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[novidade] Deu monstro no milharal da internet

♬ Vomito o coração, de olhos abertos ergo meus punhos ao céu. / Do peito um grito se rasga aflito: Nunca mais submissão! / A colheita maldita aponta e indica: as crianças têm o poder. / É o fim senhores, as crianças cresceram e estão prontas para colher. – Colheita Maldita, Dance Of Days.

A partir de agora, a Editora Artesanal Monstro dos Mares faz parte do conjunto de blogs hospedados no Milharal, uma iniciativa de um grupo de voluntárixs para que mais projetos libertários e movimentos sociais possam utilizar sistemas seguros e em servidores de confiança.

Com essa migração, reafirmamos nossos compromissos com a luta social, com a liberdade dos povos e com a colaboração em rede de pessoas, grupos, coletivos, federações, comunidades, sindicatos e todas as pessoas que estão em movimento.

Nosso papel como editora, é esparramar cada vez mais tinta no papel, cada vez mais ideias circulando de mão em mão. Criar registros e documentação de nossa era, nossas lutas e pensamentos, para que essa geração permaneça no tempo, com tudo aquilo que fomos capazes de criar para destruir a opressão.

Saúde e Anarquia!

Adax, Simone BM, Burns, Celvio, Ênio, Karioka, Khynhu, Harmonia, Patrick, Vertov.

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Calendário de Novembro

A Editora Artesanal Monstro dos Mares estará presente em diversos eventos no mês de Novembro, graças a boa vontade das pessoas que participam deste coletivo publicador em se deslocar por aí e/ou ajudar com doações para custear viagens e impressões de mais e mais exemplares.

– dia 10, Feira do Livro Anarquista de São Paulo
– de 11 a 13, Colóquio Internacional Ciência e Anarquismo da USP
– dias 14, 15, 16 e 17, Aldeia Caiana, Vera Cruz, RS
– dias 15, 16 e 17, IV Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre
– dia 15, Festival Eu Quero é Rock II, Cachoeira do Sul, RS
– dia 16, Lançamento e conversa sobre O ANARQUISMO E SUAS ASPIRAÇÕES, Porto Alegre, RS
– dia 24, Vandalismo Cultural, Pindamonhangaba, SP (http://vai.la/3gi8)

Pedidos, encomendas, doações e informações por inbox ou através do e-mail monstrodosmares@riseup.net

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I Encontro Anarquista de Ribeirão Preto

I Encontro Anarquista de Ribeirão Preto, realizado pelo Coletivo Libertário Viver a Utopia nos dias 12 e 13 de Outubro no Memorial da Classe Operária. O evento contará com a presença de editoras e ocorrerá conjuntamente XII Expressões Anarquistas.

Informações:
http://viverautopia.org/
Fanpage no Facebook

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[reflexão] Para publicar – A necessidade de tinta no papel nas publicações anarquistas da atualidade (por Aragorn!)

Dentro de cada pessoa cínica, há um idealista desapontado.
– George Carlin

Se publicar é a prática de colocar tinta no papel e jogar na mão do povo, então criar uma editora é barbada (principalmente se for uma editora anarquista). Embora existam indiscutivelmente mais livros anarquistas sendo publicados do que em qualquer outro momento da história, a quantidade de leitores está diminuindo. Publicações anarquistas, sejam panfletos, jornais e revistas, estão reduzindo no universo inteiro. Cronogramas de publicação sem frequências definidas e diminuição das tiragens, indicam que o tempo do papel pode estar chegando ao fim para os periódicos anarquistas.

O indicador para essa contagem é que tem havido uma correspondente, se não maior, ascensão de publicações anarquistas na internet. Mas será que esse é realmente o caso? Isso vai depender do que você entende por publicação. Por exemplo, no site infoshop.org, podemos encontrar a maior e mais antiga publicação anarquista na web, ao longo de um ano, seria difícil encontrar um grande volume de conteúdo original na parte de notícias (já que é a mais ativa) para preencher as páginas de uma revista. Isto não é uma crítica, mas uma declaração de como uma publicação na internet é qualitativamente diferente de um jornal ou revista, onde republicações são a exceção e não a regra.

Por isso, talvez seja necessário uma definição mais ampla de publicação anarquista. Livrar-se de publicações de tinta e papel, pode ser visto como mais saudável e ecológico do que nunca. Sabemos que esses são dias felizes de discussões sobre os acontecimentos do outro lado do mundo, artigos escritos na semana passada, e detalhes picantes que antigamente teriam levado anos para descobrir sobre os heróis e vilões da anarcolândia (risos). Mas o que perdemos neste mundo novo da informação constante que se limita as telas, as conexões banda larga; especialistas das artes digitais, HTML, CMS, e manipulação de imagens?

O ritmo, o tato, a sedução, o contexto, a simplicidade, clareza, escrita bonita, profundidade, debate informado, e as relações pessoais aos autores é o que perdemos. É bem provável que essas coisas não vão voltar, nem nas publicações anarquistas ou em qualquer outra. Além disso, há uma massa crítica de leitores que deram adeus aos preços de venda; artigos longos demais; autores especializados; nome de editoras; cronogramas lentos de novas publicações e a quantidade de tempo levam para que periódicos possam ser impressos. As pessoas já não esperam impressões, em geral, as editoras que imprimem materiais estão desaparecendo uma a uma. Qualquer editor que deseja ser relevante deve manter uma presença na internet, mas o oposto disso também é verdade. O movimento em direção ao digital (evidenciado pelo número crescente de versões “apenas pdf” de publicações anarquistas) e incapacidade de um número maior de projetos capazes de ganhar voz própria é uma demonstração dos tempos sombrios que temos pela frente. Claro, haverá mais palavras, mais coisas jogadas contra as paredes digitais na esperança de ficar, mas isso não vai ser notado. Na melhor das hipóteses um novo tipo de elite virtual (que já existe e se diz dona de muitos espaços anti-autoritários) vão se virar na direção de um texto e pipocar novos links. E assim vão continuar na próxima semana. Até pintar a próxima coisa, a próxima falsa controvérsia, o próximo prazer, a próxima distração.

Isso é bem diferente do que acontece num zine, do mais humilde ao mais fantástico, até mesmo uma revista de crítica anarquista no fundo da mochila de um viajante. A tinta no papel contém mais possibilidades de serem redescobertos muitos anos depois, de encontrar um novo público. Editoras anarquistas de nossos tempos devem emergir como uma solução para um problema novo, que neste momento parece ser mais grave do que a própria extinção de editoras no século passado. Se a ideia de vivermos livres de coerção significou em algum momento vivermos livres do trampo de imprimir e distribuir, isto não tem se mostrado uma boa ideia. Existe um mercadão de ideias, nossas premissas de liberdade e anarquia já não parecem ser muito convidativas. O caminho é solitário e perigoso. Pode parecer pouco evidente, mas o processo de desejar a liberdade anarquista, de articular um mundo diferente enquanto estiver sob coação, é parte do processo para se tornar uma pessoa informada e educada ao longo da vida anarquista, tal como ler as palavras dos velhos anarquistas, ou o famoso FAQ.

O processo de colocar tinta no papel e entrega-los para pessoas que estão interessadas contém um espectro completo de experiências sobre como realmente podemos fazer alguma coisa. Como transformar boas ideias (e mesmo as meia-boca) em sucessos ou fracassos. No papel essas ideias tem um valor próprio, mais do que elogios, críticas e enganos, o resultado é jogar mais ideias para o mundo. O processo de transferir palavras impressas de lá pra cá, de você pra mim, é também a conexão primária que faz existir uma editora para dezenas, centenas ou milhares de pessoas que serão escribas do futuro, feitiçeirxs da anarquia, companheirxs que podem fazer as coisas acontecerem e as melhores amizades que você nunca vai ter.

Por Aragorn!
Versão para o português por Vertov

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[evento] No fundo do poço habita o monstro

“Enfie os pés no balde e segure firme na corda enquanto alguém gira a manivela. Pouco a pouco as paredes escuras do poço pintam toda a sua visão do mais puro breu, a temperatura baixa e a umidade do lugar toma conta dos seus ossos.

A corda desce, o balde se movimenta quebrando o silêncio sepulcral do poço, o eco do tilintar de pequenas pedrinhas e das goteiras dão a noção aos seus sentidos da altura em que estás, girando pela manivela é possível perceber que a água está cada vez mais próxima.

Lentamente seus pés mergulham, o corpo inteiro se resfria, rapidamente os tentáculos abraçam, envolvem e puxam sua carcaça humana para dentro do estômago do grande monstro. Lá, deslizando pelo tobogã ondulado da traqueia, repousas solenemente nos braços de seus companheiros e companheiras de luta para uma reunião.

Ao final do encontro sairás cuspida e mastigadamente, retornarás à palidez da superfície radiante de energia transformadora (ou pode ser apenas a baba de todas as conversas). Depois de dias de lutas e noites de amor, o carinho dos abraços, das rodas de chás e do sono perdido, serão não somente as boas histórias para contar deste mergulho e entregas no fundo do poço.”

Encontro de apresentação da Editora Artesanal Monstro dos Mares, debate sobre livros artesanais, recepção de novxs autorxs, inicio das atividades da garagem cultural biblioteca libertária e a urgência da literatura marginal nos dias de hoje.

Dia 24/09
19 horas
Rua Dona Hermínia, 2392.
Trazer contribuição para o jantar (dinheiro ou alimentos), se possível.
Cardápio será definido na hora.

Traga seu pendrive, notebook, tablet ou celular para troca troca de arquivos digitais.
Wi-Fi Free

Aceitamos doações de livros, revistas em quadrinhos, filmes em dvd e discos de vinil para o projeto da garagem cultural.

www.monstrodosmares.com.br

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[Livro] Cultura de Segurança: Um manual para ativistas

O livro “Cultura de Segurança” do Organizing for Autonomous Telecomms, um coletivo canadense de segurança da informação que está lançando a versão em Português do Brasil pela Editora Monstro dos Mares que informa como militantes e ativistas devem ficar atentos na atuação de infiltrados, informantes, agentes provocadores e vazamento de informações.

Esse é um manual para ativistas que estão interessados em criar e manter uma consciência e cultura de segurança nos movimentos sociais.

“Se nós queremos que nossos movimentos de ação direta continuem, é imperativo que comecemos a reforçar nossa segurança e a nos levar mais a sério. Agora é o momento de adotar uma cultura de segurança. Uma boa segurança é certamente a melhor defesa que temos.”

Cultura de Segurança – Um manual para ativistas
(Organizing for Autonomous Telecomms, versão brasileira Monstro dos Mares)
Cachoeira do Sul, Junho de 2013
Primeira Impressão
P&B, 30 páginas.

Download Grátis

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Dulcinéia Catadora: O fazer do livro como estética relacional

Por Livia Azevedo Lima* em trecho publicado em Akademia Cartonera

Dulcinéia Catadora é um coletivo formado por artistas plásticos, catadores e filhos de catadores que produz livros com capas de papelão, pintadas à mão, e, além disso, realiza oficinas, instalações, ocupações de espaços culturais, como bibliotecas, e intervenções urbanas.

O projeto derivou do coletivo Eloísa Cartonera, criado em março de 2003 pelo artista plástico Javier Barilaro e pelo escritor Washington Cucurto, em Buenos Aires, Argentina. Com intensa atividade editorial, o grupo argentino possui um catálogo com mais de 100 títulos, entre autores novos e consagrados. Conquistou reconhecimento artístico e social, cuja expressão pode residir no convite para participar da 27ª Bienal de São Paulo, em 2006, com curadoria de Lisete Lagnado, com título derivado da obra de Roland Barthes “Como viver junto”. Durante a Bienal, formou-se um atelier em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros, com mediação da artista plástica paulista Lúcia Rosa, que já trabalhava com material reciclado. A partir deste contato, e do envolvimento e trabalho de Lúcia Rosa, formou-se o projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar no Brasil a partir de 2007.

O nome Dulcinéia Catadora é uma homenagem à catadora Dulcinéia, mas também é o nome da personagem feminina do livro “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes. O papelão usado na confecção dos livros é comprado da cooperativa Coopamare por R$1,00 o quilo, valor cinco vezes maior do que o praticado usualmente para efeito de reciclagem. Os livros são feitos com miolo fotocopiado em papel reciclado; encadernação simples, grampeada ou costurada; colados na capa de papelão pintada à mão com guache. A diagramação é feita pelos artistas e escritores e a seleção dos textos, por um conselho editorial formado por escritores que colaboram com o projeto e se alternam neste trabalho, como Carlos Pessoa Rosa, Rodrigo Ciriaco, Flávio Amoreira e Douglas Diegues, este último também colaborou para o coletivo Eloísa Cartonera e fundou, em 2007, a cartonera Yiyi Jambo, no Paraguai.

A seleção dos textos leva em consideração não apenas a qualidade literária e o conteúdo, como também o caráter sociopolítico, priorizando aqueles que atentem para as minorias sociais. Os autores cedem os textos, mediante autorização escrita e recebem, em contrapartida simbólica, cinco livros de sua autoria. Todos os livros podem ser traduzidos para o espanhol e divulgados por outras células do projeto na América Latina, (são elas): Animita Cartonera (Chile), Eloísa Cartonera (Argentina), Felicita Cartonera (Paraguai), Kurupí Cartonera (Bolívia), Mandrágora Cartonera (Bolívia), Nicotina Cartonera (Bolívia), Santa Muerte Cartonera (México), Sarita Cartonera (Peru), Textos de Cartón (Argentina), Yerba Mala Cartonera (Bolívia), Yiyi Jambo (Paraguai) e La Cartonera (México).

Essa rede de projetos pares que se formou na América Latina é um caminho alternativo ao mercado de arte e ao mercado editorial. O escritor que não conseguia se inserir em uma grande editora, agora tem a possibilidade de ser editado e o seu texto poderá circular por diversos países. Da mesma forma os catadores e os filhos de catadores que participam da oficina se abrem para novas possibilidades profissionais e desenvolvem seu potencial artístico. A soma desses esforços orientados para um objetivo comum, apesar de cada projeto possuir suas especificidades, denota, politicamente, a busca por autonomia e, esteticamente, a realização de um trabalho artístico que está focado no resultado das trocas entre os indivíduos que o produzem. As atividades do atelier geram renda, mas, sobretudo, promovem a autoestima e o intercâmbio de experiências entre pessoas com origens e repertórios diversos, que ali se encontram, em um espaço aberto, para o exercício do prazer de criar.

Livia Azevedo Lima cursa o terceiro ano da graduação em Comunicação Social com ênfase em Produção Editorial e Multimeios na Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil. Escreve ficção e trabalha como estagiária de pesquisa no Núcleo de Documentação e Pesquisa do Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo.

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Publication Studio: a editora artesanal que já vendeu mais de 10.000 livros

Geralmente quando falamos sobre editoras artesanais, as pessoas costumam acreditar que criar livros com as mãos seja uma ideia romântica e distante de ser “modelo de negócio de sucesso”. Bom, primeiro precisamos definir que modelo é esse. Afinal, já sabemos que a maioria dessas pessoas, acredita num modelo capitalista, baseado na métrica de replicação e escala. Quanto mais volume, maior o lucro. Definitivamente nós rejeitamos esse modelo. Nosso sucesso é criar objetos artesanais bonitos, que contenham boas histórias, que promovam o pensamento crítico e que possam ser reconhecidos por apresentarem-se em contraponto à lógica atual. Sim, ainda que tenhamos que vender os livros (mesmo aceitando trocas), não significa que concordamos com essa lógica, apenas estamos evitando fazer parte integral de suas motivações, formas de pensar e agir.

Com o surgimento de aparelhos como o Kindle, os tablets e o próspero formato de e-books, que espaço nos resta para o livro “físico” em nossas vidas? Como podemos tratar adequadamente por livro um objeto que nós podemos ler, falar, estar em contato com os amigos, etc… Será que aquilo que conhecemos por livro terá seu espaço modificado, será que isso tudo vai mudar, ou será que já mudou?

Em 2009 na cidade de Portland (EEUU), o ex-editor literário da revista Nest, Matthew Stadler e uma jovem escritora chamada Patrícia No utilizaram uma loja emprestada para fundarem a editora Publication Studio. Sim, eles estavam fodidos e sem grana, mas encontraram meios super baratos para confeccionarem livros encadernados manualmente, um de cada vez. A ideia de utilizar todos os meios possíveis para fazer livros de artistas e autores locais que admiravam e vendê-los para o público parecia muito simples, até que o curador Jans Possel pediu à dupla editar 20 livros para participarem da Bienal de Amsterdam. Stadler e No chamaram artistas próximas de suas relações e mais 19 livrinhos brotaram. Depois disso, a editora nunca mais parou.

Construindo uma comunidade em torno dos livros artesanais

Dois anos mais tarde a editora ainda continuava crescendo, outras seis editoras surgiram nos Estados Unidos naquela época (Berkeley, Vancouver, Minneapolis, Toronto, Ontário e Los Angeles), cada uma usando as mesmas formas de baixo custo para fazer livros encadernados novinhos todos os dias. Em conjunto com essas novas editoras, a Publication Studio já lançou cerca de 90 títulos e vendeu mais de 10.000 livros artesanais.

Nossos livros desafiam as noções pré-concebidas sobre o que um livro pode ser, basta olhar às indefiníveis experiências possíveis ao manusear um flipbook de arte como Blush, de Philip Iosca por exemplo. Nós entendemos que apesar de nossos métodos misteriosos, o sucesso da Publication Studio encontra-se na forma com que ela compartilha o sentimento de que não se está apenas fabricando livros, mas também produzindo um público.Matthew Stadler

Ao contrário de um mercado, um público é difícil de quantificar. É impossível traçar um gráfico ou pulular uma planilha. O público é nossa rede de editoras irmãs, autores, encadernadores autônomos, bibliotecas, livrarias e leitores, é o resultado de conexões pré-existentes, amizades, uma modesta presença na web e muito boca a boca. No começo em 2009, as 20 artistas tinham alguma relação com Stadler e No, não precisou nenhum edital ou chamada pública para começar as publicações.

Por exemplo, quando Stadler enviou um email ao amigo e fotógrafo Ari Marcopoulos perguntando se havia interesse em publicar um livro, o fotógrafo respondeu 40 minutos depois com um PDF pronto para impressão de seu livro, The Round Up. Nem sempre os livros são “fermentados” com esta velocidade. O primeiro livro da artista Vic Haven, Hit the North, foi criado um ano antes da publicação, durante uma conversa informal na casa de Stadler. O livro foi lançado em conjunto com uma mostra de arte numa tiragem limitada de exemplares.

Esse artigo é uma versão tosca do texto em inglês.

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Modelo editorial colaborativo: uma forma coletiva de fazer e distribuir livros

Sim! existem muitas pessoas que sabem e gostam encadernar livros, e também muitos escritores interessados em público. Nosso único desejo é de criar uma forma de intercâmbio entre estas pessoas, e se possível entre elas e os leitores.

Uma editora colaborativa como a Monstro dos Mares é um conceito, não uma instituição. Assim, não existe apenas uma única forma para fazê-la existir. A ideia básica é que os escritores criem conteúdo, repassem para os encadernadores, e estes, confeccionem o livro-objeto de forma artesanal, que em breve estará nas mãos dos leitores. Basta então tornar possível esta união, mais ou menos assim:

  • Que o leitor possa solicitar os livros que quer ler, pagando um preço justo por ele.
  • Que o encadernador tenha acesso à obra do autor, de forma que possa imprimi-la e enviá-la ao leitor, recebendo sua parte pelo trabalho exercido.
  • Que autor e encadernador possam criar uma relação de cooperação, onde o autor escreve e envia seus livros para os encadernadores, e recebe sua parte devida.

O processo é simples: depois de definida a edição, a Monstro dos Mares recebe do autor o texto no formato bruto, imprime, encaderna e envia aos pontos de venda. Quando vendidos, o montante dos recursos conquistados são repartido entre vendedor, autor, editora e fundo de lançamento de novas publicações.

Confecção artesanal de livros

A encadernação de um livro, no formato tradicional, pode ser feita simplesmente prendendo as folhas e passando cola. O material pode ser impresso por computador, ou simplesmente a partir de tradicionais fotocópias. O procedimento é simples:

  1. O autor cria o conteúdo
  2. O texto é editado utilizando um processador de texto comum ou software de editoração eletrônica
  3. O material é impresso
  4. As folhas são cortadas, usando uma tesoura, estilete e régua ou guilhotina
  5. As páginas são coladas ou costuradas
  6. A capa é anexada ao conjunto
  7. Registra-se com um carimbo o número do exemplar

O custo é acessível, pois o maquinário varia de uma tesoura a um computador com impressora. O mais importante é que neste método o custo por exemplar é “plano”, ou seja, tanto faz um ou um milhão de exemplares, que o custo final é o mesmo. Desta forma, pode-se criar livro a livro, dando margem para extrema personalização do material.

Vantagens de um modelo distribuído

Já que os livros são feitos um a um, existem diversas vantagens neste modelo:

  • Há necessidade de estoque é mínima, com pouco risco de encalhe, pois a produção pode ser feita conforme uma demanda.
  • Alta personalização do exemplar
  • Baixo investimento
  • Já que o risco é baixo o custo torna-se acessível, ou seja: livros mais baratos
  • Modelo mais inclusivo de produção intelectual
  • Os participantes estão junto da comunidade (moram onde comercializam), fazem parte dela e sabem quais suas necessidades, podendo supri-la em termos de informação

Criar, manter e ampliar uma editora artesanal é simples, nós estamos dando o pontapé inicial na Monstro dos Mares, mas você pode pegar essas ideias e começar a sua cooperativa de trabalho, editora doméstica, artesanal ou mesmo se juntar a nós. Vamos em frente!

¡A Las Barricadas!
Inspirado no artigo publicado no CMI