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Segurança Digital: já pensou em fazer Data Detox?

Então você ficou sabendo de um arquivo que circulou pela internet com a exposição de dados de ativistas sociais. Essa prática não é nenhuma novidade, mas o que certamente chamou a atenção dessa vez foi a quantidade de informações vazadas e uma possível ferramenta de coleta de dados (Web Scraping) desenvolvida para realizar essa tarefa.

Em todos os aplicativos de conversas há pessoas interessadas em fortalecer sua segurança digital, em busca de manuais para compartilhar com seus grupos de afinidade, coletivos e movimentos sociais. Estendemos aqui nossa solidariedade a compas que tiveram seus dados expostos. Ainda que nem todas as pessoas tenham se sentido ofendidas ou diretamente atingidas, a situação é grave e todas as medidas tomadas carecem do apoio de cada uma de nós.

A ponta do aicebergue

Infelizmente, um vazamento de dados como esse expõe não apenas a fragilidade que os rastros deixados por nossos dados na internet podem apresentar, como também escancara que essa é somente a ponta do aicebergue de dados que podem ser coletados por operadoras de telefonia, pelo governo déspota brasileiro, forças policiais e de vigilância.

Durante a pandemia, tornou-se evidente que os dados dos aparelhos celulares e de utilização de antenas estão sendo usado para monitorar o comportamento da população. Em uma observação distraída, essa pode parecer uma vantagem da tecnologia. Mas não há nenhum tipo de transparência sobre como esses dados são disponibilizados, quais pessoas têm acesso a essas informações e qual o tratamento dos conteúdos. Chamá-los de “dados consolidados” é uma temeridade.

Outro episódio envolvendo o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) envolve o Auxílio Emergencial, através do qual é distribuído, durante a pandemia do novo coronavírus, o benefício de 600 reais destinados à pessoas mais precarizadas que não estão cadastradas nos programas sociais do governo. Certamente você acompanhou notícias sobre militares, servidores públicos, empresários e pessoas que não atendem aos critérios do benefício, mas o estão recebendo mesmo assim. Enquanto isso, milhares ainda não conseguiram acessar o benefício.

O que aconteceu com a manipulação dos dados? Como é possível uma (des)integração de dados dessa? Houve, inclusive, o lamentável caso de Adeyula Rodrigues, uma jovem de 31 anos, desempregada, que não pode receber o benefício por constar no sistema como Presidente da República. Erros podem acontecer, é natural. Mas esta é uma ilustração do cuidado e préstimo com as informações de milhões de brasileiras e brasileiros.


Data Detox

O Data Detox Kit é um conjunto dicas e metodologias simples que vão ajudar na sua presença on-line.

Data Detox

Você sente que sua vida digital está fugindo do seu controle? Você se deixou instalar aplicativos demais, clicou “Eu concordo” muitas vezes e perdeu as contas de quantas contas e perfis você já criou? Talvez, sua vida digital não esteja tão sob controle quanto você gostaria que estivesse.

Data Detox Kit

Parece difícil saber por onde começar quando se trata de reduzir os rastros que nossos dados deixam por aí e tornar nossas presenças on-line mais seguras. À medida em que os diversos dispositivos se tornam parte de nossas vidas, convém encontrar um equilíbrio e criar um relacionamento mais saudável com a tecnologia.

O Data Detox Kit é um conjunto dicas e metodologias simples que vão ajudar na sua presença on-line. É preciso pensar numa abordagem abrangente, passando pelos diferentes aspectos da vida digital, desde a quantidade de tempo que você gasta no celular, até aos aplicativos que utiliza, e as senhas escolhidas.

O Data Detox Kit foi produzido pela Tactical Tech, com apoio da Mozilla, como um guia passo a passo de oito dias para reduzir os rastros que os seus dados deixam. Sua versão impressa foi traduzida para holandês, francês, alemão, indonésio, norueguês, polonês, português e outros tantos idiomas. Ele ainda pode ser encontrado nos eventos Glass Room, e você também pode solicitar uma cópia em PDF em datadetox@tacticaltech.org, indicando o idioma que precisa, bem como sua ideia de como e onde você gostaria de usá-lo.


Durante o mês de Junho de 2020, a Editora Monstro dos Mares vai distribuir gratuitamente 100 exemplares impressos do Data Detox Kit para pedidos, rede de apoio, bibliotecas comunitárias, coletivos, movimentos sociais e pesquisadoras.

Ei pirata! 🏴‍☠️
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Maio de 2020: chegamos a 400.000 impressões de livros e zines 🎏

O ventos sopram e por vezes fazem tudo mudar de direção. Os protestos do final de Maio mostram isso ao mundo. Tudo o que sabemos sobre as formas de atuação durante a pandemia podem se transformar repentinamente, e Junho pode reservar muitas surpresas. É lamentável e assustador que as notícias tragam tantas incertezas e ameaças à saúde e à vida das pessoas: o vírus, a polícia, a omissão do Estado. Esperamos ventos que soprem com mais força, para que o medo possa mudar de lado.

Em Maio parece que aconteceu tudo ao mesmo tempo. Entramos na era das lives, com a participação no evento “Filosofia e Eco-Anarquia em Tempos de Pandemia“, atendendo ao convite das amizades da Casa de Vidro. Também demos início ao “Chá da Tarde“, com nossa editora geral abobrinha. Ainda em Maio encerramos a campanha de financiamento coletivo do livro “O índio no cinema brasileiro e espelho recente”, de nosso amigo e companheiro de luta Juliano Gonçalves da Silva. Fizemos toda a impressão, montagem, finalização e envio dos livros em tempo recorde (você pode acompanhar o processo em nosso Instagram @monstrodosmares) e incluímos em nosso catálogo o livro “Sem lamentações: filosofia, anarquismo e outros ensaios“, que seria lançado logo após o carnaval e, por motivos que você pode imaginar, optamos por lançar sem realizar nenhum evento.


400.000 impressões

Em Agosto de 2017 começamos a manter um breve histórico de nosso volume de impressões. Passamos a registrar a quantidade de livros e zines produzidos e distribuídos gratuitamente. Recentemente começamos a registrar também a geração e consumo de energia solar produzida pela placa fotovoltaica que instalamos na janela no ano passado. Em Maio de 2020 chegamos a 400.000 impressões! Sabemos que esse número representa muita luta, muita atividade e muita solidariedade de monas, minas e manos que acreditam e confiam em nosso projeto editorial. Também estamos de cientes que compartilhar nossos processos e conquistas é fundamental para o registro de nossa trajetória como coletivo e para incentivar o surgimento de outros projetos para fazer as ideias circularem. Com isso, agradecemos o carinho de todas as pessoas que nos apoiam e fazem a Monstro dos Mares continuar. Valeu!


Numerologia de Maio de 2020

  • Impressões de Maio de 2020: 19.872
  • Livros impressos: 168
  • Livros distribuição gratuita: 74
  • Zines impressos: 195
  • Zines distribuição gratuita: 63
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 2.2Kw
  • Total de Kw gerados e consumidos com energia solar em 2020: 8.2Kw
  • Total de impressões desde Janeiro de 2020: 71.889
  • Total de impressões desde Agosto de 2017: 409.323

Numerologia: Hotsite com informações sobre nossos números mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia

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Minicurso: O que é antifascismo? (4 videoaulas)

Nosso amigo, o Professor Luiz H. P. Nascimento, preparou um minicurso de quatro videoaulas com reflexões simples sobre “O que é antifascismo?“. Os vídeos trazem panoramas que introduzem as questões e promovem reflexões. As ferramentas de informação como as videoaulas são importantes neste momento em que necessitamos acolher quem está buscando uma identificação com o antifascismo. Sem vaidades ou rancores.

Com a publicação desse minicurso, esperamos contribuir para o surgimento de iniciativas de instrução e educação que promovam as ideias anárquicas e anarquistas para fortalecer compas em todos os recantos. Nosso coletivo editorial surgiu da necessidade de aprender, disseminar informações e trocar com outras editoras.

Agradecemos o carinho e a lembrança do professor Luiz H. P. Nascimento, autor do livro “Pixação: a arte em cima do muro” publicado pela Monstro dos Mares, por ter gravado essas aulas. Obrigadão!

Bom mini-curso à todës.

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Rede de apoio: Maio de 2020

Precisamos agradecer as amizades que ajudam a manter nosso projeto editorial em atividade. Sabemos que o momento pede cautela, precaução e responsabilidade. A pandemia trouxe ao mundo diversas transformações no cotidiano e enfatizou as diferenças sociais que o grande capital impõe a toda a humanidade. Nenhuma pessoa está isenta de sua responsabilidade durante a pandemia. Portanto, pedimos que você mantenha a atenção e a solidariedade. É preciso cuidar de si, tomando as medidas de prevenção de contaminação e disseminação do vírus, cuidar de quem está próximo e das pessoas que também sofrem os impactos dessa crise, independentemente da forma.

Neste mês de Maio recebemos o carinho de muitas amizades e estamos muito felizes com isso. Por isso, agradecemos a todas as pessoas que curtem nossas publicações, acompanham nossas redes sociais, enviam mensagens privadas, e-mails, cartas, recomendam nossos materiais para as amizades e, sem dúvida, às pessoas que além de tudo isso ainda podem fazer um pouquinho mais fortalecendo nosso bonde com uma moeda em nossa Rede Apoio no Catarse ou no PicPay. Super obrigado! Seguiremos!

Nossos agradecimentos no mês de Maio de 2020

  • Mayumi Horibe
  • Hugo Leonardo dos Santos Tavares
  • Daniela de Souza Pritsch
  • Camila Silva
  • Vinícius Vieira Dias dos Santos
  • Rodolfo Maia
  • Lupi
  • Leonardo Feltrin Foletto
  • Eduardo Salazar Miranda da Conceição Mattos
  • R.
  • Lorenzo Basso Benevenutti
  • Fernando Silva e Silva
  • Willian Aust
  • José Vandério Cirqueira
  • Mauricio Marin Eidelman
  • Anna Karina
  • Victória Abreu Zanuzzo
  • Karine Tressler
  • Andrei Cerentini
  • Apoios e contribuições anônimas

A Editora Monstro dos Mares precisa da sua ajuda para continuar, contribua com
a Rede de Apoio no Catarse ou PicPay e receba materiais impressos em sua casa. 🖨️

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Agradecimentos: financiamento coletivo “O índio no cinema brasileiro e o espelho recente”

Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos

O apoio mútuo persiste e é o que nos permite continuar existindo de forma criativa. Essa reciprocidade possibilitou que a edição deste livro se concretizasse, mesmo em momento tão conturbado. Próximo ao centenário da morte de um dos grandes pensadores desse tema, trago à tona um trecho de sua obra intitulada “A Inevitável Anarquia”,

“A imprensa não tem outro tema: suas colunas estão repletas de relatórios sobre os debates parlamentares, contados em seus mais ínfimos detalhes, bem como os fatos e os gestos dos personagens políticos, de tal sorte que, lendo os jornais, nós também, esquecemos demasiado amiúde que há milhões de homens — toda a humanidade — que vivem e morrem na alegria ou no sofrimento, produzem e consomem, pensam e criam fora dessas poucas personalidades cuja importância foi exagerada a tal ponto que ela cobre o mundo com sua sombra.”

ANARQUIA (Piotr Kropotkin, Ed. Imaginário, no prelo)

Por tudo isso, agradeço profundamente aos que compreendem essas palavras: foi e sempre será nós por nós!

Fico muito agradecido a todos os apoios que tornaram a produção do livro possível! Acredito ser este um momento importante para compartilhar o contexto original deste projeto, que surgiu em meio a uma necessidade pessoal de questionar o imaginário ocidental, esse mundo tragado pelo abismo, a partir da leitura da maneira como os personagens indígenas vêm sendo retratados no cinema brasileiro. Devo dizer que a trajetória de realização desse escrito foi dura e cheia de derrotas, boicotada e ridicularizada por muitos que achavam que ela não teria espaço na academia e no mundo universitário. Essas pessoas tinham e continuam tendo a sua razão ocidentalizada, baseada em seus preconceitos humanistas. Mas continuamos caminhando.

Nessa caminhada, cada vez mais encontramos aliados e fazemos pontes, não sem rupturas e conflitos. Tais conflitos são inerentes ao tema, e se alinham às posições contrárias a sua existência, que julgam-no como algo atrasado, não-civilizado, pouco passível de análise. Insistente e radicalmente “selvagens” seguimos, antes de nos percebermos e nos tornarmos “civilizados”. Emanando energias axés, muitas se somaram e somarão nessa caminhada. Por elas e muitos outros que virão, agradeço!

Quero fazer uma homenagem especial ao amigo Sergio Luiz Mesquita, professor de História da rede estadual e morador de Duque de Caxias. Profundo conhecedor e praticante da máxima libertária do Apoio Mútuo, o amigo me apoiou e abrigou em sua casa no Rio. A partir dessa proximidade, cada vez mais se interessou pelo o tema da terrível e trágica história de contato e extermínio que os parentes sofreram aqui. Desenvolveu, então, seu estudo Doutoral sobre a imigração e as visões que se tinham do imigrante ideal para o país, relacionando-as ao suposto atraso que pensavam ser o índio para o Brasil. Juntou-se à batalha e realizou estudos inéditos e pertinentes sobre a temática, revendo a construção e política de embranquecimento da nação na construção da história a contrapelo, ainda que sua valiosa contribuição tenha sido tragicamente interrompida ao ter sua vida ceifada na semana passada pela Covid-19.

Reafirmando a Resistência, criando e indo adiante, como dizia o zapatista Subcomandante Marcos, a terceira guerra mundial será semiótica. Esta obra recoloca a imagem dos povos ameríndios no Bra$il na batalha das Barricadas do desejo! Por mais que os queiram enterrar, viraram sementes, assim sobrevivendo em um imaginário pós-pandêmico. Retomando um outro gigante, que deve ser sempre citado, o Txai Ailton Krenak em uma entrevista já clássica diz que “os povos indígenas já sobrevivem há mais de quinhentos anos, quero ver é como sobreviverão os brancos…”

Viva e deixe viver, vida longa aos povos da Floresta! Temos muito a aprender com o seu bem viver…

Juliano Gonçalves da Silva
Autor do livro O índio no cinema brasileiro e o espelho recente

Agradecimentos

Alai Garcia Diniz
Alessandra Schmitt
Almir José Pilon
Ariel Machado
Bernadete Scolaro
Caio Maximino
Cassius Marcelus Cruz
Celso Moreira Louzada Filho
Cláudia Mariza Mattos Brandão
Cristina Pacheco
Daniel Swoboda Murialdo
Danillo Bragança
Diego José Ribeiro
Doris Beatriz Neumann Wolff
Eduardo Sobral de Souza
Elizabeth de Siervi
Fernando Matos Rodrigues
Glaucos Luis Flores Monteiro
Guilherme Festinalli
Ian Fernandez
Iracema S de Souza
João Neto
Jorge Luiz Miguel
Jose Paulo da Rocha Brito
Juliano Gomes
Juliano José de Araújo
Karina Segantini
Kinoruss Edições e Cultura
Lisandra Barbosa Macedo Pinheiro
Lucas Alves
Luciana Siebert
Luciani Moreira Brignol
Luiz Alberto Barreto Leite Sanz
Maclau Gorges
Magaly Rosa Moreira
Marcelle de Saboya Ravanelli
Marcelo Castequini Martins Ferreira
Marcelo Ribeiro
Maria Betânia Silveira
Nando Korin
Nele Azevedo
Norberto de Jesus Prochnov
Nycolas dos Santos Albuquerque
Paulo Oliveira
Paulo Vitor Carrão
Ranulpho
Raphael Sanz
Rodrigo de Almeida Ferreira
Rodrigo Ribeiro Paziani
Rosy Dayane do Nascimento Costa
Sabrina Alvernaz Silva Cabral
Thaís Amorim Aragão
Vinicius Nepomuceno
Wilson Lira Cardoso

Apoios e contribuições anônimas
Agradecimentos para apoiadoras e apoiadores que tornaram possível a realização do livro “O índio no cinema brasileiro e o espelho recente” de Juliano Gonçalves da Silva, realizada no Catarse, durante os dias 02 de Março e 11 de Maio de 2020.
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Chá da tarde com abobrinha ☕

No dia 14 de maio fizemos nossa primeira live no Instagram. Escolhemos o horário das 15 horas por termos percebido muitos problemas de conexão à Internet em outras lives, que acabam se concentrando a partir das 18h. Nesse aspecto, foi uma boa decisão. Não tivemos problemas técnicos, e muitas pessoas puderam participar. Foi muito legal! Agradecemos a todas as pessoas que compartilharam uma hora conosco. Vocês são demais!

Quando recebemos a notícia de que a pandemia havia, enfim, chegado ao Brasil, a primeira constatação que fizemos foi a de que os eventos dos quais participaríamos em 2020 seriam cancelados. Além de ficar evidente para nós que a arrecadação de fundos para a Editora ficaria prejudicada, também ficamos muito chateadas por percebermos que não teríamos a oportunidade de conhecer pessoas novas, estabelecer contatos, reencontrar velhas amizades, trocar experiências, materiais e abraços. Participar de eventos é nossa parte preferida de tocar a Editora. Aqui onde imprimimos e montamos os livros, somos abobrinha e Baderna, dois gatos e uma criança que participa da produção sempre que possível e no que lhe é possível. Os eventos acabam sendo nossa maior forma de contato social não-virtual, e isso é parte do que nos faz felizes como pessoas.

No começo, pensamos em fazer vídeos para compartilhar partes do processo de produção e mandar notícias. O que fizemos algumas vezes, e foi muito legal. Os vídeos, entretanto, exigem bastante planejamento e trampos de edição, o que faz necessário que nos mobilizemos por muitas horas para a produção de apenas um material. Além disso, os vídeos não trouxeram tanto contato direto com as pessoas como esperávamos, apesar de terem sido uma experiência que pretendemos continuar fazendo.

Continuamos pensando em como chegar às pessoas, especialmente quando o peso do isolamento começou a ficar mais difícil de segurar. Como o perfil da Editora no Instagram costuma ser bastante movimentado, fizemos a experiência de abrir uma caixa de perguntas no Stories. Recebemos muitas perguntas legais, que nos renderam bons momentos e um contato mais direto com o pessoal que segue a Editora por lá. Prometemos fazer um vídeo respondendo as perguntas que exigiam mais conteúdo, o que acabou não rolando porque não conseguimos nos mobilizar para fazê-lo acontecer.

Então, eu, abobrinha, fui convidada a participar de uma live no Instagram que é parte de um projeto de uma querida amiga nossa junto à Casa de Cultura da cidade. Achei tão legal participar da live que fiquei com vontade de fazer isso mais vezes. Assim, surgiu a ideia de fazermos uma live no perfil da Editora, respondendo àquelas perguntas que haviam ficado sem resposta e também novas perguntas que poderiam aparecer no chat.

Essa live foi chamada de Chá da tarde (porque adoramos um chazinho), escolhemos a data e começamos a divulgar nas redes sociais da Monstro. No horário combinado, eu estava bem nervosa, pensando em como me sentiria colocando em prática essa novidade. Foi tão prazeroso que decidimos tornar o Chá da tarde um evento frequente. Por isso, aguardem! Haverão outros chás da tarde e mais conversas ao vivo.

Coletaremos as perguntas das pessoas que seguem a Monstro no Instagram através do Stories, e essas perguntas serão respondidas no próximo Chá da tarde. Então, fiquem atentas às postagens nos Stories, que a caixinha de perguntas voltará a aparecer uma vez por semana. A data da próxima live ainda não foi definida, mas será escolhida de acordo com a quantidade de perguntas que receberemos nas próximas semanas. Posso adiantar que, no mínimo, nos veremos uma vez por mês.

Com certeza não é a mesma coisa que nos abraçarmos e conversarmos na frente da banquinha, mas já é alguma coisa que nos coloca mais perto umas das outras.

Fiquem atentas às novidades que surgirão no Feed e no Stories do Instagram, nas publicações da página da Monstro no Facebook e também aqui pelo blog.

Um abraço virtual a todas as amizades, com desejos de que possamos abrir o pano e conversar em breve!

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Reflexões: O índio no cinema brasileiro e o espelho recente

Chegamos à última semana da campanha de financiamento coletivo do livro O índio no cinema brasileiro e o espelho recente, de autoria de Juliano Gonçalves da Silva. Por isso, aproveito este momento para levantar apontamentos para além do texto, pois sabemos que, ao chegarmos à ultima página de uma obra, começamos um novo processo de produção e reflexão sobre o que o livro nos diz e como as contribuições do/a autor/a passam a fazer parte de como nós mesmas pensamos o mundo.

O que a ficção cinematográfica pode produzir, como efeito sobre a realidade, em relação a coletividades e/ou indivíduos (re)constituídos à margem dos grupos hegemônicos de nossa sociedade?

Esse questionamento deve ser central em análises de quaisquer obras que tragam às telas personagens que pretendam representar grupos socialmente marginalizados, já que a constituição do imaginário de uma cultura perpassa todas as nossas relações sociais. Em outras palavras, preconceitos produzidos e reproduzidos na ficção são partes constitutivas dos preconceitos produzidos e reproduzidos pelas pessoas no dia a dia. Ou seja: a vida e a arte são indissociáveis. É preciso trazer à tona essa ligação imanente; é preciso des-velar a tensão ficção vs. realidade continuamente para desmantelar os ciclos de citacionalidade que sustentam as hierarquias entre as pessoas e as culturas e dão justificativa ao injustificável.

É impossível e covarde, a meu ver, desconectar do hoje qualquer esforço de análise ou comentário. Por isso, penso ser relevante situar a publicação deste livro dentro do contexto que vem sendo chamado “Crise do Coronavírus” e seus desdobramentos no Brasil.

O vírus chegou aos territórios supostamente protegidos destinados à manutenção da vida e cultura indígena, e isso se deu sobretudo através da “exploração ilegal” dessas terras. Temos falado de roubo, invasão, grilagem, e também da expropriação fundante do Brasil como nação–a invasão pelos colonizadores europeus. É fato que ao evocar esses termos e fatos históricos acertamos sobre o que move a contenda atual, mas gostaria de atrelar a essas reflexões e críticas que já fazemos duas outras questões que me acometem neste momento.

A primeira é que muitos de nós só pensamos nesses fatos em momentos de inegável comoção coletiva. Há certamente coletividades, instituições e individualidades não-indígenas que fazem da luta indígena sua própria constituição. Mas nós, pessoas brancas, estamos realmente assumindo nossa participação e responsabilidade sobre o binômio indígena/não-indígena enquanto vivemos nossa própria constituição como dependente da sustentação desse binômio? Fazemos parte de uma cultura que re(a)presenta os povos indígenas como atrasados, primitivos, não-civilizados, e essa cultura é parte do que nos faz quem somos sendo brancos. Daí a importância de questionarmos e analisarmos produções culturais, e aqui particularmente a ficção, que fazem parte da criação da narrativa de nós mesmas.

A segunda questão que gostaria de trazer é sobre a impropriedade do termo “exploração ilegal”, que coloco entre aspas justamente por causa de sua fragilidade e intrínseca trapaça. Podemos, efetivamente, classificar como legais e ilegais ações baseadas em um sistema formulado por aqueles que se beneficiam dessa organização de leis em detrimento daqueles sobre os quais as leis se aplicam? Já não foi legal a expropriação das terras dos indígenas que habitam o continente desde quando da chegada dos colonizadores, e não existe a manipulação e o preterimento das leis para que essa expropriação continue hoje, talvez sobre outros nomes? Soa ingênuo para mim, por tudo isso, chamar essas ações de “exploração ilegal” e pensar que as noções de legalidade e ilegalidade já atuam como uma espécie de punição classificatória. Como se isso fosse suficiente, e como se pudéssemos esperar sentadas por algum tipo de “justiça”.

Os questionamentos que apresentei não esgotam, sem dúvida, as possibilidades críticas e de ação que podem emergir da análise da representação de personagens indígenas no cinema brasileiro. O que busco fazer com este texto é um exercício no sentido de amplificar o que podemos perguntar, incentivar a expansão de minha capacidade questionadora. Pois, ao falar sobre um livro que disserta acerca da representação de personagens indígenas, posso, além de questionar a impropriedade ou propriedade dessas representações, questionar também a (im)propriedade das leis, a ficcionalidade das narrativas que me perpassam e constituem, a conexão entre ficção e realidade. Podemos e devemos tomar como determinação pessoal questionar tudo acerca do mundo em que vivemos.

Claudia Mayer
Doutora em Estudos Literários e Culturais
Editora Geral da Editora Monstro dos Mares
Contato: claudia@monstrodosmares.com.br

Contribuições com a campanha de financiamento coletivo do livro O índio no cinema brasileiro e o espelho recente, de Juliano Gonçalves da Silva, podem ser feitas até o dia 11/05, às 23h59min. Estamos muito felizes com o andamento dessa campanha e muito gratas a todas as pessoas que contribuíram e que ainda contribuirão. Logo os livros começarão a ser produzidos e prevemos para o fim deste mês o início dos envios nos Correios.

Apoie o financiamento coletivo do livro “O índio no cinema brasileiro e o espelho recente” de Juliano Gonçalves da Silva no Catarse -> http://catarse.me/oindionocinemabrasileiro

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Numerologia de Abril de 2020 🪔

Numerologia de Abril de 2020

Todos os dias, a pandemia do Novo Coronavírus nos atravessa com uma inundação de números assustadores. O número, entretanto, esconde em si o empobrecimento da linguagem no advento da cultura simbólica. Como falar sobre a vida de milhares de pessoas, seus nomes, ideais, sonhos e desejos? Em sua representação abstrata, o número não revela a dor de perder uma amizade, um parente, um vizinho ou uma pessoa conhecida. Por vezes, observar o número nos faz notar o que não está sendo dito: a abstração numérica esfrega em nossas caras a subnotificação de casos, dos óbitos, da irresponsabilidade e da omissão. Nenhuma vida será em vão.

Na numerologia de Abril de 2020, buscamos entender melhor nossas emoções e aprender a lidar com a ansiedade, o medo e as dúvidas. Não são dias fáceis e estendemos nossa solidariedade a todas as pessoas que estão empenhadas em encontrar formas de lidar com a pandemia. Agradecemos por todas as mensagens de carinho, pelo suporte financeiro ao Fundo de Emergência Coronavírus e pelo apoio emocional.

Numerologia do mês de Abril de 2020

  • Impressões de Abril de 2020: 8.692
  • Livros impressos: 71
  • Livros distribuição gratuita: 13
  • Zines impressos: 65
  • Zines distribuição gratuita: 37
  • Kw gerados e consumidos com energia solar: 0.2Kw

Numerologia: Hotsite com informações sobre nossos números mensais/anuais 🔮
https://monstrodosmares.com.br/numerologia


Imagem: Lâmpadas de diya de barro tradicionais iluminadas com flores para a celebração do festival de diwali.

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[Evento] Filosofia e Eco-Anarquia em Tempos de Pandemia (LIVE), Casa de Vidro, Goiânia, dia 8 de Maio, 19h.

Filosofia e Eco-Anarquia em Tempos de Pandemia (LIVE)

O eco-anarquismo ou anarquia verde é uma filosofia política anarquista com ênfase na questão ambiental. Como outras correntes anarquistas, o eco-anarquismo parte de uma crítica socialista e libertária ao capitalismo e toda forma de autoritarismo. Seu diferencial é abordar a questão ecológica como questão central ao invés de secundária, compreendendo os problemas ecológicos como inseparáveis das questões sociais e por isso igualmente urgentes.

No dia 08 de Maio, sexta-feira, a partir das 19h, A Casa de Vidro (www.acasadevidro.com), em parceria com a Editora Monstro dos Mares (https://monstrodosmares.com.br/) e o Grupo de Estudos em Complexidade, promovem o webdebate “Filosofia e Eco-Anarquia em Tempos de Pandemia” com Janos Biro Marques Leite, Pedro Tabio, Renato Costa e Eduardo Carli de Moraes. Assista ao vivo pelo Canal do Youtube d’A Casa de Vidro: https://youtu.be/yo-jeN2aPtE.

Introdução

Combinando a crítica anarquista ao Estado e ao Capital com uma perspectiva ecocêntrica vinda do veganismo, do primitivismo, da crítica à sociedade industrial ou da ecologia profunda, a filosofia eco-anarquista tem se mostrado uma fonte valiosa de reflexões e provocações para o contínuo desenvolvimento das teorias e práticas anarquistas, desafiando os paradigmas das escolas de pensamento mais tradicionais.

São consideradas como ligadas ao eco-anarquismo as seguintes tendências: o anarco-naturismo (inspirado por Thoreau, Tolstoi e Élisée Reclus), a ecologia social (que não se limita ao movimento iniciado por Bookchin), o anarcoprimitivismo (representado por John Zerzan e os autores da revista Green Anarchy) e o veganarquismo (movimento anarquista e vegano).

O anarcoprimitivismo e o veganarquismo se destacam em tempos de pandemia pela crítica que já faziam há muito tempo à sociedade de massas e à domesticação de animais como fatores da produção de pandemias e novas doenças. (Janos Biro)

Participe! Interaja!

Evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/466994764069513/

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Apoio Mútuo: boas-vindas

Apoio Mútuo

Este texto poderia dar boas-vindas a uma geração que nos próximos meses terá a oportunidade de vivenciar um conjunto de experiências chamadas de Apoio Mútuo. Seria ótimo estender os braços e receber as pessoas para esse novo momento. Porém, este não é cenário. Não é uma festa, mas a maior emergência humanitária do século 21. Haverá um mundo antes e depois do Novo Coronavírus.

O Apoio Mútuo já existe no cotidiano e no horizonte de muitas pessoas, grupos e formas de encontro social, bem antes de tentarmos classificar os comportamentos genuinamente humanos como algo de sua própria ontologia. Compartilhar os recursos que temos, dividir com quem atravessa necessidades muito semelhantes às nossas é o que nos constitui seres humanos. Mesmo que nem sempre sejamos uma humanidade tão humana assim.

Nos chamam seres humanos
Um tipo bem estranho de bicho
Herói de circo mexicano
Animais reprodutores de lixo
Nos chamam seres humanos
Mas isso nem sempre somos

Seres estranhos“, Os The Darma Lóvers, 2004.

Quem vai pagar a conta?

Sabemos que a emergência global do novo coronavírus, um verdadeiro apocalipse sanitário e social, está diretamente relacionada à falta de humanidade de “gestores” do mundo. São esses homens de negócios que, de dentro de seus espaços herméticos, tomam decisões sobre as vidas das singularidades desse tão controverso geoide. Para manter as economias funcionando, milhares de vidas se tornarão iguais a qualquer outro número que possa ser calculado por eles. Qual o preço do ar puro? Da água limpa, da comida sem agrotóxicos, do direito à moradia, do acesso à saúde… E quem pode pagar por tudo isso?

Aqueles economistas, nem tão Chicago Boys assim, estão fazendo as contas de quanto pode ser gasto para parecer que estão interessados em salvar vidas. Pois, afinal de contas, já está evidente que o trabalho deles é contar os corpos e calcular quanto cada cadáver custará para a economia. Uma bagatela em torno de 3%.

Entretanto, muitas pessoas seguem dando as costas aos “gestores do mundo, economistas, políticos, investidores da bolsa. São pessoas que seguem colaborando para suprir as necessidades mais básicas de pessoas que sofrem com as opressões de esquemas políticos e econômicos, sejam colegas de trabalho, vizinhança, indígenas, quilombolas, população de rua, LGBTQIA+, população negra e periférica, ou mesmo alguém que nem conhecem, como você e eu.


Apoio Mútuo em todas as direções

Em quase todos os lugares, as pessoas estão se articulando para fazer com as próprias mãos, sem esperar pela atuação de representantes ou intermediários, não apenas nas favelas ou nos grandes centros urbanos. A solidariedade e o apoio mútuo fortalecem os laços entre quem mais precisa e aquelas pessoas que mesmo diante da dificuldade podem se somar. Água, abrigo, alimento, afeto, atenção, cuidado. São inúmeras as possibilidades.

Algumas pessoas que conhecemos decidiram desenvolver um canal, um meio de comunicação, um espaço para compartilhar ferramentas e ampliar as redes de solidariedade, apoiando ações que conectam demandas ao fortalecimento de pessoas, grupos, coletivos e organizações que têm em comum princípios de inspirações anárquicas e anarquistas.

Conheça: apoiomutuo.com.br