Financiamento coletivo: aprendizados da Monstro dos Mares

Ao longo dos últimos anos, a Monstro dos Mares realizou mais de 15 campanhas de financiamento coletivo, entre iniciativas pontuais e recorrentes. Neste texto, reunimos alguns aprendizados desse percurso, atravessando plataformas, erros, acertos e muitas trocas.

Hoje estamos presentes em duas plataformas, Catarse e Apoia-se. Cada uma tem suas especificidades e, como sabemos, existem muitas outras plataformas por aí. O objetivo desta publicação é compartilhar um pouco da nossa experiência navegando pelas águas do financiamento coletivo.

Atualmente, lançar livros pela Monstro dos Mares só é possível por meio de financiamento coletivo pontual. Não contamos com recursos próprios para impressão, e é justamente aí que o financiamento coletivo se mostra um instrumento potente. Ele viabiliza os custos de produção, amplia a comunicação em torno do conteúdo e aproxima pessoas do cotidiano da editora. Muitas vezes, quem apoia um projeto acaba voltando em outros. Criamos vínculos, trocamos ideias por e-mail ou chat e, aos poucos, essas pessoas passam a fazer parte das atividades da editora.

Ansiedade do início ao fim

Nas campanhas pontuais, a ansiedade acompanha todo o processo. Começa na preparação, passa pela escolha da data ideal de lançamento, pela dúvida sobre a comunicação e pelas recompensas. Será que vão gostar? Será que os apoios vão chegar?

E quando não chegam, bate aquele frio na barriga. Por outro lado, há também a alegria de alcançar marcos como 20%, 50% e 80%. Nem sempre chegamos aos 100%, e tudo bem. Faz parte do processo. Afinal, estamos falando de livros anarquistas, não de revistas de RPG ou produtos de massa. Cada campanha é única e aprender com cada uma delas é essencial.

Planeje suas recompensas com cuidado

Uma história que sempre lembramos envolve recompensas. Em uma campanha, compramos 50 pendrives para enviar com o sistema operacional TAILS OS. Cerca de 30 foram enviados, e 20 ficaram guardados.

Anos depois, em uma nova campanha de tecnologia, resolvemos usar esses pendrives novamente. Deu certo até a hora de gravar. O sistema tinha passado de 4GB para 8GB, e os pendrives se tornaram inúteis. Resultado: tivemos que comprar novos, com dinheiro da campanha, o que bagunçou bastante as contas.

Moral da história: planeje bem suas recompensas e cuide das finanças do projeto com atenção.

Optar por plataformas maiores

Sabemos quais são as principais plataformas e também conhecemos seus problemas. A taxa de 13% costuma gerar desconfiança e nos faz olhar para alternativas menores. Ainda assim, as plataformas maiores têm uma vantagem importante: muitas pessoas já possuem cadastro, já apoiaram outros projetos e estão habituadas ao processo.

Outro ponto é a limitação na formatação de textos. Independentemente da plataforma, ainda há muito a melhorar. Inserir textos com boa organização, títulos e legibilidade é um desafio. Nem mesmo recursos simples como Markdown são oferecidos.

Mesmo com essas limitações, entendemos que vale arriscar em ferramentas mais consolidadas e lidar com seus problemas.

Sistemas de pagamento

Um ponto básico em qualquer financiamento coletivo é o sistema de pagamentos. Espera-se facilidade com pix, cartão e boleto, além de compensação rápida e transparente.

O ideal é que o pix apareça instantaneamente na campanha e que as transferências para a conta corrente do projeto sejam ágeis e certas. Nesse aspecto, ainda há bastante espaço para melhorias, principalmente quanto aos prazos.

Divulgação e comunicação com o público

Um ponto importante que temos aprendido é lidar com o mundo hiper conectado, onde há uma disputa feroz pela atenção das pessoas, na qual levamos desvantagem em relação a grandes empresas e influenciadores. Como fazer a pessoa lembrar de pagar o boleto? A maioria das pessoas acaba tendo a sua atenção, concentração e organização engolidas pela conjuntura que vivemos, onde o trabalho é sucateado, os mensageiros e as plataformas invadem as nossas folgas e descansos, e buscamos o alívio dopamínico no entretenimento por diversas mídias, gerando um ciclo de trabalho e distração que nos afasta de nossos prazeres, propósitos e objetivos mais genuínos.

Estamos observando as estatísticas das campanhas, e aprendendo os momentos mais assertivos de enviar lembretes aos leitores para apoiar os nossos projetos. Além do conteúdo da mensagem, temos uma preocupação com o meio, já que esses lembretes tem se dado de diversas formas: por e-mail; nos nossos grupos privados de apoiadores; e pelas plataformas das chamadas big techs, já que não estar nelas nos daria uma desvantagem ainda maior pela disputa de atenção. Também estamos ocupando plataformas livres e descentralizadas, como o Mastodon, como posição política, no sentido de ajudar a construir um futuro sem as grandes corporações, mas a realidade é dura e nos faltam braços para gerir tantos espaços digitais.

Uma novidade recente, implantada na campanha Cosmologias ameríndias, foi a realização de uma entrevista gravada de cerca de 80 minutos com o autor do livro, com o objetivo de gerar cortes e realizar uma divulgação em formato familiar ao público. Além de ajudar na divulgação, cremos que ouvir a voz do autor, ver o seu rosto, é algo que ajuda a humanizar a campanha e observamos um crescimento nos apoios frente ao vídeo, pelo menos nessa primeira experiência, que pretendemos ampliar e aprimorar nos próximos financiamentos.

Conheça nossas campanhas de financiamento coletivo

As campanhas pontuais que já realizamos:

As campanhas recorrentes

Por que seguimos confiando no financiamento coletivo

Realizar um financiamento coletivo, seja pontual ou recorrente, é muito importante para um projeto coletivo. Não se trata apenas de arrecadar recursos. É também uma forma de se comunicar com o mundo, apresentar ideias, fortalecer uma proposta e construir relações.

O financiamento coletivo nos permite existir, mas também nos permite criar comunidade. E, no meio desse processo, surgem amizades e trocas que fazem toda a diferença.

Seguimos navegando.

Viva o financiamento coletivo.

Campanha de financiamento coletivo: Por uma epistemologia orgânica, de Laura Mendes

Conhecimento é coisa viva. Com essa provocação, a Monstro dos Mares lança a campanha de financiamento coletivo para publicar Por uma epistemologia orgânica, novo livro de Laura Mendes. O ensaio propõe uma reflexão original sobre as formas como aprendemos, produzimos conhecimento e nos relacionamos com o mundo, questionando a ideia de que o saber pode ser reduzido a um conjunto de conceitos abstratos, neutros ou separados da vida.

Inspirada pelas reflexões de Antônio Bispo dos Santos e por diferentes tradições de pensamento contracolonial, a autora investiga a possibilidade de um conhecimento orgânico: um saber que nasce da relação entre corpo, território, comunidade, experiência e mistério. Ao longo do livro, conceitos como aproximação, atenção, reverberação, correspondência e incorporação ajudam a construir uma filosofia do conhecimento enraizada na vida cotidiana e aberta à complexidade dos encontros.

Mais do que uma crítica às formas hegemônicas de produção do saber, Por uma epistemologia orgânica é também uma aposta em outras maneiras de pensar, aprender e existir. Entre rios, florestas, memórias e relações, o ensaio convida leitoras e leitores a imaginar conhecimentos que não buscam dominar o mundo, mas aprender com ele. Trata-se de uma obra que dialoga com a filosofia, a ecologia, os estudos decoloniais e as experiências concretas de comunidades que constroem saberes em estreita relação com seus territórios.

A campanha de financiamento coletivo está aberta até 10 de agosto. Ao apoiar o projeto, você ajuda a viabilizar a impressão do livro, fortalecer a produção editorial independente e ampliar a circulação de ideias que frequentemente permanecem fora dos grandes circuitos acadêmicos e comerciais. Para participar, acesse: https://apoia.se/epistemologia-organica. Cada apoio ajuda a fazer este livro acontecer e a colocar mais um conhecimento vivo em circulação.

Entrevista Juliano Gonçalves da Silva

No dia 30 de março, o editor Felipe Siles conversou com Juliano Gonçalves da Silva sobre o lançamento de seu novo livro Cosmologias ameríndias em movimento no cinema de ficção. Em um bate-papo descontraído, a conversa percorre os filmes analisados na obra, as impressões do autor, comentários do editor e reflexões sobre a situação dos povos originários no Brasil contemporâneo.

A entrevista já está disponível em vídeo no YouTube, e também em áudio no Archive.org e no Spotify. É uma ótima oportunidade para conhecer melhor o livro e os caminhos da pesquisa que o sustenta. Ainda dá tempo de apoiar a campanha de financiamento coletivo, que segue até o dia 24 de abril de 2026. Fortaleça o projeto e ajude a colocar o livro em circulação.

Um novo livro sobre cinema e cosmologias ameríndias

Está no ar a campanha de financiamento coletivo do livro Cosmologias ameríndias em movimento no cinema de ficção, de Juliano Gonçalves da Silva. A obra investiga como o cinema latino-americano mobiliza cosmologias ameríndias e como imagens, narrativas e personagens indígenas tensionam estereótipos históricos ainda presentes na linguagem cinematográfica.

Ao tratar o cinema como espaço de produção de sentidos, memória e disputa simbólica, o livro propõe uma leitura crítica e sensível sobre representação, decolonialidade e modos de imaginar o mundo. É uma pesquisa que dialoga com quem se interessa por cinema, estudos indígenas, imagem e pensamento latino-americano.

O livro está disponível por valor promocional durante o financiamento coletivo, e a campanha também reúne outras obras do autor, além de opções com múltiplos exemplares para compartilhar, presentear ou dividir com amizades.

Apoiar esta campanha é contribuir para a circulação de pesquisas independentes, para o fortalecimento da edição autônoma e para a ampliação de debates sobre representação e cosmologias ameríndias no cinema.

Conheça as recompensas e apoie o projeto em:
https://catarse.me/cosmologias-amerindias

Monstro dos Mares em 2025: balanço do ano, desafios e novos caminhos para 2026

A Monstro dos Mares segue existindo graças à colaboração e ao afeto de pessoas que acreditam em projetos editoriais independentes, radicais e coletivos. Nossa estrutura permanece pequena, sustentada principalmente por Baderna e Caronte, com apoio essencial de amigas e amigos que contribuem em tecnologia, segurança digital, decisões editoriais, tradução, revisão, relacionamento com grupos e movimentos, além de muitas outras frentes que exigem cuidado e dedicação. Em 2025 enfrentamos dificuldades para mobilizar nossa rede de amizades e ainda vivenciamos uma situação delicada envolvendo uma pessoa responsável pela tradução de um dos livros. Era uma questão pessoal e de saúde mental, algo que todes na editora compreendem profundamente. Isso acabou nos deixando sem um lançamento no meio do ano e desorganizou nosso calendário editorial. Apesar disso, nossa prioridade sempre será o bem-estar das pessoas envolvidas. Que possam cuidar de suas vidas com serenidade e saibam que contam com nosso carinho.

O ano começou com a publicação de “Anarquia na era dos dinossauros”, um livro-manifesto que reúne ideias, táticas e histórias para quem deseja resistir às formas fossilizadas de poder que insistem em permanecer no mundo. Publicado originalmente em 2003 pela Curious George Brigade, coletivo vinculado ao CrimethInc, o livro chega ao português brasileiro em edição colaborativa, cuidadosamente revisada e redesenhada pela Monstro dos Mares. No final de 2025 lançamos “Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República”, que recupera vidas e trajetórias apagadas pela historiografia dominante. A partir de uma investigação extensa realizada por Jr. Karllos, a obra apresenta dezenas de militantes pretos, pardos e indígenas que atuaram no campo libertário durante a Primeira República, ampliando a compreensão sobre esse período.

Ainda sentimos os impactos das decisões tomadas em julho de 2024. Foi quando migramos toda a operação para impressão sob demanda, transferimos os fanzines para a Impressora Anarquista e passamos a organizar caixa para poder retornar às feiras e eventos presenciais. As repercussões financeiras dessas escolhas foram significativas. No entanto, não era possível manter a produção doméstica dos materiais enquanto desenvolvíamos novos livros. Optamos por simplificar a operação com o POD para recuperar tempo e energia e seguir colocando mais títulos no mundo, além de reforçar nossa presença em feiras, ruas e encontros culturais.

É isso que desejamos para 2026. Queremos publicar mais livros, fortalecer nossa rede de apoios, participar de mais eventos e ampliar o acesso ao que produzimos com tanto cuidado.

Valeu por estar com a gente em mais um ano de resistência editorial. Fortaleça nosso financiamento recorrente, que ainda precisa de muitas mãos, e venha caminhar conosco em 2026.


Apoie o lançamento do livro Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República

A Editora Monstro dos Mares convida leitoras e leitores a conhecerem a campanha de financiamento coletivo do livro Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República, disponível na plataforma Catarse. A publicação reúne histórias de homens e mulheres negros, pardos e indígenas que atuaram nas lutas libertárias do início do século XX, resgatando trajetórias apagadas pela historiografia oficial.

Resultado de um extenso trabalho de pesquisa, o livro revisita personagens e movimentos que construíram uma genealogia afro-brasileira da insurgência. Mais do que exceções em um cenário dominado por figuras brancas e imigrantes europeus, esses sujeitos revelam a presença negra no coração das lutas por liberdade, igualdade e justiça social. Cada biografia é um gesto de resistência e uma recusa ao esquecimento.

A publicação parte de uma pergunta simples e incômoda: onde estão os libertários negros na história do Brasil? Ao reconstruir as respostas, o autor questiona as explicações racistas que tentaram apagar a contribuição das populações negras às ideias revolucionárias.

Ao apoiar a campanha, você ajuda a tornar possível a impressão e a distribuição independente desta obra, sem concessões a grandes grupos editoriais ou interesses de mercado. Cada contribuição fortalece um projeto coletivo comprometido com a diversidade, a inclusão e a memória das resistências.

Apoiar Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República é afirmar que a história libertária também tem rosto negro. Conheça a campanha, compartilhe e ajude a construir um futuro em que a memória e a liberdade caminhem juntas.
Acesse: https://catarse.me/brasilnegroinsurgente

Anarquia na era dos dinossauros – Apoie o lançamento do livro

Anarquia na era dos dinossauros, publicado pela Curious George Brigade e que agora ganha versão em português brasileiro pela Monstro dos Mares, é um mergulho nas crônicas da anarquia que já vive e ressoa por todo o mundo.

Alguns dos incontáveis disfarces usados pela Autoridade são o Capitalismo, o Estado e a Hierarquia. Mas o que virá depois dos dinossauros? A resposta: a anarquia.

Das favelas da América do Sul à Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial, passando pelos motins no exército estadunidense na Guerra do Vietnã, Anarquia na era dos dinossauros é sobre e para os anarquistas de hoje. Defendendo a descentralização, o caos, o apoio mútuo e as asas das borboletas, entre muitas outras coisas, os textos neste livro dão vida a táticas e estratégias para uma resistência eficaz contra os dinossauros atuais.

Anarquia na era dos dinossauros
The Curious George Brigade

Anarquia na era dos dinossauros
The Curious George Brigade
Monstro dos Mares
166 páginas
Papel pólen natural de 80g, orelhas de 7 cm.

Capa colorida com ilustração de Jane Herkenhoff (@jane.herkenhoff)
Tradução de DaVinci, anônimo e Monstro dos Mares
Revisão e preparação: Caronte Mayer
Diagramação: Baderna Jaime

Dinossauros

Nós, da Curious George Brigade, escrevemos este livro, propositalmente, não como mais um manifesto, ou como um livro chato da história anarquista morta. Na verdade, escrevemos este livro para ser um sopro de ar fresco, um testemunho da anarquia viva. Declaramos na primeira página que devemos esquecer a Guerra Civil Espanhola e continuar nosso ataque à tradição, anarquista ou não, a partir daí.

A anarquia, pelo menos nas páginas dos livros, está sofrendo com muitos historiadores pesados e teóricos hipócritas. Para quebrar esse molde, este livro se concentra em exemplos vivos de anarquia. Escrevemos este livro porque o que está acontecendo hoje é mais importante do que o que aconteceu há várias décadas ou algum esquema utópico distante para o futuro. Ao contrário de alguns anarquistas, não perdemos a esperança… todos ao nosso redor são anarquistas cheios de esperança de mudança. A beleza disso é que os anarquistas estão fazendo isso sozinhos, mudando o mundo.

O mínimo que podíamos fazer era documentar isso e tentar dar voz a essas pessoas comuns que estão fazendo coisas extraordinárias. Também não poupamos esforços contra os inimigos da anarquia: tudo, desde reuniões longas e chatas até o simbolismo disfarçado de divulgação. Lutando pela honestidade, reconhecemos muitos dos maus hábitos de obediência, adoração contínua ao líder, eficiência e delírios de controle. Todos esses são hábitos dos dinossauros, sobras do Capitalismo e do Estado.

No entanto, anarquistas estão conquistando vitórias concretas todos os dias, formando comunidades de resistência, transformando suas vidas cotidianas em veículos para a revolução, criando novos mitos que ressoam com honestidade e coragem. E eles mesmos fazem isso, contra a corrente de uma sociedade baseada em especialistas pagos.

Nós bancamos o que falamos. Este é um projeto faça-você-mesmo. Muito tempo e esforço foram dedicados a encontrar a palavra certa, criar a imagem certa e ajustar essas margens. Esperamos que goste!

The Curious George Brigade

Fortaleça o financiamento coletivo de “10 perguntas sobre o anarquismo”

10 perguntas sobre o anarquismo

Neste fim de ano, a Editora Monstro dos Mares tem a alegria de trazer ao público brasileiro a tradução para o português do livro 10 perguntas sobre o anarquismo , escrito pelo jornalista e pesquisador independente francês Guillaume Davranche.

Lançado na França em 2020, o livro já vendeu mais de dez mil cópias em seu país de origem. Escrito para diversos públicos, Davranche apresenta perspectiva detalhada das diferentes abordagens do anarquismo sobre temas fundamentais como economia, ecologia, feminismos, democracia, organização e ação.

Além disso, fornece um panorama sobre perfis de militantes ao redor do mundo – da Coreia ao México, da Argélia à Espanha. Ao resgatar a história de figuras que ajudaram a moldar o movimento anarquista ao longo do tempo, ampliam-se as compreensões das estratégias e impactos do anarquismo em diversos contextos revolucionários.

O texto da edição que apresentamos vem diretamente do original em francês intitulado Dix questions sur l’anarchisme, cujos direitos foram gentil e generosamente cedidos ao Centro de Cultura Libertária da Amazônia e à Monstro dos Mares. Desejamos que este livro se torne mais uma ferramenta de expansão do conhecimento político não apenas entre iniciantes com o intuito da autoinstrução, mas também entre quem se dedica à prática de educações abertas às dissidências.

10 perguntas sobre o anarquismo
Guillaume Davranche
CCLA + Monstro dos Mares
120 páginas
Miolo: papel off white, 80 g
Capa: papel cartão 300 g, colorido
Lombada quadrada, fresado, PUR
Impresso em gráfica
ISBN: 978-65-86008-40-1

Fortalecer o lançamento do livro

10 perguntas sobre o anarquismo apresenta as diferentes abordagens do anarquismo sobre temas fundamentais e os perfis de vinte militantes ao redor do mundo que ajudaram a moldar o movimento anarquista ao longo do tempo.

2023: permanecer proliferando desobediências

Passada uma década em que o nosso Junho aconteceu, vimos que o mundo mudou e a natureza de alguns fenômenos sociais também mudaram desde 2013. Avançamos em conquistas, retrocedemos em direitos e permanecem constantes indignações.

Reconhecemos a mesma força que mobilizou nossos primeiros materiais impressos no vigor que nos move para seguir hoje. Fazemos livros artesanais e zines pois acreditamos na proliferação das desobediências que as palavras escritas, faladas, cantadas, rimadas, impressas ou pichadas nos muros são parte do universo de possibilidades que queremos imaginar e agir. Um horizonte autônomo, libertário, anarquista e cheio de faça-você-mesma!

Aquele Junho está em nós como um livro que permanece no tempo resistindo aos desafios impostos pela lógica da composição (ou da decomposição) de sua materialidade. A Monstro dos Mares não é um livro na prateleira do tempo, mas sim a apropriação do tempo como um existencial, uma ruptura da técnica que promove o anseio de permanecer proliferando desobediências. Fazemos os livros existirem a partir das ações de nosso próprio bando.

Sentimos que somos parte desse tempo enquanto ele existir. Somos parte dos frutos que florescem desde 2013 e vamos permanecer proliferando desobediências.

Junho de 2023, Editora Monstro dos Mares, 10 anos.


Apoie a campanha de 10 anos

Fortaleça o corre autônomo de fazer livros da Monstro dos Mares no Catarse
e receba recompensas únicas por isso.

LIVROS:

“Mapeando vozes não binárias nas redes sociais”, de Ju Spohr: Através de entrevistas com dez pessoas que se autodenominam não binárias nas redes sociais, Ju Spohr delineia um panorama de vivências que se localizam fora dos polos feminino ou masculino, assumindo a descentralização, a fluidez e a contradição ao colocar à prova os modelos normativos de gênero e sexualidade.

“A produção patológica do antagonismo: a institucionalização da violência contra pessoas trans”, de Cello Latini Pfeil e Bruno Latini Pfeil: Para analisar como a invenção da transexualidade enquanto categoria diagnóstica repercutiu em sistemas de controle, tutela e opressão contra pessoas trans, Cello e Bruno Latini Pfeil utilizam uma lente analítica anarquista e decolonial, recorrendo à lógica de que dinâmicas de opressão e infantilização, culpabilização e segregação constituem violências institucionais recorrentes que atravessam corpos trans.

“Construindo cidadania: a história de luta de travestis e transexuais no Brasil”, de Cristiane Prudenciano: Estabelecendo diálogos entre a luta de travestis e transexuais pela garantia de direitos e construções históricas e sociais que, sistematicamente, apagam o protagonismo das pessoas trans nessas lutas, Cristiane Prudenciano delimita um referencial histórico entre os anos de 1990 a 2016, resgatando as conquistas de pessoas que, vivendo em situações de violação, invisibilidade, opressão e violência, intencionam uma nova realidade para suas vidas e para a sociedade.


RECOMPENSAS:

Pôster comemorativo por Felipe Risada: convidamos o Estúdio Suco Gráfico e o artista Felipe Risada (@felipe_risada) para a criação da nova marca e identidade visual da Monstro dos Mares em celebração desses 10 anos. RiR criou a arte de um pôster exclusivo, impresso em risografia, para marcar essa data. Somente 330 exemplares. Formato ledger (27,5 x 39,5 cm), em papel colorplus 120 g, cores variadas e enviadas aleatoriamente. Duas dobras.

Impressorinha 3D: nosso amigo Paulo Capra (@paulo_capra) fez a modelagem e impressão 3D da querida Impressorinha, em cores variadas (5,5 x 5,5 x 3 cm, nas cores branco, rosa, amarelo e cinza Nintendo) enviadas aleatoriamente. Somente 30 unidades.

Sacola: sacola retornável em lona encerada (29 x 29 cm) confeccionada com material reutilizado de malotes pela Associação das Feirantes da Economia Solidária de Ponta Grossa – AFESOL (@afesol_).

Bandeirola: confeccionada em algodão cru e serigrafia (40 x 50 cm). Produzidas por voluntáries no espaço da Monstro dos Mares.

Porta caneca: suporte para canecas (8,5 x 8,5 cm) em papel reciclado 300 g, com arte exclusiva comemorativa dos 10 anos da Monstro.

Adesivo: com a nova marca da editora (5 x 5 cm), autocolante com proteção UV.

5 Zines A5: escolhidos aleatoriamente de nosso catálogo (dimensões 20 x 14 cm, aproximadamente 24 páginas).

Coleção Entender: 5 Zines A6 que compõem a coleção, abordando os temas Gênero, Poder, Colonialismo, Anarquismo e Supremacia Branca (dimensões 10 x 14 cm, aproximadamente 16 páginas cada).

Minicurso “Crítica ao trabalho: queer, desistente e bipolar”: encontro on-line com 4h de duração ministrado por Claudia Mayer, doutora em Estudos Literários e Culturais pela PPGI/UFSC. O curso visa fomentar a crítica ao trabalho como instituição, abordando a compreensão de que a necessidade de trabalhar é uma alavanca social que mobiliza corpes dissidentes a suspender-se a fim de tornar possível a manutenção da vida.

Valeu por fortalecer o nosso corre. Defenda sua quebrada!

Fortaleça a migração da Monstro dos Mares para um novo espaço

De tempos em tempos, cada uma de nós realiza os próprios ciclos migratórios e aceita a mudança em nossos corpos, ideias, espaços e epistemologias. A Editora Monstro dos Mares decidiu realizar um festival de frutificação de publicações da estação e celebrar o novo espaço com uma campanha de financiamento coletivo.

Nosso novo espaço permite que a Editora Monstro dos Mares se torne um ponto de encontro, um lugar onde as amizades podem conviver e construir ideias, projetos, atividades e publicações que possibilitem proliferar as desobediências. Em nosso novo endereço, temos espaço para uma lojinha, acomodamos nossas três impressoras [Espertirina Martins, Marsha P. Johnson e Ricota DX-2330], a bancada para montagem dos livros, estoque, romaneio e expedição, acomodação para hospedagem temporária de pessoas em viagem ou visita, uma pequena cozinha e um quintalzinho para deixar as bicicletas ou promover eventos diminutos.

Estamos migrando da sala da casa da abobrinha e baderna, com cerca de 19m² para um local com mais de 100m², onde esperamos que um novo capítulo da editora seja escrito junto das novidades que estão acontecendo na Monstro dos Mares: marca nova, site novo, espaço de criação, produção e convivência coletiva. Tudo isso, não apenas para nossa editora, mas para compartilhar com monas, minas e manos que somam e fortalecem.

Fortaleça a campanha de financiamento coletivo “Migração de Outono” da Monstro dos Mares!

Scroll to top