Mate o Policial no seu Bolso

Cultura de segurança e segurança operacional efetivas previnem que forças repressivas descubram sobre nossas atividades criminais específicas, mas também nossas vidas, relacionamentos, padrões de movimento, e tantos outros. Esse conhecimento é uma grande vantagem na hora de chegar a suspeitos e realizar vigilância direcionada. Esse artigo traz algumas estratégias para matar o policial no seu bolso.

A localização de seu telefone é rastreada a todo o tempo, e esses dados são capturados por empresas, permitindo à polícia contornar a necessidade de conseguir um mandato. Os identificadores do hardware e informações de assinatura são registrados por toda e cada uma das torres com as quais seu telefone se conecta. Serviços de raqueamento como Pegasus colocam o comprometimento total de telefones ao alcance mesmo de agências repressivas locais e são “zero click”, ou seja, não dependem que você clique em um link ou abra algum arquivo para raquear seu celular. Por outro lado, após mais de 30 incêndios criminosos em uma pequena cidade na França permanecerem sem suspeitos, investigadores reclamaram que “é impossível usar registro de telefone ou veículos porque eles operam sem usar carros ou celulares!”.

Em uma recente operação repressiva contra um anarquista, a polícia rastreou em tempo real a geolocalização do celular flip do suspeito e fez uma lista de todos para quem ele ligou. É sabido que vigilância deste tipo não é incomum, e mesmo assim muitos camaradas carregam um celular com eles não importa para onde vão, ou fazem ligações não criptografadas para outros anarquistas. Nós acreditamos que ambas estas práticas deveriam ser evitadas. Não vamos facilitar tanto o trabalho da polícia ou agências de inteligência, entregando nossos círculos sociais e geolocalização para eles em uma bandeja de prata.

Se você deixa seu celular em casa, a polícia vai precisar recorrer a vigilância física para determinar seu paradeiro, algo que consome muito mais recursos e é detectável. Se você for posto sob vigilância física, o primeiro passo dos investigadores é entender seu “perfil de movimento”, e o histórico da geolocalização do seu telefone oferece um retrato detalhado de seus padrões diários.

Alguns anarquistas respondem a problemas com smartphones usando celulares flip ou telefones fixos para se comunicarem uns com os outros, mas essas não são boas soluções. Celulares flip e telefones fixos não suportam comunicação criptografada, então o Estado descobre quem está falando com quem e sobre o que. Um dos principais objetivos da vigilância direcionada é mapear os círculos sociais do alvo para identificar outros alvos. A única forma de evitar entregar estas informações para nossos inimigos é usar somente meios criptografados para comunicação com outros anarquistas, quando ela for mediada por tecnologias.

A normalização da conectividade constante dentro da sociedade dominante levou alguns anarquistas a perceberem corretamente que metadados são úteis para investigadores. Entretanto, a conclusão a que alguns chegam, de que deveríamos “nunca desligar o telefone”, nos leva na direção contrária. A lógica deles é que suas interações com tecnologia formam um padrão básico de metadados, e os momentos que se desviam desta base se tornam suspeitos se coincidem com quando certas ações acontecem, que estes metadados podem ser usados por investigadores para chegar até os suspeitos. Por mais que seja verdade, a conclusão oposta tem muito mais sentido: anarquistas deveriam minimizar a criação de padrões de metadados acessíveis e úteis a investigadores.

Nossas conexões com as infraestruturas de dominação devem permanecer opacas e imprevisíveis se pretendemos manter a habilidade de atacar o inimigo. E se reconhecimento de terreno exigido por uma ação envolver um fim de semana inteiro longe de nossos dispositivos eletrônicos? Vamos começar com o simples fato de que celulares devem ser deixados em casa durante uma ação – isso só se torna uma anomalia em um padrão se celulares te acompanham onde quer que você vá. Em uma vida normativamente “sempre conectada”, ambas mudanças de metadados se destacariam rapidamente, mas não é o caso se você se recusar a estar constantemente plugado. Para minimizar suas pegadas de metadados, você deve se acostumar a deixar o celular em casa.

Celulares colonizaram a vida cotidiana, pois as pessoas foram incutidas com a crença de que elas precisam de comunicação síncrona a todo momento. Sincronismo significa que duas ou mais partes se comunicam em tempo real, em oposição a algo assíncrono como e-mail, onde mensagens são enviadas em momentos diferentes. Essa “necessidade” foi normalizada, mas vale a pena resistir a ela dentro de espaços anarquistas. O anarquismo só pode ser anti-industrial. Precisamos aprender a viver sem as conveniências vendidas pelas empresas de telecomunicação, devemos defender (ou reavivar) nossa habilidade de viver sem estarmos conectados a Internet a todo momento, sem instruções algorítmicas em tempo real, e em a flexibilidade infinita de mudar de planos no último minuto.

Se você decidir usar um celular, para dificultar o máximo possível que um adversário o geolocalize, intercepte suas mensagens, ou o raqueie, use GrapheneOS. Se conseguirmos concordar em usar somente comunicação criptografada para nos comunicarmos com outros anarquistas, isso exclui os celulares de flip e telefones fixos. GrapheneOS é o único sistema operacional de smartphone que oferece um nível aceitável de segurança e privacidade.

Para impedir que seus movimentos sejam rastreados, trate o smartphone como uma linha fixa e deixe-o sempre em casa. Mesmo se você usa um cartão SIM comprado de forma anônima, se ele for ligado a sua identidade no futuro, a provedora do serviço pode ser retroativamente consultada por dados de geolocalização. Se você usar o telefone como estamos recomendando (como um dispositivo que só funciona com Wi-Fi, mantido a todo tempo em modo avião), ele não vai se conectar com as torres de celular. Não é o bastante apenas deixar o celular em casa quando você estiver indo para uma reunião, manifestação ou ação pois essa será a anomalia em seu padrão de comportamento e serve como indicação de que uma atividade criminal está acontecendo naquela janela de tempo.

Você pode escolher viver totalmente sem telefones, se sentir que não precisa de uma “linha fixa criptografada”. As estratégias a seguir servem para minimizar a necessidade de telefones precisarem computadores, onde comunicações síncronas são também possíveis mas mais limitadas.

Burocracia

Muitas instituições burocráticas que somos forçados a conviver, dificultam uma vida sem celulares: planos de saúde, bancos, etc. Comunicação com burocracias não precisam ser criptografadas, então você pode usar um aplicativo de Voice over Internet Protocol (VoIP). Isso te permite fazer chamadas telefônicas através da internet, sem usar torres de celular.

Qualquer aplicativo VoIP disponível em um computador é assíncrono pois ele não toca quando o computador está desligado — você precisa do recuro de correio de voz para retornar ligações perdidas. Por exemplo, um serviço como jmp.chat te dá um número VoIP, que você pode pagar com Bitcoin, e você faz chamadas usando um aplicativo XMPP — Cheogram funciona bem.

VoIP geralmente funciona para qualquer autenticação de dois fatores (2FA) que você precisar (quando um serviço exige que você recebe uma número aleatório para fazer login). Números de telefone online são outra opção.

Apesar de geralmente mais caro do que VoIP, um celular de flip ou linha fixa dedicada exclusivamente a isso também funciona bem para recepção de chamadas “burocráticas”, como as mencionadas anteriormente.

Comunicação

Não carregar um telefone para todo lugar que se vai exige uma mudança na forma que você socializa, se você já foi pego na rede. Ser intencional sobre minimizar a mediação das telas em seus relacionamentos é um objetivo valioso por si só.

Usar uma “linha fixa criptografada” para fazer telefonemas e um computador para mensagens criptografadas nos permite evitar o fluxo interminável de notificações em um dispositivo que está sempre ao nosso alcance.

Todos sairíamos ganhando se déssemos uma boa e longe olhada na monocultura de chats em grupo do Signal que foram substituídos por encontros cara a cara em algumas partes dos espaços anarquistas. Essa captura da organização de relacionamentos por celular nos trancafia numa reunião que nunca acaba e é relativamente fácil de se monitorar.

Dito isso, comunicação criptografada pode ser útil para determinar uma data e hora para um encontro, ou para projetos compartilhados através de distâncias. Veja, Encrypted Messaging for Anarchists para várias opções apropriadas para um modelo de ameaça anarquista.

Chamadas de Emergência

Um transeunte pode te oferecer o telefone dele para uma chamada de emergência, se você disser que o seu está em bateria. Para receber chamadas de emergência, se você não pode ser encontrado por nenhum dos meios descritos anteriormente , nós podemos ir até as casas uns dos outros ou organizar checagens por mensageiros criptografados previamente. Que cenários exigiriam que você estivesse disponível para receber uma chamada a qualquer momento? Se isso de fato existe na sua vida, você se organizar sem projetar aquela urgência em todas outras áreas e momentos.

Direções

Compre um mapa de papel da sua área e ande com ele. Para viagens mais longas ou quando precisar se orientar, use OpenStreetMap para anotá-los com antecedência.

Música e Podcasts

Eles ainda fazem tocadores mp3! Por um preço bem mais em conta, você pode ouvir músicas e podcasts , em um dispositivo que não tem GPS ou hardware de rádio. Entretanto, isso não significa que você não possa ser geolocalizado pro um tocador MP3 . Se ele se conectar com seu Wi-Fi, a localização aproximada de seu aparelho MP3 pode ser determinada pelo seu endereço de IP.

Apêndice: Contra o smartphone

De Fernweh (#24)

Eles está sempre com a gente, não importa onde vamos ou o que estamos fazendo. Ele nos mantém informados sobre tudo e todos: o que nossos amigos estão fazendo, quando o próximo metrô parte, e qual será o clima de amanhã. Ele toma conta de nós, nos acorda pela manhã, nos relembra de encontros importantes, e sempre nos escuta, quando vamos pra cama, quando e onde estivermos, com que nos comunicamos, quem são nossos melhores amigos, o tipo de música que escutamos, e quais são nossos hobbies. E tudo que ele pede é um pouquinho de eletricidade de vez em quando?

Quando eu faço um passeio ou pego o metrô, eu o vejo com quase todos, e ninguém consegue ficar mais do que alguns segundos sem freneticamente buscar pelo que tem no bolso: o celular vem à tona, uma mensagem é enviada, um e-mail é conferido, uma foto recebe um like. Ele é deixado de lado novamente, um peuqeno intervalo, e lá vamos nós de novo, folheando as notícias do dia e checando o que todos seus amigos estão fazendo…

É nosso companheiro quando estamos no banheiro, no trabalho ou na escola, e ele aparentemente serve ara lutar contra o tédio enquanto nós esperamos ou trabalhamos, etc. Essa talvez seja uma das razões do sucesso de todos esses dispositivos tecnológicos, que a vida real é tão absurdamente entediante e monótona que uns poucos centímetros de tela quase sempre é mais interessante do que o mundo e as pessoas a nossa volta? É como um vício (as pessoas definitivamente têm crises de abstinência…) ou ele já se tornou parte do nosso corpo? Sem ele, nós já não sabemos como nos orientar e sentimos que algo está faltando? Então não é apenas mais uma ferramenta ou brinquedo, mas uma parte de nós que também exerce um certo controle sobre nós, ao qual nos adaptamos, por exemplo, não sair de casa antes da bateria estar totalmente cheia? O smartphone é o primeiro passo em turvar a linha entre o humano e o robô?

Quando vemos oque todos tipo de tecnocrata tem profetizado (Google Glasses, implantes de chips, etc.), é quase como estivéssemos indo em direção a nos tornarmos ciborgues, pessoas com smartphones implantados que controlamos através de nossos pensamentos (até que nossos próprios pensamentos sejam controlados). Não é surpreendente que a mídia, o porta-voz da dominação, nos mostre apenas os aspectos positivos deste desenvolvimento, mas é chocante que quase ninguém questiona esta visão. É possivelmente o sonho mais louco de todo governante: ser capaz de monitorar os pensamentos e ações de todos a todo momento, e ser capaz de intervir imediatamente no caso de qualquer distúrbio. Zangões trabalhadores totalmente controlados que têm alguma diversão (virutal) como recompensa enquanto uns poucos lucram.

Com as vastas quantias de dados agora tão prontamente disponíveis para todos e qualquer um a qualquer hoje do dia, controle social e vigilância também chegaram a um novo patamar. Isso vai muito além de grampear celulares os folhear entre mensagens (como durante as revoltas de 2011 no Reino Unido). Com acesso a uma quantidade incrível de informação, agências de inteligência são capazes de definir o que é “normal”. Eles são capazes de determinar que locais são “normais” para nós, quais contatos são “normais”, etc. Em resumo, eles podem rapidamente estabelecer e estabelecer praticamente em tempo real se estamos desviando do comportamento que eles estabeleceram como “normal”. Isso dá muito poder a certas pessoas, que é usado sempre que há uma oportunidade de tomar vantagem deste poder (ou seja, vigiar pessoas). Tecnologia é parte do poder, ela vem do poder e necessita de poder. É preciso um mundo em que certas pessoas tenham muito poder para permitir a produção de algo como o smartphone. Toda tecnologia é um produto da tendência opressiva do mundo, é parte disso, e serve a ele.

No mundo de hoje, nada é neutro. Até então, tudo que foi ou tem sido desenvolvido é criado para estender o controle e fazer dinheiro. Muitas das inovações das últimas décadas (como GPS, energia nuclear, ou a internet) vem diretamente dos militares. Na maior parte do tempo esses dois aspectos estão de mãos dadas, mas o “bem-estar da humanidade” certamente não é uma motivação, especialmente quando é desenvolvido pelos militares.

Talvez se pegarmos o exemplo da arquitetura podemos ilustrar algo tão complexo quanto a tecnologia: peguemos uma prisão vazia e em desuso, oque poderia ser feito com essa estrutura se não a botar abaixo? Suas própria arquitetura, suas paredes, suas torres de vigilância, suas celas, já contém o propósito da construção: aprisionar pessoas e as destruir psicologicamente. Seria impossível para mim viver dentro de uma prisão, simplesmente porque a construção é opressiva.

É o mesmo com todas as tecnologias de hoje que nos são apresentadas como progresso e como algi que deixa a vida mais fácil. Elas são construídas com a intenção de fazer dinheiro e nos controlar, aqueles que ficam ricos coletando nossos dados e te monitorando sempre vão se beneficiar mais que você.

Se no passado dizíamos que “conhecimento é poder”, hoje deveríamos dizer que “informação é poder”. Quantos mais os governantes sabem sobre seus súditos, melhor ele pode dominá-los — nesse sentido, tecnologia como um todo é uma poderosa ferramenta de controle para prever e portanto prevenir pessoas de se reunirem para atacar o que as oprime.

Esses smartphones aparentemente precisam mais do que um pouquinho de eletricidade… Na nossa geração, que ao menos conheceu um mundo sem smartphones, ainda deve haver algumas pessoas que ainda abem do que eu estou falando, que ainda sabe o que é ter uma conversa sem estar olhando para seu telefone a cada trinta segundos, para se perder e descobrir novos lugares, ou ter uma discussão sem imediatamente consultar o Google pela resposta. Mas eu não quero voltar ao passado, até porque não seria mais possível, quanto mais a tecnologia penetra nossas vidas, mais difícil fica de destruí-la. E formos uma das últimas gerações a serem capazes de parar essa evolução de seres humanos em robôs completamente controlados?

E se em algum ponto formos incapazes de reverter essa formação? A humanidade chegou a um novo estágio tecnológico histórico. Um estágio onde é capaz de aniquilar toda vida humana (energia nuclear) ou modificá-la (manipulação genética). Esse fato reforça mais uma vez a necessidade de agirmos hoje para destruir essa sociedade. Pra isso, precisamos encontrar outras pessoas e comunicar nossas ideias.

Não é óbvio que se ao invés de conversamos uns com os outros, nos comunicarmos em mensagens de cinco sentenças ou menos, haverão efeitos de longo termo? Aparentemente não. Primeiro de tudo, o modo como pensamos influencia como falamos, e vice-versa — a forma como falamos e comunicamos influencia a forma que pensamos. Se só formos capazes de trocar mensagens curtas e resumidas, como podemos falar de outro mundo, como podemos criá-lo?

Comunicação direta entre indivíduos autônomos é a base de qualquer rebelião compartilhada, é o ponto de partida de sonhos compartilhados e lutas em comum. Sem comunicações não mediadas, a luta contra esse mundo e por liberdade é impossível.

Então, vamos nos livrar desses telefones e nos encontramos pessoalmente em uma insurgência contra este mundo! Sejamos incontroláveis!

Artigo publicado em AnarSec.

Como se opor ao fascismo na cena do metal extremo: um guia básico para camaradas e compas antifascistas

O universo do metal extremo é um espaço de potência criativa, mas também de disputas políticas e culturais. Foi pensando nesse contexto que o fanzine surgiu e, por anos, integrou o catálogo da Editora Monstro dos Mares. Agora ele está novamente disponível gratuitamente, para quem quiser baixar, ler, imprimir e distribuir.

Este fanzine é um chamado à ação para quem acredita que o metal extremo deve ser um território livre de racismo, machismo e homofobia. Traduzido e redistribuído com o objetivo de fortalecer a resistência nas margens da música e da política, o material segue atual e necessário.

“Precisamos nos opor ao racismo de qualquer forma, certificar-nos de que pessoas perigosas e suas ideologias não são bem-vindas e que o metal é um lugar para qualquer tipo de pessoa, menos preconceituosos, sexistas e pessoas que discriminam a cor da pele de alguém.”

O fanzine propõe táticas de boicote, mobilização e solidariedade entre fãs e artistas, mostrando que o enfrentamento ao fascismo na cena do metal extremo é também uma forma de defender a própria integridade da música. A proposta é simples e direta: tornar os espaços de shows e festivais mais acolhedores, politizados e seguros.

Ao disponibilizar novamente esta publicação, a Monstro dos Mares reafirma que editar livros e fanzines é um gesto de insurgência. A resistência cultural também se faz nas distorções, nas letras e nas atitudes de quem recusa o ódio e escolhe a liberdade como base da criação artística.

Como se opor ao fascismo na cena do metal extremo: um guia básico para camaradas e compas antifascistas, traduzido caronte mayer, Monstro dos Mares. Original disponível em <barbarie.noblogs.org>.


Livros sobre metal

Bibliotecas não são neutras: a experiência do Librarians and Archivists with Palestine

Em tempos de crescente atenção às questões da Palestina, iniciativas de solidariedade internacional têm ganhado visibilidade. Entre elas, destaca-se o projeto Librarians and Archivists with Palestine (LAP). Trata-se de uma rede voluntária de bibliotecários, arquivistas, profissionais da informação e ativistas, criada com o objetivo de demonstrar apoio ao povo palestino e levantar discussões críticas sobre o papel dos arquivos e das bibliotecas na luta por justiça e memória.

Quem são?

O LAP surgiu em 2013 a partir de uma delegação de profissionais de informação que visitaram a Palestina ocupada. Essa visita deu origem a um movimento internacional que conecta especialistas em biblioteconomia, arquivologia e áreas afins, engajados na denúncia das violações dos direitos humanos cometidas contra os palestinos e na promoção da preservação da memória cultural palestina.

O grupo atua principalmente nos Estados Unidos, mas sua rede tem alcance global, com conexões com profissionais e instituições em diversos países.

O que fazem?

O trabalho do LAP é multifacetado, com foco em:

  • Solidariedade internacional: Apoio público à causa palestina por meio de declarações, campanhas e ações de mobilização.
  • Preservação da memória: Defesa da proteção de arquivos palestinos e do acesso a registros históricos que documentam a ocupação e a resistência.
  • Educação crítica: Produção e difusão de materiais que ajudam a compreender o contexto histórico e político da Palestina, com ênfase em como a informação, o conhecimento e os registros são afetados por políticas coloniais.
  • Ações contra a censura: Denúncias sobre repressões a materiais pró-Palestina em bibliotecas e instituições de ensino, especialmente nos Estados Unidos.

Publicações em destaque

O LAP publica regularmente textos, zines, recursos educacionais e manifestos. Algumas de suas publicações mais relevantes incluem:

  • “Libraries, Archives, and the Occupation: A Report from Librarians and Archivists to Palestine” (2014). Relato da primeira delegação à Palestina, que detalha as visitas a bibliotecas e centros de documentação em Ramallah, Belém, Jerusalém e outras localidades. Um documento essencial para quem deseja entender a dimensão cultural da ocupação.
  • “Confronting Zionism in Libraries and Archives”. Série de textos e ações que expõem como o sionismo institucionalizado influencia a seleção, curadoria e censura de materiais nas bibliotecas acadêmicas e públicas.
  • Materiais educacionais sobre BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). O LAP apoia o movimento BDS e oferece recursos informativos sobre o papel das instituições culturais nesse contexto.

Além disso, o grupo mantém um site oficial e presença ativa em redes sociais, onde compartilha notícias, campanhas e eventos.

O que bibliotecários e arquivistas têm a ver com a Palestina

O trabalho do LAP é um exemplo potente de como as profissões da informação podem atuar de forma ética, engajada e solidária. Ao lado de outras iniciativas de resistência cultural, o grupo nos lembra que os arquivos e bibliotecas não são neutros. Eles também são territórios de disputa, especialmente em contextos de opressão e apagamento histórico.

A atuação do Librarians and Archivists with Palestine reforça a importância de manter viva a memória de um povo, defender o acesso à informação e reconhecer que a justiça social passa, também, pelas práticas e políticas informacionais.


Escrito por Baderna James

2023: permanecer proliferando desobediências

Passada uma década em que o nosso Junho aconteceu, vimos que o mundo mudou e a natureza de alguns fenômenos sociais também mudaram desde 2013. Avançamos em conquistas, retrocedemos em direitos e permanecem constantes indignações.

Reconhecemos a mesma força que mobilizou nossos primeiros materiais impressos no vigor que nos move para seguir hoje. Fazemos livros artesanais e zines pois acreditamos na proliferação das desobediências que as palavras escritas, faladas, cantadas, rimadas, impressas ou pichadas nos muros são parte do universo de possibilidades que queremos imaginar e agir. Um horizonte autônomo, libertário, anarquista e cheio de faça-você-mesma!

Aquele Junho está em nós como um livro que permanece no tempo resistindo aos desafios impostos pela lógica da composição (ou da decomposição) de sua materialidade. A Monstro dos Mares não é um livro na prateleira do tempo, mas sim a apropriação do tempo como um existencial, uma ruptura da técnica que promove o anseio de permanecer proliferando desobediências. Fazemos os livros existirem a partir das ações de nosso próprio bando.

Sentimos que somos parte desse tempo enquanto ele existir. Somos parte dos frutos que florescem desde 2013 e vamos permanecer proliferando desobediências.

Junho de 2023, Editora Monstro dos Mares, 10 anos.


Apoie a campanha de 10 anos

Fortaleça o corre autônomo de fazer livros da Monstro dos Mares no Catarse
e receba recompensas únicas por isso.

LIVROS:

“Mapeando vozes não binárias nas redes sociais”, de Ju Spohr: Através de entrevistas com dez pessoas que se autodenominam não binárias nas redes sociais, Ju Spohr delineia um panorama de vivências que se localizam fora dos polos feminino ou masculino, assumindo a descentralização, a fluidez e a contradição ao colocar à prova os modelos normativos de gênero e sexualidade.

“A produção patológica do antagonismo: a institucionalização da violência contra pessoas trans”, de Cello Latini Pfeil e Bruno Latini Pfeil: Para analisar como a invenção da transexualidade enquanto categoria diagnóstica repercutiu em sistemas de controle, tutela e opressão contra pessoas trans, Cello e Bruno Latini Pfeil utilizam uma lente analítica anarquista e decolonial, recorrendo à lógica de que dinâmicas de opressão e infantilização, culpabilização e segregação constituem violências institucionais recorrentes que atravessam corpos trans.

“Construindo cidadania: a história de luta de travestis e transexuais no Brasil”, de Cristiane Prudenciano: Estabelecendo diálogos entre a luta de travestis e transexuais pela garantia de direitos e construções históricas e sociais que, sistematicamente, apagam o protagonismo das pessoas trans nessas lutas, Cristiane Prudenciano delimita um referencial histórico entre os anos de 1990 a 2016, resgatando as conquistas de pessoas que, vivendo em situações de violação, invisibilidade, opressão e violência, intencionam uma nova realidade para suas vidas e para a sociedade.


RECOMPENSAS:

Pôster comemorativo por Felipe Risada: convidamos o Estúdio Suco Gráfico e o artista Felipe Risada (@felipe_risada) para a criação da nova marca e identidade visual da Monstro dos Mares em celebração desses 10 anos. RiR criou a arte de um pôster exclusivo, impresso em risografia, para marcar essa data. Somente 330 exemplares. Formato ledger (27,5 x 39,5 cm), em papel colorplus 120 g, cores variadas e enviadas aleatoriamente. Duas dobras.

Impressorinha 3D: nosso amigo Paulo Capra (@paulo_capra) fez a modelagem e impressão 3D da querida Impressorinha, em cores variadas (5,5 x 5,5 x 3 cm, nas cores branco, rosa, amarelo e cinza Nintendo) enviadas aleatoriamente. Somente 30 unidades.

Sacola: sacola retornável em lona encerada (29 x 29 cm) confeccionada com material reutilizado de malotes pela Associação das Feirantes da Economia Solidária de Ponta Grossa – AFESOL (@afesol_).

Bandeirola: confeccionada em algodão cru e serigrafia (40 x 50 cm). Produzidas por voluntáries no espaço da Monstro dos Mares.

Porta caneca: suporte para canecas (8,5 x 8,5 cm) em papel reciclado 300 g, com arte exclusiva comemorativa dos 10 anos da Monstro.

Adesivo: com a nova marca da editora (5 x 5 cm), autocolante com proteção UV.

5 Zines A5: escolhidos aleatoriamente de nosso catálogo (dimensões 20 x 14 cm, aproximadamente 24 páginas).

Coleção Entender: 5 Zines A6 que compõem a coleção, abordando os temas Gênero, Poder, Colonialismo, Anarquismo e Supremacia Branca (dimensões 10 x 14 cm, aproximadamente 16 páginas cada).

Minicurso “Crítica ao trabalho: queer, desistente e bipolar”: encontro on-line com 4h de duração ministrado por Claudia Mayer, doutora em Estudos Literários e Culturais pela PPGI/UFSC. O curso visa fomentar a crítica ao trabalho como instituição, abordando a compreensão de que a necessidade de trabalhar é uma alavanca social que mobiliza corpes dissidentes a suspender-se a fim de tornar possível a manutenção da vida.

Valeu por fortalecer o nosso corre. Defenda sua quebrada!

Fortaleça a migração da Monstro dos Mares para um novo espaço

De tempos em tempos, cada uma de nós realiza os próprios ciclos migratórios e aceita a mudança em nossos corpos, ideias, espaços e epistemologias. A Editora Monstro dos Mares decidiu realizar um festival de frutificação de publicações da estação e celebrar o novo espaço com uma campanha de financiamento coletivo.

Nosso novo espaço permite que a Editora Monstro dos Mares se torne um ponto de encontro, um lugar onde as amizades podem conviver e construir ideias, projetos, atividades e publicações que possibilitem proliferar as desobediências. Em nosso novo endereço, temos espaço para uma lojinha, acomodamos nossas três impressoras [Espertirina Martins, Marsha P. Johnson e Ricota DX-2330], a bancada para montagem dos livros, estoque, romaneio e expedição, acomodação para hospedagem temporária de pessoas em viagem ou visita, uma pequena cozinha e um quintalzinho para deixar as bicicletas ou promover eventos diminutos.

Estamos migrando da sala da casa da abobrinha e baderna, com cerca de 19m² para um local com mais de 100m², onde esperamos que um novo capítulo da editora seja escrito junto das novidades que estão acontecendo na Monstro dos Mares: marca nova, site novo, espaço de criação, produção e convivência coletiva. Tudo isso, não apenas para nossa editora, mas para compartilhar com monas, minas e manos que somam e fortalecem.

Fortaleça a campanha de financiamento coletivo “Migração de Outono” da Monstro dos Mares!

Financiamento coletivo: Aniversário 9 anos Editora Monstro dos Mares

Em Junho a Monstro dos Mares celebra 9 anos e queremos que você faça parte da história do nosso bando colocando seu nome na lista de pessoas que contribuíram e fortaleceram a editora nesse período de dificuldades, num vai e vem de pandemias e incertezas.

Por menos que o valor de um jogo de PlayStation na promoção, a caixa que marca o aniversário de 9 anos da Editora Monstro dos Mares tem 24 cm x 16 cm x 10 cm e pesa entre 850g e 960g de materiais impressos que nos trouxeram até aqui desde aquela noite fria de inverno, quando amizades se encontraram numa garagem para traduzir os textos que estavam compondo suas leituras sobre segurança e autodefesa naquele tempo. Ao escolher essa recompensa, você receberá essa caixinha recheada de quitutes, escolhidos dentre os mais de 270 itens disponíveis no catálogo da loja entre zines, livros, pôsteres e adesivos. Queremos que a caixa chegue em suas mãos com a alegria de quando recebemos um presente que chega de surpresa pelas mãos da carteira e do carteiro. Todos os itens serão aleatórios, mas seguindo um critério de composição entre livros, zines, adesivos, pôsteres e extras.

Ao escolher a Caixa Tinta no Papel como recompensa, você ajudará a Editora Monstro dos Mares a continuar fazendo livros que carregam em suas palavras muito mais do que “um amontoado de um monte de coisa escrita”. São ideias de pessoas que lutam diariamente para que as transformações que a gente mais precisa possam acontecer sem depender dos canalhas. Mais tinta no papel, nossa cultura de mão em mão!

Itens da caixa:

  • 15 zines A5;
  • 10 zines A6;
  • 2 livros de lombada canoa (até 96 páginas);
  • 1 livro de lombada quadrada (acima de 100 páginas);
  • adesivos, pôsteres, surpresas extra.

Para apoiar acesse: catarse.me/monstro9anos

Dádiva: para compartilhar livros e leituras

Quando a Monstro dos Mares surgiu como editora numa noite fria de inverno, lá pelo misterioso ano de 2013, um de nossos objetivos era vender parte dos materiais para viabilizar a distribuição de outros. Desde a primeira experiência editorial em 14 de Junho de 2012 em nossa “Casa Pirata“, um centro social/cultural autônomo que durou pouco tempo e deixou muita saudade, no lançamento do “Leviatã de Papel“, já com o nome de Editora Artesanal Monstro dos Mares e no calor dos protestos de Junho de 2013, fizemos muitas impressões para distribuir na pequena cidade de Cachoeira do Sul (RS), onde tudo começou. Também conseguimos enviar exemplares impressos para diversas amizades e tornar essa prática uma gostosa forma de existir e permanecer. E assim seguimos.

Em 2017, a Monstro dos Mares recebeu novo fôlego: a querida editora-geral abobrinha se somou ao projeto da editora e tornou possível fazer mais livros, zines, banquinhas, boas conversas e, consequentemente, uma maior distribuição gratuita de materiais impressos de diversos coletivos e iniciativas editoriais. Aos poucos, as publicações da própria Monstro foram surgindo, conhecemos mais pessoas e realizamos muitas trocas, descobrindo espaços e conectando pessoas. Mais e mais livros e zines para todo canto.

Desde então, o bonde cresceu. Nos anos de 2018 e 2019 recebemos várias pessoas, criamos um conselho editorial, abrimos uma Rede de Apoio no Catarse, feiras, eventos, congressos e diversos pacotes de livros pra lá e pra cá. Desde os preparativos para o I Colóquio Anarquismo e Pesquisa, que aconteceu em Novembro de 2018 na UFSC, decidimos criar um registro de quantos livros e zines foram distribuídos gratuitamente naquele ano. 123 livros e 102 zines. Foi um susto quando percebemos que, ao anotar em um caderno simples essas quantidades, era muito mais do que imaginávamos. Porque é um livrinho pra um, um zine pra outra, envia um pacotinho para alguma biblioteca e assim chegamos a 821 livros e 1.211 zines no ano de 2020.

Com tantos números, decidimos lançar uma página em nosso website chamada “Numerologia”, onde era mantido o registro mensal de muitos dados gerados por nossa atividade editorial: livros impressos, livros distribuídos gratuitamente, zines impressos, zines distribuídos gratuitamente, quantidade de impressões, geração de energia solar, todos com os dados mensais e parciais do ano, total por ano e total geral. Com o tempo, gerar e acompanhar tantos números se tornou uma tarefa complexa, principalmente pelo fato de mantermos o apontamento de todos esses dados manualmente no cadernão. Em Abril de 2021, a página parou de receber atualizações para dar espaço a algo diferente.

Queremos conhecer mais pessoas, coletivos, organizações, bandos e bandas. Não se trata somente de fazermos livros para distribuir gratuitamente, mas de fortalecer espaços, pesquisas e bibliotecas. Nesse momento de pandemia, não temos a possibilidade de visitar os territórios onde as atividades acontecem. Este é um período no qual trocamos conversas e experiências principalmente em nossos canais e grupos no telegram, redes sociais e pelo bom e velho e-mail.

Nosso amigo Mauricio Knup, que faz parte da Rede de Apoio da editora, é a partir de agora a pessoa que faz a interface entre grupos, coletivos, bibliotecas, singularidades, sindicatos, federações e movimentos sociais que desejam receber livros da Monstro dos Mares. Queremos conhecer os espaços, trocar ideias, sabermos como podemos ajudar a fortalecer as atividades e programar uma visita para quando o pandemônio acabar.

Se você participa de alguma iniciativa anárquica, anarquista ou inspirada pelo anarquismo, por favor, acesse o site da Dádiva (https://dadiva.monstrodosmares.com.br) e confira as informações sobre a distribuição gratuita de livros e zines. Queremos estar em contato, estabelecer vínculos e fortalecer a solidariedade entre nossas iniciativas.

Projeto descontinuado em Julho de 2024.

Agradecimentos “Manifestos Cypherpunks”

Nossa campanha se encerrou no último dia 1º de Setembro, com R$11.697,00 arrecadados, 241 apoiadores e 731% do valor atingido. A todas as pessoas que nos apoiaram, gracias!

Já comentamos o quanto estamos felizes e surpresos com o alcance da campanha e de como essa será a maior tiragem (até aqui) de um livro artesanal da Monstro dos Mares, com 500 cópias, praticamente todas elas já com endereço certo para ir. Ainda teremos alguns exemplares no site da Monstro e em banquinhas por aí (se a pandemia permitir). E 50 exemplares a serem distribuídos para bibliotecas e centros culturais.

Boa parte dos “Manifestos Cypherpunks” já estão impressos, bem como a maior parte das outras recompensas. Agora, estamos aguardando entrar os 10 dias úteis do Catarse para receber o valor arrecadado e então começar a enviar os pacotes para 21 estados brasileiros via Correios. Esperamos que no final deste Setembro e no início de Outubro os livros começam a chegar.

Qualquer dúvida nos escrevam. Mais uma vez obrigado!

Seguimos,

BaixaCultura e Monstro dos Mares


Apoiadoras e Apoiadores

Apoios anônimos

Ageu Silva
Akira e zbrsk
Alberto Torres
Alexandre Souza
Alexandre Tomy
Alexis Peixoto
Allan Felipe Fenelon
AllanGomes
Alphazine
Alysson G.
Ana Carolina Moreno
Ana Cunha
Ana Rauber
Anders Bateva
André “decko” de Brito
Andre da Silva Costa
André Freitas
André Houang
André Lucas Fernandes
André Ramiro
Andre Teixeira de Salles
Andrei Altamira
Andressa Vianna
Angela Natel
Antonio Assis Brasil
Barbara Castilho Maximo
Beatriz Martins
Beck Maurício
Bernardo Ramos Gall
Bruno Borges
Bruno Caldas Vianna
Bruno de Souza Bezerra
Bruno Moura
Cadós Sanchez
Cadu Simões
Caio Ramos
Caioau
Carla Arend
Carlos Eduardo Falcão Luna
Caroline Antonioli
Caru Campos
Cesar Lopes Aguiar
Christian Lima
Cindy Evelyn Peterson
Claudia Renata Capitanio
Cristiane Fronza
CryptoRave
Daniel Coelho de Oliveira
Daniel Rockenbach
Daniela Soares
Danilo Alves
Danilo Heitor Vilarinho Cajazeira
Davenir Viganon
Debbie Bertelhe
Débora Grama Ungaretti
Diego Alves
Diego Canto Macedo
Douglas Nunes Brandão
Eduardo Filipe Santos
Eduardo Henrique Maziero
Eliezer Pedroso Rosa
Ellen Ortiz
Elvio Pedroso Martinelli
Erik Teixeira Gonçalves Rodrigues
Evelyn Gomes
Fabio Barros
Fabricio Barili
Felipe Schneider
Fellipe Vieira
Fernando de Azevedo Alves Brito
Fernando Luis de Oliveira
Fernao Vellozo
Filipe Saraiva
Gabriel Ribeiro
Gabriel Vinicius Oliveira Soares
Guilherme Alves
Guilherme Magalhães
Guilherme Paixão
Gustavo Nicolau Gonçalves
Gustavo Pereira Dutra

Harim Britto
Helping With Code
Hendrik Nigul
Henrique Gustavo Miranda de Jesus Rodrigues
Henrique Novaes
Hiago da Silva Lacerda
Ian Fernandez
Ian Zwanck Goodwin
Igor Burle
Igor Henrique da Costa Morais
Iriz Medeiros
Isabela Baptista
Isadora Scopel
James William Pontes Miranda
Jean Luca Vedovato dos Santos
Jefferson de Freitas Silva
Jefferson Maier
Jeronimo Cordoni Pellegrini
João Eduardo Herzog
João Luiz Pena
João Moreno Rodrigues Falcão
João Victor Vieira Carneiro
João Vitor
José Domingues de Godoi Filho
Juliana Rosa
Karina Akemi Goto
Kemel Zaidan Maluf
Laetitia Valadares
Larissa Gdynia Lacerda
Leonardo Barbosa Rossato
Leonardo Koch Kewitz
Leonardo Nascimento
Lielson Zeni
Lillian Moura
Lorenzo
Luã Fergus Oliveira da Cruz
Lucas Eishi Pimentel Mizusaki
Lucas Gallindo
Lucas Lago
Lucas Loezer
Lucas M.A.C.
Lucas Prehs Visinoni
Luciana Salazar Salgado
Lucyan Butori
Luís Otávio Oliveira dos Santos
Luiz Denis Graça Soares
Luiz Paulo Colombiano
Lupi
Maralheios
Marcelo Lopes de Almeida
Marcelo Scrideli
Marcia Ohlson
Marcio Augusto
Márcio Conrado dos Reis
Marcos Antonio Peccin Junior
Marcus Antonius Soares da Silva
Marcus Repa
Marcus Vinícius
Mari Messias
Maria Eduarda Mesquita
Mariah Guedes
Marta Sofia da Fonseca Safaneta
Matheus
Matheus Grandi
Matheus Leite
Mauricio Marin
Maximiliano Saldanha de Oliveira
Miguel Antunes Ramos
Mobi Yabiku Neto
Monica Marques
Nanashara Ferreira Piazentin Gonçalves
Natali Mamani
Nathan Gomes Farias Neri
Nelson
Nelson de Luca Pretto
Panic
Pato
Paulo Almeida
Paulo Sergio
Paulo Vitor de Castilhos Lopes

Pedro Felipe Vergo Scheffer
Pedro Gil
Pedro Lucas Porcellis
Pedro Luiz Santos
Pedro Markun
Pedro Santos Teixeira
Pedro Teles
Professor Rodrigo
Rafael Ghiraldelli
Rafael Pinto
Ranulpho
Raphael Marques de Barros
Renato Dell
Rodolfo de Souza
Rodrigo Amboni
Rodrigo da Silva Freitas
Rodrigo Oliveira
Rodrigo Ortiz Vinholo
Rogerio Christofoletti
Rogerio Garcia de Oliveira
Roque Francisco
Rubens Ozorio Leão
Rudney Vinicius Gonçalves de Souza
Sandro Miccoli
Sávio Lima Lopes
Silvio Sidney Gomes dos Santos
Simone Caldas Vollbrecht
Stéfano Mariotto de Moura
Talita Souza
Tatiana Balistieri
Thiago Borne
Thiago Mendonça
Tiago Bugarin
Tito Guerra Bocorny Filho
Victor Augusto Tateoki
Victor Góis
Victor Perin
Victor Wolffenbüttel
Vinicius Yaunner
Vitor Diniz Kneipp
Vote Nelas
Wagner de Melo Reck
Willy Stadnick
Wllyssys Alves de Lima
Yasmin Curzi
Zaulao

Monstro dos Mares: 500.000 impressões de livros e zines de inspiração anárquica

No mês de Outubro de 2020 a Editora Monstro dos Mares, um pequeno coletivo editorial de inspiração anárquica localizado no interior do estado do Paraná, atingiu a marca de meio milhão de impressões. Esse número não representa absolutamente nada para a indústria gráfica nacional, mas é muito significativo para as pessoas, coletivos, movimentos sociais, bibliotecas comunitárias e iniciativas editoriais de livros e zines artesanais no Brasil.

Fazer impressões em casa para distribuir e fortalecer a disseminação de ideias radicais reúne um espectro de experiências que evidenciam a importância da autonomia e da livre cooperação entre pessoas e coletivos que compartilham dos mesmos princípios e éticas. Ao produzir um novo título, ou recuperar e colocar para circular uma publicação de outros tempos, aprendemos muito sobre apropriação tecnológica, sobre a necessidade de tinta no papel. Também percebemos a urgência do desenvolvimento de estratégias de sobrevivência e manutenção de nossos espaços coletivos, que muitas vezes se beneficiam diretamente da distribuição, venda e circulação de impressos. Além disso, obviamente, aprendemos sobre a contribuição para o aprendizado e mobilização das pessoas que estão unidas conosco nas lutas sociais ao lado de quem vem de baixo.

Nesse momento marcante da editora, queremos agradecer às monas, minas e manos que em algum momento de suas vidas e militâncias decidiram dedicar algum tempo para produzir materiais que questionam o Estado e o estado de coisas. São livros e zines que subvertem lógicas estabelecidas, pesquisas acadêmicas que expõem as linhas de fratura da normalidade e relatos de grupos e individualidades que, do lado de fora dos muros das universidades, criaram materiais para circular de mão em mão, feitos em casa, de baixo custo e que vão circular entre pessoas (tal como você e eu) que lutam para que o mundo, da forma que está, não mereça existir por nem mais um segundo.

Em 2020, desde o primeiro dia do ano, a Monstro dos Mares chamou para que as águas fizessem emergir novas editoras, coletivos publicadores, distros e banquinhas. Quando essas iniciativas despontam no horizonte, nossa sensação de criar, resgatar, mobilizar e difundir ideias radicais e dissidentes no formato impresso é uma ação direta no enfrentamento do grande capital, das constantes guinadas autoritárias, da precarização do trabalho e da destruição do meio ambiente. Essa não é uma tarefa fechada em si mesma, mas que está unida, de braços esticados e na luta. Tudo isso buscando não ignorar as subjetividades que nos constituem como pessoas e que nos unem como coletividades. Quando surge uma nova editora anarquista, aspiramos novos ares e vento nas velas.

As 500.000 impressões que alcançamos desde Agosto de 2017 representam mais do que 50 caixas de papel, 500 pacotes de A4, 15 litros de tinta pigmentada, mais de 5.000 livros e 9.000 zines. Esse meio milhão de impressões significa que há um espaço, mares navegáveis e um oceano de limonada para as ideias radicais. Além de comemorar esses números, queremos agradecer cada pessoa que carinhosamente nos incentiva a continuar fazendo o que acreditamos. Livros e Anarquia!

Editora Monstro dos Mares
Outubro de 2020

Scroll to top