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Ch√° da tarde com abobrinha (3¬™ edi√ß√£o) ☕

Dia 23 de julho (quinta-feira) às 15h será realizado nosso terceiro vídeo ao vivo. Estamos muito felizes com a participação de tanta gente! São muitas perguntas, e queremos nos organizar bem para podermos discutir todas elas.

As perguntas coletadas para a próxima live são as seguintes:

  • Se os correios entrarem em greve, como voc√™s far√£o para entregar livros e zines?
  • Como ter vida familiar sendo editor?
  • Como voc√™s escolhem os pap√©is de capa e por que cores t√£o lindas?
  • Quais tipos de papel “grosso” voc√™s usam para fazer capas de zines?
  • Quem assina no Catarse recebe o que?
  • Qual o crit√©rio de escolha de textos para publica√ß√£o?
  • Por que publicar um livro parece ser t√£o dif√≠cil?

Além das perguntas, também falaremos sobre o novo livro que está pronto para ser lançado!

Esperamos vocês no Instagram @monstrodosmares. A live também será disponibilizada em nosso canal no Youtube, logo após a transmissão ao vivo.

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Ch√° da tarde com abobrinha (2¬™ edi√ß√£o) 🍵

Foi dia 18 de junho a segunda edi√ß√£o do nosso Ch√° da tarde. Foram realizadas algumas mudan√ßas, e achamos que deu muito certo. Melhoramos a ilumina√ß√£o, o posicionamento da c√Ęmera e a captura de som, al√©m da linda ficha para pauta em papel cor-de-rosa met√°lico (inspirada, talvez, na Pen√©lope do Castelo R√°-Tim-Bum 😁).

Você pode assistir à 2ª edição do Chá da tarde no IGTV e no YouTube.

Como explicamos neste post, decidimos usar o recurso dos vídeos ao vivo para entrar em contato mais próximo com as pessoas que nos acompanham on-line. A experiência tem sido muito legal para nós e já estamos pensando em mais maneiras de compartilhar as atividades da editora, falar sobre técnicas e sobre outros assuntos que estão no nosso dia a dia.

Agradecemos a todas as pessoas que puderam estar com a gente ao vivo, e também àquelas que estão nos acompanhando em outros momentos. Na próxima semana será aberta novamente a caixinha de perguntas no Stories do perfil da Monstro no Instagram e você poderá nos enviar suas perguntas. A caixinha vai aparecer uma vez por semana.

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Quer montar uma editora? 🖨️

Na mais recente edição do Chá da tarde (que você pode assistir no IGTV ou no YouTube), nós respondemos a uma pergunta que aparece frequentemente por aqui: Como montar uma editora?

A Editora Monstro dos Mares apoia e incentiva a prolifera√ß√£o de novas iniciativas editoriais, e uma das decis√Ķes que tomamos para 2020 foi a de compartilhar nossas experi√™ncias com esse tipo de projeto cada vez mais. A primeira sugest√£o que fazemos √© a leitura do texto “Para publicar – a necessidade de tinta no papel nas publica√ß√Ķes anarquistas da atualidade“, por Aragorn!.

O processo de colocar tinta no papel e entregá-los para pessoas que estão interessadas contém um espectro completo de experiências sobre como realmente podemos fazer alguma coisa. Como transformar boas ideias (e mesmo as meia-boca) em sucessos ou fracassos. No papel essas ideias tem um valor próprio, mais do que elogios, críticas e enganos, o resultado é jogar mais ideias para o mundo. O processo de transferir palavras impressas de lá pra cá, de você pra mim, é também a conexão primária que faz existir uma editora para dezenas, centenas ou milhares de pessoas que serão escribas do futuro, feitiçeirxs da anarquia, companheirxs que podem fazer as coisas acontecerem e as melhores amizades que você nunca vai ter.

Aragorn!

Se voc√™, como a gente, sente-se tocada por essas palavras e esse sentimento de conex√£o com a viagem da tinta no papel, montar uma editora certamente ser√° uma experi√™ncia fant√°stica. Nem tudo ser√° f√°cil, isso √© um fato, mas encontrar solu√ß√Ķes, compartilhar experi√™ncias, buscar alternativas e entrar em contato com as pessoas sempre traz muita satisfa√ß√£o.

Compartilhamos abaixo algumas reflex√Ķes sobre “por onde come√ßar”, baseadas na nossa experi√™ncia com a Monstro e com o que aprendemos com outros projetos semelhantes (e diferentes tamb√©m).

Compartilhe e discuta com seu grupo as seguintes perguntas:

O que você vai publicar?

Materiais com poucas p√°ginas, livros mais grossos? Isso vai ajudar voc√™ a descobrir quais ferramentas voc√™ vai precisar usar no dia a dia. √Č legal come√ßar pelo que voc√™ j√° tem dispon√≠vel para usar, ao inv√©s de come√ßar pensando no que voc√™ precisa conseguir. Assim, voc√™ mant√©m a realiza√ß√£o da atividade mais perto de voc√™ e se motiva a prosseguir. Muitas vezes, conseguir ferramentas √© muito mais f√°cil do que imaginamos. Lembre-se: ferramentas s√£o coisas que voc√™ usa. Ent√£o, mesmo que voc√™ n√£o tenha uma ferramenta pr√≥pria, pode ser que voc√™ consiga coisas emprestadas e doa√ß√Ķes. Uma tampa de fog√£o velha ou um peda√ßo de vidro grosso sem uso no por√£o de algu√©m podem ser uma m√£o na roda pra quem vai refilar no estilete. Use a imagina√ß√£o, pesquise t√©cnicas e fa√ßa adapta√ß√Ķes ‚Äď mas lembre-se de que a sua seguran√ßa tem que ficar em primeiro lugar.

Qual o contexto em que seu projeto est√° inserido?

Sua editora vai fortalecer um movimento que já existe, somar-se a alguma causa, distribuir material gratuito? Assim como o conhecimento, que só existe em contexto, uma editora não é um fim em si mesmo. Ela faz parte de um projeto e precisa fazer sentido dentro de uma comunidade. A Monstro, por exemplo, vende livros para poder distribuir materiais gratuitamente e fortalecer bibliotecas comunitárias, coletivos e pesquisadoras independentes. Em 2019, foram 665 livros e 1.399 zines distribuídos sem nenhum custo.

Quanto tempo você irá dedicar ao projeto?

Saber disso vai te ajudar a escolher os materiais, decidir sobre t√©cnicas, planejar a compra de insumos e a distribui√ß√£o do material finalizado, e tamb√©m a organizar o espa√ßo do qual voc√™ disp√Ķe. Por exemplo, se voc√™ vai dedicar os finais de semana para sua editora, talvez d√™ para colocar uma mesa no quintal e tocar a montagem do que foi impresso no fim de semana anterior (e ficou guardado em uma caixa debaixo da sua cama).

Que técnicas você irá utilizar?

Se você vai publicar zines, por exemplo, um grampeador comum, uma régua de metal (ou uma barra de metal mesmo), uma caixa de grampo e um estilete são suficientes para criar materiais muito legais. Como está o preço da fotocópia na sua cidade? Uma impressora de cartucho esquecida pode voltar à vida, e é possível aprender a recarregar um cartucho em casa (procure no YouTube!). Vai imprimir apenas em preto ou pensa em usar cores? Quer utilizar papel colorido nas capas ou vai fazer as artes em preto e branco (que podem ficar muito bonitas!)? Uma dica: costurar zines na máquina de costura dá um resultado muito legal, e existem várias técnicas de costura manual lindíssimas para aprender (no YouTube também!). Tendo uma noção dessas técnicas, você vai poder começar a fazer um levantamento dos materiais que você vai precisar e pesquisar preços no comércio da sua cidade ou pela internet.

Como será a distribuição?

Essa pergunta vai ajudar você a pensar na quantidade de material que você vai imprimir e distribuir, e também vai dar uma noção melhor da quantidade dos materiais que você vai precisar e a grana que você vai precisar para comprá-los. Se você vai distribuir em uma banquinha, por exemplo, lembre-se de que papel é uma coisa muito pesada e pode ser que você precise caminhar carregando caixa de zines, mochila, uma garrafa d’água, um pano para abrir no chão. Se você vai distribuir pelos correios, vai precisar de envelopes, fita, papel para embalar, etc.

Qual o espa√ßo de que voc√™ disp√Ķe?

Uma mesa que aguente o tranco e um computador são essenciais. Tem espaço para ter uma mesa só para a guilhotina ou base para cortar com estilete, ou vai alternar a mesa entre separação, montagem e corte? Onde você vai guardar os materiais impressos? Quanto mais material impresso, mais a questão do espaço para guardá-los se torna importante.


A Monstro nunca teve um caixa cheio e vistoso, e provavelmente nunca ter√°. Quando come√ßou, n√£o tinha impressora pr√≥pria e as ferramentas utilizadas na montagem eram coisas que as pessoas j√° tinham em casa. Hoje a editora tem quatro impressoras, mas foram oito anos de atividade e muita colabora√ß√£o para chegar nelas. Ainda temos muito para caminhar e chegar onde sonhamos: continuar realizando todo o processo artesanalmente, aumentar o volume de impress√Ķes para chegar a cada vez mais pessoas, e fazer tudo isso com uma infraestrutura mais amig√°vel.

Posso dizer que o que nos move √© a curiosidade, a pesquisa, a colabora√ß√£o, e a pr√°tica. Por isso, n√£o temos como responder com um valor fechado, e n√£o queremos fazer isso! A Monstro n√£o √© um ‚Äúneg√≥cio‚ÄĚ no sentido mais usual da palavra; quer dizer, n√£o √© algo que depende de um investimento inicial que precisa ser coberto em um espa√ßo de tempo determinado para que comece a gerar ‚Äúfrutos‚ÄĚ ‚Äď ou seja, valores financeiros. Um n√ļmero n√£o pode ser impedimento para voc√™ realizar aquilo que gosta. Por isso, observe o que est√° a seu redor e descubra o que voc√™ pode come√ßar a fazer a partir do que est√° √† m√£o. √Ä medida que outras necessidades forem surgindo, busque suas pr√≥prias solu√ß√Ķes para elas, fale com outras pessoas, pesquise. N√£o h√° roteiros nem caminhos definidos, existe a trajet√≥ria do que √© poss√≠vel ir fazendo √† medida que voc√™ faz. Busque inspira√ß√£o em outros projetos, crie suas respostas e fa√ßa livros!

Links que podem ser √ļteis:

Monte sua Banquinha РFacção Fictícia
Como dobrar zines
Macetes: posição dos grampos

Vídeos no Instagram da Monstro dos Mares

Refilando capa no bisturi
Colando livros de lombada quadrada
Usando a guilhotina de zines
Prensa de zines

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2020: coloque a editora do seu movimento/coletivo para navegar

Desde 2012, a Editora Monstro dos Mares vem passando por profundas modifica√ß√Ķes. Quem acompanha nosso bonde pode perceber que algumas t√©cnicas e o volume de impress√£o mudaram bastante, mas que a natureza de nossa atividade segue exatamente a mesma: publicar os modos de pensar e as pr√°ticas que formam os movimentos de luta social de nosso tempo. Entendemos que existe uma diversidade de ideias que constituem aquilo que pode se definir como ‚Äúluta social‚ÄĚ. N√£o temos interesse em defini√ß√Ķes r√≠gidas, pois compreendemos que vivemos em um mundo em constante mudan√ßa, no qual pessoas transformam e se transformam de forma ininterrupta. √Č simples imaginar que pr√°ticas de luta e resist√™ncia, bem como teorias e epistemologias que questionam o poder, o Estado e o estado de coisas, tamb√©m est√£o em movimento. Um livro aberto nunca ser√° est√°tico.

Somos monas, minas e manos agindo para destruir hierarquias, a centraliza√ß√£o do poder e a coer√ß√£o em todas as suas express√Ķes. Nosso posicionamento pol√≠tico-editorial est√° amarrado √†s necessidades de quem sofre cotidianamente com as formas de exclus√£o e precariza√ß√£o da vida. Nos alinhamos aos desejos e estudos de quem se identifica com o questionamento do que est√° posto e busca, atrav√©s da autonomia e da solidariedade, a constru√ß√£o de significados para compreender o nosso tempo e lutar contra todas as formas de opress√£o, por mais subjetivas que pare√ßam √† primeira vista. Essa proposta n√£o impede que as pessoas que integram nosso bonde editorial mantenham seus posicionamentos individuais, sejam filiadas a organiza√ß√Ķes, etc. Cada pessoa faz sua correria, movimenta√ß√£o de base, atua√ß√£o em grupos, coletivos e movimentos, ou mesmo seja algu√©m que utiliza o espa√ßo de produ√ß√£o acad√™mica e de pesquisa para contribuir com questionamentos e ideias para compor nosso cat√°logo de publica√ß√Ķes e materiais que escolhemos distribuir.

Editoras s√£o necess√°rias. Por isso, no ano de 2020 a Monstro dos Mares, al√©m de seguir com seu projeto de divulga√ß√£o acad√™mica an√°rquica, vai mobilizar seus esfor√ßos para ampliar a quantidade de novas editoras. Para cumprir esse objetivo, compartilharemos conhecimentos e aprendizados de m√©todos de produ√ß√£o e tudo aquilo que estamos aprendendo nesses oito anos de atividade, em que nos envolvemos ainda mais em fazer e distribuir livros e zines. Quando enviamos materiais para singularidades, grupos de estudos, pesquisadoras, bibliotecas, coletivos e movimentos, colocamos em pr√°tica aquilo que nos constitui como pessoas que lutam por emancipa√ß√£o, liberdade, apoio m√ļtuo, coopera√ß√£o e solidariedade em todas as express√Ķes da vida. Distribuir livros √© multiplicar a√ß√Ķes e compartilhar reflex√Ķes.

Convidamos todas as pessoas a somar em nosso propósito de transferir conhecimentos para que mais editoras possam existir, para que mais ideias possam ganhar as páginas das ruas e que mais pessoas possam aprender, instruir e compartilhar saberes e práticas anárquicas e anarquistas. Desde nossa primeira impressão nos alinhamos ao compromisso de fazer com que as palavras, a tinta no papel e a divulgação de ideias de nossas lutas possam ocupar espaço na articulação daquilo que constitui o que chamamos de luta social. Tocar uma editora é dar espaço às possibilidades.

Por um 2020 combativo: publique suas ideias!


abobrinha, baderna, enguia, R., ste, sullivan, tonho, zé.

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[Vídeo] Rolê pela Editora Monstro dos Mares e agradecimentos do mês de Março

Ol√° compas!

No ano de 2019 nós decidimos criar vídeos apresentando alguns processos que a Editora Monstro dos Mares utiliza para fazer livros desde os primeiros passos. O vídeo de hoje é um rolê mostrando o computador, impressora, guilhotina, grampeador, capas e armazenamento.

No v√≠deo com um pouco mais de 5 minutos tamb√©m √© apresentado o equipamento conquistado com o apoio da ferramenta solid√°ria de financiamento recorrente e coletivo, o Catarse. As pessoas realizam pequenas contribui√ß√Ķes mensais a partir de R$5 e recebem (se quiserem) algumas recompensas por isso.

Neste mês de Março serão enviadas recompensas que trocamos com as as amizades da Imprensa Marginal Editora Anarcopunk e Distro que recebemos em nossa caixa postal.

Rolê

Nossos agradecimentos aos apoios de:

  • Lucas Soares
  • Claudia Mayer
  • Willian Aust
  • Jos√© Vand√©rio Cirqueira
  • Manu Quadros
  • Paulo Oliveira
  • Daniela de Souza Pritsch
  • F√°bio Rocha
  • Eduardo Salazar Miranda da Concei√ß√£o Mattos
  • Guapo Magon
  • Apoiadoras e apoiadores an√īnimos

Agradecemos imensamente o apoio e o carinho das pessoas em nossa atividade. Acreditamos que livros contém em suas páginas todos os espectros de experiências capazes de transformar a humanidade.

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Rede de apoio Editora Monstro dos Mares

Ajude a manter nosso projeto de divulgação acadêmica e anárquica.

O projeto

Uma rede de apoio √© um grupo de pessoas interessadas em ver um rol√™ acontecer, se manter e seguir existindo. Depois de 8 anos fazendo livros e zines de forma absolutamente artesanal, com pre√ßos super honestos e com o objetivo de fazer com que os livros cheguem na m√£o de mais e mais pessoas, n√≥s da Editora Monstro do Mares decidimos que nossa jornada requer mais f√īlego para sobreviver, seguir existindo e se envolver em novas publica√ß√Ķes com mais profundidade. Por isso, estamos colocando o barco nas √°guas das contribui√ß√Ķes recorrentes, formando uma rede de apoio ao nosso projeto editorial acad√™mico e an√°rquico para seguirmos navegando!

Assine nosso projeto

Leia nosso Manifesto:

https://monstrodosmares.milharal.org/informes/nao-…

Fortaleça!
Livros e Anarquia!
[[[A]]]

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Publication Studio: a editora artesanal que j√° vendeu mais de 10.000 livros

Geralmente quando falamos sobre editoras artesanais, as pessoas costumam acreditar que criar livros com as m√£os seja uma ideia rom√Ęntica e distante de ser ‚Äúmodelo de neg√≥cio de sucesso‚ÄĚ. Bom, primeiro precisamos definir que modelo √© esse. Afinal, j√° sabemos que a maioria dessas pessoas, acredita num modelo capitalista, baseado na m√©trica de replica√ß√£o e escala. Quanto mais volume, maior o lucro. Definitivamente n√≥s rejeitamos esse modelo. Nosso sucesso √© criar objetos artesanais bonitos, que contenham boas hist√≥rias, que promovam o pensamento cr√≠tico e que possam ser reconhecidos por apresentarem-se em contraponto √† l√≥gica atual. Sim, ainda que tenhamos que vender os livros (mesmo aceitando trocas), n√£o significa que concordamos com essa l√≥gica, apenas estamos evitando fazer parte integral de suas motiva√ß√Ķes, formas de pensar e agir.


Com o surgimento de aparelhos como o Kindle, os tablets e o pr√≥spero formato de e-books, que espa√ßo nos resta para o livro ‚Äúf√≠sico‚ÄĚ em nossas vidas? Como podemos tratar adequadamente por livro um objeto que n√≥s podemos ler, falar, estar em contato com os amigos, etc‚Ķ Ser√° que aquilo que conhecemos por livro ter√° seu espa√ßo modificado, ser√° que isso tudo vai mudar, ou ser√° que j√° mudou?

Em 2009 na cidade de Portland (EEUU), o ex-editor liter√°rio da revista Nest, Matthew Stadler e uma jovem escritora chamada Patr√≠cia No utilizaram uma loja emprestada para fundarem a editora Publication Studio. Sim, eles estavam fodidos e sem grana, mas encontraram meios super baratos para confeccionarem livros encadernados manualmente, um de cada vez. A ideia de utilizar todos os meios poss√≠veis para fazer livros de artistas e autores locais que admiravam e vend√™-los para o p√ļblico parecia muito simples, at√© que o curador Jans Possel pediu √† dupla editar 20 livros para participarem da Bienal de Amsterdam. Stadler e No chamaram artistas pr√≥ximas de suas rela√ß√Ķes e mais 19 livrinhos brotaram. Depois disso, a editora nunca mais parou.

Construindo uma comunidade em torno dos livros artesanais

Dois anos mais tarde a editora ainda continuava crescendo, outras seis editoras surgiram nos Estados Unidos naquela época (Berkeley, Vancouver, Minneapolis, Toronto, Ontário e Los Angeles), cada uma usando as mesmas formas de baixo custo para fazer livros encadernados novinhos todos os dias. Em conjunto com essas novas editoras, a Publication Studio já lançou cerca de 90 títulos e vendeu mais de 10.000 livros artesanais.

‚ÄúNossos livros desafiam as no√ß√Ķes pr√©-concebidas sobre o que um livro pode ser, basta olhar √†s indefin√≠veis experi√™ncias poss√≠veis ao manusear um flipbook de arte como Blush, de Philip Iosca por exemplo. N√≥s entendemos que apesar de nossos m√©todos misteriosos, o sucesso da Publication Studio encontra-se na forma com que ela compartilha o sentimento de que n√£o se est√° apenas fabricando livros, mas tamb√©m produzindo um p√ļblico.‚ÄĚ Matthew Stadler

Ao contr√°rio de um mercado, um p√ļblico √© dif√≠cil de quantificar. √Č imposs√≠vel tra√ßar um gr√°fico ou pulular uma planilha. O p√ļblico √© nossa rede de editoras irm√£s, autores, encadernadores aut√īnomos, bibliotecas, livrarias e leitores, √© o resultado de conex√Ķes pr√©-existentes, amizades, uma modesta presen√ßa na web e muito boca a boca. No come√ßo em 2009, as 20 artistas tinham alguma rela√ß√£o com Stadler e No, n√£o precisou nenhum edital ou chamada p√ļblica para come√ßar as publica√ß√Ķes.

Por exemplo, quando Stadler enviou um email ao amigo e fot√≥grafo Ari Marcopoulos perguntando se havia interesse em publicar um livro, o fot√≥grafo respondeu 40 minutos depois com um PDF pronto para impress√£o de seu livro, The Round Up. Nem sempre os livros s√£o ‚Äúfermentados‚ÄĚ com esta velocidade. O primeiro livro da artista Vic Haven, Hit the North, foi criado um ano antes da publica√ß√£o, durante uma conversa informal na casa de Stadler. O livro foi lan√ßado em conjunto com uma mostra de arte numa tiragem limitada de exemplares.

Esse artigo é uma versão tosca do texto em inglês.