais anarquistas.

Diccionario anarquista de emergencia – Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

livros Diccionario anarquista de emergencia - Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

Parecer√° um pouco narcisista come√ßar com este livro que escrevi junto com o poeta Juan Manuel Roca, mas este texto √© como uma introdu√ß√£o ao anarquismo. Este livro est√° dividido em duas partes: na primeira, tomamos os termos de A a Z pr√≥ximos √† anarquia e os definimos do ponto de vista libert√°rio, atrav√©s de cita√ß√Ķes de fil√≥sofos, anarquistas, ou pessoas com ideais semelhantes ao anarquismo; na segunda parte, inclu√≠mos umas mini-biografias de personalidades que muita gente ignora que estavam pr√≥ximas dessa corrente, tal como Albert Camus, Arthur Rimbaud, Oscar Wilde e Leon Tolst√≥i.

Anarquía y orden РHerbert Read

livros Anarquía y orden - Herbert Read

Esta √© uma joia porque, devido √† sua estigmatiza√ß√£o, encontrar edi√ß√Ķes desta obra √© como procurar uma agulha no palheiro. Neste livro, Read re√ļne seis ensaios, nos quais h√° desde poesia at√© filosofia, e os relaciona ao anarquismo. Isto tamb√©m √© uma raridade em seu trabalho, porque esse ingl√™s √© mais conhecido por suas publica√ß√Ķes sobre est√©tica. A editora argentina que publicou esta obra, Am√©ricalee, √© muito importante, pois se encarregou de resgatar cl√°ssicos do anarquismo de meados do s√©culo XX.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Razones para la anarquía РNoam Chomsky

livros Razones para la anarquía - Noam Chomsky

Chomsky também é muito conhecido por seus trabalhos linguísticos e críticos, mas pouco por sua faceta libertária. Neste livro, onde também há entrevistas, ele faz um estudo sobre a prática das ideias anarquistas na Guerra Civil Espanhola, que levaram a impedir que os franquistas tomassem Barcelona. Os libertários também assumiram o controle das fábricas, eliminaram o dinheiro, e colocaram os campos nas mãos dos camponeses, sob autogestão. O autor vê nisto um modelo inspirador para uma nova sociedade, onde seja possível haver uma democracia construída de baixo para cima, e não ao contrário.

‚ėě Dispon√≠vel em The Anarchist Library.

El corto verano de la anarquía: vida y muerte de DurrutiHans Magnus Enzensberger

livros El corto verano de la anarquía: vida y muerte de Durruti - Hans Magnus Enzensberger

Durante a Guerra Civil e a gesta√ß√£o do movimento oper√°rio espanhol, surgiram grandes figuras, entre elas o metal√ļrgico Buenaventura Durruti. Ele teve uma vida extraordin√°ria: esteve preso, em seguida fugiu da Espanha e andou pelo M√©xico, Cuba e Argentina roubando, n√£o para ficar rico, mas para financiar suas lutas sociais e a funda√ß√£o de escolas anarquistas. Ele tamb√©m criou a Coluna de Ferro, que eram as mil√≠cias anarquistas que enfrentavam Franco. Enzensberger tece muito bem esse relato, e o conta como um romance, com testemunhos de simpatizantes, inimigos, e por meio de fragmentos de livros e entrevistas.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable – Christian Ferrer

livros Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable - Christian Ferrer

Nos quatro ensaios que comp√Ķem este livro, Ferrer pesquisa o estilo de vida dos libert√°rios, seu idealismo e f√© nas ideias, e os p√Ķe como um modelo do qu√™ o anarquista ideal pode ser. Tamb√©m se encarrega de desmistificar o imagin√°rio que a burguesia imp√īs √† sociedade a respeito do que √© um seguidor da anarquia: algu√©m estigmatizado, satanizado por sua rebeldia, um ser perigoso e incendi√°rio que sempre anda com uma bomba oculta. O autor d√° a essa obra um estilo pessoal que o torna muito po√©tico e agrad√°vel de ler.

El crep√ļsculo de las maquinas – John Zerzan

livros El crep√ļsculo de las maquinas - John Zerzan

Este trabalho √© muito pol√™mico porque Zerzan √© contr√°rio ao progresso da civiliza√ß√£o que, para ele, est√° nos levando a um beco sem sa√≠da. Ele argumenta que, com o surgimento da agricultura, come√ßou a divis√£o do trabalho e um ideal de ambi√ß√£o e de conquista que serviram de base para o escravismo. O autor prop√Ķe voltar a uma sociedade primitiva, onde haja uma rela√ß√£o mais estreita entre os seres humanos e a natureza, e onde as cidades n√£o existam; para ele, elas s√£o monstros em crescimento que degradaram o ser humano at√© o ponto de convert√™-lo em algu√©m anti-social.

Anarchy Alive!Uri Gordon

livro "anarquia viva!" Uri Gordon

O ativismo e sua participação em redes contra o Banco Mundial, o G8 e todos esses movimentos capitalistas e de globalização, levaram a esse graduado em Oxford a fazer este livro, que é sua tese de graduação. O particular é que ele não o fez sentado à uma mesa, mas sim embasado nas suas experiências em protestos. Gordon explica que, ainda que o anarquismo tenha sido ofuscado por movimentos como o marxismo, nunca desapareceu; depois do Maio de 68, houve uma nova irrupção e atualmente existem anarquistas que não se autodenominam assim, devido à estigmatização da palavra, e sim como autonomistas, assembleístas, etc.

‚ėě Dispon√≠vel na Biblioteca Anarquista Lus√≥fona.

Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes РRichard Porton

livro Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes

O cinema sempre esteve presente nas lutas sociais, e mostrou o anarquista de diferentes maneiras. Porton explica isso da perspectiva daqueles que seguem esses ideais, assim como daqueles que n√£o seguem. Aqui falamos sobre, por exemplo, Sacco e Vanzetti (1971), filme que conta o caso de dois imigrantes italianos que chegaram nos Estados Unidos em busca de um futuro melhor e que, ao ver as formas brutais de explora√ß√£o daquele pa√≠s, ingressam no movimento oper√°rio norte-americano para lutar a partir do anarquismo. Logo s√£o acusados ‚Äč‚Äčde um crime que n√£o cometeram e s√£o condenados √† cadeira el√©trica.


Fonte: Andr√©s J. L√≥pez. Artigo ¬ŅQu√© hay en la biblioteca de un anarquista? originalmente publicado na revista Cartel Urbano, de Bogot√° (Col√īmbia), em 22 de fevereiro de 2017. Vers√£o em portugu√™s por Anders Bateva.

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Editoras anarquistas que mant√™m vivo o esp√≠rito libert√°rio na Col√īmbia

“Voc√™ tem todo o direito de copiar este livro total ou parcialmente, imprimir e distribuir por qualquer meio. Esse conte√ļdo n√£o √© protegido por nenhum monop√≥lio cultural ou direito comercial; ao curso da hist√≥ria os livros s√£o e ser√£o gratuitos. Ningu√©m vai te culpar ou prender por distribuir ou realizar c√≥pias; pelo contr√°rio, ficaremos muito agradecidos se voc√™ fizer isso. O conhecimento se distribui livremente.”

Ao abrir um livro, raramente √© poss√≠vel se deparar com essa afirma√ß√£o, n√£o restritiva ‚Äď como regra geral ‚Äď, mas permissiva. Essa tem sido a premissa sob a qual acad√™micos, poetas, estudantes e militantes anarquistas publicam, de forma independente, distribuem os textos pr√≥prios e outros. Essas editoras fazem isso criando outros formatos, que visam uma produ√ß√£o com mais tiragem, diferente dos panfletos e fanzines publicados h√° mais de 20 anos em universidades e outros espa√ßos libert√°rios.

Alguns livreiros identificam a origem dessas editoras anarquistas na Feira do Livro Independente e Autogerenciada (FLIA, que come√ßou em Buenos Aires, Argentina) que, a partir de 2010, mudou-se para Bogot√°. Desde a primeira edi√ß√£o, os visitantes do evento liter√°rio come√ßaram a se familiarizar com uma produ√ß√£o diferente, clandestina e artesanal, que incentiva a produ√ß√£o dom√©stica dos livros. Uma dessas pessoas foi Fabi√°n Serrano, membro da editora Imprenta Comunera, da cidade Bucaramanga. “O bom de ter uma editora independente √© que escapamos da imposi√ß√£o de autores renomados e personalidades para focamos apenas nos personagens que consideramos importantes“, diz Fabi√°n, que juntamente com outros dois colegas, lan√ßou oito publica√ß√Ķes em apenas cinco meses.

Eles, como seus colegas de outras editoras, n√£o est√£o preocupados em ter lucro, mas em espalhar seus pensamentos e ideias para o maior p√ļblico poss√≠vel. √Č por isso que o tempo todo eles resgatam conte√ļdos de anarquistas conhecidos, mas que n√£o s√£o publicados em grandes editoras ou editoras comerciais, como √© o caso da obra de Emma Goldman, Piotr Kropotkin, Errico Malatesta, Uri Gordon, Henry David Thoreau e de personalidades com um lado libert√°rio pouco conhecido, como Oscar Wilde ou Noam Chomsky. Para essas reedi√ß√Ķes, √© mais complicado conseguir o texto para public√°-lo, por haver poucas c√≥pias existentes; geralmente, os autores dessa corrente independente divulgam seus trabalhos sem restri√ß√Ķes. “Sentimos que, quando criamos algo, isso n√£o nos pertence mais, de modo que as pessoas assumem e se reconhecem neles, e isso √© maravilhoso“, explica Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez, escritor, pensador anarquista e bonequeiro, fundador do teatro La lib√©lula Dorada.

Pie de Monte √© uma das editoras que faz esses resgates, mas que tamb√©m quer apostar em novos escritores. Atualmente, a editora trabalha com textos de amigos e conhecidos, mas seu objetivo √© que, mais tarde, mais pessoas sejam encorajadas a publicar seus trabalhos autorais. “Fizemos isso porque a ideia √© que as pessoas saiam da din√Ęmica do mercado editorial e dos blogs e que resgatem a tarefa do livreiro e das livrarias. Isso sim, a √ļnica coisa que n√£o tem discuss√£o √© que quem publica conosco deve deixar livres os direitos da obra“, comenta Santiago Lopez, membro da editora.

A conjuntura √© outro fator importante nas reedi√ß√Ķes ou escritos originais: muitos textos s√£o publicados em um determinado momento para demonstrar que as ideias anarquistas de v√°rias d√©cadas atr√°s ainda s√£o v√°lidas. Foi o caso da √ļltima publica√ß√£o da El Rey Desnudo, a editora de Iv√°n Dar√≠o e do poeta Juan Manuel Roca, USA naci√≥n de lun√°ticos, uma compila√ß√£o de fragmentos de um ensaio que o escritor Henry Miller fez ap√≥s o fracasso americano no Vietn√£, um texto que foi lan√ßado como uma cr√≠tica ao atual mandato de Donald Trump.

Embora os livros sejam o formato preferido para editoras anarquistas, brochuras, diários e jornais não são renegados. El Aguijón, uma editora criada dentro da Universidade Nacional de Medellín, em 2006, lançou uma seleção de contos e está preparando um novo volume. Porém, ocasionalmente eles tiram o jornal El Aguijón РKlavando la duda, para o qual recebem apoios financeiros que permitem dar continuidade em outros projetos. Você pode baixar os exemplares gratuitamente na página da editora.

O dinheiro investido √© recuperado na maior parte das vezes, mas para reduzir custos ou acelerar o processo √© comum alguns editores unirem for√ßas. Rojinegro e Gato Negro reuniram textos como Estrat√©gia e t√°tica na pr√°tica anarquista, de Errico Malatesta, e Anarquismo e poder popular: teoria e pr√°tica sul-americanas, uma compila√ß√£o de teorias e opini√Ķes sobre anarquismo e poder popular. O n√ļmero de c√≥pias varia e, assim como alguns t√≠tulos chegam a 300 c√≥pias, outros saem com apenas 30 exemplares.

Devido ao desconhecimento sobre os autores ou preconceitos que existem em rela√ß√£o ao anarquismo, poucos s√£o os lugares onde √© poss√≠vel encontrar essas publica√ß√Ķes em suas prateleiras. Em Bogot√°, os mais comuns s√£o La Valija de Fuego, Rojinegro, La Lib√©lula Dorada, Luvina, El Dinosaurio, √Ārbol de Tinta e La Mandriguera del Conejo. Oscar Vargas, um dos fundadores da Gato Negro, diz que tentaram alcan√ßar outros espa√ßos, mas que n√£o deu muito certo. “Isso foi dif√≠cil, porque em v√°rias livrarias eles querem cobrar entre 30% e 40% do pre√ßo de capa, e buscam ter lucro por algo que n√≥s n√£o compartilhamos na mesma l√≥gica. Somente alguns foram capazes de entender a proposta‚ÄĚ, explica √ďscar.

As publica√ß√Ķes de Gato Negro. Foto cedida por Oscar Vargas.

Mas nem a clandestinidade, nem o baixo or√ßamento, foram impedimentos para alcan√ßar outras partes do mundo. Por meio de conhecidos ou trocas por quilos, os editores colombianos levaram textos para Argentina, Chile, Equador, M√©xico, Peru, Uruguai, Brasil e Espanha. Os livros recebidos do exterior s√£o vendidos para recuperar o dinheiro investido ou, como no caso da Rojinegro, s√£o utilizados no Centro de Documenta√ß√£o √Ācrata, uma espa√ßo que fica nas suas instala√ß√Ķes e que qualquer pessoa pode consultar o acervo ou fazer c√≥pias.

Os pre√ßos baixos s√£o a chave para alcan√ßar mais pessoas: a maioria dos livros √© vendida entre sete mil e quinze mil pesos, aproximadamente. (Nota do tradutor: O que equivale a um valor entre 10 e 20 reais) ‚ÄúVimos que em feiras e eventos independentes, os metaleiros ou punks sacrificam parte da grana da birita porque est√£o interessados no que fazemos. √Č uma mentira que na Col√īmbia as pessoas n√£o gostam de ler; elas n√£o leem porque os livros aqui s√£o muito caros‚ÄĚ, explica Fabi√°n.

Foto cedida por Oscar Vargas.

As editoras libert√°rias da Col√īmbia precisam ser mais divulgadas, mas seus editores est√£o satisfeitos com a situa√ß√£o atual e com o fato de que cada vez mais pessoas querem escapar da realidade do mercado e s√£o incentivadas a publicar ou piratear o trabalho de autores que incomodam a outras editoras, ou mesmo ao estado. Essa aceita√ß√£o vem aumentando e recentemente, por exemplo, uma tradu√ß√£o do livro de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca, Dicion√°rio anarquista de emerg√™ncia, come√ßou a ser distribu√≠do na Fran√ßa.

Para Roca, esse √© um sinal da inconformidade latente que persiste na humanidade. “Anarquismo √© como Dr√°cula, que em todos os filmes eles o matam, mas em cada final ele acorda e est√° mais vivo do que os vivos. H√° quantos anos eles decretam a sua morte e vemos que diversos movimentos de jovens e aqueles que n√£o fazem parte de um partido se mobilizam de maneira t√£o vigorosa e sem limita√ß√Ķes‚ÄĚ, diz ele.


Por Andrés J. López, publicado em Cartel Urbano no dia 10 de Março de 2017.
Versão para o português por Baderna James.

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Numerologia de Junho de 2020 💐💣

Est√° complicado olhar os n√ļmeros do Brasil e da pandemia de Covid-19. S√£o mais de 60.000 pessoas que morreram devido ao v√≠rus. Em diversas cidades do interior os n√ļmeros aumentaram assustadoramente e, infelizmente, em todas as not√≠cias est√£o presentes a desinforma√ß√£o, o descaso e a omiss√£o. Somente a imediata ren√ļncia ou impeachment do presidente n√£o s√£o a solu√ß√£o, mas seria um bom come√ßo.

Em Junho de 2020 aconteceram muitas coisas: chegada de novos t√≠tulos, colabora√ß√Ķes, equipamentos. Estamos buscando formas de lidar com a pandemia e enfrentar a ansiedade, os medos e alguma frustra√ß√£o por n√£o conseguir fazer tudo aquilo gostar√≠amos. Mas a pergunta √©: quem est√° conseguindo lidar numa boa com tudo isso que est√° acontecendo? Todo dia tem uma nuvem de gafanhotos, um ciclone bomba, cobras voadoras, uma sala de espera virtual, entre outras pragas. Realmente n√£o est√° sendo f√°cil! 🎶🕶 ️

Neste m√™s que passou, a Editora Monstro dos Mares completou 8 anos de atividade. Por algum tempo, tivemos cerca de um ou dois lan√ßamentos por ano. Desde a chegada de nossa Editora Geral abobrinha, em 2017, nosso bonde editorial vem se transformando profundamente. Monas, minas e manos se somaram e hoje s√£o 10 pessoas que fazem a sele√ß√£o de materiais, tradu√ß√Ķes, revis√Ķes e outras atividades. No grupo do telegram da editora √© poss√≠vel acompanhar algumas dessas tarefas acontecendo, entre outras conversas bem animadas.

Na 2¬™ edi√ß√£o do “Ch√° da tarde”, abobrinha tirou d√ļvidas das pessoas que nos acompanham no Instagram sobre as quest√Ķes do cotidiano da editora, pr√≥ximos lan√ßamentos e tamb√©m deu uma s√©rie de dicas sobre “como montar uma editora”, que deu origem a um excelente artigo que recomendamos a todas as pessoas que desejam criar a pr√≥pria publicadora de livros e zines em casa.


Espertirina Martins

Na Sexta-feira, dia 5, nossa nova impressora chegou. √Č uma Epson WorkForce Pro WF-C5710, que recebeu o nome de “ESPERTIRINA”, em mem√≥ria e celebra√ß√£o da luta da jovem Espertirina Martins, que com suas m√£os fez hist√≥ria ao enfrentar o inimigo. Inclusive o mestre GOG e o Ateneu Libert√°rio “A Batalha da V√°rzea” de Porto Alegre tamb√©m fazem homenagem √† militante anarquista do in√≠cio do s√©culo XX. A impressora √© muito valente e nesse primeiro m√™s j√° demonstrou suas qualidades realizando mais de 20.000 impress√Ķes sem mostrar qualquer dificuldade ou problemas. E esperamos que continue assim por um bom tempo!


Numerologia de Junho de 2020

  • Impress√Ķes de Junho de 2020: 20.750
  • Livros impressos: 305
  • Livros distribui√ß√£o gratuita: 33
  • Zines impressos: 394
  • Zines distribui√ß√£o gratuita: 123

Numerologia: Hotsite com informa√ß√Ķes sobre nossos n√ļmeros mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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Ch√° da tarde com abobrinha (2¬™ edi√ß√£o) 🍵

Esta semana faremos nossa segunda live! Você pode ler aqui os motivos que nos levaram a entrar nesse mundo dos vídeos ao vivo, e também saber como foi a experiência para nós. Em resumo, foi tão legal que já estamos preparando a próxima. Nossas lives estão sendo transmitidas pelo perfil da Editora no Instagram (@monstrodosmares).

Assim como para o primeiro, que você pode assistir no IGTV, colocamos uma caixa de perguntas no Stories uma vez por semana e coletamos as perguntas enviadas. Desta vez, criamos um destaque para o Chá da Tarde, para que as seguidoras pudessem rever as perguntas no decorrer do mês.

Seguem abaixo as perguntas enviadas para o segundo Chá da Tarde, que será dia 18/06 (quinta-feira) às 15h.

  • Voc√™s publicam livros, TCCs, etc? / Analisam originais?
  • Quantas impressoras voc√™s t√™m?
  • Tem frete gr√°tis?
  • Por que voc√™s n√£o fazem sorteios?
  • O que voc√™s indicam para quem quer aprender a editar?
  • Voc√™s n√£o tem preocupa√ß√£o em mostrar o rosto em fotos e v√≠deos?
  • Por onde come√ßar a ler?
  • O que acham da ‚Äúbanaliza√ß√£o‚ÄĚ do termo antifascista?
  • Quais os fundos necess√°rios para montar uma editora?

A live deste m√™s contar√° com a presen√ßa super especial de nosso editor Baderna James. Pode ser que desta vez os gatinhos resolvam aparecer! 😉

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Maio de 2020: chegamos a 400.000 impress√Ķes de livros e zines 🎏

O ventos sopram e por vezes fazem tudo mudar de dire√ß√£o. Os protestos do final de Maio mostram isso ao mundo. Tudo o que sabemos sobre as formas de atua√ß√£o durante a pandemia podem se transformar repentinamente, e Junho pode reservar muitas surpresas. √Č lament√°vel e assustador que as not√≠cias tragam tantas incertezas e amea√ßas √† sa√ļde e √† vida das pessoas: o v√≠rus, a pol√≠cia, a omiss√£o do Estado. Esperamos ventos que soprem com mais for√ßa, para que o medo possa mudar de lado.

Em Maio parece que aconteceu tudo ao mesmo tempo. Entramos na era das lives, com a participa√ß√£o no evento “Filosofia e Eco-Anarquia em Tempos de Pandemia“, atendendo ao convite das amizades da Casa de Vidro. Tamb√©m demos in√≠cio ao “Ch√° da Tarde“, com nossa editora geral abobrinha. Ainda em Maio encerramos a campanha de financiamento coletivo do livro “O √≠ndio no cinema brasileiro e espelho recente”, de nosso amigo e companheiro de luta Juliano Gon√ßalves da Silva. Fizemos toda a impress√£o, montagem, finaliza√ß√£o e envio dos livros em tempo recorde (voc√™ pode acompanhar o processo em nosso Instagram @monstrodosmares) e inclu√≠mos em nosso cat√°logo o livro “Sem lamenta√ß√Ķes: filosofia, anarquismo e outros ensaios“, que seria lan√ßado logo ap√≥s o carnaval e, por motivos que voc√™ pode imaginar, optamos por lan√ßar sem realizar nenhum evento.


400.000 impress√Ķes

Em Agosto de 2017 come√ßamos a manter um breve hist√≥rico de nosso volume de impress√Ķes. Passamos a registrar a quantidade de livros e zines produzidos e distribu√≠dos gratuitamente. Recentemente come√ßamos a registrar tamb√©m a gera√ß√£o e consumo de energia solar produzida pela placa fotovoltaica que instalamos na janela no ano passado. Em Maio de 2020 chegamos a 400.000 impress√Ķes! Sabemos que esse n√ļmero representa muita luta, muita atividade e muita solidariedade de monas, minas e manos que acreditam e confiam em nosso projeto editorial. Tamb√©m estamos de cientes que compartilhar nossos processos e conquistas √© fundamental para o registro de nossa trajet√≥ria como coletivo e para incentivar o surgimento de outros projetos para fazer as ideias circularem. Com isso, agradecemos o carinho de todas as pessoas que nos apoiam e fazem a Monstro dos Mares continuar. Valeu!


Numerologia de Maio de 2020

  • Impress√Ķes de Maio de 2020: 19.872
  • Livros impressos: 168
  • Livros distribui√ß√£o gratuita: 74
  • Zines impressos: 195
  • Zines distribui√ß√£o gratuita: 63
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 2.2Kw
  • Total de Kw gerados e consumidos com energia solar em 2020: 8.2Kw
  • Total de impress√Ķes desde Janeiro de 2020: 71.889
  • Total de impress√Ķes desde Agosto de 2017: 409.323

Numerologia: Hotsite com informa√ß√Ķes sobre nossos n√ļmeros mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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Rede de apoio: Maio de 2020

Precisamos agradecer as amizades que ajudam a manter nosso projeto editorial em atividade. Sabemos que o momento pede cautela, precau√ß√£o e responsabilidade. A pandemia trouxe ao mundo diversas transforma√ß√Ķes no cotidiano e enfatizou as diferen√ßas sociais que o grande capital imp√Ķe a toda a humanidade. Nenhuma pessoa est√° isenta de sua responsabilidade durante a pandemia. Portanto, pedimos que voc√™ mantenha a aten√ß√£o e a solidariedade. √Č preciso cuidar de si, tomando as medidas de preven√ß√£o de contamina√ß√£o e dissemina√ß√£o do v√≠rus, cuidar de quem est√° pr√≥ximo e das pessoas que tamb√©m sofrem os impactos dessa crise, independentemente da forma.

Neste m√™s de Maio recebemos o carinho de muitas amizades e estamos muito felizes com isso. Por isso, agradecemos a todas as pessoas que curtem nossas publica√ß√Ķes, acompanham nossas redes sociais, enviam mensagens privadas, e-mails, cartas, recomendam nossos materiais para as amizades e, sem d√ļvida, √†s pessoas que al√©m de tudo isso ainda podem fazer um pouquinho mais fortalecendo nosso bonde com uma moeda em nossa Rede Apoio no Catarse ou no PicPay. Super obrigado! Seguiremos!

Nossos agradecimentos no mês de Maio de 2020

  • Mayumi Horibe
  • Hugo Leonardo dos Santos Tavares
  • Daniela de Souza Pritsch
  • Camila Silva
  • Vin√≠cius Vieira Dias dos Santos
  • Rodolfo Maia
  • Lupi
  • Leonardo Feltrin Foletto
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos
  • R.
  • Lorenzo Basso Benevenutti
  • Fernando Silva e Silva
  • Willian Aust
  • Jos√© Vand√©rio Cirqueira
  • Mauricio Marin Eidelman
  • Anna Karina
  • Vict√≥ria Abreu Zanuzzo
  • Z√©
  • Karine Tressler
  • Andrei Cerentini
  • Apoios e contribui√ß√Ķes an√īnimas

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Agradecimentos: financiamento coletivo “O √≠ndio no cinema brasileiro e o espelho recente”

Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos

O apoio m√ļtuo persiste e √© o que nos permite continuar existindo de forma criativa. Essa reciprocidade possibilitou que a edi√ß√£o deste livro se concretizasse, mesmo em momento t√£o conturbado. Pr√≥ximo ao centen√°rio da morte de um dos grandes pensadores desse tema, trago √† tona um trecho de sua obra intitulada “A Inevit√°vel Anarquia”,

‚ÄúA imprensa n√£o tem outro tema: suas colunas est√£o repletas de relat√≥rios sobre os debates parlamentares, contados em seus mais √≠nfimos detalhes, bem como os fatos e os gestos dos personagens pol√≠ticos, de tal sorte que, lendo os jornais, n√≥s tamb√©m, esquecemos demasiado ami√ļde que h√° milh√Ķes de homens ‚ÄĒ toda a humanidade ‚ÄĒ que vivem e morrem na alegria ou no sofrimento, produzem e consomem, pensam e criam fora dessas poucas personalidades cuja import√Ęncia foi exagerada a tal ponto que ela cobre o mundo com sua sombra.‚ÄĚ

ANARQUIA (Piotr Kropotkin, Ed. Imagin√°rio, no prelo)

Por tudo isso, agradeço profundamente aos que compreendem essas palavras: foi e sempre será nós por nós!

Fico muito agradecido a todos os apoios que tornaram a produção do livro possível! Acredito ser este um momento importante para compartilhar o contexto original deste projeto, que surgiu em meio a uma necessidade pessoal de questionar o imaginário ocidental, esse mundo tragado pelo abismo, a partir da leitura da maneira como os personagens indígenas vêm sendo retratados no cinema brasileiro. Devo dizer que a trajetória de realização desse escrito foi dura e cheia de derrotas, boicotada e ridicularizada por muitos que achavam que ela não teria espaço na academia e no mundo universitário. Essas pessoas tinham e continuam tendo a sua razão ocidentalizada, baseada em seus preconceitos humanistas. Mas continuamos caminhando.

Nessa caminhada, cada vez mais encontramos aliados e fazemos pontes, n√£o sem rupturas e conflitos. Tais conflitos s√£o inerentes ao tema, e se alinham √†s posi√ß√Ķes contr√°rias a sua exist√™ncia, que julgam-no como algo atrasado, n√£o-civilizado, pouco pass√≠vel de an√°lise. Insistente e radicalmente ‚Äúselvagens‚ÄĚ seguimos, antes de nos percebermos e nos tornarmos ‚Äúcivilizados‚ÄĚ. Emanando energias ax√©s, muitas se somaram e somar√£o nessa caminhada. Por elas e muitos outros que vir√£o, agrade√ßo!

Quero fazer uma homenagem especial ao amigo Sergio Luiz Mesquita, professor de Hist√≥ria da rede estadual e morador de Duque de Caxias. Profundo conhecedor e praticante da m√°xima libert√°ria do Apoio M√ļtuo, o amigo me apoiou e abrigou em sua casa no Rio. A partir dessa proximidade, cada vez mais se interessou pelo o tema da terr√≠vel e tr√°gica hist√≥ria de contato e exterm√≠nio que os parentes sofreram aqui. Desenvolveu, ent√£o, seu estudo Doutoral sobre a imigra√ß√£o e as vis√Ķes que se tinham do imigrante ideal para o pa√≠s, relacionando-as ao suposto atraso que pensavam ser o √≠ndio para o Brasil. Juntou-se √† batalha e realizou estudos in√©ditos e pertinentes sobre a tem√°tica, revendo a constru√ß√£o e pol√≠tica de embranquecimento da na√ß√£o na constru√ß√£o da hist√≥ria a contrapelo, ainda que sua valiosa contribui√ß√£o tenha sido tragicamente interrompida ao ter sua vida ceifada na semana passada pela Covid-19.

Reafirmando a Resist√™ncia, criando e indo adiante, como dizia o zapatista Subcomandante Marcos, a terceira guerra mundial ser√° semi√≥tica. Esta obra recoloca a imagem dos povos amer√≠ndios no Bra$il na batalha das Barricadas do desejo! Por mais que os queiram enterrar, viraram sementes, assim sobrevivendo em um imagin√°rio p√≥s-pand√™mico. Retomando um outro gigante, que deve ser sempre citado, o Txai Ailton Krenak em uma entrevista j√° cl√°ssica diz que ‚Äúos povos ind√≠genas j√° sobrevivem h√° mais de quinhentos anos, quero ver √© como sobreviver√£o os brancos‚Ķ‚ÄĚ

Viva e deixe viver, vida longa aos povos da Floresta! Temos muito a aprender com o seu bem viver…

Juliano Gonçalves da Silva
Autor do livro O índio no cinema brasileiro e o espelho recente

Agradecimentos

Alai Garcia Diniz
Alessandra Schmitt
Almir José Pilon
Ariel Machado
Bernadete Scolaro
Caio Maximino
Cassius Marcelus Cruz
Celso Moreira Louzada Filho
Cl√°udia Mariza Mattos Brand√£o
Cristina Pacheco
Daniel Swoboda Murialdo
Danillo Bragança
Diego José Ribeiro
Doris Beatriz Neumann Wolff
Eduardo Sobral de Souza
Elizabeth de Siervi
Fernando Matos Rodrigues
Glaucos Luis Flores Monteiro
Guilherme Festinalli
Ian Fernandez
Iracema S de Souza
Jo√£o Neto
Jorge Luiz Miguel
Jose Paulo da Rocha Brito
Juliano Gomes
Juliano Jos√© de Ara√ļjo
Karina Segantini
Kinoruss Edi√ß√Ķes e Cultura
Lisandra Barbosa Macedo Pinheiro
Lucas Alves
Luciana Siebert
Luciani Moreira Brignol
Luiz Alberto Barreto Leite Sanz
Maclau Gorges
Magaly Rosa Moreira
Marcelle de Saboya Ravanelli
Marcelo Castequini Martins Ferreira
Marcelo Ribeiro
Maria Bet√Ęnia Silveira
Nando Korin
Nele Azevedo
Norberto de Jesus Prochnov
Nycolas dos Santos Albuquerque
Paulo Oliveira
Paulo Vitor Carr√£o
Ranulpho
Raphael Sanz
Rodrigo de Almeida Ferreira
Rodrigo Ribeiro Paziani
Rosy Dayane do Nascimento Costa
Sabrina Alvernaz Silva Cabral
Thaís Amorim Aragão
Vinicius Nepomuceno
Wilson Lira Cardoso
Zé
Apoios e contribui√ß√Ķes an√īnimas
Agradecimentos para apoiadoras e apoiadores que tornaram poss√≠vel a realiza√ß√£o do livro “O √≠ndio no cinema brasileiro e o espelho recente” de Juliano Gon√ßalves da Silva, realizada no Catarse, durante os dias 02 de Mar√ßo e 11 de Maio de 2020.