A queda da nuvem e o chamado à autogestão digital

Boa parte da internet saiu do ar hoje. Em vez de depender da “nuvem”, poderíamos falar de infraestrutura própria, servidores comunitários e redes autônomas. Dizem que anarquistas são utópicos demais. Eis o exemplo prático. 18/11, dia em que a Cloudflare caiu.

Para falar de infraestrutura de internet no Brasil, é preciso encarar a infraestrutura de rede. Muita gente que poderia construir serviços comunitários está presa ao CGNAT para simplesmente acessar a rede. Sem endereços públicos e sem IPv6 funcional, autonomia vira exceção.

Em 2019, a Monstro colocou no ar um servidor usado via Tor. Depois rodamos o Yunohost. Hoje estamos novamente atrás de um CGNAT, sem recursos para contratar IP público. Isso deveria ser um direito de todes. Autonomia digital não é luxo. É condição para existir.

Servidores comunitários fortalecem autonomia e cuidado coletivo. Preservam privacidade, reduzem a dependência de big techs e mantêm serviços quando a nuvem falha. Compartilhar serviços forma pessoas para cuidar da infraestrutura. É autogestão digital na prática.

Ironia dolorosa. Dependemos das big techs e, quando os sistemas falham, perdemos o chão. Falta-nos prática em usar caminhos próprios para manter a conversa viva e compartilhar ideias com quem está na mesma luta. Sem autogestão, a rede vira silêncio temporário.


Post escrito durante a queda da CloudFlare em 18 de Novembro de 2025, por Baderna. Imagem Creative Commons de Open Grid Scheduler.

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