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“Anarquismo √© criar bibliotecas”

anarquismo é criar bibliotecas

Para alguns, ser anarquista tamb√©m √© lutar contra o estigma da viol√™ncia. No caso de Toby, respons√°vel pela biblioteca anarquista mais antiga do M√©xico, a luta imediata √© humanizar nossas formas de conviv√™ncia. “O que voc√™ ganha quebrando uma vitrina? Amanh√£ v√£o colocar outra”, questiona.


CIDADE DO M√ČXICO ‚Äď Toby det√©m uma das maiores cole√ß√Ķes bibliogr√°ficas sobre anarquismo no continente. O homem, na casa dos cinquenta, √© anarquista e pacifista at√© a medula, o que para ele √© o mesmo. Seus √≥culos t√™m a rigidez de um arame e ele parece dispensar quase tudo, at√© mesmo o sobrenome: insiste que eu o cite como “Toby da Biblioteca Reconstruir”.

A Biblioteca Social Reconstruir foi fundada pelo anarquista Ricardo Mestre, refugiado da Guerra Civil Espanhola que em 1976, nos anos da mais dura persegui√ß√£o pol√≠tica ao Partido Revolucion√°rio Institucional (PRI), abriu uma biblioteca p√ļblica com seus livros. Mestre faleceu e agora Toby cuida da livraria localizada a algumas ruas da esta√ß√£o do metr√ī La Raza, ao norte da Cidade do M√©xico.

Na entrada, que √© aberto ao p√ļblico, h√° uma placa proclamando ‚ÄúLiberdade e n√£o-viol√™ncia‚ÄĚ. Quando pergunto a Toby Sem Sobrenome por que paz? ele conta a seguinte hist√≥ria:

Nos anos em que Mestre esteve na Espanha, os donos da f√°brica onde ele trabalhava contratavam fura-greves para arruinar uma greve de trabalhadores. Os confrontos viraram at√© tiroteios. Em uma ocasi√£o, Mestre atirou contra um fura-greve que ficou apenas ferido.

Anos depois, numa turn√™ de propaganda, ele foi questionado por alguns participantes sobre seu local de origem. O Mestre respondeu que era de Villanueva y Gelt√ļ, ao que um dos presentes respondeu que aquele lugar trazia lembran√ßas ruins, pois em uma √©poca em que sua fam√≠lia estava literalmente morrendo de fome lhe ofereceram um p√©ssimo emprego e a necessidade o fez aceitar, mas ele descobriu que teve que enfrentar alguns grevistas e nos tumultos foi espancado, perseguido e que tomou um tiro.

O Mestre percebeu que tinha sido o homem que atirou nele e em suas mem√≥rias reflete: ‚ÄúComo √© poss√≠vel que n√≥s anarquistas tenhamos matado um homem por causa de coisas materiais? Fomos capazes de matar um homem que entrou no conflito, n√£o por ser um traidor, mas por causa da fome, por causa da mis√©ria?”.

O Mestre entendia o anarquismo de uma perspectiva muito mais ampla: se os fins eram bons, os meios tinham que ser bons, explica Toby.

Toby, na Biblioteca Social Reconstruir.
Toby, na Biblioteca Social Reconstruir. Foto: José Ignacio de Alba.

‚ÄĒ Como voc√™ explicaria o anarquismo para algu√©m que n√£o conhece o termo?

‚ÄĒ As pessoas n√£o entendem bem o conceito e a imprensa ou o Estado se encarregam de dizer que anarquismo √© caos, desordem, quando significa o contr√°rio. O anarquismo cria uma sociedade organizada sem governo, ou seja, h√° organiza√ß√£o. Basicamente, quando surge um problema, discutimos juntos, o que √© acompanhado por uma a√ß√£o direta; existe um problema, n√≥s resolvemos n√≥s mesmos, sem intermedi√°rios.

‚ÄĒ Tem gente que associa a a√ß√£o direta com a viol√™ncia, e n√£o √© bem assim n√©?

‚ÄĒ N√£o, n√£o, n√£o. A√ß√£o direta √© quando voc√™ tem um problema de criminalidade na vizinhan√ßa, ou com o lixo, qualquer coisa. Voc√™ cria um acordo com os vizinhos e eles arrumam na hora, ou seja, a√ß√£o direta. √Č como se voc√™ quisesse sair com uma garota, voc√™ n√£o vai dizer ao seu amigo “veja se ela quer sair comigo.” N√£o! Voc√™ vai pessoalmente fazer as coisas, isso √© a√ß√£o direta. Sempre foi assim, no anarcossindicalismo √© o trabalhador que vai direto no patr√£o: essas s√£o as nossas condi√ß√Ķes! Sem ter um advogado que vai falar por eles. A a√ß√£o direta √© para aqueles envolvidos em resolver seus pr√≥prios problemas.

Toby explica que o anarquismo chegou ao México em 1861 com o grego Plotino Rhodakanaty, que fundou o grupo Estudantes Socialistas, onde floresceram diferentes movimentos. Um dos participantes mais proeminentes era Julio Chávez López, que organizou uma revolta camponesa em uma área entre Chalco e Puebla.1 Os rebeldes queimaram terras e títulos de propriedade até que o movimento foi suprimido militarmente e Chávez López foi fuzilado.

‚ÄĒ Este movimento influenciou a Revolu√ß√£o?

‚ÄĒ N√£o, porque o problema do M√©xico e de toda a humanidade √© que a mem√≥ria se perdeu, n√£o h√° continuidade; Al√©m disso, o Porfirismo2 foi encarregado de apagar a hist√≥ria dessas rebeli√Ķes.

O anarquismo no México voltou a florescer no século 20, com os irmãos Flores Magón, Librado Rivera, Práxedis G. Guerrero, entre outros. Aqueles eram os tempos da Revolução e do jornal anarquista Regeneração que circulou em várias cidades. O Partido Liberal Mexicano lutou em vários lugares, a popularidade do anarquismo causou seu isolamento com outros revolucionários, como o Francismo I. Madero.

Toby explica que a Constituição em vigor no México, desde 1917, tem vários elementos anarquistas. Por exemplo, as jornadas de trabalho de 8 horas, o dia de descanso e a autonomia municipal são elementos magonistas.

‚ÄĒ Qual √© a situa√ß√£o do anarquismo no M√©xico?

‚ÄĒ Atualmente as cidades s√£o muito grandes, s√£o poucos os que lutam pelo anarquismo. Isso indica que vai dar muito trabalho. Mais do que perfei√ß√£o, buscamos mais elementos de liberdade. Se tiv√©ssemos for√ßa para derrubar o Estado e poder nos apropriar dos meios de produ√ß√£o, o far√≠amos; Mas enquanto n√£o podemos, estamos formando espa√ßos: criamos bibliotecas, promovemos a pedagogia libert√°ria, apoiamos grupos que fazem r√°dios livres, localizamos gente que t√™m espa√ßos ociosos na comunidade. Estamos criando espa√ßos e procurando uma maneira de levar o anarquismo a coisas muito b√°sicas. Por exemplo: anarquismo √© criar bibliotecas.

‚ÄĒ Que avalia√ß√£o voc√™ faz do que aconteceu no dia 2 de Outubro com a viol√™ncia durante o protesto?3

‚ÄĒ Quando algu√©m quebra uma vidra√ßa, pergunto: “O que voc√™ ganha quebrando uma vitrina? Amanh√£ v√£o colocar outra”, questiona. Essas cenas ficam boas apenas nas fotos, mas isso n√£o faz a menor diferen√ßa. A viol√™ncia se torna uma esp√©cie de carnaval, onde as pessoas gritam “Morte ao Estado!” e depois voltam √† normalidade. Temos que repensar a efic√°cia do que fazemos agora. √Č na mente e no cora√ß√£o que devemos fazer a mudan√ßa, antes de usar armas.

Toby garante que as pessoas mais violentas durante as marchas s√£o as primeiras a sair do anarquismo, ‚Äúporque voc√™ n√£o vai vencer um Estado de viol√™ncia com sua suposta viol√™ncia‚ÄĚ. Al√©m disso, ele garante que as pessoas que agem com viol√™ncia durante as marchas tendem a ter ‚Äúideias burguesas‚ÄĚ sobre o anarquismo, e agem como o Estado quer conceb√™-las.

‚ÄĒ Como voc√™ traz o anarquismo para a vida di√°ria?

‚ÄĒ Tornando as coisas que voc√™ faz todos os dias mais humanas.

Toby recomenda a leitura de Ideologia anarquista de √Āngel J. Capelleti para quem deseja saber mais sobre o assunto.

Texto: Ignacio de Alba
Fotos: Daniel Lobato e Ignacio de Alba
Publicado em Pie de Pagina em 6 de Outubro de 2019
Tradução: DaVinci
Notas, revis√£o e versionamento: Baderna James


Importante

Nota da Monstro dos Mares: Podemos não concordar com as ideias de Toby sobre alguns temas, mas concordamos plenamente que é necessário e urgente criar mais espaços sociais comunitários como o hacklab, a rádio livre e a biblioteca, independentemente de qualquer divergência.

  1. Nota da edição: Puebla, oficialmente Heroica Puebla de Zaragoza, é um município do México, capital do estado de Puebla. []
  2. Nota da edição: O Porfirismo na história do México, é o período de 30 anos durante o qual governou o país o general Porfirio Diaz. []
  3. Nota da edição: Grandes protestos em memória aos 51 anos (2019) do Massacre de Tlatelolco, onde militares abriram fogo contra centenas de estudantes e civis que protestavam contra a realização dos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México. []
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Agnes Inglis: Bibliotec√°ria Anarquista

Agnes Inglis nunca planejou uma carreira como bibliotec√°ria. Aos 52 anos em 1924, e ap√≥s um per√≠odo de intenso trabalho em prol dos imigrantes radicais que enfrentavam persegui√ß√£o e deporta√ß√£o ap√≥s a Primeira Guerra Mundial, Inglis visitou a biblioteca da Universidade de Michigan para consultar a cole√ß√£o de livros, peri√≥dicos, artigos, recortes e ef√™mera doada por seu amigo Joseph Labadie em 1911. ‚ÄúJo‚ÄĚ Labadie1 foi um l√≠der sindical, reformador social e anarquista individualista que acumulou um grande n√ļmero de materiais documentando a multid√£o de eventos e movimentos dos quais ele participou ao longo de uma carreira de quarenta anos. Inglis encontrou a cole√ß√£o original de Labadie nas mesmas condi√ß√Ķes em que fora doada: ‚Äúem √≥timo estado‚Ķ embora ainda n√£o encadernada‚ÄĚ. (Inglis 1924) Ela decidiu passar um curto per√≠odo de tempo como volunt√°ria na biblioteca desempacotando e separando materiais. Esse curto per√≠odo se transformou em 28 anos de servi√ßo distinto e principalmente gratuito, durante os quais ela n√£o apenas organizou a grande cole√ß√£o, mas a aumentou em cerca de vinte vezes seu tamanho original, e a elevou ao status de que goza hoje entre as bibliotecas que documentam a hist√≥ria e filosofia do anarquismo e outros movimentos sociais e pol√≠ticos radicais. A vida de Inglis como anarquista e bibliotec√°ria nos mostra um excelente caso de intersec√ß√£o entre ideais pol√≠ticos e biblioteconomia.

Agnes Inglis

Nascida como a filha mais nova de uma fam√≠lia abastada de Detroit em 1872, Agnes passou a maior parte de suas tr√™s primeiras d√©cadas em uma casa de fam√≠lia religiosa, conservadora e isolada. Seu pai, um m√©dico not√°vel, morreu quando ela tinha quatro anos. Al√©m de um ano em uma academia exclusiva para meninas em Massachusetts, Inglis passou a juventude cuidando de uma irm√£ doente com c√Ęncer e, posteriormente, de sua m√£e, que morreu antes de Agnes completar trinta anos. Sem mais obriga√ß√Ķes familiares e uma renda substancial, Agnes saiu de casa para viajar e frequentar a Universidade de Michigan, onde estudou hist√≥ria e literatura.

Inglis deixou a escola antes de se formar e passou v√°rios anos como assistente social na Hull House, em Chicago, na Franklin Street Settlement House em Detroit e na Ann Arbor YWCA. Enquanto trabalhava nesses ambientes, ela adquiriu conhecimento √≠ntimo das condi√ß√Ķes injustas de trabalho e vida sofridas por mulheres e homens imigrantes da classe trabalhadora. Ela tamb√©m se tornou c√©tica quanto √† efic√°cia das pol√≠ticas e programas liberais destinados a transformar a vida dos trabalhadores e, subsequentemente, come√ßou a questionar as condi√ß√Ķes sociais, econ√īmicas e pol√≠ticas nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, Inglis continuou sua educa√ß√£o abreviada informalmente. Ela lia muito e era especialmente atra√≠da e persuadida por escritores revolucion√°rios. Ela assistiu a muitas palestras em Ann Arbor e Detroit dadas por uma variedade de cr√≠ticos sociais, muitos deles anarquistas. Ela conheceu Emma Goldman em 1915 e tornou-se amiga da famosa anarquista, por meio da qual tamb√©m conheceu Alexander Berkman, companheiro e amante de longa data de Goldman. Inglis organizou palestras anarquistas no sudeste de Michigan, come√ßou associa√ß√Ķes e amizades com muitos radicais locais e juntou-se √† divis√£o de Detroit dos Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW). Al√©m de seu ativismo, Inglis usou seus recursos financeiros para apoiar generosamente os esfor√ßos radicais, de fundos de greve a dinheiro de fian√ßa para aqueles presos por expressar pontos de vista pol√≠ticos impopulares.

Com o in√≠cio do envolvimento dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, Inglis intensificou suas atividades radicais, participando frequentemente de manifesta√ß√Ķes de protesto contra o recrutamento militar obrigat√≥rio e a guerra. Quando o governo reprimiu os radicais que se manifestavam contra a guerra no que ficou conhecido como o primeiro Red Scare (p√Ęnico vermelho), Inglis descobriu que seus recursos eram ainda mais necess√°rios. Junto com os esfor√ßos incans√°veis em apoio √†queles que enfrentavam a deporta√ß√£o, ela tamb√©m pagou fian√ßa para v√°rios indiv√≠duos e contribuiu pesadamente para seus fundos de defesa. Seu apoio de longa data a causas radicais acabou levando sua fam√≠lia a cortar seu acesso ilimitado a fundos e deu-lhe apenas uma renda modesta para viver.

Quando a turbul√™ncia ap√≥s o Red Scare diminuiu, Inglis come√ßou sua carreira na Cole√ß√£o Labadie. Como curadora, Agnes desenvolveu t√©cnicas organizacionais idiossincr√°ticas que, no entanto, forneceram uma estrutura √ļtil para a cole√ß√£o. Ela come√ßou dividindo materiais diversos em amplas categorias de assuntos que resultaram em um sistema de arquivos vertical ainda em uso atualmente. Ela tinha muitos jornais encadernados, incluindo Mother Earth, Regeneration e Appeal to Reason, e compilou recortes e outras coisas ef√™meras em √°lbuns de recortes, lidando com assuntos sobre os quais existia documenta√ß√£o abundante, como Emma Goldman, Haymarket, o IWW, o caso Tom Mooney, e Sacco e Vanzetti. Al√©m disso, ela construiu um cat√°logo de fichas detalhado (tamb√©m ainda em uso) que continha a cataloga√ß√£o em n√≠vel de item da maioria dos materiais da cole√ß√£o, bem como listas de informa√ß√Ķes de indiv√≠duos e grupos que funcionavam como um arquivo de autoridade de nome de baixo n√≠vel.

Agnes Inglis

Embora sua morte tenha deixado alguns mist√©rios sobre a disposi√ß√£o dos materiais na cole√ß√£o, seus esfor√ßos organizacionais restauraram informa√ß√Ķes contextuais aos materiais e os tornaram muito mais utiliz√°veis por pesquisadores. N√£o h√° evid√™ncias de que ela teve ou procurou a ajuda de bibliotec√°rios treinados dentro do sistema de biblioteca; consequentemente, todo esse trabalho foi feito por conta pr√≥pria.

A Inglis teve sucesso em aumentar e ampliar muito o acervo da Cole√ß√£o Labadie. Depois de alguns anos organizando-a, Agnes e Jo enviaram uma carta a 400 radicais pedindo-lhes que contribu√≠ssem com seus materiais documentando eventos e pessoas que conheciam. Embora a carta tenha recebido apenas uma resposta limitada, Inglis a usou como ponto de partida para buscar agressivamente pessoas para doar materiais. Entre as cole√ß√Ķes mais importantes que ela adicionou estavam documentos relacionados a Voltairine de Cleyre, uma anarquista nascida em Michigan e amiga de Emma Goldman, e o escritor socialista John Francis Bray. Ela usou suas extensas conex√Ķes e correspond√™ncia com radicais do per√≠odo, como Goldman, Roger Baldwin, Elizabeth Gurley Flynn e Ralph Chaplin, entre muitos outros, para persuadi-los a contribuir com materiais relevantes. Agnes tamb√©m ajudou muitos indiv√≠duos em suas pesquisas e publica√ß√Ķes, incluindo ajudar Goldman e Chaplin com suas autobiografias, Henry David com o seminal The Haymarket Tragedy e James J. Martin com Men Against the State.

A carreira de Inglis tem significado hist√≥rico para bibliotec√°rios preocupados com quest√Ķes de justi√ßa social por uma s√©rie de raz√Ķes. Sua hist√≥ria √© inspiradora do ponto de vista pol√≠tico porque, uma vez que seus ideais pol√≠ticos foram formados, ela nunca os traiu e os viu como centrais para seu trabalho como bibliotec√°ria. Suas motiva√ß√Ķes vieram explicitamente de sua devo√ß√£o aos ideais da filosofia e da hist√≥ria dos anarquistas e outros radicais de esquerda com os quais ela trabalhou por um mundo melhor e mais justo. Seus compromissos pol√≠ticos muitas vezes trabalharam em benef√≠cio da cole√ß√£o, visto mais explicitamente no uso de suas conex√Ķes para adquirir registros de seus camaradas. Mesmo recentemente, a Cole√ß√£o Labadie recebeu um valioso conjunto de pap√©is de uma mulher que ainda era grata a Agnes por ter libertado seu pai da pris√£o em 1917.

Ela tamb√©m priorizou o uso da cole√ß√£o, chegando ao extremo de emprestar materiais. Quando um de seus tomadores de empr√©stimo danificava ou n√£o devolvia um item, sua natureza gentil e generosa nunca permitiu que ela os acusasse. Ela ficou satisfeita o suficiente com o interesse das pessoas pelos materiais. Uma nota que ela escreveu descrevendo seu empr√©stimo de um livro para um anarquista italiano que vivia na Vig√©sima Alian√ßa em Detroit em 1934 diz que ‚Äúa Vig√©sima Alian√ßa √© dura para um livro raro!‚ÄĚ

Finalmente, seu conhecimento dos indiv√≠duos e eventos daquela hist√≥ria permitiu-lhe coletar, organizar, descrever e fornecer acesso aos materiais da cole√ß√£o com efic√°cia. Certa vez, Inglis escreveu para Emma Goldman: ‚ÄúN√£o √© brincadeira pegar todo esse material e consert√°-lo para que os alunos possam realmente us√°-lo. N√£o √© um trabalho que todos possam fazer. √Č preciso conhecer o material. As pessoas n√£o gostam disso.‚ÄĚ (Inglis 1925) Agnes devotou o ter√ßo final de sua vida √† Cole√ß√£o Labadie, at√© sua morte em 1952. Gera√ß√Ķes de acad√™micos que usaram a cole√ß√£o apreciaram o conhecimento, habilidade e dedica√ß√£o que Agnes Inglis trouxe √† causa de documentar a hist√≥ria dos movimentos pol√≠ticos radicais nos Estados Unidos e sua contribui√ß√£o para essa hist√≥ria √© incomensur√°vel.

Trabalhos citados

  • Inglis, Agnes (1924) Carta para Joseph Labadie, 11 de fevereiro, Joseph Labadie Papers, Labadie Collection, University of Michigan, Ann Arbor.
  • Inglis, Agnes (1925) Carta para Emma Goldman, 19 de mar√ßo, Emma Goldman Papers, Labadie Collection, University of Michigan, Ann Arbor.

Por: Julie Herrada e Tom Hyry
Publicado no Progressive Librarian
Traduzido por DaVinci, revisado por abobrinha.

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  1. Para obter mais informa√ß√Ķes sobre a vida de Labadie, consulte a excelente nova biografia de Carlotta Anderson, All American Anarchist: Joseph A. Labadie e o Movimento Trabalhista (Detroit: Wayne State University Press) 1998. []
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Oito livros anarquistas fundamentais (de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez)

oito livros anarquistas fundamentais

Nos livros de Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez pode-se compreender as bases do anarquismo, encontrar edi√ß√Ķes que quase desapareceram devido √† sua estigmatiza√ß√£o, e descobrir a faceta libert√°ria do pensador Noam Chomsky. Estes s√£o os textos fundamentais para um seguidor dessa corrente.

A ideia de um mundo sem governo, no qual todos os indivíduos possam considerarem-se livres de qualquer jugo, é, para muitos, utópica, ilusória, ou simplesmente uma piada. Para os/as anarquistas ou libertário(a)s, pelo contrário, acabar com o Estado, o capitalismo, e qualquer regulamentação opressora tem sido sua maior motivação há séculos.

O problema √© que o termo anarquia ‚ÄĒ que por sua etimologia grega significa “aus√™ncia de governo” ‚ÄĒ est√°, muitas das vezes, associado √† viol√™ncia ou a tumultos. No M√©xico, por exemplo, v√°rios jornais fazem uso do termo unicamente para referirem-se a atos violentos que s√£o cometidos por algumas pessoas que guiam suas vidas segundo tais ideais. No Chile, o jornalista italiano Lorenzo Spairani foi deportado, em 2017, por gravar v√≠deos de uma marcha sindical, tendo sido acusado de fazer parte da cena anarcoliberal. Isso p√Ķe em d√ļvida a plena democracia do Chile, disse Spairani ao jornal costarriquenho El Pa√≠s.

Na Col√īmbia, h√° personalidades que, longe de promover a viol√™ncia, assumiram o anarquismo a partir das letras e das artes c√™nicas. Uma dessas pessoas √© Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez, escritor, bonequeiro, pensador, e tamb√©m fundador, h√° 44 anos em Bogot√°, do teatro La Lib√©lula Dorada, no qual injeta o “veneno” libert√°rio atrav√©s de obras de sua autoria como El Dulce Encanto de la isla Acracia. Ele tamb√©m colaborou no suplemento Magaz√≠n Dominical do jornal El Espectador com v√°rios artigos dedicados ao anarquismo, e em 1992 fundou o jornal Bi√≥filos, assim batizado em homenagem ao ativista e anarquista colombiano Bi√≥filo Panclasta, do qual produziu quatro edi√ß√Ķes. Sua biblioteca, que ocupa quase tr√™s c√īmodos de sua casa, √© uma vasta cole√ß√£o de filosofia, contos infantis, pe√ßas teatrais, cancioneiros, poemas, e h√° um local especial para estes oito livros, recomendados por Iv√°n Dar√≠o, que s√£o fundamentais para qualquer interessado(a) em conhecer as bases e os ideais anarquistas.

Diccionario anarquista de emergencia – Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

livros Diccionario anarquista de emergencia - Iv√°n Dar√≠o √Ālvarez e Juan Manuel Roca

Parecer√° um pouco narcisista come√ßar com este livro que escrevi junto com o poeta Juan Manuel Roca, mas este texto √© como uma introdu√ß√£o ao anarquismo. Este livro est√° dividido em duas partes: na primeira, tomamos os termos de A a Z pr√≥ximos √† anarquia e os definimos do ponto de vista libert√°rio, atrav√©s de cita√ß√Ķes de fil√≥sofos, anarquistas, ou pessoas com ideais semelhantes ao anarquismo; na segunda parte, inclu√≠mos umas mini-biografias de personalidades que muita gente ignora que estavam pr√≥ximas dessa corrente, tal como Albert Camus, Arthur Rimbaud, Oscar Wilde e Leon Tolst√≥i.

Anarquía y orden РHerbert Read

livros Anarquía y orden - Herbert Read

Esta √© uma joia porque, devido √† sua estigmatiza√ß√£o, encontrar edi√ß√Ķes desta obra √© como procurar uma agulha no palheiro. Neste livro, Read re√ļne seis ensaios, nos quais h√° desde poesia at√© filosofia, e os relaciona ao anarquismo. Isto tamb√©m √© uma raridade em seu trabalho, porque esse ingl√™s √© mais conhecido por suas publica√ß√Ķes sobre est√©tica. A editora argentina que publicou esta obra, Am√©ricalee, √© muito importante, pois se encarregou de resgatar cl√°ssicos do anarquismo de meados do s√©culo XX.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Razones para la anarquía РNoam Chomsky

livros Razones para la anarquía - Noam Chomsky

Chomsky também é muito conhecido por seus trabalhos linguísticos e críticos, mas pouco por sua faceta libertária. Neste livro, onde também há entrevistas, ele faz um estudo sobre a prática das ideias anarquistas na Guerra Civil Espanhola, que levaram a impedir que os franquistas tomassem Barcelona. Os libertários também assumiram o controle das fábricas, eliminaram o dinheiro, e colocaram os campos nas mãos dos camponeses, sob autogestão. O autor vê nisto um modelo inspirador para uma nova sociedade, onde seja possível haver uma democracia construída de baixo para cima, e não ao contrário.

‚ėě Dispon√≠vel em The Anarchist Library.

El corto verano de la anarquía: vida y muerte de DurrutiHans Magnus Enzensberger

livros El corto verano de la anarquía: vida y muerte de Durruti - Hans Magnus Enzensberger

Durante a Guerra Civil e a gesta√ß√£o do movimento oper√°rio espanhol, surgiram grandes figuras, entre elas o metal√ļrgico Buenaventura Durruti. Ele teve uma vida extraordin√°ria: esteve preso, em seguida fugiu da Espanha e andou pelo M√©xico, Cuba e Argentina roubando, n√£o para ficar rico, mas para financiar suas lutas sociais e a funda√ß√£o de escolas anarquistas. Ele tamb√©m criou a Coluna de Ferro, que eram as mil√≠cias anarquistas que enfrentavam Franco. Enzensberger tece muito bem esse relato, e o conta como um romance, com testemunhos de simpatizantes, inimigos, e por meio de fragmentos de livros e entrevistas.

‚ėě Dispon√≠vel em La Biblioteca Anarquista.

Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable – Christian Ferrer

livros Cabezas de tormenta: ensayos sobre lo ingobernable - Christian Ferrer

Nos quatro ensaios que comp√Ķem este livro, Ferrer pesquisa o estilo de vida dos libert√°rios, seu idealismo e f√© nas ideias, e os p√Ķe como um modelo do qu√™ o anarquista ideal pode ser. Tamb√©m se encarrega de desmistificar o imagin√°rio que a burguesia imp√īs √† sociedade a respeito do que √© um seguidor da anarquia: algu√©m estigmatizado, satanizado por sua rebeldia, um ser perigoso e incendi√°rio que sempre anda com uma bomba oculta. O autor d√° a essa obra um estilo pessoal que o torna muito po√©tico e agrad√°vel de ler.

El crep√ļsculo de las maquinas – John Zerzan

livros El crep√ļsculo de las maquinas - John Zerzan

Este trabalho √© muito pol√™mico porque Zerzan √© contr√°rio ao progresso da civiliza√ß√£o que, para ele, est√° nos levando a um beco sem sa√≠da. Ele argumenta que, com o surgimento da agricultura, come√ßou a divis√£o do trabalho e um ideal de ambi√ß√£o e de conquista que serviram de base para o escravismo. O autor prop√Ķe voltar a uma sociedade primitiva, onde haja uma rela√ß√£o mais estreita entre os seres humanos e a natureza, e onde as cidades n√£o existam; para ele, elas s√£o monstros em crescimento que degradaram o ser humano at√© o ponto de convert√™-lo em algu√©m anti-social.

Anarchy Alive!Uri Gordon

livro "anarquia viva!" Uri Gordon

O ativismo e sua participação em redes contra o Banco Mundial, o G8 e todos esses movimentos capitalistas e de globalização, levaram a esse graduado em Oxford a fazer este livro, que é sua tese de graduação. O particular é que ele não o fez sentado à uma mesa, mas sim embasado nas suas experiências em protestos. Gordon explica que, ainda que o anarquismo tenha sido ofuscado por movimentos como o marxismo, nunca desapareceu; depois do Maio de 68, houve uma nova irrupção e atualmente existem anarquistas que não se autodenominam assim, devido à estigmatização da palavra, e sim como autonomistas, assembleístas, etc.

‚ėě Dispon√≠vel na Biblioteca Anarquista Lus√≥fona.

Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes РRichard Porton

livro Cine y anarquismo: la utopía anarquista en imágenes

O cinema sempre esteve presente nas lutas sociais, e mostrou o anarquista de diferentes maneiras. Porton explica isso da perspectiva daqueles que seguem esses ideais, assim como daqueles que n√£o seguem. Aqui falamos sobre, por exemplo, Sacco e Vanzetti (1971), filme que conta o caso de dois imigrantes italianos que chegaram nos Estados Unidos em busca de um futuro melhor e que, ao ver as formas brutais de explora√ß√£o daquele pa√≠s, ingressam no movimento oper√°rio norte-americano para lutar a partir do anarquismo. Logo s√£o acusados ‚Äč‚Äčde um crime que n√£o cometeram e s√£o condenados √† cadeira el√©trica.


Fonte: Andr√©s J. L√≥pez. Artigo ¬ŅQu√© hay en la biblioteca de un anarquista? originalmente publicado na revista Cartel Urbano, de Bogot√° (Col√īmbia), em 22 de fevereiro de 2017. Vers√£o em portugu√™s por Anders Bateva.

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Biblioteca Anarquista Lusófona

Biblioteca Anarquista Lusófona (logo)
www.bibliotecaanarquista.org

As chaves de uma biblioteca podem abrir novas ideias! O projeto da Biblioteca Anarquista Lusófona está no ar e precisa de sua participação e divulgação. A Biblioteca Anarquista Lusófona é um repositório de textos anarquistas e de interesse para anarquistas. Baseia-se no The Anarchist Library e tem a mesma estrutura do site em inglês.

No que se refere ao uso do termo ‚Äúanarquismo‚ÄĚ na biblioteca, aceita-se que esse √© um termo bastante amplo. Mas amplo n√£o significa infinito, e, basicamente, se reduz a um conjunto de ideias contra o Estado e o Capital. Todas as ideias an√°rquicas e anarquistas que estejam identificadas com essa defini√ß√£o s√£o bem-vindas. Isso exclui imediatamente o chamado ‚Äúanarco-capitalismo‚ÄĚ, o ‚Äúanarco-nacionalismo‚ÄĚ e porcarias similares.

A Biblioteca Anarquista Lusófona foi traduzida e é mantida por um conjunto de pessoas de variados espectros e entendimentos do anarquismo. Toda pluralidade e diálogo comum entre nós é frutífero. Por isso, a biblioteca não é de uma pessoa, nem pertence ao grupo x ou y. Tampouco é vinculada a uma determinada corrente / organização. Qualquer pessoa pode inserir novos textos e fazer download de arquivos para leitura e impressão.

Inserir textos na biblioteca

Para contribuir inserindo textos no repositório da biblioteca, basta você saber a origem do texto, ou seja, de onde ele foi extraído: a fonte. A familiaridade com editores de textos também é bem-vinda. Se você souber um pouquinho de HTML ou Markdown, vai ajudar bastante.

Tempo necessário: 30 minutos.

  1. Selecione um texto

    Com certeza você tem uma pastinha com muitos arquivos de textos anárquicos e anarquistas. Verifique a fonte do texto e pense como ele pode ser importante para outras pessoas;

  2. Evite a duplicação

    √Č bem importante verificar se o texto n√£o est√° dispon√≠vel na biblioteca. Confira a lista completa por ordem alfab√©tica;

  3. Adicionar um novo texto

    Agora é a hora de adicionar um novo texto. Você pode utilizar o sinal de + na parte superior da página ou o link no rodapé. Lembre-se que é necessário estar registrado no site para prosseguir;

  4. Cadastrar as informa√ß√Ķes b√°sicas

    Agora √© a hora de cadastrar o t√≠tulo do texto, autor, data original de publica√ß√£o, fonte (origem) do texto, palavras chave, outras informa√ß√Ķes e colar o texto. Avan√ßar!

  5. Revisar o texto

    Lembre-se de revisar o texto. Utilizar um navegador moderno com um pacote de idiomas e corretor de texto atualizado √© uma √≥tima pedida. Evite utilizar formata√ß√Ķes importadas do Word. Para colar sem as forma√ß√Ķes voc√™ pode utilizar o comando (control + shift + v, ou command + shift + v, se utilizar sistema operacional Apple). Se poss√≠vel, remova todas as marca√ß√Ķes <br> ou </br>.

  6. Revise as notas de rodapé

    Para utilizar notas de rodap√©, basta inserir em qualquer parte do texto o n√ļmero da nota dentro de colchetes, por exemplo:

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Pellentesque consectetur, sem eget ultrices fermentum, turpis augue venenatis diam, in rhoncus lacus risus non sem[1].

    No final do texto, em uma nova linha, adicione a senten√ßa “n√ļmero da nota de rodap√© entre colchetes espa√ßo texto da nota”. Veja o exemplo:

    [1] Texto da nota de rodapé, 2020.

  7. Visualizar as modifica√ß√Ķes

    Enquanto voc√™ revisa o texto, √© poss√≠vel visualizar como ele est√° ficando. Esse processo ajuda muito para verificar se as modifica√ß√Ķes realizadas deram certo;

  8. Enviar

    Tudo certo? Agora, basta enviar! Volunt√°rios e volunt√°rias da Biblioteca Anarquista Lus√≥fona far√£o a revis√£o e publica√ß√£o do material. Tenha um pouco de paci√™ncia, pois cedo ou tarde voc√™ vai receber recomenda√ß√Ķes de modifica√ß√Ķes/revis√Ķes ou informa√ß√Ķes sobre a publica√ß√£o do texto.

  9. Obrigada!

    Só é possível manter o repositório on-line se as pessoas utilizarem a biblioteca. Use e divulgue.


Recursos avançados

Com a Biblioteca Anarquista Lusófona é possível:

  • Contribuir com revis√Ķes em textos;
  • Fazer o donwload do texto em diversos formatos de leitura (html, pdf, ePub, LaTex);
  • Baixar o arquivo pdf para leitura ou pronto para impress√£o de caderno (booklet);
  • Adicionar o texto em sua sele√ß√£o pessoal e criar um livro com os textos selecionados (bookbuilder);
  • Selecionar somente um trecho do texto para formar uma cole√ß√£o de cita√ß√Ķes;

Suporte da biblioteca

Algumas pessoas est√£o on-line em um pequeno grupo no Telegram (https://t.me/bibliotecaanarquistalusofona) neste exato momento para ajudar quem tem d√ļvidas sobre como utilizar a biblioteca. Se precisar de aux√≠lio a qualquer momento, n√£o hesite em participar do grupo. E, se puder, auxilie outras pessoas tamb√©m.


A Editora Monstro dos Mares apoia a Biblioteca Anarquista Lusófona sem nenhum tipo de vínculo.

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A biblioteca ideal

O grande sonho de Durruti e Ascaso era fundar editoras anarquistas em todas as grandes cidades do mundo. A maior empresa deste g√™nero teria sua sede em Paris, o centro do mundo intelectual, se poss√≠vel na Place de l‚Äô√ďpera ou na Place de la Concorde. L√° deveriam ser editadas as obras mais importantes do pensamento moderno. Para esse fim foi fundada a Editora Internacional Anarquista, que publicava in√ļmeros livros, panfletos e jornais em todas as l√≠nguas. O governo franc√™s, como o espanhol e todos os outros regimes reacion√°rios do mundo, perseguia esse trabalho com todos os meios policiais poss√≠veis. N√£o lhes agradava nada que o grupo de Ascaso e Durruti se tornasse conhecido tamb√©m no terreno cultural. Pris√Ķes e ex√≠lios acabaram levando a editora √† ru√≠na. A crian√ßa dileta desses dois filhos de Dom Quixote teve de ser provisoriamente enterrada. Ascaso e Durruti voltaram a pegar em armas, como o Cavaleiro da Triste Figura tomara da lan√ßa ‚Äúpara acabar com a injusti√ßa, salvar os aflitos e introduzir o reino da justi√ßa na terra‚ÄĚ.

C√°novas Cervantes, O curto ver√£o da anarquia, Hans Magnus Enzensberger,
1987, Editora Schwarcz, S√£o Paulo.

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5 dicas para ajudar uma biblioteca p√ļblica

Sabemos que os incentivos financeiros s√£o escassos e que esse quadro √© mais vis√≠vel quando trata-se de bibliotecas p√ļblicas. Mesmo com todos os incentivos governamentais √© triste perceber que conforme dados da Funda√ß√£o Biblioteca Nacional, existem 6.008 bibliotecas p√ļblicas para os 5.570 munic√≠pios do pa√≠s e que a maioria desses equipamentos culturais encontram-se concentrados nos grandes centros. Muitas bibliotecas correm s√©rios riscos de fechar.


O que você pode fazer?

1. Considere utilizar a biblioteca p√ļblica. Utilizar o sistema de empr√©stimo de livros √© uma das formas mais importantes de valorizar o livro, o acervo e a biblioteca, pois √© atrav√©s da circula√ß√£o que pode-se verificar os ramos mais ativos e a utilidade do espa√ßo para uma comunidade. Al√©m disso, √© bem mais barato do que visitar uma livraria em um shopping center.

2. Frequentar para manter. Quando foi a √ļltima vez que voc√™ pisou na biblioteca de sua comunidade? A circula√ß√£o de pessoas √© um indicador chave do envolvimento comunit√°rio e este √© um ativo importante. Mesmo que voc√™ n√£o precise de um livro, existem outros motivos para voc√™ frequentar uma biblioteca uma ou duas vezes por m√™s, j√° que na maioria delas, √© poss√≠vel realizar consultas, ler jornais e revistas (e em alguns casos at√© mesmo consultar a internet, ouvir alguns discos e assistir filmes). Tudo de gra√ßa.

3. Promover atividades. Muito provavelmente, os bibliotec√°rios est√£o sobrecarregados de tarefas di√°rias e s√£o mal pagos, por isso n√£o reclame da programa√ß√£o de atividades na biblioteca, ao inv√©s disso, proponha algo. Fa√ßa valer o ‚Äúfa√ßa voc√™ mesmo‚ÄĚ que existe em voc√™, apresente novas ideias para promover o tipo de programa√ß√£o envolvente para as pessoas da sua comunidade. √Č poss√≠vel criar eventos variados para todas as idades. Crian√ßas jovens, adultos e idosos de sua comunidade podem ser beneficiados com suas ideias. Seja criativo e divirta-se =)

4. Ser um Voluntário. Além de atividades e eventos, os voluntários podem ajudar em tarefas simples. Tem algum tempo extra? Ajude a colocar os livros nas prateleiras corretas, na restauração e reencadernação de livros. Você sabe fazer algum tipo de manutenção? Informática, jardins ou mesmo substituir uma tomada para o novo padrão. Que tal?

5. Fale sobre os recursos da biblioteca de sua comunidade para outras pessoas. √Č curioso como existem muitas pessoas que sequer se lembram da exist√™ncia de uma biblioteca p√ļblica em sua cidade, escola ou bairro. Mais curioso ainda √© como essas pessoas ficam admiradas em poder consultar livros, revistas, jornais, acessar a internet e participar de outras atividades de gra√ßa. Promovendo cultura, conhecimento e divers√£o inteligente para toda a fam√≠lia. Comece falando na escola do seu filho.

Com um pouquinho de boa vontade e algum tempo livre, √© poss√≠vel tornar nossas bibliotecas p√ļblicas em espa√ßos cada vez mais inclusivos, m√°gicos, √ļteis e divertidos. Voc√™ √© capaz de lembrar da sensa√ß√£o da primeira vez que esteve entre os livros de uma biblioteca?

Inspirado no artigo ‚ÄúHow to save your local library‚ÄĚ.


Atualiza√ß√£o (22/03/2020): Informa√ß√Ķes recentes sobre bibliotecas p√ļblicas no Brasil podem ser acessadas no Sistema Nacional de Bibliotecas P√ļblicas.