Monstro dos Mares em 2025: balanço do ano, desafios e novos caminhos para 2026

Monstro dos Mares em 2025: balanço do ano, desafios e novos caminhos para 2026

A Monstro dos Mares segue existindo graças à colaboração e ao afeto de pessoas que acreditam em projetos editoriais independentes, radicais e coletivos. Nossa estrutura permanece pequena, sustentada principalmente por Baderna e Caronte, com apoio essencial de amigas e amigos que contribuem em tecnologia, segurança digital, decisões editoriais, tradução, revisão, relacionamento com grupos e movimentos, além de muitas outras frentes que exigem cuidado e dedicação. Em 2025 enfrentamos dificuldades para mobilizar nossa rede de amizades e ainda vivenciamos uma situação delicada envolvendo uma pessoa responsável pela tradução de um dos livros. Era uma questão pessoal e de saúde mental, algo que todes na editora compreendem profundamente. Isso acabou nos deixando sem um lançamento no meio do ano e desorganizou nosso calendário editorial. Apesar disso, nossa prioridade sempre será o bem-estar das pessoas envolvidas. Que possam cuidar de suas vidas com serenidade e saibam que contam com nosso carinho.

O ano começou com a publicação de “Anarquia na era dos dinossauros”, um livro-manifesto que reúne ideias, táticas e histórias para quem deseja resistir às formas fossilizadas de poder que insistem em permanecer no mundo. Publicado originalmente em 2003 pela Curious George Brigade, coletivo vinculado ao CrimethInc, o livro chega ao português brasileiro em edição colaborativa, cuidadosamente revisada e redesenhada pela Monstro dos Mares. No final de 2025 lançamos “Brasil negro insurgente: anarquistas e socialistas libertários pretos e pardos da Primeira República”, que recupera vidas e trajetórias apagadas pela historiografia dominante. A partir de uma investigação extensa realizada por Jr. Karllos, a obra apresenta dezenas de militantes pretos, pardos e indígenas que atuaram no campo libertário durante a Primeira República, ampliando a compreensão sobre esse período.

Ainda sentimos os impactos das decisões tomadas em julho de 2024. Foi quando migramos toda a operação para impressão sob demanda, transferimos os fanzines para a Impressora Anarquista e passamos a organizar caixa para poder retornar às feiras e eventos presenciais. As repercussões financeiras dessas escolhas foram significativas. No entanto, não era possível manter a produção doméstica dos materiais enquanto desenvolvíamos novos livros. Optamos por simplificar a operação com o POD para recuperar tempo e energia e seguir colocando mais títulos no mundo, além de reforçar nossa presença em feiras, ruas e encontros culturais.

É isso que desejamos para 2026. Queremos publicar mais livros, fortalecer nossa rede de apoios, participar de mais eventos e ampliar o acesso ao que produzimos com tanto cuidado.

Valeu por estar com a gente em mais um ano de resistência editorial. Fortaleça nosso financiamento recorrente, que ainda precisa de muitas mãos, e venha caminhar conosco em 2026.


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