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[Vídeo] Rolê pela Editora Monstro dos Mares e agradecimentos do mês de Março

Ol√° compas!

No ano de 2019 nós decidimos criar vídeos apresentando alguns processos que a Editora Monstro dos Mares utiliza para fazer livros desde os primeiros passos. O vídeo de hoje é um rolê mostrando o computador, impressora, guilhotina, grampeador, capas e armazenamento.

No v√≠deo com um pouco mais de 5 minutos tamb√©m √© apresentado o equipamento conquistado com o apoio da ferramenta solid√°ria de financiamento recorrente e coletivo, o Catarse. As pessoas realizam pequenas contribui√ß√Ķes mensais a partir de R$5 e recebem (se quiserem) algumas recompensas por isso.

Neste mês de Março serão enviadas recompensas que trocamos com as as amizades da Imprensa Marginal Editora Anarcopunk e Distro que recebemos em nossa caixa postal.

Rolê

Nossos agradecimentos aos apoios de:

  • Lucas Soares
  • Claudia Mayer
  • Willian Aust
  • Jos√© Vand√©rio Cirqueira
  • Manu Quadros
  • Paulo Oliveira
  • Daniela de Souza Pritsch
  • F√°bio Rocha
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos
  • Guapo Magon
  • Apoiadoras e apoiadores an√īnimos

Agradecemos imensamente o apoio e o carinho das pessoas em nossa atividade. Acreditamos que livros contém em suas páginas todos os espectros de experiências capazes de transformar a humanidade.

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Dulcinéia Catadora: O fazer do livro como estética relacional

Por Livia Azevedo Lima* em trecho publicado em Akademia Cartonera

Dulcin√©ia Catadora √© um coletivo formado por artistas pl√°sticos, catadores e filhos de catadores que produz livros com capas de papel√£o, pintadas √† m√£o, e, al√©m disso, realiza oficinas, instala√ß√Ķes, ocupa√ß√Ķes de espa√ßos culturais, como bibliotecas, e interven√ß√Ķes urbanas.

O projeto derivou do coletivo Elo√≠sa Cartonera, criado em mar√ßo de 2003 pelo artista pl√°stico Javier Barilaro e pelo escritor Washington Cucurto, em Buenos Aires, Argentina. Com intensa atividade editorial, o grupo argentino possui um cat√°logo com mais de 100 t√≠tulos, entre autores novos e consagrados. Conquistou reconhecimento art√≠stico e social, cuja express√£o pode residir no convite para participar da 27¬™ Bienal de S√£o Paulo, em 2006, com curadoria de Lisete Lagnado, com t√≠tulo derivado da obra de Roland Barthes ‚ÄúComo viver junto‚ÄĚ. Durante a Bienal, formou-se um atelier em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participa√ß√£o de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros, com media√ß√£o da artista pl√°stica paulista L√ļcia Rosa, que j√° trabalhava com material reciclado. A partir deste contato, e do envolvimento e trabalho de L√ļcia Rosa, formou-se o projeto-irm√£o, Dulcin√©ia Catadora, que come√ßou a funcionar no Brasil a partir de 2007.

O nome Dulcin√©ia Catadora √© uma homenagem √† catadora Dulcin√©ia, mas tamb√©m √© o nome da personagem feminina do livro ‚ÄúDom Quixote de la Mancha‚ÄĚ, de Miguel de Cervantes. O papel√£o usado na confec√ß√£o dos livros √© comprado da cooperativa Coopamare por R$1,00 o quilo, valor cinco vezes maior do que o praticado usualmente para efeito de reciclagem. Os livros s√£o feitos com miolo fotocopiado em papel reciclado; encaderna√ß√£o simples, grampeada ou costurada; colados na capa de papel√£o pintada √† m√£o com guache. A diagrama√ß√£o √© feita pelos artistas e escritores e a sele√ß√£o dos textos, por um conselho editorial formado por escritores que colaboram com o projeto e se alternam neste trabalho, como Carlos Pessoa Rosa, Rodrigo Ciriaco, Fl√°vio Amoreira e Douglas Diegues, este √ļltimo tamb√©m colaborou para o coletivo Elo√≠sa Cartonera e fundou, em 2007, a cartonera Yiyi Jambo, no Paraguai.

A sele√ß√£o dos textos leva em considera√ß√£o n√£o apenas a qualidade liter√°ria e o conte√ļdo, como tamb√©m o car√°ter sociopol√≠tico, priorizando aqueles que atentem para as minorias sociais. Os autores cedem os textos, mediante autoriza√ß√£o escrita e recebem, em contrapartida simb√≥lica, cinco livros de sua autoria. Todos os livros podem ser traduzidos para o espanhol e divulgados por outras c√©lulas do projeto na Am√©rica Latina, (s√£o elas): Animita Cartonera (Chile), Elo√≠sa Cartonera (Argentina), Felicita Cartonera (Paraguai), Kurup√≠ Cartonera (Bol√≠via), Mandr√°gora Cartonera (Bol√≠via), Nicotina Cartonera (Bol√≠via), Santa Muerte Cartonera (M√©xico), Sarita Cartonera (Peru), Textos de Cart√≥n (Argentina), Yerba Mala Cartonera (Bol√≠via), Yiyi Jambo (Paraguai) e La Cartonera (M√©xico).

Essa rede de projetos pares que se formou na Am√©rica Latina √© um caminho alternativo ao mercado de arte e ao mercado editorial. O escritor que n√£o conseguia se inserir em uma grande editora, agora tem a possibilidade de ser editado e o seu texto poder√° circular por diversos pa√≠ses. Da mesma forma os catadores e os filhos de catadores que participam da oficina se abrem para novas possibilidades profissionais e desenvolvem seu potencial art√≠stico. A soma desses esfor√ßos orientados para um objetivo comum, apesar de cada projeto possuir suas especificidades, denota, politicamente, a busca por autonomia e, esteticamente, a realiza√ß√£o de um trabalho art√≠stico que est√° focado no resultado das trocas entre os indiv√≠duos que o produzem. As atividades do atelier geram renda, mas, sobretudo, promovem a autoestima e o interc√Ęmbio de experi√™ncias entre pessoas com origens e repert√≥rios diversos, que ali se encontram, em um espa√ßo aberto, para o exerc√≠cio do prazer de criar.

Livia Azevedo Lima cursa o terceiro ano da gradua√ß√£o em Comunica√ß√£o Social com √™nfase em Produ√ß√£o Editorial e Multimeios na Universidade Anhembi Morumbi, S√£o Paulo, Brasil. Escreve fic√ß√£o e trabalha como estagi√°ria de pesquisa no N√ļcleo de Documenta√ß√£o e Pesquisa do Instituto de Arte Contempor√Ęnea, em S√£o Paulo.