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Treta do frete (envio de livros) 📩

a treta do frete

Treta do frete: porque o rastreamento demora para atualizar?

Os grandes sites de e-commerce habituaram as pessoas a acreditar que s√≥ existem duas modalidades de envios nos Correios: PAC e Sedex. Mas n√£o √© bem assim: essa √© a treta do frete. Quem recebe e envia livros provavelmente j√° se deparou com esses c√≥digos de rastreamento que come√ßam com as letras JN ou RE, que demoram para atualizar. Mas √© assim mesmo que funciona o IMPRESSO na modalidade de REGISTRO M√ďDICO. Esse √© um servi√ßo de envio de materiais impressos para editoras, livrarias, sindicatos, cooperativas, associa√ß√Ķes e pessoas f√≠sicas que precisam de uma modalidade econ√īmica de envio pelos Correios.

No v√≠deo Treta do Frete, dispon√≠vel abaixo, Baderna James apresenta a modalidade de envios utilizada pela Monstro dos Mares, o IMPRESSO. Como funciona? Quais as diferen√ßas entre o Impresso e outras modalidades de entregas? Quem pode utilizar e porque demora tanto para atualizar no Sistema de Rastreamento de Objetos (SRO)? Como a pandemia de coronavirus est√° afetando o dia a dia de atendentes, carteiras e carteiros, operadores de triagem e transbordo (OTT’s) e os prazos de entregas? Antes de falar sobre o pre√ßo do frete, James aproveita para contar uma hist√≥ria envolvendo a sua av√≥, um carteiro e um banco de concreto. O editor tamb√©m d√° dicas importantes sobre como cuidar da sua caixa de correspond√™ncia e como s√£o entregues os pacotes de impressos na sua casa.

Muito se fala sobre uma improv√°vel privatiza√ß√£o dos Correios, mas s√≥ quem n√£o conhece o cotidiano do milagre log√≠stico operado pela EBCT em todos os munic√≠pios brasileiros para dizer uma coisa dessas. Quem compraria os Correios, se j√° existem servi√ßos de entrega de encomendas privados de grandes e pequenas transportadoras? Como um pacote de livros pode atravessar o pa√≠s por apenas 20 reais? √Č l√≥gico que o servi√ßo prestado pela empresa sempre pode melhorar, e poderia at√© mesmo ser mais barato. Mas ser√° que as tarefas de trabalhadoras e trabalhadores que est√£o em afastamento por motivo de sa√ļde est√£o sendo compensadas ou est√£o ficando acumuladas? Ser√° que ser√£o realizados novos concursos ou contrata√ß√Ķes? E a fun√ß√£o de pessoas que est√£o merecidamente buscando aposentadoria, ou que j√° se aposentaram, recebem reposi√ß√£o ou tem algu√©m deixando de contratar para ver a empresa quebrar?

Os Correios j√° foram uma das mais prestigiadas e confi√°veis empresas do pa√≠s e seus servi√ßos costumavam ser reconhecidos por todos. O desmonte dos Correios √© fruto de muitas gera√ß√Ķes de maus gestores, ladr√Ķes que roubaram os fundos de pens√Ķes de trabalhadores e pilantras como o ministro da economia, que pensam que podem vender a empresa a pre√ßo de banana s√≥ para dizer que conseguiu vender alguma coisa. Privatiza√ß√£o √© coisa de ladr√£o!

As amizades que fazem parte da Rede de Apoio recebem os v√≠deos antecipadamente e possibilitam a aquisi√ß√£o e manuten√ß√£o dos recursos t√©cnicos para que mais conte√ļdos sejam criados e disponibilizados em v√≠deo no Youtube e no Podcast da editora. Nosso muito obrigado pelo apoio e um salve especial √†s monas, minas e manos que trabalham nos Correios.

25 de Janeiro, Dia do Carteiro. 💌

Para ouvir no Podcast

Esse e outros episódios você ouve no Podcast da Editora Monstro dos Mares nas principais plataformas de áudio com distribuição pela Anchor.

Para baixar o arquivo de áudio MP3 do episódio do podcast basta clicar aqui.

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Agradecimentos Rede de Apoio e Solidariedade (Dezembro de 2020)

Escrever agradecimentos √†s pessoas que fortalecem a correria do nosso bonde √© o m√≠nimo que podemos fazer. Neste m√™s, conseguimos fazer algo mais: fizemos um encontro, uma celebra√ß√£o (assim, do jeito que d√°, on-line). Chamamos as amizades do conselho editorial e cient√≠fico, da Rede de Apoio e Solidariedade, e tamb√©m algumas pessoas que publicaram conosco em 2020. Essa atividade n√£o teve car√°ter de reuni√£o, afinal, estamos no final de um ano horroroso e estamos felizes que podemos nos encontrar para conversar e saber como cada singularidade est√° atravessando esse per√≠odo. Sim, esse ano foi um triturador. Tudo o que se fez e o que ainda vamos fazer precisa ser entendido e avaliado pelas limita√ß√Ķes desse per√≠odo estranho, n√£o por suas potencialidades. Essa avalia√ß√£o se estende, inclusive, aos nossos afetos.

Ch√° da tarde especial da Rede de Apoio e Solidariedade

O final de ano tamb√©m √© aquela √©poca em que muita gente rememora o que fez durante o ano, em busca de aprendizados. Em 2020 n√≥s decidimos n√£o realizar uma retrospectiva, porque nossa maior vit√≥ria foi seguir existindo. Ao que tudo indica, em 2021 permaneceremos em casa; com isso, decidimos rever fatores importantes de nossa presen√ßa nas redes sociais e de comunica√ß√£o. Voltamos ao Twitter, com mais pessoas ajudando a responder e deixar o perfil mais humano, uma vez que nos √ļltimos tempo apenas o rob√ī cuidava de tudo. Tamb√©m voltamos a enviar not√≠cias por e-mail (newsletter), uma pr√°tica que havia sido deixada de lado em fun√ß√£o da correria do dia a dia.

Estamos felizes em poder contar com uma rede pr√≥xima de pessoas que confia no que fazemos e fortalece o envio de materiais para diversos recantos do pa√≠s. Em 2020, as pessoas que fazem parte da Rede de Apoio da Monstro fortaleceram a distribui√ß√£o gratuita de 821 livros e 1211 zines para coletivos, movimentos, bibliotecas comunit√°rias, okupas, sindicatos, federa√ß√Ķes, pesquisadoras e pesquisadores independentes e acad√™micas. Temos certeza de que parte significativa de nosso esfor√ßo di√°rio em produzir cultura e refer√™ncias de pesquisa √© destinada a ser enviada gratuitamente pelos Correios. Nada disso seria poss√≠vel sem o desprendimento do valor de uma lanche ou uma pizza de algumas pessoas. Com o pouquinho de cada uma, conseguimos fazer muito.

Obrigado por estar conosco em Dezembro de 2020:

  • Ian Fernandez
  • Fyb C
  • Lorenzo
  • Karina Goto
  • Camila
  • Caio
  • Mayumi Horibe
  • Gabriel Jung do Amaral
  • Viviane Kelly Silva
  • R
  • Vitor Gomes da Silva
  • Z√©
  • Leo Foletto
  • Nicolas H Mosko
  • Andressa Fran√ßa Arellano
  • Marcelo Mathias Lima
  • Fernando Silva e Silva
  • Thiago de Macedo Bartoleti
  • Victor Hugo de Oliveira
  • Mauricio Marin Eidelman
  • Lupi
  • Leonardo Goes
  • Paulo Oliveira
  • Anna Karina
  • Andrei Cerentini
  • Igor
  • Claudia Mayer
  • Guapo
  • M√°rcio Massula
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Agnes Inglis: Bibliotec√°ria Anarquista

Agnes Inglis nunca planejou uma carreira como bibliotec√°ria. Aos 52 anos em 1924, e ap√≥s um per√≠odo de intenso trabalho em prol dos imigrantes radicais que enfrentavam persegui√ß√£o e deporta√ß√£o ap√≥s a Primeira Guerra Mundial, Inglis visitou a biblioteca da Universidade de Michigan para consultar a cole√ß√£o de livros, peri√≥dicos, artigos, recortes e ef√™mera doada por seu amigo Joseph Labadie em 1911. ‚ÄúJo‚ÄĚ Labadie1 foi um l√≠der sindical, reformador social e anarquista individualista que acumulou um grande n√ļmero de materiais documentando a multid√£o de eventos e movimentos dos quais ele participou ao longo de uma carreira de quarenta anos. Inglis encontrou a cole√ß√£o original de Labadie nas mesmas condi√ß√Ķes em que fora doada: ‚Äúem √≥timo estado‚Ķ embora ainda n√£o encadernada‚ÄĚ. (Inglis 1924) Ela decidiu passar um curto per√≠odo de tempo como volunt√°ria na biblioteca desempacotando e separando materiais. Esse curto per√≠odo se transformou em 28 anos de servi√ßo distinto e principalmente gratuito, durante os quais ela n√£o apenas organizou a grande cole√ß√£o, mas a aumentou em cerca de vinte vezes seu tamanho original, e a elevou ao status de que goza hoje entre as bibliotecas que documentam a hist√≥ria e filosofia do anarquismo e outros movimentos sociais e pol√≠ticos radicais. A vida de Inglis como anarquista e bibliotec√°ria nos mostra um excelente caso de intersec√ß√£o entre ideais pol√≠ticos e biblioteconomia.

Agnes Inglis

Nascida como a filha mais nova de uma fam√≠lia abastada de Detroit em 1872, Agnes passou a maior parte de suas tr√™s primeiras d√©cadas em uma casa de fam√≠lia religiosa, conservadora e isolada. Seu pai, um m√©dico not√°vel, morreu quando ela tinha quatro anos. Al√©m de um ano em uma academia exclusiva para meninas em Massachusetts, Inglis passou a juventude cuidando de uma irm√£ doente com c√Ęncer e, posteriormente, de sua m√£e, que morreu antes de Agnes completar trinta anos. Sem mais obriga√ß√Ķes familiares e uma renda substancial, Agnes saiu de casa para viajar e frequentar a Universidade de Michigan, onde estudou hist√≥ria e literatura.

Inglis deixou a escola antes de se formar e passou v√°rios anos como assistente social na Hull House, em Chicago, na Franklin Street Settlement House em Detroit e na Ann Arbor YWCA. Enquanto trabalhava nesses ambientes, ela adquiriu conhecimento √≠ntimo das condi√ß√Ķes injustas de trabalho e vida sofridas por mulheres e homens imigrantes da classe trabalhadora. Ela tamb√©m se tornou c√©tica quanto √† efic√°cia das pol√≠ticas e programas liberais destinados a transformar a vida dos trabalhadores e, subsequentemente, come√ßou a questionar as condi√ß√Ķes sociais, econ√īmicas e pol√≠ticas nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, Inglis continuou sua educa√ß√£o abreviada informalmente. Ela lia muito e era especialmente atra√≠da e persuadida por escritores revolucion√°rios. Ela assistiu a muitas palestras em Ann Arbor e Detroit dadas por uma variedade de cr√≠ticos sociais, muitos deles anarquistas. Ela conheceu Emma Goldman em 1915 e tornou-se amiga da famosa anarquista, por meio da qual tamb√©m conheceu Alexander Berkman, companheiro e amante de longa data de Goldman. Inglis organizou palestras anarquistas no sudeste de Michigan, come√ßou associa√ß√Ķes e amizades com muitos radicais locais e juntou-se √† divis√£o de Detroit dos Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW). Al√©m de seu ativismo, Inglis usou seus recursos financeiros para apoiar generosamente os esfor√ßos radicais, de fundos de greve a dinheiro de fian√ßa para aqueles presos por expressar pontos de vista pol√≠ticos impopulares.

Com o in√≠cio do envolvimento dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, Inglis intensificou suas atividades radicais, participando frequentemente de manifesta√ß√Ķes de protesto contra o recrutamento militar obrigat√≥rio e a guerra. Quando o governo reprimiu os radicais que se manifestavam contra a guerra no que ficou conhecido como o primeiro Red Scare (p√Ęnico vermelho), Inglis descobriu que seus recursos eram ainda mais necess√°rios. Junto com os esfor√ßos incans√°veis em apoio √†queles que enfrentavam a deporta√ß√£o, ela tamb√©m pagou fian√ßa para v√°rios indiv√≠duos e contribuiu pesadamente para seus fundos de defesa. Seu apoio de longa data a causas radicais acabou levando sua fam√≠lia a cortar seu acesso ilimitado a fundos e deu-lhe apenas uma renda modesta para viver.

Quando a turbul√™ncia ap√≥s o Red Scare diminuiu, Inglis come√ßou sua carreira na Cole√ß√£o Labadie. Como curadora, Agnes desenvolveu t√©cnicas organizacionais idiossincr√°ticas que, no entanto, forneceram uma estrutura √ļtil para a cole√ß√£o. Ela come√ßou dividindo materiais diversos em amplas categorias de assuntos que resultaram em um sistema de arquivos vertical ainda em uso atualmente. Ela tinha muitos jornais encadernados, incluindo Mother Earth, Regeneration e Appeal to Reason, e compilou recortes e outras coisas ef√™meras em √°lbuns de recortes, lidando com assuntos sobre os quais existia documenta√ß√£o abundante, como Emma Goldman, Haymarket, o IWW, o caso Tom Mooney, e Sacco e Vanzetti. Al√©m disso, ela construiu um cat√°logo de fichas detalhado (tamb√©m ainda em uso) que continha a cataloga√ß√£o em n√≠vel de item da maioria dos materiais da cole√ß√£o, bem como listas de informa√ß√Ķes de indiv√≠duos e grupos que funcionavam como um arquivo de autoridade de nome de baixo n√≠vel.

Agnes Inglis

Embora sua morte tenha deixado alguns mist√©rios sobre a disposi√ß√£o dos materiais na cole√ß√£o, seus esfor√ßos organizacionais restauraram informa√ß√Ķes contextuais aos materiais e os tornaram muito mais utiliz√°veis por pesquisadores. N√£o h√° evid√™ncias de que ela teve ou procurou a ajuda de bibliotec√°rios treinados dentro do sistema de biblioteca; consequentemente, todo esse trabalho foi feito por conta pr√≥pria.

A Inglis teve sucesso em aumentar e ampliar muito o acervo da Cole√ß√£o Labadie. Depois de alguns anos organizando-a, Agnes e Jo enviaram uma carta a 400 radicais pedindo-lhes que contribu√≠ssem com seus materiais documentando eventos e pessoas que conheciam. Embora a carta tenha recebido apenas uma resposta limitada, Inglis a usou como ponto de partida para buscar agressivamente pessoas para doar materiais. Entre as cole√ß√Ķes mais importantes que ela adicionou estavam documentos relacionados a Voltairine de Cleyre, uma anarquista nascida em Michigan e amiga de Emma Goldman, e o escritor socialista John Francis Bray. Ela usou suas extensas conex√Ķes e correspond√™ncia com radicais do per√≠odo, como Goldman, Roger Baldwin, Elizabeth Gurley Flynn e Ralph Chaplin, entre muitos outros, para persuadi-los a contribuir com materiais relevantes. Agnes tamb√©m ajudou muitos indiv√≠duos em suas pesquisas e publica√ß√Ķes, incluindo ajudar Goldman e Chaplin com suas autobiografias, Henry David com o seminal The Haymarket Tragedy e James J. Martin com Men Against the State.

A carreira de Inglis tem significado hist√≥rico para bibliotec√°rios preocupados com quest√Ķes de justi√ßa social por uma s√©rie de raz√Ķes. Sua hist√≥ria √© inspiradora do ponto de vista pol√≠tico porque, uma vez que seus ideais pol√≠ticos foram formados, ela nunca os traiu e os viu como centrais para seu trabalho como bibliotec√°ria. Suas motiva√ß√Ķes vieram explicitamente de sua devo√ß√£o aos ideais da filosofia e da hist√≥ria dos anarquistas e outros radicais de esquerda com os quais ela trabalhou por um mundo melhor e mais justo. Seus compromissos pol√≠ticos muitas vezes trabalharam em benef√≠cio da cole√ß√£o, visto mais explicitamente no uso de suas conex√Ķes para adquirir registros de seus camaradas. Mesmo recentemente, a Cole√ß√£o Labadie recebeu um valioso conjunto de pap√©is de uma mulher que ainda era grata a Agnes por ter libertado seu pai da pris√£o em 1917.

Ela tamb√©m priorizou o uso da cole√ß√£o, chegando ao extremo de emprestar materiais. Quando um de seus tomadores de empr√©stimo danificava ou n√£o devolvia um item, sua natureza gentil e generosa nunca permitiu que ela os acusasse. Ela ficou satisfeita o suficiente com o interesse das pessoas pelos materiais. Uma nota que ela escreveu descrevendo seu empr√©stimo de um livro para um anarquista italiano que vivia na Vig√©sima Alian√ßa em Detroit em 1934 diz que ‚Äúa Vig√©sima Alian√ßa √© dura para um livro raro!‚ÄĚ

Finalmente, seu conhecimento dos indiv√≠duos e eventos daquela hist√≥ria permitiu-lhe coletar, organizar, descrever e fornecer acesso aos materiais da cole√ß√£o com efic√°cia. Certa vez, Inglis escreveu para Emma Goldman: ‚ÄúN√£o √© brincadeira pegar todo esse material e consert√°-lo para que os alunos possam realmente us√°-lo. N√£o √© um trabalho que todos possam fazer. √Č preciso conhecer o material. As pessoas n√£o gostam disso.‚ÄĚ (Inglis 1925) Agnes devotou o ter√ßo final de sua vida √† Cole√ß√£o Labadie, at√© sua morte em 1952. Gera√ß√Ķes de acad√™micos que usaram a cole√ß√£o apreciaram o conhecimento, habilidade e dedica√ß√£o que Agnes Inglis trouxe √† causa de documentar a hist√≥ria dos movimentos pol√≠ticos radicais nos Estados Unidos e sua contribui√ß√£o para essa hist√≥ria √© incomensur√°vel.

Trabalhos citados

  • Inglis, Agnes (1924) Carta para Joseph Labadie, 11 de fevereiro, Joseph Labadie Papers, Labadie Collection, University of Michigan, Ann Arbor.
  • Inglis, Agnes (1925) Carta para Emma Goldman, 19 de mar√ßo, Emma Goldman Papers, Labadie Collection, University of Michigan, Ann Arbor.

Por: Julie Herrada e Tom Hyry
Publicado no Progressive Librarian
Traduzido por DaVinci, revisado por abobrinha.

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  1. Para obter mais informa√ß√Ķes sobre a vida de Labadie, consulte a excelente nova biografia de Carlotta Anderson, All American Anarchist: Joseph A. Labadie e o Movimento Trabalhista (Detroit: Wayne State University Press) 1998. []
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Apresenta√ß√£o de “Abaixo ao trabalho 2¬™ edi√ß√£o” por Baderna James

Abaixo ao trabalho
Imagens da primeira e segunda edição

A segunda edi√ß√£o de Abaixo ao Trabalho √© uma homenagem, uma sauda√ß√£o e lembran√ßa muito querida de um t√≠tulo que circulou durante muitos anos em v√°rios meios gra√ßas a atua√ß√£o da editora Deriva, um coletivo editorial que apresentou a toda uma gera√ß√£o, a possibilidade de realizar livros artesanais de baixo custo sem depender da ind√ļstria gr√°fica e sem amargar com tiragens gigantes.

A experi√™ncia de escolher os textos, format√°-los e colocar ‚Äúpra rodar‚ÄĚ √© o que forma uma editora. Essa tarefa vem acompanhando coletivos de inspira√ß√£o an√°rquica ao curso da hist√≥ria. √Č poss√≠vel citar um sem-n√ļmero de iniciativas genuinamente artesanais que estiveram presentes na forma√ß√£o de leitores dissidentes e libert√°rios. Coletivo Sabotagem, Barba Ruiva, Deriva, Nenhures, Index Librorum Prohibitorum, Erva Daninha, s√£o algumas dessas editoras que colocaram na pista livros feitos um a um, manualmente, nos mais diversos formatos e materiais.

Atualmente, algumas editoras como Imprensa Marginal, Contraciv, Fac√ß√£o Fict√≠cia, Subta e Monstro dos Mares est√£o em movimento a mais tempo, saudando e inspirando o surgimento de diversas editoras artesanais que se chegam como a Terra Sem Amos (TSA), Adand√©, Amanaj√©, Edi√ß√Ķes Kisimbi, Lampi√£o, Insurg√™ncia, Correria e outros tantos projetos que florescem nos diversos recantos do pa√≠s.

Relembrar e homenagear a movimenta√ß√£o de compas que fizeram livros com as pr√≥prias m√£os e celebrar a chegada de tantos outros coletivos nos d√° a certeza de que √© poss√≠vel apropriar-se das t√©cnicas e das tecnologias que comp√Ķem a produ√ß√£o de livros e zines. Publicar os textos que percorrem o nosso tempo com observa√ß√Ķes e an√°lises, pesquisas e investiga√ß√Ķes, relatos e estudos, comp√Ķem um conjunto de pr√°ticas significativas para formar um retrato da perman√™ncia das ideias de autonomia, liberdade, auto-organiza√ß√£o e colabora√ß√£o na luta contra todas as formas de opress√£o.

Anarquistas, libert√°rias, aut√īnomas, an√°rquicas, cr√≠ticas, dissidentes ou insurgentes, independente das cores e das tintas de cada coletivo editorial artesanal de ontem e de hoje, Abaixo ao Trabalho retorna √†s ruas, para circular de m√£o em m√£o, aproximando pessoas, movimentos, coletivos, grupos e bandos em torno de suas ideias: uma cr√≠tica genu√≠na √† ideia de trabalho.

Muitas das pessoas que tocam projetos editoriais artesanais j√° desistiram da possibilidade de se manterem em empregos horr√≠veis, trocando suas liberdades por um sal√°rio no final do m√™s. O livro que voc√™ tem em m√£os, re√ļne n√£o apenas um conjunto de ideias, mas espectro de experi√™ncias que (re)afirmam a possibilidade de que h√° diversos modos de multiplicar e se somar as lutas do nosso tempo.

Faça livros, multiplique!

Baderna James, Outubro de 2020.


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Onde encontrar: Sebo da Galeria (Belém, PA)

Sebo da Galeria

O Sebo da Galeria √© um espa√ßo de difus√£o da leitura e da literatura radical em Bel√©m, um lugar onde voc√™ encontra t√≠tulos cl√°ssicos novos ou usados e tamb√©m as novidades editoriais do meio anarquista. Na galeria acontecem alguns eventos, lan√ßamentos de livros, debates, saraus, feiras e charlas. Em fun√ß√£o da pandemia, entretanto, os eventos p√ļblicos est√£o suspensos. Todo Domingo na Pra√ßa da Rep√ļblica o pessoal do sebo leva o material para o contato direto com o p√ļblico.

O livreiro tem mais de dez anos de experiência na arte de comprar, vender e trocar livros novos e usados. Tudo começou com a exposição e distribuição de livros utilizando o pano no chão, material anarcopunk, participação em eventos acadêmicos, até conquistar o espaço na Galeria Alberto Lopes, a cerca de três anos, onde existem outros dois sebos e uma loja de quadrinhos.

Quando você estiver por perto, dê uma passada lá. O Sebo não tem horário fixo de atendimento, mas o livreiro resolve quase tudo pelo zap rapidão. =]

Sebo da Galeria
Av. Presidente Vargas, 560.
Galeria Alberto Lopes, entre Riachuelo e Aristides Lobo.
Pedidos e encomendas por Whatsapp (91) 8403-1182

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Monstro dos Mares: 500.000 impress√Ķes de livros e zines de inspira√ß√£o an√°rquica

No m√™s de Outubro de 2020 a Editora Monstro dos Mares, um pequeno coletivo editorial de inspira√ß√£o an√°rquica localizado no interior do estado do Paran√°, atingiu a marca de meio milh√£o de impress√Ķes. Esse n√ļmero n√£o representa absolutamente nada para a ind√ļstria gr√°fica nacional, mas √© muito significativo para as pessoas, coletivos, movimentos sociais, bibliotecas comunit√°rias e iniciativas editoriais de livros e zines artesanais no Brasil.

Fazer impress√Ķes em casa para distribuir e fortalecer a dissemina√ß√£o de ideias radicais re√ļne um espectro de experi√™ncias que evidenciam a import√Ęncia da autonomia e da livre coopera√ß√£o entre pessoas e coletivos que compartilham dos mesmos princ√≠pios e √©ticas. Ao produzir um novo t√≠tulo, ou recuperar e colocar para circular uma publica√ß√£o de outros tempos, aprendemos muito sobre apropria√ß√£o tecnol√≥gica, sobre a necessidade de tinta no papel. Tamb√©m percebemos a urg√™ncia do desenvolvimento de estrat√©gias de sobreviv√™ncia e manuten√ß√£o de nossos espa√ßos coletivos, que muitas vezes se beneficiam diretamente da distribui√ß√£o, venda e circula√ß√£o de impressos. Al√©m disso, obviamente, aprendemos sobre a contribui√ß√£o para o aprendizado e mobiliza√ß√£o das pessoas que est√£o unidas conosco nas lutas sociais ao lado de quem vem de baixo.

Nesse momento marcante da editora, queremos agradecer √†s monas, minas e manos que em algum momento de suas vidas e milit√Ęncias decidiram dedicar algum tempo para produzir materiais que questionam o Estado e o estado de coisas. S√£o livros e zines que subvertem l√≥gicas estabelecidas, pesquisas acad√™micas que exp√Ķem as linhas de fratura da normalidade e relatos de grupos e individualidades que, do lado de fora dos muros das universidades, criaram materiais para circular de m√£o em m√£o, feitos em casa, de baixo custo e que v√£o circular entre pessoas (tal como voc√™ e eu) que lutam para que o mundo, da forma que est√°, n√£o mere√ßa existir por nem mais um segundo.

Em 2020, desde o primeiro dia do ano, a Monstro dos Mares chamou para que as águas fizessem emergir novas editoras, coletivos publicadores, distros e banquinhas. Quando essas iniciativas despontam no horizonte, nossa sensação de criar, resgatar, mobilizar e difundir ideias radicais e dissidentes no formato impresso é uma ação direta no enfrentamento do grande capital, das constantes guinadas autoritárias, da precarização do trabalho e da destruição do meio ambiente. Essa não é uma tarefa fechada em si mesma, mas que está unida, de braços esticados e na luta. Tudo isso buscando não ignorar as subjetividades que nos constituem como pessoas e que nos unem como coletividades. Quando surge uma nova editora anarquista, aspiramos novos ares e vento nas velas.

As 500.000 impress√Ķes que alcan√ßamos desde Agosto de 2017 representam mais do que 50 caixas de papel, 500 pacotes de A4, 15 litros de tinta pigmentada, mais de 5.000 livros e 9.000 zines. Esse meio milh√£o de impress√Ķes significa que h√° um espa√ßo, mares naveg√°veis e um oceano de limonada para as ideias radicais. Al√©m de comemorar esses n√ļmeros, queremos agradecer cada pessoa que carinhosamente nos incentiva a continuar fazendo o que acreditamos. Livros e Anarquia!

Editora Monstro dos Mares
Outubro de 2020

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Mais mudança: estamos de casa nova!

mudança

A cada dia, uma nova mudan√ßa. Mudar, √© isso que fazemos ao curso do tempo. Mudamos de estilo, atitude, ideia, √©ticas e pr√°ticas. Mudamos o tempo todo o modo de movimentar o mundo — mundos em justa conson√Ęncia com as lutas contra o capitalismo, a colonialidade e o patriarcado em todas as suas express√Ķes. Mundos poss√≠veis, participativos, sociais, inclusivos, diversos. Novos mundos!

As pessoas que comp√Ķem a Monstro dos Mares decidiram que para continuar fazendo livros e zines era necess√°rio mudar, muito mais do que levantar velas, mas jogar um pouco mais de press√£o no vapor. Com isso, durante algumas semanas estivemos em processo de mudan√ßa para um espa√ßo onde cabem mais ideias, mais livros e mais participa√ß√£o.

‚ô™ O Vapor de Cachoeira n√£o navega mais no mar,
Barco véio tá cansado, sobe o rio devagar.
Ai, ai, ai, sobe o rio devagar.

O vapor de Cachoeira” de David Nasser e Clemente Neto

Chegamos nos Campos Gerais em Janeiro de 2019 e seguimos na cidade de Ponta Grossa por mais algum tempo. Aos poucos, vamos estabelecemos rela√ß√Ķes com o lugar, com as pessoas e vales que recortam o horizonte paranaense. Nosso endere√ßo de correspond√™ncia continua exatamente o mesmo (Caixa Postal 1560, CEP 84071-981).

Na Sexta-feira, 16 de Outubro, o caminhão levou impressoras, mesas, caixas e caixas de material impresso, muita tralha para outro destino. Novos ares! Mais do que coisas, carregamos nossa vontade de continuar fazendo livros e zines de ideias anárquicas e anarquistas, epistemologias dissidentes e pensamento radical sobre nosso tempo e queremos agradecer todas as pessoas que apoiam a existência desse projeto editorial.

Às vezes, ir para outro lugar é puxado. Mas, e se fizermos uma coisa de cada vez?
O barco véio tá cansado, sobe o rio devagar.
Você tem feito mudanças lentas, graduais e permanentes? Escreva nos comentários =]

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Pandemia Covid-19: utilize o auto-isolamento para sua auto-instrução

J√° faz seis meses que a Pandemia do Novo Coronavirus chegou ao Brasil e Am√©rica Latina. √Č poss√≠vel que cada uma de n√≥s j√° tenha desenvolvido estrat√©gias para lidar com o v√≠rus, adotando um protocolo de seguran√ßa que atenda minimamente as necessidades mais b√°sicas. Sabemos que, infelizmente, um dos principais sintomas dessa doen√ßa √© escancarar as diferen√ßas. Por isso, √© importante reconhecer que algumas pessoas n√£o conseguem manter os mesmos cuidados por diversos fatores, que s√£o essencialmente sociais. Sabemos que os impactos sanit√°rios, ambientais e sociais desse per√≠odo modificar√£o profundamente os modos de viver e existir das pr√≥ximas gera√ß√Ķes.

√Č importante que cada pessoa apoie, dentro de suas possibilidades, as campanhas de apoio m√ļtuo mobilizadas por diversas iniciativas, que seguem surgindo nesse tempo infeliz de descaso governamental.

Algumas pessoas, ainda que com dificuldades, optaram pelo auto-isolamento. Essa √© uma forma de “distanciamento social” que busca evitar a circula√ß√£o de pessoas e, com isso, reduzir ao m√°ximo as chances de cont√°gio e transmiss√£o do v√≠rus. Sabemos que esse m√©todo de preven√ß√£o envolve uma s√©rie de quest√Ķes que precisam ser problematizadas AGORA. De que forma e em que condi√ß√Ķes √© poss√≠vel manter esse isolamento sem ignorar a realidade brasileira?

O objetivo deste texto n√£o √© expor as contradi√ß√Ķes envolvidas nessa escolha, mas reconhecer que, em diferentes modelos, um auto-isolamento √© poss√≠vel, seguro e pode ser solid√°rio. Al√©m disso, de alguma maneira pode ser √ļtil para a auto-instru√ß√£o e para a promo√ß√£o de novos conhecimentos.

Voc√™ deve ter notado uma oferta imensa de cursos e lives com debates interessant√≠ssimos, grupos de estudos on-line e projetos que recebem a ades√£o de variados perfis. Nossas amizades tamb√©m est√£o promovendo momentos de encontro com artistas, m√ļsicos, performances e outras atividades art√≠sticas e de compartilhamento de conhecimentos como nunca havia sido visto.

√Č bem poss√≠vel que, se voc√™ leu at√© aqui, muito provavelmente j√° assistiu algum desses eventos, j√° recebeu o convite para participar de alguma live, um podcast ou, at√© mesmo, em algum momento j√° promoveu seu pr√≥prio evento. Por isso podemos ter essa conversa, pois j√° entendemos que alguma coisa temos em comum.

Auto-isolamento / auto-instrução

Para ampliar nossos conhecimentos e contribuir no desenvolvimento de uma autodefesa leg√≠tima contra a ideologia hegem√īnica do estado, do grande capital e do patriarcado, precisamos de uma programa de educa√ß√£o pol√≠tica capaz de romper com as l√≥gicas de domina√ß√£o e fazer com que nossas vis√Ķes de mundo abram um espa√ßo de possibilidade em nossos enfrentamentos cotidianos.

N√≥s, que nos reconhecemos como pessoas identificadas com pol√≠ticas radicais e revolucion√°rias, precisamos construir ferramentas pr√°ticas para que nossas ideias e cr√≠ticas possam emergir das realidades √†s quaisque estamos condicionadas, especialmente durante a pandemia. √Č preciso estilha√ßar as ideias do senso comum e desenvolver dentro de n√≥s a coragem necess√°ria para que nossas convic√ß√Ķes e capacidades de a√ß√£o possam fortalecer uma resposta aut√īnoma e autogestion√°ria, compartilhando dos princ√≠pios e √©ticas libert√°rios aos problemas impostos pelo Covid-19 ou agravados por ele.

Pensando em tudo isso, seguem abaixo algumas dicas para realizar momentos de leitura no seu dia a dia, só ou com seu bando.

Ideias e sugest√Ķes para seu programa de auto-instru√ß√£o

  • Ler (ou reler) obras de uma autora ou ator do seu interesse, em ordem cronol√≥gica;
  • Ler um livro junto com uma amizade e promover encontros on-line para trocar ideias a cada cap√≠tulo;
  • Combinar a leitura de um texto liter√°rio com textos e te√≥ricos que dialogam com a obra;
  • Fazer uma ampla sele√ß√£o de document√°rios e filmes de fic√ß√£o sobre um tema;
  • Pesquisar artigos acad√™micos, livros, zines e panfletos sobre um tema de seu interesse ou de algo absolutamente novo para voc√™ e seu bando. Anticolonialismo, agroecologia libert√°ria, solarpunk, teoria queer, feminismo negro, epicurismo, arrombamento de fechaduras e seguran√ßa digital s√£o √≥timos exemplos de temas;
  • Transitar entre diferentes escolas e movimentos liter√°rios e sociais;
  • Criar uma playlist de m√ļsicas que tratam sobre o tema de sua pesquisa e, na sequ√™ncia, pensar sobre as letras e o contexto social da √©poca de lan√ßamento;
  • Reservar um hor√°rio para leitura sem muitas interrup√ß√Ķes;
  • Navegar por sites estrangeiros de editoras e livrarias;
  • Acessar a Biblioteca Anarquista Lus√≥fona e conhecer os diversos textos dispon√≠veis;
  • Explorar formatos e g√™neros, alternando hist√≥rias em quadrinhos, contos, romances, etc;
  • Ler obras de autoras e autores que voc√™ sempre considerou imposs√≠veis ou inacess√≠veis;
  • Fazer um cineclube virtual para assistir filmes e debater com co-residentes e familiares, utilizando recursos de videochamada ou mensagens de texto/√°udio;
  • Ler o livro, assistir ao filme e discutir a adapta√ß√£o;
  • Criar um zine;
  • Organizar sua biblioteca/cole√ß√£o (vale a pasta de PDF);
  • Compartilhar seus t√≠tulos preferidos com suas amizades, para depois organizar leituras em grupo;
  • Crar sua pr√≥pria estrat√©gia de leitura.

Utilizar o tempo de auto-isolamento como um tempo √ļtil e necess√°rio para que seja poss√≠vel fortalecer nossas vis√Ķes de mundo e apontar dire√ß√Ķes para al√©m do atual estado de coisas. Se manter o isolamento √© vi√°vel para voc√™, considere fazer um programa de estudos, um plano de zines, livros e cap√≠tulos que podem articular respostas para as d√ļvidas que movimentam suas inquieta√ß√£o e que te fazem perguntar como ser√° poss√≠vel fazermos, com nossas m√£os, um s√©culo 21 absolutamente diferente.

Algo novo está em ebulição, bote para ferver!

Solidary Tea

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Julho de 2020: Agradecimentos Rede de Apoio (Podcast b√īnus)

Tem dias mais dif√≠ceis, nos quais as preocupa√ß√Ķes est√£o al√©m das necessidades de tinta, papel e textos. Ao pensar em quest√Ķes como justi√ßa social e seguran√ßa sanit√°ria dos centros urbanos, das periferias e da vida no campo, refletimos sobre o que est√° acontecendo. Quem dir√° sobre o que vir√°?

A pandemia est√° ensinando muitas li√ß√Ķes sobre como encaramos a vida, as atividades di√°rias, nossa conviv√™ncia com as pessoas pr√≥ximas e a import√Ęncia de saber “habitar nossas casas”. Uma quest√£o que bateu forte aqui √© a d√ļvida em torno da necessidade de sermos pessoas produtivas diante de um cen√°rio t√£o adverso como o da doen√ßa que dominou o mundo. Por isso estamos fazendo como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar.

Podcast b√īnus

No dia 17 de Julho de 2020, Baderna James e abobrinha gravaram sobre suas atividades na editora, diagramação de livros e zines utilizando software livre (LibreOffice e GIMP) e sobre a obrigatoriedade de sermos pessoas produtivas.

Queremos agradecer as pessoas que est√£o conosco diariamente e que confiam em nosso projeto editorial. Algumas delas fortalecem com os recursos para manter a editora em funcionamento. Com muito carinho agradecemos as amizades da Rede de Apoio:

  • Contribui√ß√Ķes an√īnimas;
  • Gabriel Jung do Amaral;
  • Mayumi Horibe;
  • Phanta;
  • Lua Clara Jacira;
  • Leo Foletto;
  • Viviane Kelly Silva;
  • Ricardo Mayer;
  • Willian Aust;
  • Enguia;
  • Fernando Silva e Silva;
  • Mauricio Marin;
  • Adriano Gatti Mesquita Cavalcanti;
  • Andressa Fran√ßa Arellano;
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos;
  • Anna Karina;
  • Victor Hugo de Oliveira;
  • Z√©;
  • Karine Tressler;
  • Andrei Cerentini;
  • Lupi;
  • Caio;
  • Fyb C;
  • Jos√© Ant√īnio de Castro Cavalcanti;
  • Guapo.

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O panorama atual do livro anarquista. Passeando entre editoras

Forma parte da tradi√ß√£o libert√°ria, talvez de uma maneira central, o interesse pela difus√£o de suas ideias. Ao largo da exist√™ncia do que poderia se chamar de movimento anarquista (com todas as aspas que queiram), existiram certos grupos dedicados a impress√£o de textos pr√≥prios ou traduzidos, assim como uma infinidade de revistas e publica√ß√Ķes mais ou menos peri√≥dicas.

Distantes est√£o os tempos em que o n√ļmero de exemplares se contava aos milhares (vale como exemplo o livreto Doze provas da inexist√™ncia de Deus, de Sebastian Faure, que teve uma edi√ß√£o de 620.000 exemplares em 1917 ou os 560.000 de Entre Campesinos, de Errico Malatesta, segundo cifras de J. √Ālvarez Junco), mas √© um fato a vincula√ß√£o do mundo editorial e o anarquismo. Figuras como Anselmo Lorenzo, Ferm√≠m Salvochea, Ricardo Mella ou Diego Abad de Santill√°n dedicaram esfor√ßos √† edi√ß√£o e tradu√ß√£o de obras. Essa tradi√ß√£o editorial teve nos anos 70 e 80 uma continuidade, incluso por editoras estritamente libert√°rias, que aproveitaram o nicho de ideias para editar textos, como foi o caso da s√©rie Acracia, de Tusquets.

Nos √ļltimos anos, entre outros motivos, por certo despertar de interesse acerca de temas sociais, estendeu-se por toda a Pen√≠nsula uma interessante forma de se aproximar da cultura libert√°ria: os encontros do livro anarquista. Salamanca, Barcelona, Madrid, Sevilla, Val√™ncia, Bilbao, Cartagena, Zaragoza, Gij√≥n, Logro√Īo, entre outras, s√£o cidades em que esse tipo de evento j√° se celebra. Esses encontros servem para difundir o ideal anarquista tanto no √Ęmbito oral, com conversas e col√≥quios, como por escrito, reunindo diferentes projetos dedicados ao mundo do livro e do fanzine.

Em paralelo ao crescimento e consolidação de muitos encontros ou feiras do livro anarquista, como evidente contraponto as feiras comerciais, parece também que se expandem e se consolidam diversos projetos editoriais ligados ao mundo libertário.

A cultura anarquista ocupa um lugar de permanente confronta√ß√£o com a cultura hegem√īnica atual, porque frequentemente vive nas margens do sistema. Quando falamos das margens do sistema, queremos falar de como existem formas culturais que transitam com tens√£o ou que fogem com maior ou menor √™xito da voracidade cultural da mercadoria. Dentro deste panorama, como n√£o poderia ser diferente no mundo anarquista, a variedade se amplia.

Para algumas pessoas, a cultura anarquista √© aquele que reflete as lutas, os personagens, as ideias, etc, associadas ao anarquismo no passado, presente e futuro. Isso pode se fazer desde diferentes modelos organizativos, entre os quais existam aqueles que defendam que o livro n√£o √©, √ļnica e exclusivamente, seu conte√ļdo. Para esta posi√ß√£o, o livro tamb√©m √© o seu modo de circula√ß√£o. Assim, um livro seria como uma pessoa, que √© seu conte√ļdo, suas palavras e seus atos, sendo esse modo de circula√ß√£o do qual falamos. As palavras tem um conte√ļdo informativo, ou seja, as palavras fazem a realidade, ou se preferirmos, influencia nela. Seguindo esse racioc√≠nio, se um livro diz coisas racistas, estaria se convertendo em parte do sistema de domina√ß√£o (racial) e, por exemplo, se um livro √© vendido em uma livraria onde seus trabalhadores/as t√™m condi√ß√Ķes laborais miser√°veis, esse livro se impregnaria dessas circunst√Ęncias, pois parte de seu pre√ßo se converteria em mais-valia (em s√≠ntese: em benef√≠cio para o explorador).

Essa postura convive com outras, seguindo m√ļltiplos debates no cotidiano a partir de poss√≠veis matizes que surgem no desenvolvimento da atividade cultural, nesse caso, editorial. Esses debates se movem entra a atividade editorial militante (que representariam as ideias explicadas) e as editoriais como cooperativas autogestion√°rias ou projetos de auto-emprego, entre uma atividade ao mais puro estilo Do It Yourself, ou mais ou menos profissionalizada. Em uma ou outra posi√ß√£o, sempre com firme car√°ter assemble√°rio e autogestion√°rio, se constituem v√°rios projetos editoriais cujas diferen√ßas tamb√©m se relacionam com a prefer√™ncia por tratar de temas variados ou girar ao redor de determinados temas espec√≠ficos. Exemplo claro disso s√£o os editoriais como o Ochodosquatro, que se dedica a divulga√ß√£o de textos relacionados aos direitos dos animais, ou o El Salm√≥n, que edita trabalhos que analisam como a tecnologia se insere no sistema de domina√ß√£o. N√£o √© raro que existam editoriais que sejam ao mesmo tempo livrarias ou livrarias que tenham seu pr√≥prio projeto editorial. Em Madrid j√° √© veterana a livraria e editorial La Malatesta (e rec√©m-nascida como La Rosa Negra) e em Barcelona se pode encontrar, nesse sentido, a Aldarull (e com parecido esp√≠rito temos tamb√©m a El Lokal). Em Granada, a livraria Bakakai edita sob nomes diferentes, enquanto que nessa mesma cidade a Biblioteca Social Hermanos Quero, com o seu pr√≥prio nome, colabora com frequ√™ncia com outros projetos para publica r livros sobre antipsiquiatria ou contrapsicologia, urbanismo, etc.

J√° que nos metemos na infame tarefa de etiquetar editoras, h√° de se destacar que algumas tem especial interesse por textos mais cl√°ssicos, como a j√° mencionada La Malatesta, enquanto que outras se concentram principalmente na edi√ß√£o de ensaios mais contempor√Ęneos, como a editora V√≠rus, ou a Muturreko Burutazioak, ou tamb√©m, de forma exclusiva em textos atuais que analisam as √ļltimas d√©cadas do s√©culo XX at√© os dias de hoje, como a editora Klinamen. N√£o obstante, provavelmente sejam mais frequentes as editoras que utilizam em suas edi√ß√Ķes crit√©rios n√£o cronol√≥gicos, visto que se pode encontrar em seus cat√°logos textos de qualquer √©poca, como os das editoras Deskontrol, Diaclasa, Calumnia, El Grillo Libertario, El Imperdible ou Piedra Papel Libros, entre muitos outros exemplos poss√≠veis. A maioria das mencionadas (Diaclasa, El Imperdible e tamb√©m Madre Tierra ou Ediciones Marginales) dedicam-se exclusivamente (ou quase) ao g√™nero liter√°rio ensa√≠stico, se bem que existam outras que possuam em seus cat√°logos obras de outros g√™neros liter√°rios (como Piedra Papel Libros em poesia e a Volap√ľk em narrativa).

Simplificando de maneira um pouco insultante, podemos dizer que √© poss√≠vel a divis√£o do mundo editorial convencional entre as grandes empresas editoriais que funcionam como qualquer outra multinacional: √© a grande ind√ļstria cultural como o Grupo Penguin Random House (Plaza y Jan√©s, Debolsillo, Taurus, etc.) ou o Grupo Planeta (Espasa, Paid√≥s, Ariel, etc.), e aquelas outras, poucas e pequenas quando comparadas com as outras, que se aferram √† Cultura, com cat√°logos muito caprichados como Akal. Tamb√©m podemos falar de um terceiro grupo de editoras alternativas por seu tamanho, como a N√≥rdica Libros, Errata Naturae ou a Impedimenta.

As primeiras buscam essencialmente dinheiro, em que pese o que poderia aparentar a complexa pol√≠tica de diversifica√ß√£o entre cole√ß√Ķes de consumo massivo e outras de car√°ter acad√™mico ou de altos voos culturais; as outras amam, apreciam a alta cultura porque acreditam, de forma impl√≠cita, que um ‚Äúmundo mais culto‚ÄĚ √© um mundo melhor.

O mundo anarquista coincide com a desprez√≠vel grande ind√ļstria editorial em um aspecto. Frente as editoras que mimam seus cat√°logos com grandes pensadores ou pensadoras, e n√£o sentem a cultura, como frequentemente fazem os artistas, como um fim em si mesmo, os livros anarquistas, de outro lado, s√£o ferramentas para conscientizar, agitar e isso sup√Ķe que muitos livros anarquistas n√£o saem de um grupo de pessoas que se dedica com exclusividade √†s atividades editorais, mas que os fazem como atividade cultural secund√°ria ou pontual. Assim encontramos que a CNT tem uma funda√ß√£o (Funda√ß√£o Anselmo Lorenzo), dedicada a publicar livros sobre seus militantes e sua hist√≥ria, marginalizados pelos cronistas acad√™micos, ou que o j√° veterano Espa√ßo Anarquista Magdalena no madrilenho bairro de Lavapi√©s publicou pontualmente ou colaborou com a edi√ß√£o de diversos textos.

Por outra parte, o mundo editorial anarquista, ao entender o livro como uma ferramenta a servi√ßo da transforma√ß√£o social libert√°ria, aposta tradicionalmente por valorizar a mensagem por cima da forma. Por isso, n√£o √© raro que o formato seja extremamente simples, inclusive, √†s vezes, muito mais simpl√≥rio ante os estandartes comerciais. Para quem est√° acostumado ao mundo editorial convencional, pode ter uma impress√£o negativa, mas a realidade √© que o processo, que nesses tempos relacionamos com o DIY, significa uma desconstru√ß√£o da hierarquia do processo cultural editorial, ao abrir esse mundo para quase qualquer pessoa, ou grupo de pessoas que pretendam colocar no papel o que seja. Dessa maneira, existe uma d√©bil barreira entre aqueles que difundem e editam textos anarquistas e seus leitores/as, de forma que passar de um lado para outro √© tremendamente habitual, o que confere um car√°ter popular e horizontal ao mundo cultural libert√°rio como √© imposs√≠vel de se imaginar na ind√ļstria cultural capitalista.

Isso se observa principalmente no mundo do fanzine, que usualmente aparece nas ruas ou em espaços diversos através de distribuidoras (que é o nome que lhe dá o movimento anarquista ao projeto de uma ou várias pessoas que publicam e vendem, ou só vendem, ou trocam, textos libertários por sua conta e risco, ou como parte de um projeto mais amplo como pode ser, por exemplo, um centro social), que se contam em dezenas, quiçá centenas, construindo provavelmente a parte quantitativa mais importante do mundo editorial anarquista.

√Č evidente que o campo editorial libert√°rio serviu de inspira√ß√£o para pessoas que n√£o se identificam com o corpus geral de suas ideias ou pr√°ticas, mas que valorizam e integram muitos outros aspectos do mundo libert√°rio: sua voca√ß√£o anticapitalista, sua mensagem de ruptura, sua organiza√ß√£o autogestion√°ria, a pretens√£o de fazer coerentes os meios para alcan√ßar um objetivo como pr√≥prio objetivo, etc. isso faz com que existam editoriais cujos v√≠nculos com o movimento anarquista sejam dif√≠ceis de elucidar. Para al√©m disso, um mundo descentralizado e focado em um aqui e agora de projetos que vem e v√£o em sua pretens√£o de mudar o mundo, resulta inalcan√ß√°vel para nossas possibilidades, raz√£o pela qual muitos nomes, seguramente muito interessantes, merit√≥rios e comprometidos ca√≠ram no caminho.

Por outro lado, valha este escrito para uma aproximação com o intenso trabalho de difusão cultural como forma de crítica social que mantém os anarquistas, frequentemente contra o vento e as mares.

Por outra parte, os esquecimentos tem fácil solução: esta página* tem a opção de acrescentar comentários para que recordemos esses projetos. Uma maneira de dar a conhecer aquelas editoras que acabamos por esquecer ou que não podemos incluir por limitação de espaço.

La Neurosis o Las Barricadas Ed.

* Se refere a p√°gina do ‚ÄėSolidaridad Obrera‚Äô, publica√ß√£o que d√° foz a CNT-AIT Catalunya-Balears, onde este texto foi publicado originalmente em 22 de mar√ßo de 2017.

Fonte: http://www.laneurosis.net/el-panorama-actual-del-libro-anarquista-buceando-entre-editoriales/

Tradução > Liberto
Links e modifica√ß√Ķes por Vertov.

Publicado em Agência de Notícias Anarquistas