Manifesto ciborgue: por que ler Donna Haraway hoje

Haraway nos convida a encarar Manifesto ciborgue como um mito político irônico que desarma certezas e desafia fronteiras entre natureza e cultura, corpo e máquina, público e privado. O texto combina rigor teórico e imaginação crítica para propor novas formas de pensar tecnologia, poder e vida cotidiana.

A autora apresenta o ciborgue como figura híbrida que é, ao mesmo tempo, criatura da ficção e realidade social. Essa imagem permite articular materiais e simbólicos, evidenciando como arranjos tecnocientíficos moldam subjetividades, afetos e disputas políticas. O ciborgue desloca a pergunta sobre o que somos para a pergunta sobre com quem e com o que nos acoplamos.

Do ponto de vista literário, Manifesto Ciborgue torna visível um repertório que já pulsa na ficção científica e em outros gêneros especulativos. Ao aproximar especulação e experiência, o texto oferece chaves de leitura para obras que reescrevem limites de espécie, gênero e técnica, abrindo espaço para estéticas menos hierárquicas e mais heterogêneas.

Na ficção científica, a figura do ciborgue funciona como laboratório narrativo. Acoplamentos entre humanos, máquinas e infraestruturas tornam-se ferramentas para explorar dilemas éticos, regimes de vigilância, ecologias de cuidado e novas formas de coletividade. O Manifesto fornece linguagem e conceitos para interpretar esses mundos e produzir outros.

Para os estudos de gênero, o ciborgue opera como crítica a identidades fixas e essencialismos. Em lugar de origens puras, o texto afirma parcialidade, coalizões situadas e conexões parciais. Essa virada ajuda a imaginar alianças que não dependem de essências e a reconhecer potências políticas que emergem de corpos e técnicas em relação.

O livro importa também para debates sobre cultura digital e trabalho. Ao nomear a informática da dominação e suas promessas, o Manifesto oferece instrumentos para pensar desigualdades, racismo e exploração que atravessam sistemas técnicos. O ciborgue, nesse contexto, é um convite a reconstruir fronteiras de modo responsável e colaborativo.

Ler Manifesto ciborgue hoje significa recuperar um léxico crítico para enfrentar crises contemporâneas e cultivar futuros compartilhados. É um chamado à imaginação política que não abre mão da materialidade das vidas, das máquinas e dos mundos que elas co-produzem.


Manifesto Ciborgue

Podcast: Resistência, Autonomia e Interseccionalidade

No dia 11 de Setembro de 2019 a Editora Monstro dos Mares participou da videoconferência “Resistência, Autonomia e Interseccionalidade” promovida pelo Grupo de Estudos sobre Crítica Feminista Estadunidense (GRIFES), do projeto “Vertentes da Crítica Feminista Estadunidense” (UFPB/CNPq 2019-2020).

Na conversa com as participantes do GRIFES Abobrinha e Baderna fazem um bate-papo sobre as questões relacionadas entre epistemologias dissidentes, a possibilidade de uma universidade anárquica, feminismo e interseccionalidade. O áudio não ficou perfeito, mas estamos aprendendo a gravar.


Agora a Monstro dos Mares está utilizando o aplicativo Anchor, que se apresenta como uma alternativa na distribuição de podcasts principalmente no Spotfy e em outras plataformas. Aos poucos vamos adicionar mais canais para atender os diversos agregadores de podcasts, nesse momento, você pode adicionar ao seu aplicativo o endereço RSS:

RSS: https://anchor.fm/s/1ce24980/podcast/rss


Scroll to top